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Pedagogiske utfordringer i den digitale skriftkulturen Pc-en som lese- og skriveverktøy

Figura 2: Capa da Coleção Para viver juntos: português

A coleção “Para viver juntos: Português” foi indicada pelo PNLD 2014 e editada em 2012, pela Editora SM. É composta por quatro volumes, dedicados aos 6o, 7o, 8o e 9o anos do Ensino Fundamental.

No interior dos livros, já nas primeiras páginas, observa-se um esquema denominado “Conheça seu livro”. Nele, os autores se utilizam do plano de expressão verbo-visual com a finalidade de apresentar a obra, ajudando o seu leitor a compreender como o livro se organiza. Cada seção e subseção recebe destaque com marcas visuais que apontam para notas explicativas de cada seção, como também o resumo de seus objetivos.

A título de exemplificação de uma das páginas referidas acima, apresentamos, a seguir, a figura 3. Vale destacar que a página, observada na figura, pode ser encontrada em todos os volumes dessa coleção:

Figura 3: COL 1. Vol. 7. Conheça o seu livro. 2012, p. 4-5

Na sequência, os autores disponibilizam o sumário da obra, tal como demonstramos a seguir:

Figura 4: COL 1. Vol. 7. Sumário. 2012, p. 8-9

A figura 4 apresenta o sumário da obra organizado em 9 capítulos, sendo os oito primeiros dedicados a um específico gênero discursivo (dependendo dos objetivos do capítulo), como lenda, conto, mito etc., e o último (o capítulo 9), destinado à revisão dos conteúdos estudados nos anteriores.

Cada capítulo divide-se em duas principais seções, denominadas “leitura 1” e “leitura 2”. Essas seções, por sua vez, subdividem-se em blocos de atividades, como: Estudo do texto, Produção de texto, Reflexão linguística e Língua viva. Cada capítulo é finalizado com um boxe que ora é chamado de “Oralidade”, ora “Caixa de ferramentas”, ora “Projeto”. O primeiro e este último boxes trazem sempre um projeto de trabalho a ser desenvolvido em grupo, com propostas de elaboração de relatórios, debates, apresentação de painéis etc. O boxe “Caixa de

ferramentas” traz procedimentos de pesquisa e de estudo.

Com base no Guia do Livro didático (BRASIL,2013), podemos dizer que o trabalho proposto nessa coleção baseia-se nos gêneros textuais e atende às orientações do documento, ressaltando um trabalho articulado entre leitura e escrita. O gênero explorado em atividades de leitura são os mesmos trabalhados em atividades de escrita.

Os eixos privilegiados nessa obra são a leitura, a produção de textos e os conhecimentos linguísticos. Para a leitura, são selecionados gêneros de diferentes esferas sociais, explorados em sua composição, condições de produção, estratégias e procedimentos envolvidos na compreensão do texto. Assim, destacamos do Guia do livro didático (BRASIL, 2014a, p.74):

Visando ao desenvolvimento de capacidades de usos da língua, as atividades de leitura e de produção de textos escritos, nesta coleção, têm como diretriz o trabalho com gêneros textuais próprios de diferentes esferas discursivas. Nesses dois eixos de ensino, o trabalho é proposto de forma articulada, pois os gêneros explorados nas atividades de leitura são os mesmos solicitados na escrita, e alguns dos gêneros produzidos são socializados por meio de atividades associadas à leitura. As propostas contemplam o modo organizacional e as condições de produção desses gêneros e consideram as estratégias e os procedimentos linguísticos implicados tanto na compreensão como na produção textuais.

No que se refere ao eixo conhecimentos linguísticos, recorre-se frequentemente à metalinguagem, mas também à abordagem numa perspectiva textual ou discursiva. Encontramos no Guia do livro didático (BRASIL, 2014a, p. 74):

Na abordagem dos conhecimentos linguísticos, apesar do recurso frequente à metalinguagem, a tendência predominante é a perspectiva textual e discursiva. Enfatizam-se a função e o uso de recursos linguísticos no texto, focalizando-se sua contribuição para os efeitos de sentido produzidos.

