5. Discussion
5.2.1 Net retrograde aqueductal flow and supra-aqueductal reflux of
Sujeito Idade Naturalidade Estado civil Escolaridade Religião Convívio familiar Micro-universo mítico
D. Juju
61 Belo Horizonte - MG Casada completo Superior
Católica não praticante
Marido e
filha Místico Impuro
D. Mimi
62 Piauí Casada Superior Católica
Marido, filho e chane (gatinho) Heroico Impuro D. Dada 67 Floriano - PI
Solteira Superior Católica Filho Pseudodesestruturado
D. Vava 61 Brasileira (SIC) Solteira Primeiro
grau Católica Filha
Disseminatório Duex Diacrônico D. Nini 67 Cristalina - GO Viúva Segundo grau completo
Evangélica Sozinha Heroico Impuro
D. Dede
7. CONCLUSÃO
Para desvendar o imaginário de um grupo de mulheres idosas acerca de sua sexualidade, se fez necessária a abordagem por meio do arquétipo teste de 9 elementos, de Yves Durand e de entrevistas não estruturadas.
Nesse processo verificou-se uma cumplicidade entre a pesquisadora e o grupo de senhoras, sem a qual não teríamos estabelecido a confiança necessária para romper barreiras e criar intimidade para a obtenção de dados íntimos e há muito guardados.
O universo mítico do grupo explorado revela uma estrutura sintética/disseminatória, uma vez que foram encontradas em sua maioria estruturas místicas impuras e heroicas impuras, assim como um protocolo registrando imaginário disseminatório. A presença das estruturas místicas e heroicas no mesmo grupo, caracterizadas com a presença da impureza, como já explicitado, uma interferindo na outra, além de um imaginário com estrutura disseminatória, leva-nos a entender o grupo com uma estrutura dramática/disseminatória sintética. Loureiro (2004a, p. 17), baseada em Durand, explicita que a estrutura sintética faz parte do Regime Noturno de Imagens e esta “concilia intenções de luta e de aconchego, que pode conter imagens que, ao mesmo tempo, expressam a dualidade de intenção, em tempos diversos”. A dominante copulativa é a dominante do movimento, da sexualidade, dos gestos rítmicos e ela emerge simbolicamente nas estações da natureza, no ciclo vital, no progresso ou no declínio, induzindo respostas sintéticas nas quais a roda é o símbolo mais expressivo. No grupo, percebe-se que ao mesmo tempo em que as idosas se aconchegam na tradição e nos preconceitos com relação à sexualidade elas também lutam. Lutar e se aconchegar demonstra a síntese.
Ainda há uma luta interior e também exterior no imaginário das mulheres idosas, reflexo de uma ruptura com um passado de costumes e crenças castradoras. As idosas de hoje são as mulheres que modificaram costumes no campo da sexualidade, do trabalho, da relação com pais e filhos. Um exemplo dessa ruptura refere-se ao relacionamento de D. Vava com um parceiro mais jovem, no entanto interrompido pela valorização do papel de mãe.
[...] ó, no meu último relacionamento eu já tinha esse corpo e ele era mais novo, ficou até me batalhando, me conquistando e ele não me via como idosa. Eu brincava com ele dizendo que eu já tava querendo ler o estatuto do idoso e ele riu muito, e disse que não me
via assim, [...] mas foi legal, mas também depois não deu porque a Carol (filha adotiva) não tinha bons olhos com ele, fazia muita cara feia para ele.
Em contrapartida, para a mesma entrevistada, a ruptura ficou mais no campo da vontade que da efetividade, deixando nesta, traços de aconchego com ímpetos de luta. A substituição do exercício da sexualidade pela afetividade materna.
No grupo que compõe esta pesquisa, as duas mulheres casadas relatam exercer sua sexualidade e as outras quatro, três solteiras e uma viúva, não a exercem mais, porém manifestam desejos de ainda exercê-la, dizem sentir falta de um companheiro, de carinho.
[...] eu sinto falta de uma companhia, abraço, beijo, aconchego, conversa. Se surgisse alguém pra mim agora, no ato! (risos) eu quero! Mas eu não procuro, diz D. Dada.
Porém em suas falas percebe-se claramente que, por diferentes motivos, deixam de lutar para o alcance de seus objetivos, quer por restrições religiosas:
[...] meu esposo faleceu tem vários anos e eu não tenho outro relacionamento, sinto falta sim, mas não me interessa outro, porque eu sou evangélica e eu sei que se eu tiver relacionamento é prostituição e eu sei que são coisas que não agradam a Deus e nem a mim,
relata D. Nini.
Ou por acomodação e disfarçada crença no acaso:
[...] Eu espero cair do céu. As boas companhias caem do céu. Te juro, depoimento de
D. Dada.
Também, por alegações materno-afetivas:
[...] eu acho que a Carol me bloqueou um pouco. Porque a primeira coisa que eu tive medo foi de pensar que eu tenho uma filha mulher e vou colocar um padrasto aqui dentro de casa? Questiona D. Vava.
Do mesmo modo D. Dada desistiu de outro relacionamento por causa do filho:
[...] Eu tentei ter outros relacionamentos. Eu tive alguém muito discretamente por causa do meu filho.
