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1. Introduction

1.4 Pathogenesis

Identificação: D.Mimi; 62 anos; casada; piauiense; nível de escolaridade superior; católica; reside com o marido, filho e chane (gatinho).

IIª PARTE: Você tem 30 minutos para fazer um desenho com os seguintes elementos: uma queda, uma espada, um refúgio, um monstro devorante, alguma coisa cíclica (que gira, que produz, ou que progride), um personagem, água, um animal (pássaro, peixe, réptil ou mamífero), fogo.

Segue ilustração:

IIIª PARTE: Escreva aqui a história do seu desenho.

Minha vida no cotidiano

Tudo na vida tem começo, meio e fim. Lembro que quando mais jovem pouco era minhas limitações físicas, mentais e psicológicas.

Com o passar do tempo naturalmente vem os medos, as preocupações. Iniciei com um fato real, eu caindo de uma escada em cima do tanque de lavar roupa. A espada me faz lembrar uma passagem bíblica que diz que os anjos usarão espadas para nos proteger. O mar é o meu maior refúgio, gosto de banho de mar, funciona como um calmante.

Tenho medo de vários animais, mas a cobra só de ver, eu sonho de tanto medo, gosto muito da roça, mas às vezes tenho receio de ser mordida.

Falar do sol é tudo na vida, alegria, é remédio (vitamina C), adoro o sol, o dia tem mais vida.

O personagem é Deus, este pai poderoso que tudo pode. Ele coloca muitos anjos na minha vida disfarçados de marido, filho, irmãos, sobrinhos, tias, amigos, artistas, médicos e professores.

Gosto muito de higiene e adoro conviver com pessoas que também gostam.

Gosto também de animais, principalmente gato. Como eles são carinhosos, obedientes e graciosos. Me encanto com a maneira de se relacionar deles. Em casa temos um siamês, eu sempre digo que ele fala, lógico ao modo dele porque tudo que ele quer pede com diferentes formas de miar.

Tenho medo de fogo. Aquele ataque que sofreu os Estados Unidos nunca saiu da minha cabeça, foi terrível olhar aquelas imagens ao vivo.

IVª PARTE: Responda de modo preciso às seguintes questões: A Sobre que idéia você centrou sua composição?

Na minha pessoa

B. Você foi eventualmente inspirado?

Completamente

C. Entre os nove elementos do teste de sua composição indique:

1. Os elementos essenciais em torno dos quais você construiu o desenho:

Deus, amizade, água, sol.

2 - Os elementos que você teria vontade de eliminar. Por quê?

Cobra e fogo, por medo.

D. Como acaba a cena que você imaginou?

Feliz, comigo mesmo pela vida que tenho, pelo que faço e pelas amizades e afinidade com Deus.

E. Se você tivesse que participar da cena composta onde você estaria? O que faria?

Eu participei em tudo, me coloquei como minha história e Deus em 1º lugar.

No quadro seguinte, você deve especificar:

1. Por meio de que você representou os 9 elementos do teste (coluna A).

2. O papel, a função, a razão de ser de cada uma de suas representações (coluna B). 3. O que simboliza, para você, cada um dos 9 elementos do teste (coluna C).

Elemento A. Representado por B. Função/Papel C. Simbolizando

Queda caindo Banco e eu Queda Medo

Espada Espada do anjo Defesa Proteção divina

Refúgio Praia Esquecer problemas Relaxamento

Monstro Cobra Mordida Medo

Cíclico Sol Bronzeamento Vida

Personagem Deus Amor Proteção

Água Chuveiro Banho Higiene

Animal Gato Animal de estimação Carinho

Fogo Incêndio torres gêmeas Tragédia Medo

Análise:

Trata-se de uma senhora de 62 anos, centrada em si mesma (responde a questão Sobre que idéia você centrou sua composição? dizendo na minha pessoa). Casada há mais ou menos 40 anos, natural do Piauí, com nível de escolaridade superior e bastante religiosa. Apresentou facilidade ao se expressar, não criando qualquer dificuldade ou timidez durante a entrevista.

A verificação dos nove elementos grafados por D. Mimi leva a uma primeira impressão de estarmos diante de uma desestrutura do imaginário já que estes elementos não estão harmonicamente ligados entre si. No entanto, ao descrever a história há uma coerência mítica subjacente ao desenho: “[...] as figurações que o compõe não são, com efeito, totalmente abstratas; elas comportam significações articuladas com uma ordem simbólica geradora de uma estrutura” (DURAND Y. 1988, p.132): pseudodesestrutura. Preocupa-se bastante, de inicio, com o tempo.