No eixo da oralidade, privilegia-se o desenvolvimento de habilidades do oral, por meio do estudo de gêneros do oral, como entrevistas, seminário, comunicado etc.

A coleção apresenta diversidade de gêneros, com temas variados que abordam: aventuras urbanas e contemporâneas, lendas populares, mitos, temas do cotidiano. As atividades de leitura e a produção de textos escritos parecem ser concebidas como atividades articuladas. Assim, explora-se um único gênero, tanto nas atividades de leitura como nas de produção escrita. Apresentamos um exemplo, a seguir:

Figura 5: COL 1. Vol. 7. Leitura 1. 2012, p. 12 e 20

A Figura 5 apresenta um exemplo que parece ser uma regularidade na coleção: determinado gênero é explorado em todo o capítulo. Nesse caso, o gênero “conto” situa-se no Capítulo 1, do volume do 7º ano, e é explorado, na forma de exercícios, nas seções “Leitura 1” e “Leitura 2”, seguidas da seção “Produção de texto”. Esse tipo de organização, destacado, inclusive, pelo Guia do livro didático (BRASIL, 2013), constitui-se como característica em todos os volumes da Coleção.

Os gêneros selecionados para a leitura em cada ano são os seguintes:

 6º ano: romance de aventura, conto popular, história em quadrinhos, notícia, relato de viagem, diário de viagem, poema, artigo expositivo de livro paradidático, artigo de divulgação científica e entrevista;

 7º ano: conto, mito, lenda, crônica, reportagem, artigo de divulgação científica, artigo expositivo de livro didático, poema, carta ao leitor, carta de reclamação e artigo de opinião;  8º ano: conto de enigma, conto de terror, romance de ficção, conto fantástico, diário íntimo,

diário virtual, verbete de enciclopédia, artigo de divulgação científica, texto dramático, poema, artigo de opinião, carta do leitor e debate;

 9º ano: conto psicológico, conto social, conto de amor, crônica esportiva, reportagem, artigo de divulgação científica, verbete de enciclopédia, texto dramático, roteiro, propaganda e resenha crítica.

Importante destacar que cada seção de leitura é introduzida por um enunciado visual (frequentemente uma reprodução de pintura ou uma fotografia) ou verbo-visual (como, por exemplo, tiras), seguido de questões que, a nosso ver, buscam explorar a sintaxe visual como alimentação temática para a introdução do conteúdo a ser trabalhado ou do gênero a ser estudado. Apresentamos, a seguir, um exemplo dessa estratégia:

Figura 6: COL 1. Vol. 7. Atividade de leitura. 2012, p. 10-11

A figura 6 pode representar uma estratégia de ensino que parte do visual para desenvolver conceitos e conteúdos do capítulo. Embora pareça uma boa estratégia de ensino, faltam-nos elementos, que só a análise poderá nos fornecer, a fim de podermos compreender

como se dá a articulação da materialidade visual com a verbal (por meio dos exercícios) e de que forma produzem efeitos de sentido com vistas aos objetivos estabelecidos para tal conteúdo de ensino.

Para o desenvolvimento de estratégias, como ativação dos conhecimentos prévios, formulação e verificação de hipóteses, localização e retomada de informações, inferências e compreensão global do texto, a fim de propiciar a construção do sentido, os textos apresentados são explorados a partir de questões propostas em seções denominadas “Estudo do Texto”, “Para entender o texto”, “O contexto de produção” e “A linguagem do texto”.

O Guia do livro didático (BRASIL, 2013) destaca a coletânea de textos da coleção “Português: para viver juntos” como “um instrumento eficaz de letramento do aluno” (p. 76), dado relevante ao nosso trabalho, uma vez que pretendemos compreender de que modo as propostas de leitura são articuladas, propiciando a formação do aluno para a leitura de textos verbo-visuais. Esse é um dado sobre o qual nos debruçaremos, nas etapas de análises quantitativa e qualitativa.