Esses comportamentos reafirmam os aspectos culturais de gênero, de que a mulher consegue se realizar com os filhos e de que as necessidades sexuais são menores.
E ainda por considerar a importância de causas mais nobres que o exercício da sexualidade, como o desempenho do papel de cuidadora:
[...] eu tive um problema de família que eu tive que cuidar da minha família, aí eu desisti, fui cuidar de pessoas idosas [...] eu não tinha condições de deixar as pessoas com quase 100 anos, deixar, abandonar ou colocar num asilo. Eu sou contra asilo. Asilo é pra
quem não tem família, entendeu? Aí eu desisti e eu achei que eu fiz uma boa coisa ter desistido, não me arrependo.
Nas falas das idosas que ainda exercem sua sexualidade, percebe-se que a menopausa foi sentida e encarada de forma diferente. Enquanto D. Juju atribui a essa etapa da vida um fator restritivo, inibidor de sua sexualidade,
[...] minha sexualidade era muito boa até a chegada da menopausa, até começar os ressecamentos, começar a me sentir muito ardida, muito sofrida mesmo. [...] a reposição hormonal já não me ajuda e se eu pudesse ficar sem o hormônio eu ficaria.
Para D.Mimi se apresentou como um fator de luta na busca de alternativas para o pleno exercício de sua sexualidade:
[...] Eu comecei sentir às vezes sem vontade de ter sexo, na minha cabeça eu queria, mas o corpo não correspondia com minha cabeça. [...] passei a tomar injeções de hormônio [...] Hoje eu estou com 62 anos e tenho a mesma atividade sexual, mesmo interesse, gosto muito de sexo.
Por meio destes depoimentos identificam-se fatores inibidores e libertadores da sexualidade destas mulheres, tais como religiosidade, menopausa, substituição de papéis, de parceiras por mães ou cuidadoras, e bloqueios socioculturais.
Como se pode perceber nesta dissertação, não é fácil envelhecer e enfrentar situações desagradáveis como a baixa autoestima, a depressão, a perda da força física ou sexual, bem como o medo da perda da autonomia, a ansiedade, as pressões sociais e o culto à juventude.
Apesar das dificuldades, a velhice é uma inevitável parte do ciclo da vida. Resistir à passagem do tempo é um esforço inútil e perigoso, com maiores ou menores consequências, que por serem diferenciadas, merecem diferentes abordagens e contribuições.
O conhecimento da estrutura do imaginário da mulher idosa é essencialmente importante no trato das diferenças. O gerontólogo que reconhece no seu grupo de trabalho as diferentes facetas do imaginário da pessoa idosa, pode melhor entender o significado das perdas das fases anteriores à velhice, para abrir caminhos para as mudanças.
O profissional com essa visão e domínio pode contribuir para que a pessoa idosa reencontre motivações no presente para recuperar a autoestima, um novo ritmo de vida, a convivência com as perdas e a valorização dos novos ganhos, como a sabedoria, a temperança, a generosidade.
Como a sociedade vem se modificando rapidamente e a população de idosos aumentando gradativamente, estudos dentro dessa área devem continuar. É importante que o
profissional da saúde se disponha a abordar questões da sexualidade com os idosos, oferecendo-lhes a oportunidade de expressarem, sem medo, o que não querem mais calar.
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APÊNDICE A – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
A senhora está sendo convidada a participar de uma pesquisa intitulada “Sexualidade: imaginário e realidade em um grupo de mulheres idosas”. O nosso objetivo é desvendar o imaginário de um grupo de mulheres idosas acerca de sua sexualidade.
A senhora realizará um teste no qual será pedido que imagine uma história, a desenhe e depois conte a história do seu desenho seguido da oferta de respostas a algumas questões apresentadas e o preenchimento de um quadro. Após a realização do teste conversaremos sobre a sua história de vida naquilo que achar importante contar com relação a sua sexualidade. Será utilizado um gravador para melhor compreender os dados posteriormente. Não existe obrigatoriamente, um tempo pré-determinado para responder o teste, sendo respeitado o tempo de cada uma para respondê-lo. Informamos que a senhora poderá se recusar a responder qualquer questão que lhe traga constrangimento, podendo desistir de participar da pesquisa em qualquer momento sem nenhum prejuízo para a senhora.
A sua participação nesta pesquisa contribuirá para que melhor se conheça a situação e os fatores que podem afetar a sexualidade da mulher idosa.
Sua participação é voluntária e a senhora receberá todos os esclarecimentos necessários antes e no decorrer da pesquisa e lhe asseguramos que seu nome não aparecerá sendo mantido o mais rigoroso sigilo através da omissão total de quaisquer informações que permitam identificá-la.
Os resultados da pesquisa podem ser apresentados por meio de veículos impressos, em eventos acadêmicos ou outros meios de divulgação científica, porém sem identificação dos participantes. Os dados e materiais utilizados na pesquisa ficarão sobre a guarda da pesquisadora.
Caso algo não esteja claro, pergunte em qualquer momento que explicaremos novamente.
