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Erfaringsutveksling og utvikling av IKT i skolene

fotografia estão manifestando o desejo de realizar essas mudanças. Qual é a

intenção delas ao fazer isso publicamente? (PENTEADO et al., 2012, p. 237, grifos nossos).

Os autores destacam uma perspectiva da imagem e enunciam a questão a partir dela. Comandos semelhantes a “observe a”, “descreva a” são estratégias iniciais importantes para a percepção do material visual, mas insuficientes para que possamos afirmar que os alunos serão

instrumentalizados à leitura de imagens. É preciso ir além dessas estratégias para que o objetivo seja cumprido a contento.

Quanto à abordagem do enunciado concreto, podemos dizer que não se efetivou, nem em relação à fotografia (o enunciado proposto para a análise), nem em relação às características dos gêneros “carta do leitor” e “debate”. Não foram exploradas a construção composicional, nem o estilo. Não se problematizou o que é uma fotografia, em que situações de discurso podemos encontrá-la, em que espaços e suportes circulam, com que finalidades possíveis etc. Seu contexto de produção, circulação/recepção também não foi problematizado, nem sua autoria foi mencionada. O conteúdo temático não foi abordado, o foco centrou-se no assunto, na unidade temática.

A forma de abordagem realizada entre texto emoldurador e texto principal não propiciou sua percepção enquanto enunciado concreto, pelas ausências já citadas no parágrafo anterior, à medida que pouco remete à fotografia, e quando o faz não a explora a contento.

A relação entre texto emoldurador e texto principal se deu de forma vai-e-volta (das perguntas ao texto) e também com movimentos para fora do texto, porque buscou o conhecimento de mundo do aluno e houve tentativa de sistematização desse conhecimento de modoa se transformar em um saber escolarizado;porém, tal sistematização nunca se efetivou na relação com o texto principal, no sentido de observar a materialidade do enunciado e compreendê-lo como a voz de alguém, um autor – um fotógrafo – que enforma a cena sob a sua perspectiva.

Provavelmente, houve vários momentos retratados do evento, e cada perspectiva escolhida pelo fotógrafo dá abertura a uma possibilidade de diálogo com o espectador, com o observador e interlocutor da fotografia. O autor do LDP, por sua vez, foi motivado a escolher determinada perspectiva, representada na figura 39, porque deseja dialogar com o seu interlocutor-aluno/o segundo sujeito, com determinado objetivo, anunciado na atividade.

A forma de abordagem do texto emoldurador com o texto primeiro (a fotografia) não chega a propiciar ao aluno uma relação entre sujeitos (Bakhtin, 2003c), porque não permite o diálogo entre o sujeito-aluno e o sujeito-autor (da fotografia). As comandas buscam o conhecimento prévio do aluno acerca do evento que gerou a fotografia, não o contato entre sujeitos (autor e leitor).

Para (Bakhtin, 2003c), a verdadeira compreensão se dá entre sujeitos (autor e interlocutor) e só pode ser poderosa quando é completada por outra consciência, a consciência do interlocutor. Para ele,

[...] a compreensão (essa do interlocutor) completa o texto: ela é ativa e criadora. A compreensão criadora continua a criação, multiplica a riqueza artística da humanidade. A co-criação dos sujeitos da compreensão (BAKHTIN, 2003c, p. 378, ênfase adicionada).

Assim, podemos dizer que o autor (do texto primeiro) e leitor são co-criadores dos sentidos do texto e essa relação não foi propiciada na atividade, impossibilitando que a compreensão poderosa, ativa e criadora (Bakhtin, 2003c) se efetivasse plenamente. O aluno não foi motivado a dialogar com o autor da fotografia. Estafoi utilizada para uma tempestade de ideias acerca do evento que a gerou. Na atividade, a ênfase está no evento e não no enunciado que o evento fez nascer, nas suas relações dialógicas constituintes que, por sua vez, ao se entrelaçarem, tocam um sentido e revelam um querer dizer, de pessoa (autor) para pessoa (leitor), e não de objeto/coisa (texto) para pessoa (leitor).

A ausência de questões que propiciassem pesquisa, debate em sala, discussão, consideração da imagem fez com que as relações estabelecidas se dessem numa forma de “submissão/abstração”, pois cabe ao aluno apenas checar as informações oferecidas pelas comandas, ver, descrever a imagem e respondê-las.