A leitura atenta do Manual do Professor leva-nos a entender a leitura como processo de significação entre interlocutores. Nas palavras dos autores, a leitura é compreendida “como processo de significação para o qual é imprescindível a interação entre interlocutores” (PENTEADO et al., 2012, p. 7), previsto em um movimento dialógico entre leitor e texto, num processo que, segundo os autores, passa pelas capacidades de decifração, interpretação, reflexão e reavaliação de conceitos, renovados a cada leitura.

A construção dos sentidos do texto é vista como um trabalho realizado pelo leitor. Este decifra a materialidade textual e a contrapõe aos sentidos já conhecidos por ele, somando-os aos sentidos do texto:

A construção dos sentidos do texto [...] não acontece de maneira natural e espontânea. É trabalho realizado pelo leitor que, enquanto decifra a materialidade textual, vai contrapondo os sentidos que construiu ao longo de sua experiência vivida aos incluídos no texto pelo seu autor (COSTA et al., 2012, p. 7).

A afirmação anterior parece sugerir que os possíveis efeitos de sentido estão presentes no texto e que, ao se decifrar a materialidade linguística, podem ser construídos.

linguística, especialmente quando a materialidade é a verbo-visual, e de que forma o tratamento dado à materialidade, por meio das perguntas referentes ao texto, pode, de fato, contribuir para a sua compreensão e construção dos sentidos.

No que se refere à produção de textos escritos, temos os seguintes gêneros na coleção como um todo:

 6º ano: narrativa de aventuras, conto popular, história em quadrinhos, notícia, relato de viagem, diário de viagem, poema, artigo expositivo de livro paradidático, artigo de divulgação científica e entrevista;

 7º ano: conto, mito, lenda, crônica, reportagem, artigo de divulgação científica, artigo expositivo de livro didático, poema, poema visual, carta ao leitor, carta de reclamação e artigo de opinião;

 8º ano: conto de enigma, conto de terror, conto de ficção científica, conto fantástico, diário íntimo, diário virtual, verbete de enciclopédia, artigo de divulgação científica, texto dramático, poema, artigo de opinião e carta do leitor;

 9º ano: conto psicológico, conto social, conto de amor, crônica esportiva, reportagem, artigo de divulgação científica, verbete de enciclopédia, texto dramático, roteiro, propaganda e resenha crítica.

Segundo o Guia do livro didático (BRASIL, 2013), a produção de textos escritos recebe atenção destacada na coleção, apresentando propostas consistentes, articuladas ao trabalho com a leitura. Essas propostas acompanham a diversidade de gêneros, de letramentos, de suportes e de esferas, atentando para a diversidade e para as características do público alvo. A seção “Produção de texto” é subdividida em subseções, denominadas:

 Aquecimento – na qual são retomadas as características básicas do gênero estudado;  Proposta – em que se concretiza a proposta de escrita, à medida que se expõem os objetivos da tarefa;

 Planejamento e elaboração do texto – em que se apresentam orientações sobre as etapas a serem seguidas na produção textual;

 Avaliação e reescrita do texto – na qual se propõem estratégias para avaliar a produção: leitura para os colegas em grupo ou em dupla, para o professor, leitura silenciosa. Por fim, apresentam-se dicas variadas de ilustração, organização de volume impresso e formas de divulgação.

No eixo “Oralidade”, são privilegiados os seguintes gêneros:  6º ano: relato de história familiar, parlenda, adivinha e exposição oral;

 7º ano: entrevista, contação de histórias e debates;  8º ano: contação de causos, seminários;

 9º ano: contação de histórias de assombração, pesquisa de opinião, assembleia.

No que se refere ao eixo “Oralidade”, o Guia do livro didático (BRASIL, 2013) destaca duas formas de abordagem. A primeira tem um caráter instrumental, favorecendo trocas de opinião, conversas com os colegas, reflexões sobre valores. Tais atividades são exploradas especialmente na articulação com o eixo da leitura, nas seções denominadas “Converse com os colegas”, “Sua opinião”, “Boxe de valores”. A segunda explora a produção oral e as estratégias que a envolvem, como seleção do tema, entonação de voz etc., com instruções de planejamento e indicação de aspectos da constituição dos gêneros, e estão situadas especificamente na seção “Oralidade”.

