5.1 How is failure perceived in an accelerator program?
5.1.3 Peer-to-peer learning from failure
O estudo, ao analisar a discursividade de gestores sobre as ações de busca de casos de tuberculose e a relação com o retardo ao diagnóstico da tuberculose no município de João Pessoa – PB, à luz da interface dos conceitos de vigilância da saúde e gestão em saúde, identificou os seguintes fatores que contribuem para o retardo do diagnóstico da tuberculose: 1)fatores relacionados ao doente: o preconceito; 2)fatores relacionados à atenção básica: não acontece a busca ativa de casos novos de TB, a busca é eminentemente passiva, a atenção básica não está preparada para realizar a busca de casos novos, na porta de entrada do serviço há dúvidas por parte do profissional sobre a busca ativa e o ACS não está qualificado para identificar sintomáticos respiratórios; 3)fatores relacionados à gestão: os apoiadores desconhecem as políticas públicas referente à tuberculose e 4)fatores relacionados a formação dos profissionais de saúde: os profissionais das equipes de saúde não estão qualificados para a realização da busca de casos de tuberculose.
A análise do material empírico revelou o entorno dos motivos identificados, emergindo discussões acerca dos fatores relacionados à busca de casos de tuberculose que concorrem para o retardo do diagnóstico da TB, analisando desta maneira a organização das ações de busca de casos de tuberculose. Também foi discutida a relação entre as dificuldades de realização de busca de casos de tuberculose e o modelo de gestão implantado no município de João Pessoa visando analisar a identificação dos principais fatores envolvidos no retardo ao diagnóstico da TB.
No tocante aos fatores relacionados à busca de casos de tuberculose que concorrem
para o retardo do diagnóstico da TB podemos perceber que há falhas na organização dos
serviços de saúde quanto ao percurso que o doente de TB realiza para obter o diagnóstico, o desconhecimento dos gestores em relação ao verdadeiro significado da busca ativa (o que contribui para que aconteça uma busca passiva de casos novos) e a falta de planejamento de ações voltadas para a busca de casos de tuberculose.
No que diz respeito à relação entre as dificuldades de realização de busca de casos de tuberculose e o modelo de gestão implantado no município de João Pessoa pode-se perceber
que dentro do plano estratégico de atenção à saúde os apoiadores matriciais gerenciam unidades integradas de saúde, entretanto, mesmo assumindo posição de gestores de saúde, os mesmos não se apresentam qualificados ou empenhados para tal função, revelando desconhecimento sobre ações de controle da tuberculose em seus vários aspectos. Os fatores apresentados pelos apoiadores como dificultadores do trabalho das equipes de saúde que
realizam a busca de casos de tuberculose foram o preconceito dos usuários em relação a TB, a pouca participação da comunidade e a qualificação profissional.
A partir da síntese dos fatores analisados, destacam-se três aspectos de relevância dentro da proposta deste estudo para ser mais bem considerada: a busca de casos novos, a figura do ACS e o papel do gestor.
Dentro do aspecto busca de casos novos, além de sua inexistência, pode-se notar também que ela é confundida com o monitoramento terapêutico ou abandono de tratamento, pois nos discursos analisados percebeu-se que os gestores procuram verificar os suspeitos já existentes, mas não buscam casos novos. Devido à esta característica, ações correspondentes a um modelo de atenção a saúde que incorpora a visão de vigilância da saúde não acontecem, fazendo-se necessária a vigilância constante na demanda dos serviços de saúde pelos profissionais de saúde que devem incorporar esta ação como rotina na atenção primária à saúde e não deixá-la a cargo apenas de períodos de campanhas por determinação do Ministério da Saúde.
Em relação ao ACS, embora tenha sido apontado por unanimidade como um elemento imprescindível para o diagnóstico precoce da TB e conseqüentemente para o controle da doença, foi constatado que este elemento não recebe qualificação para tais ações. A responsabilidade de identificar sintomáticos respiratórios na maioria das vezes fica a cargo do ACS, que mesmo sem ter conhecimentos são lançados ao território com a atribuição de assumir algo que é de responsabilidade não só sua, mas de toda uma equipe.
E por fim o papel do gestor, onde através das falas dos gestores, pode-se perceber que o discurso está permeado de compreensões e tensões próprias da formação e da incompreensão da política de saúde do município de João Pessoa-PB. Após a observação das formações ideológicas dos gestores podemos constatar algumas contradições no tocante à política de saúde do município de João Pessoa – PB. Os gestores demonstram não estar apropriados de conceitos vitais ao sucesso da incorporação de ações correspondentes ao modelo de atenção a saúde que tem serviços e ações pautado na atenção integral e humanizadas, como, por exemplo, Busca Ativa, Vigilância da Saúde, Humanização em Saúde e de Co-gestão. Entendendo que sem a apropriação destas ferramentas teórico-conceitual torna-se impossível de ser extraído de suas práticas gerencias um modelo biomédico e positivista. Contrariando desta maneira a proposta de mudança do município para um modelo de determinação social da saúde, com ações amparadas na atenção integral e humanizadas, o que levará fatidicamente ao insucesso das ações de controle da TB, propiciando assim o Retardo do Diagnóstico.
Os discursos dos gestores mostram que a organização das ações de controle da TB não investe na busca de casos de tuberculose, o que contraria a concepção de Vigilância da Saúde e valoriza a assistência baseada na queixa-conduta. Fica também evidente, na análise dos discursos dos gestores, a fragmentação das ações, a falta de articulação entre os serviços e setores, o cumprimento de tarefas bem como a falta de planejamento estratégico.
Com o intuito de detectar mais precocemente os casos de TB, os membros das equipes de saúde devem incorporar a busca de casos novos de tuberculose à rotina dos serviços de saúde. Neste sentido, os gestores devem organizar ações que venham favorecer a busca de sintomáticos respiratórios e compreender os fatores relacionados à busca de casos concorrem para o retardo do diagnóstico da TB.
A percepção dos gestores de saúde sobre a importância da organização de ações para a realização de busca de casos de tuberculose vai de encontro ao sucesso de suas atividades gerenciais, sendo necessário, para uma percepção eficaz, o entendimento dos gestores sobre o percurso que o doente de TB realiza para obter o diagnóstico, o que é a busca de casos novos, quem faz esta busca, se esta busca esta acontecendo de uma maneira ativa ou passiva, o planejamento de ações para a realização de busca de casos de tuberculose, como também conhecer estratégias de controle da tuberculose. Espera-se que os resultados apresentados neste estudo orientem caminhos para uma gestão centrada no enfoque da Vigilância da saúde, assegurando desta forma ações que não favoreçam o Retardo do diagnóstico da tuberculose.
Após estas constatações, chama-se a atenção para uma melhor compreensão da importância da gestão oferecer caminhos para a realização de um processo de trabalho que viabilize a execução de ações do controle da tuberculose, como a busca de casos de tuberculose. Tal ação representa um dos eixos estruturantes do controle da tuberculose, dada à importância da detecção dos casos na comunidade, sendo preciso, portanto, que a gestão repense a organização dos serviços nas unidades de saúde para efetivamente influenciar não apenas a redução das estatísticas de controle da tuberculose, mas também nos problemas sociais que cercam a TB, bem como o tempo de redução do sofrimento humano, já que toda ação, tem por fundamento o bem.
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