O elemento água, representado por chuveiro e simbolizando higiene, assim como o elemento cíclico representado por ela como o sol, são característicos do Regime Diurno de Imagens, portanto heróico. Em uma análise mais detalhada dos elementos percebe-se que há traços de impureza nesse heroísmo, sobretudo quando se refere ao gato (animal) como um ser “carinhoso, obediente e gracioso” e do refúgio representado pelo mar, simbolizando

relaxamento com a função de esquecer os problemas, “[...] imagem de recipiente, símbolo de bem estar e da vida em paz” (LOUREIRO, 2004, p. 24).

Na entrevista D. Mimi se mostra disposta a lutar por sua sexualidade, busca heroicamente ajuda de profissionais da saúde para que a diminuição dos hormônios não afete o seu desejo:

Eu comecei sentir às vezes sem vontade de ter sexo, na minha cabeça eu queria, mas

o corpo não correspondia com a minha cabeça. Aí o ginecologista falou que eu tinha que tomar uma injeção de hormônio pra poder sentir desejo, né?

Representa o elemento espada como dos anjos, com função de defesa, como se houvesse luta, ataque, mas a simboliza como proteção (do adjuvante), colocado como personagem, Deus. Em contrapartida ela reclama que seu marido não buscou o mesmo enfrentamento e afirma que ele é um pouco relaxado nesse sentido. Durante toda a entrevista D. Mimi se mostrou uma senhora cheia de vigor, de vontade de viver, de aproveitar a vida (é

minha vida ir pra show, teatro e viagem, ir pra praia).

Para D. Mimi, Deus, os anjos que ele coloca em sua vida e sua crença são possibilidades de luta. Eles lutam por ela. Numa análise actancial, eles interagem com ela (actante interativo). Percebe-se que ela enfrenta um conflito no seu imaginário, já que ela se projeta em Deus (personagem), e como uma pessoa centrada em si mesma ela faz parte da história criada em torno dos elementos, substituindo Deus e assumindo o papel de personagem ao final da história: a cena acaba

[...] feliz comigo mesmo pela vida que tenho, pelo que faço e pelas amizades e afinidade com Deus.”

D. Mimi apresenta um imaginário com estrutura HERÓICA IMPURA. Ela luta de início, mas espera por Deus e os anjos para conseguir o que quer. Assim como representa a praia como relaxamento no elemento refúgio, lembra a espada e o monstro/medo. A água e o sol são elementos considerados essenciais na dramatização de D. Mimi. Ela se coloca na dramatização assim coloca também Deus.

Eu participei em tudo, me coloquei como minha história e Deus em 1º lugar. A desestrutura pode estar rondando.

Identificação: D. Dada; 67 anos; solteira; piauiense; grau de escolaridade superior; católica; reside com o filho.

II PARTE: Você tem 30 minutos para fazer um desenho com os seguintes elementos: uma queda, uma espada, um refúgio, um monstro devorante, alguma coisa cíclica (que gira, que produz, ou que progride), um personagem, água, um animal (pássaro, peixe, réptil ou mamífero), fogo.

Segue ilustração:

IIIª PARTE: Escreva aqui a história do seu desenho.

Minha história não foge muito do meu desenho. Curvas mal traçadas e bem fora da ordem. A não ser aquele lindo peixinho em busca de seu porto seguro, o lago.

IVª PARTE: Responda de modo preciso às seguintes questões: A Sobre que idéia você centrou sua composição?

Nenhuma

B. Você foi eventualmente inspirado?

Não

C. Entre os nove elementos do teste de sua composição indique:

O peixe ao encontro do lago

2. Os elementos que você teria vontade de eliminar. Por quê?

A espada. Porque é grande e intimida o animal frágil.

D. Como acaba a cena que você imaginou?

Um peixe feliz.

E. Se você tivesse que participar da cena composta onde você estaria? O que faria?

Viajando

No quadro seguinte, você deve especificar:

1. Por meio de que você representou os 9 elementos do teste (coluna A).

2. O papel, a função, a razão de ser de cada uma de suas representações (coluna B). 3. O que simboliza, para você, cada um dos 9 elementos do teste (coluna C).