No que tange aos conhecimentos linguísticos, a coleção propõe o trabalho a partir dos usos da língua e da linguagem e da reflexão sobre os conhecimentos linguísticos como um todo, “sejam eles discursivos, textuais, gramaticais ou notacionais” (PENTEADO et al., 2012, p. 11). Os conteúdos trabalhados nessa seção são os abaixo relacionados:

 6º ano: linguagem verbal e não verbal; conceito de língua, texto e produção de sentidos; letra e fonema; variação linguística; encontro consonantal e dígrafo; substantivos; adjetivo; sílaba tônica e acentuação; artigo; numeral; determinação e indeterminação; interjeição; pronomes pessoais e de tratamento; pessoas do discurso; coesão textual; verbos; acentuação; o verbo na construção da argumentação; verbo: formas nominais; o gerundismo; emprego do g e do j;  7º ano: substantivo e seus determinantes; preposição; locução prepositiva; emprego do x e do ch; pronomes e coesão; ditongos abertos ei, eu, oi; verbos; advérbios; emprego de s, z e x; diferenças entre a fala e a escrita; variação linguística; frase, oração e período; uso de frases nominais; sujeito e predicado; recursos de coesão; uso de mau ou mal; a gente ou agente; emprego do c, ç, s e ss; transitividade verbal; objetos e construção dos sentidos; objeto direto e objeto indireto; mas e mais; a e há; afim e a fim; tipos de predicado; verbo significativo e as sequências de ações; verbo de ligação e predicativo do sujeito; predicado nominal; emprego do sc, sç e xc;

 8º ano: revisão: sujeito; índice de indeterminação do sujeito; efeitos de sentido da indeterminação do sujeito; revisão: o verbo e seus complementos; a transitividade verbal e a precisão de informação; vírgula entre os termos da oração; adjunto adverbial e adnominal; homônimos; predicativo do sujeito; as marcas da subjetividade na exposição dos fatos; revisão:

predicado nominal e verbal; predicado verbo-nominal; parônimos; complemento nominal; o emprego de s e do z nas determinações; -e/-eza e ês/-esa; vozes verbais; agente da passiva; grafia de verbos abundantes; aposto; vocativo; conjunção; a ordem das orações e a produção de sentido; período simples e composto; a conjunção como elemento de coesão, porque/ por que / porquê / por quê; orações coordenadas; o emprego do hífen;

 9º ano: revisão: período composto por coordenação; a articulação das orações no período composto; relações existentes entre as orações coordenadas; coesão e uso exagerado do que; período composto por subordinação; ortoépia e prosódia; pronomes relativos; emprego de alguns pronomes relativos; a coesão textual; uso de este, esse, aquele; concordância verbal, a voz passiva e o sujeito indeterminado; concordância nominal; onde e aonde/ se não e senão; regência verbal e nominal; colocação pronominal; o uso da crase; estrutura das palavras; formação de palavras e sentidos novos na língua; flexão nominal e novos sentidos; ampliação do vocabulário da língua: empréstimo, neologismo, estrangeirismo na moderna língua portuguesa; o uso das aspas.

Vale ressaltar que, em uma pré-análise dos livros, pudemos observar significativa incidência detextos visuais e verbo-visuais compondo a abertura de capítulos e também desuas atividades, sejam elas nas seções de leitura, de produção de textos escritos ou de conhecimentos linguísticos.

Embora seja possível observar a presença da verbo-visualidade na coletânea de textos em todos os volumes da coleção, não há referência sobre qualquer trabalho dirigido para a especificidade desses enunciados, em nenhum dos documentos analisados: Guia do livro didático (BRASIL, 2013), os quatro volumes de livros e respectivos manuais do professor.

Esclarecemos que a incidência e posição dos gêneros verbo-visuais, bem como a sua abordagem didática no interior dos livros constituem-se em objetos de atenção nos capítulos de levantamento quantitativo (capítulo IV) e análise dialógica (capítulo V). Dessa forma, salientamos que, nessas etapas, retomaremos os pontos enfatizados na descrição da COL 1, a fim de confrontá-los com os dados obtidos e interpretados.