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D.2 Second level functions

D.2.11 one path.m

Tal como descrito anteriormente, nas estratégias utilizadas com a aluna G, a professora itinerante também empregava o método fônico com o aluno M, de modo que eram desenvolvidas de acordo com a sua necessidade, respeitando seu nível acadêmico e o seu rendimento escolar. Pode-se dizer ainda que a professora itinerante programava as atividades incentivando as generalizações. A professora via os erros cometidos como sendo uma etapa a ser vencida no processo de aprendizagem e não como um fracasso ou insucesso do aluno. Trabalhava a atenção, concentração, discriminação e memória. Uma característica marcante de L, que deve ser destacada, era a sua sensibilidade frente à dificuldade do aluno atendido. Por isso, ela ficava sempre atenta ao seu rendimento. Com relação às atividades trabalhadas, ela só mudava de lição quando percebia que o aluno realmente tinha aprendido o conteúdo; quando ele realizava as atividades propostas sem errar e com autonomia.

Por força das dificuldades por ele apresentadas, no entanto, na grande maioria das vezes o atendimento recebido era individual, ou seja, M apresentava um perfil escolar muito particular, de maneira que a professora itinerante não visualizava, para ele, um arranjo coletivo, nem em duplas, trios ou quartetos. Quando a situação de exclusividade professor- aluno não se fazia presente, M também não manifestava iniciativa. Passivamente ele esperava pela ajuda da professora. Mesmo quando a professora permanecia ocupada por um período mais longo, chegando ao ponto de, inclusive, nem realizar o que havia sido proposto. Além disso, em termos de tipos de atividades, também em matemática M estava seguindo o conteúdo para uma primeira série do ensino fundamental. No entanto, em razão de sua idade cronológica, ele estava matriculado em uma quarta-série, com todas as conseqüências advindas dessa situação. Enquanto seus colegas estudavam o período regencial, por exemplo, nas aulas de história, M ocupava-se em copiar textos sem perturbar a sala. Certamente, esse fato suscita reflexão e dúvidas quanto à adequação e eficiência resultante dessa decisão.

Em matemática M foi autorizado a usar calculadora, visto que estando em condições de realizar adições e subtrações, como por exemplo: 5+1; 6-2, o conjunto da classe realizava os conteúdos normalmente trabalhados em uma quarta série. Isto posto, muito pouco havia para ser feito em termos de ajustar o que M encontrava-se apto para fazer e o que seus colegas, embora coetâneos, conseguiam realizar. A solução encontrada foi possibilitar-lhe o uso de calculadora, para que M chegasse ao resultado correto mesmo sem compreender o mecanismo envolvido para efetuar as operações. Assim, mesmo sem encontrar uma alternativa viável, notava-se que a professora itinerante ficava muito preocupada com a

utilização da calculadora em sala de aula. Este fato chama a atenção para um problema que ocorreu com o aluno M, que cronologicamente tem idade para estar numa quarta série.

Intrigada com a dificuldade do aluno e a falta de utilização de um recurso concreto, a pesquisadora sugeriu a utilização de um ábaco, já que M contava nos dedos. Ela disse: “eu vou pegar um, no armário tem, vamos ver se melhor”. Essa iniciativa facilitou, pois o uso desse recurso possibilitou que M fosse ensinado a montar a continha igual estava escrito no caderno. M melhorou na execução de suas atividades, necessitando de algumas pequenas intervenções, mas demonstrando estar entendendo melhor com o auxílio das cores ele compreendia o que era pedido na continha.

A professora itinerante também trabalhava muito com quantidade. Pediu para M desenhar 04 triângulos e 04 estrelas. O interessante foi que M leu corretamente o enunciado, o que demonstra que a sua dificuldade em Língua Portuguesa não era tão acentuada quanto em matemática. M acertou o exercício.

O aluno também realizava com freqüência exercícios de ligar do tipo: ligue cada passarinho ao seu ninho, contendo dois círculos, sendo que em um havia pássaros e em outros ninhos. Depois de ligar, deveria completar a quantidade de pássaros e a quantidade de ninhos. Neste atendimento, L ofereceu outra atividade do mesmo feitio pedindo para ligar as baquetas aos tambores. Ele também fez com facilidade, depois deveria marcar a quantidade de baquetas e de tambores.

É importante destacar uma sistemática interessante e positiva da professora itinerante_ a tentativa de integração de conteúdos escolares, principalmente entre matemática e língua portuguesa. Por isso, após realizar algumas atividades de matemática, interligava com língua portuguesa, como demonstra o exemplo a seguir: depois de realizar as atividades de matemática apresentadas anteriormente, trabalhou uma atividade de leitura e escrita, pedindo para que o aluno escrevesse nomes de pássaros e de aves. Ele escreveu e leu todos os nomes de pássaros e aves: passarinho, tucano, pomba, pássaro australiano, neste último ele escreveu oitraliano. A professora itinerante L o ajudou na correção das palavras galinha, codorna, pato, pica-pau, codorninha, pardal.

Depois da correção, solicitou que ele copiasse novamente pássaro australiano de forma correta em seu caderno. A professora explicou, oralmente, a diferença entre pássaro e ave. Posteriormente, realizou outra atividade similar a essa, com nomes de instrumentos musicais. Ele escreveu: bateria, violão, piano, viola, entre outras palavras. Apesar do aluno estar alfabetizado, a professora ainda trabalhava a escrita de algumas palavras, principalmente com silabação composta, para reforçar sua leitura e sua escrita.