Elemento A. Representado por B. Função/Papel C. Simbolizando

Queda _ _ _

Espada Espada Intimidar Ameaça

Refúgio Não encontrei _ _

Monstro Animal frágil Defesa Medo

Cíclico Metrô Viajar Aventuras

Personagem _ _ _

Água Lago Acolhimento Calma

Animal Peixe Peixe fora d’agua Insegurança

Fogo _ _ _

Análise:

D. Dada é uma senhora de 67 anos, natural do Piauí, solteira, grau de escolaridade superior, católica e mora com o filho. Ela relata fazer um desenho com curvas mal traçadas e

bem fora da ordem, onde aparecem cinco dos nove elementos do teste possíveis de serem

desenhados. Estes elementos estão grafados separadamente e são: a espada que simboliza

ameaça e aparece ao lado de um animal frágil (função de defesa) que, segundo D. Dada, é o

monstro que é representado não devorante, pois é frágil – desfuncionalizado. Ao lado desse animal, aparece um metrô (elemento cíclico), que está apenas na parte pictórica e simbolizado

no quadro, ou seja, D. Dada não o inclui em sua narrativa. Os últimos dois elementos que aparecem no desenho são a água, representada por um lago, e o animal, representado pelo peixe, simbolizando insegurança. Estes dois foram os elementos essenciais em torno dos quais D. Dada diz ter construído seu desenho e também a história.

Conforme a narrativa escrita por D. Dada, ela leva uma vida mal traçada e fora de ordem o que pode indicar um defeito na estrutura (DURAND, 1988). Ao se analisar a narrativa percebe-se uma projeção no elemento peixe que está em busca da paz e tranquilidade, parece confundir com o elemento personagem o qual ela não atribui função nem simbolismo no quadro do teste. D. dada procura essa paz esquecendo-se que existe um monstro e desenha uma espada dita para intimidar simbolizando ameaça, ela não deixa claro a quem a espada vai intimidar e quem esta sendo ameaçada, se ela ou o monstro frágil o que leva a crer numa desfuncionalização do elemento monstro (animal frágil) que se confunde com elemento animal (peixe). Dito isso, considera-se estarmos frente a um imaginário sem estrutura ou pseudodesestruturado. Pseudodesestruturado porque no desenho ela coloca cinco dos nove elementos e na história ela se coloca dizendo minha história e meu desenho; ela confessa que o desenho e a história se relacionam, mostrando as curvas mal traçadas da sua vida. Essas curvas mal traçadas também aparecem na entrevista quando ela deixa perceber uma sexualidade confusa por toda sua vida, apesar dela achar que a sexualidade é um

complemento e encantamento da vida, e confessa que não sabe sinceramente se é bom. E ela

diz na entrevista:

[...] do jeito que estou sendo confusa pra organizar meu raciocínio agora eu também fiquei na época.

Ela demonstra um bloqueio ao falar da sexualidade o que se percebe também no protocolo do teste ao falar dos elementos do teste, ela foge do assunto e confessa que gostava de namorar, só de namorar...

[...] namoro na mão era ótimo. Tive algum namorado.

D. Dada teve um filho, fruto de um relacionamento antigo e duradouro, mas que deixou marcas em sua vida. O pai do filho, com quem ela nunca se casou, não assumiu a paternidade e ela não conseguiu ter outros relacionamentos. Assim ela diz:

Essa situação no meu passado me machucou muito [...] E eu acho que isso interferiu na minha sexualidade. Porque eu acho que de uma forma inconsciente eu não tinha coragem de me envolver com mais ninguém.

Eu não estou com ninguém, faz muito tempo, tem muito tempo. É uma situação que eu acredito que faça falta, eu gostaria de encontrar alguém pra ser companheiro. O sexo é como se fosse um complemento, mas se você não tem essa pessoa que você confia, que você gosta, como é que vai ter sexo?Isso que eu te digo, é um negócio que a vida vai te levando. Faz falta? Faz. É bom? É. Mas existe outras prioridades que de uma forma inconsciente a vida vai te levando. Você não vai sair atrás de alguém só pra ter sexo. Mas eu sinto falta de uma companhia, abraço, beijo, aconchego,conversa. Se surgisse alguém pra mim agora, no ato!

(risos) eu quero! Mas eu não procuro. Eu espero cair do céu. As boas companhias caem do

céu. Te juro [...]hoje se surgir alguém, eu tô pronta pro abraço.

Como se pode perceber, a confusão não emerge apenas no teste, mas também na entrevista. Pode-se dizer, então, tratar-se de um imaginário PSEUDODESESTRUTURADO.