Este projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UCB, conforme Resolução do Conselho Nacional de Saúde, 196/96.
Este documento foi elaborado em duas vias, uma ficará com a pesquisadora responsável e a outra com a senhora.
Muito obrigada pela sua participação.
_____________________________________________________________ Participante
________________________________ _________________________ Prof. Dra. Altair Macedo Lahud Loureiro Sabrina Sousa Freire
APÊNDICE B – ENTREVISTAS NÃO ESTRUTURADAS Sujeito 01 – Dona Juju
A idade da minha primeira menstruação foi aos 14 anos, eu fiquei muito assustada porque não era conversado isso antes, não era explicado o que ia acontecer e eu fiquei assustada com a quantidade de sangue porque minha menarca foi muito volumosa. Minha mãe me criticou muito porque achava que eu estava me sujando, tava sujando tudo, porque não sabia me arrumar, não sabia me ajeitar, nessa época não existia absorvente higiênico. Eu fui saber o que estava acontecendo através do médico, porque como eu tive uma hemorragia muito forte e depois que ela (mãe) verificou que não era desleixo meu, que eu apenas tava sangrando muito, ela chamou um médico em casa. Nessa época os médicos vinham em casa, e ele que me explicou tudo, que o ovo que amadurece, que todo mês amadurece um, falou que todo mês eu ia ter aquilo. Minha experiência foi muito “traumatizante” porque fui muito criticada porque não sabia lidar com a situação.
Como a entrevistada referia-se com freqüência à sua mãe, questionei o estado civil da mesma. Neste momento houve uma pausa, percebi que D. Juju ficou reticente quanto a esta pergunta: ééé, ela morava com meu pai, viviam juntos como se casados fossem, viveram
juntos muitos anos, até morrerem, como companheiros. Meu pai era casado, era separado só de casa, não era separado oficialmente no papel, e morava com minha mãe. Mamãe sofreu muito preconceito pelo fato de não ser casada e ela tinha vontade de ter sido casada, tanto que pra ela era importante que as filhas se casassem. Na época de me casar ela fez muita questão que fosse de papel passado e tudo, ela achava isso importante, pra ela não era muito bem resolvido não.
Com relação ao diálogo interfamiliar sobre sexualidade: não se falava nesse assunto
dentro de casa, só com as amigas que se falava.
Ao informar sobre seus relacionamentos anteriores ao casamento disse: namorei muito, fui
muito namoradeira, mas era namoro da minha época mesmo, beijava, abraçava, trocava carinho, mas não tinha maiores intimidades. Eu me casei virgem.
Pedi pra que D.Juju relatasse, então, como foi e como está sendo o exercício da sexualidade com seu marido: no começo foi mais doloroso que prazeroso, mas meu marido
foi muito paciente, tudo eu aprendi com ele, ele não era virgem, e ele teve muita paciência e foi uma coisa conversada também com meu médico, porque como era muito doloroso, apesar da paciência dele (marido), nós acabamos indo num ginecologista pra me examinar pra
verificar se estava tudo certo porque eu sentia muito desconforto e aí foi o médico junto com ele (marido) que me auxiliaram no sentido de me ensinar as coisas, posições e creme próprio vaginal, até se tornar uma coisa prazerosa. Então depois disso tudo ficou muito tranqüilo; até a chegada da menopausa, era uma coisa prazerosa, frequente, boa, até começar ressecamento, começar a me sentir muito ardida, muito sofrida mesmo. Como eu tinha problema de mama, tinha que fazer muita punção de nódulo, o médico não quis fazer reposição hormonal, aí se tornou muito dolorosa a relação pra mim, o ato em si, apesar de eu ter prazer com as preliminares, eu não tinha prazer com a penetração, perdi prazer com a penetração porque ficou muito dolorido como no princípio. Neste momento questionei se ela
conversou com o marido sobre isso e se buscaram outra maneira de exercer a sexualidade: foi
muito difícil pra ele entender, porque ele não aceita o sexo sem a penetração, e a penetração é que é dolorosa, até fazer a reposição hormonal, que me ajudou muito, embora eu não tenha o mesmo prazer, o mesmo conforto com a penetração, é ainda pouco prazeroso, mas melhorou muito com a reposição hormonal, mas ultimamente não tá resolvendo muito o hormônio. Outra vez começou a ficar complicado. Levantei a questão do nascimento de suas
filhas e a correlação disto com a sua sexualidade: foi tranqüilo, não afetou minha vida íntima
o nascimento das minhas filhas não, o parto foi cesariana. Aconteceu uma coisa muito interessante com o nascimento da minha primeira filha, eu tive que conversar com ele
(marido) pra ele me tratar como mulher, como esposa, pra gente sair, namorar, porque ele
achou que aí eu era só mãe, ele ficou muito deslumbrado com a filha e ele achou que eu tava meio que intocável. Então foi muito tranqüilo, o nascimento das minhas filhas não afetou minha vida sexual, somente o problema hormonal (frase dita com certa ênfase) é que me causa desconforto. Questionei, então se ela considerou essa mudança drástica: foi drástica porque é uma coisa dolorosa, é uma coisa que não me dá prazer, não me dá conforto, me dá