Como as comandas impossibilitam a observação da fotografia de forma a considerá-la em sua materialidade, em seu contexto, no seu momento histórico, relacionando-a aos fios dialógicos que a constituem, inferimos que a atividade não possibilita ao leitor a construção de sentido, a fim de chegar à compreensão ativa e criadora. As lacunas já apontadas na atividade demonstram que a proposta apresentada não contribui para um estudo e compreensão de um enunciado concreto verbo-visual, como o constante na figura 39, pela ausência de questões que problematizem a imagem, a relação entre as linguagens presentes (verbal e visual), a fim de oferecer elementos para o diálogo entre sujeitos.

Exemplo 4 – COL 2

Figura 40: COL 2. Vol. 6. Capítulo 2. 2012, p. 148

O exemplo 4, da figura 40, traz duas imagens: a primeira, uma fotografia de um banco de imagens, a “Getty Images”, e a segunda, uma reprodução de pintura, de Normam Rockwell

Museum. Os dois enunciados concretos constituem um texto da abertura do capítulo 2, do volume do 6º ano da COL 2, intitulado “Eu: o melhor de mim”. Abaixo do título, um pequeno texto verbal escrito trata do corpo de um sujeito narrador que vive a angústia de compreender o seu corpo (figura 40).

Na sequência do texto, podemos observar uma comanda principal referente às imagens a serem estudadas:

Observe as imagens a seguir: A primeira é uma fotografia, e a segunda, uma pintura, de Norman Rockwell (CEREJA; MAGALHÃES, 2012, p. 148).

Logo em seguida, apresentam-se dois enunciados visuais a serem analisados. A relação entre esses enunciados (fotografia e reprodução de pintura) e os elementos verbais que os acompanham (título e o pequeno texto que os antecedem) nos permite afirmar, como já anunciamos, tratar-se de um enunciado verbo-visual.

Na figura a seguir, visualizamos a atividade de abordagem dos enunciados, o texto

emoldurador:

Figura 41: COL 2. Vol. 6. Capítulo 2. 2012, p. 149

Destacamos que, em relação ao exemplo anterior, da COL 1, a abordagem dos autores, nessa coleção, se dá de forma a considerar os enunciados a serem de fato analisados.Por meio das comandas apresentadas (figura 41), o aluno é motivado a voltar os seus olhos para as imagens e considerá-las, a fim de responder as perguntas que se apresentam.

A atividade propicia a mobilização da capacidade de “levantamento de hipóteses”, com relação à fotografia e em relação à reprodução de pintura. Observemos as comandas 1 e 2, que se referem à fotografia:

1. A primeira imagem retrata uma menina. Observe como é o lugar onde ela está e o que ela está fazendo. Em seguida, levante hipóteses:

a) Em que parte da casa ela está? Justifique sua resposta. b) Por que ela está provando roupas? Justifique sua resposta. c) A quem pertencem as roupas que estão em volta dela? 2. Compare a menina à moça que ela vê no espelho. a) Que semelhanças há entre elas?

b) Levante hipóteses: Quem é a moça? Justifique sua resposta. (CEREJA; MAGALHÃES, 2012, p. 149).

Por meio da forma de abordagem do enunciado das comandas, podemos observar que o aluno parece compelido a voltar os seus olhos à fotografia, buscando os elementos solicitados nas comandas, como o ambiente, os detalhes da menina e de sua imagem retratada no espelho, que podem auxiliá-lo a não só perceber a materialidade do enunciado, como a compreender o tema, não ainda o tema de viés bakhtiniano, ligado ao sentido, mas o tema enquanto conteúdo, assunto abordado pela perspectiva do fotógrafo.

A comanda 2 solicita que o aluno observe a imagem refletida no espelho buscando semelhanças e inferindo a identidade da moça retratada no espelho, justificando sua resposta.

Observemos que ambas as comandas tentam indicar os movimentos dos olhos do leitor para o que observar nas imagens. Analisamos essa estratégia como muito positiva porque ensina, passo-a-passo, o aluno a perceber e tentar compreender as imagens. Em nossa opinião, outras comandas poderiam ser elaboradas complementando a comanda 2b. Por exemplo, o aluno poderia ser interrogado não só sobre a possível identidade da imagem refletida no espelho, mas sobreo que essas diferenças entre a menina que se olha no espelho e a moça que aparece no espelho significam, o que revelam sobre essa personagem.

O aluno poderia levantar hipóteses sobre o porquê de a menina se ver dessa forma no espelho, observando que, embora haja semelhanças entre as personagens, há também diferenças que implicam um significado importante para que ele fosse encaminhado ao tema. A menina se vê, no futuro, como uma mulher bonita, atraente; é o que ela deseja ser. Nesse momento, a relação da fotografia com o texto introdutório, ou mesmo com o título “Eu: o melhor de mim”, poderia ser problematizada. Poderia haver uma comanda que questionasse o aluno sobre os