Este tipo de junção entre as atividades de língua portuguesa e matemática era uma prática freqüente de trabalho da professora itinerante com o aluno M. O que se pode perceber desta tentativa de aproximação dos conteúdos é que as atividades pareciam ganhar uma seqüência que favorecia a compreensão, pois havia uma conexão entre elas, que mesmo sendo simples, pareciam despertar o interesse do aluno, facilitando a realização das mesmas.

Por meio destas atividades ilustrativas percebe-se melhor o nível acadêmico de M, e verifica-se que o seu conteúdo em matemática é de um aluno de primeira série ou ainda de pré-escola, sendo, portanto, infinitamente inferior aos conteúdos indicados para uma quarta série. Com relação aos conteúdos de língua portuguesa, a evolução de M é superior, mas ainda não condiz com os conteúdos trabalhados na quarta série e apesar desta diferença o seu rendimento em língua portuguesa era mais elevado. Pode-se dizer que M estava próximo de conteúdos trabalhados em uma segunda série do ensino comum.

Mais especificamente com relação ao conteúdo de língua portuguesa, observou-se que M lia palavras simples com mais facilidade que as compostas, mas ainda tinha dificuldade em produzir pequenos textos, por isso a professora L procurava desenvolver com o aluno M este tipo de conteúdo. O exemplo que vem a seguir retrata a realização deste tipo de atividade: a professora pediu para que M lesse o enunciado e escrevesse uma história sobre a cena, ele leu com facilidade. Na cena havia duas crianças numa praia brincando de pegar conchinhas na areia. L conversou com ele perguntando se ele sabia onde era aquele lugar e ele disse que sim. Ela perguntou se ele já havia ido à praia e ele disse que sim, mas que era pequenininho. Ela perguntou se ele achava o mar bonito, ele respondeu que sim. Então, a professora L disse para ele pintar a cena bem bonita enquanto ela ajudava seu amigo V no atendimento, pois este atendimento estava sendo em dupla e tinha que ajudar V, M continuou pintando, quando terminou de pintar M ficou parado esperando o auxílio da professora e então L tomou os seguintes procedimentos:

1) Conversou com o aluno M e pediu que ele organizasse uma historinha oral sobre o

que ele observava na gravura.

2) Solicitou que fizesse um texto sobre a gravura no caderno; perguntou quantas

conchinhas tinha o menino e quantas a menina tinha. M respondeu corretamente depois de contar.

3) Orientou que ele poderia dar nomes para o menino e para a menina, perguntou se

ele achava que eles eram irmãos, amigos... Ele disse que eles eram irmãos. Então, a L disse: “mas cadê a mãe deles. Ta vendo M”, continuou ela, “quanta coisa você pode escrever sobre este texto”. O aluno começou a escrever a sua historinha. Enquanto isso, L ajudava o

amiguinho. Quando ela olhou para a atividade de M observou que havia algumas coisas erradas, ele não colocou parágrafo, e então ela passou a orientá-lo na composição da história.

Pude verificar que apesar do aluno ter dificuldade para escrever gramaticalmente correto, tinha bom vocabulário, e com esforço conseguia escrever palavras da silabação composta que costumava ser mais difícil para ele. Outro aspecto relevante a ser considerado está relacionado aos procedimentos utilizados pela professora do ensino itinerante que orientava o aluno passo a passo na execução das atividades.

Na tentativa de oferecer atividades diferenciadas para o aluno, L desenvolveu a seguinte atividade: entregou a ele um questionário para ler e responder: 1) Qual é a sua idade? 2) Em que dia você nasceu? 3) Quem são seus pais? Você tem irmãos? Quem são? 4) Onde você mora? Cidade, Estado, País. Ele não lembrava o nome completo, então a L deu a lista de alunos para ele procurar o nome dele; demorou um certo tempo e ele não conseguiu achar, só achou depois que a professora o ajudou. Ele levou o tempo todo do atendimento para responder este questionário com a ajuda da L, que deu uma aula de geografia para diferenciar cidade, estado e país.

Com o intuito de integrar os conteúdos, L também trabalhou formação de palavras, pediu para ele escrever a palavra MAPA, depois para ler e explicar para ela em voz alta o que foi que ele havia lido. Ele conseguiu fazer a leitura, mas não consegui explicar o que era. Então L disse a ele que a professora N da classe comum já tinha trabalhado este conceito com ele. Mesmo assim ela desenhou o mapa na lousa; ele olhou, pensou e disse: “AH! É pra ver o lugar onde a gente está, ou o país!”. Então a professora desenhou o mapa do Brasil, o mapa do Estado de São Paulo, e então disse que Araraquara estava dentro do Estado de São Paulo.

Pode-se perceber que havia em L uma forte preocupação em integrar os conteúdos nos atendimentos com o aluno M, talvez devido à percepção desta necessidade, já que M estava na quarta série e precisava melhorar seu conteúdo acadêmico. Esta atitude reforça a idéia de que o objetivo do ensino itinerante é, realmente, trabalhar os conteúdos de forma individual na tentativa de personalizar o atendimento.

É interessante ressaltar que a professora itinerante conseguia, durante os atendimentos, identificar com bastante eficiência qual era o grau e o tipo de ajuda que deveria ser oferecida ao aluno naquele momento.

6.5.3 Estratégias de ensino utilizadas nas atividades realizadas em