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2.1 Background theory
As transformações sócio-econômicas, políticas e histórico-culturais foram responsáveis por transformações significativas na sociedade em geral, influenciando o modo de vida das pessoas, os costumes e valores. Dentro desse contexto, a família mudou, como também a forma de educar os filhos. Uma grande parcela das famílias brasileiras é constituída por pais que trabalham e possuem pouco tempo para os filhos e no tempo que ficam, não sabem como lidar com eles, adotando um comportamento mais rígido ou mais permissivo.
A culpa pela falta de tempo acaba fazendo com que estes pais sintam-se perdidos diante dos filhos, que adotam comportamentos diversificados para chamar a atenção dos pais. Nessa empreitada, algumas famílias recorrem à atuação de especialistas, tanto em consultórios como dentro da mídia, como acontece no Programa Supernanny, que aplica diversas intervenções com o objetivo de ajudar as famílias a educar os filhos indisciplinados e colocar limites.
O programa Supernanny se fundamenta na legítima atuação do especialista, pois realiza o diagnóstico, propõe a intervenção e realiza a avaliação. No processo de intervenção, as técnicas adotadas provêm da terapia comportamental e cognitivo- comportamental, fundamentadas em diversos reforços ambientais que produzem mudança no comportamento.
Assim, o objetivo do programa é promover mudanças comportamentais, a chamada modelagem do comportamento, onde as pessoas passam a se comportar segundo os modelos aceitos socialmente por meio de mudanças no ambiente, que realizam os reforçadores positivos e negativos para induzir o bom comportamento.
Os princípios e técnicas behavioristas - que serviram de modelo para a terapia comportamental, se fundamentam na mudança do ambiente e, consequentemente, a mudança de comportamento. Desse modo, os especialistas amparam-se em técnicas de controle do ambiente, como se o comportamento humano fosse guiado apenas pelas forças externas (ambientais), como percebido nos programas televisivos exibidos pela mídia. Eis o grande problema do programa, que faz a generalização das pessoas, considerando-as como todas iguais, condicionando-as de modo que formem modelos socialmente aceitos, desrespeitando a individualidade e as necessidades de cada um.
É claro que o programa apresenta aspectos positivos, já que durante o programa percebe-se a mudança em relação à educação dos filhos, sobretudo, no que tange à indisciplina e limites, incentiva o bom relacionamento familiar, a atenção aos filhos, à divisão de tempo entre os filhos e o casal, a construção de hábitos sadios, como uma alimentação equilibrada e a prática diária de brincadeiras, dentre outros.
Em muitas famílias, a presença da Supernanny ajudou a preservar a integridade física e psicológica das crianças, pois o ambiente familiar era de desrespeito, violência física e verbal, caracterizadas pelo autoritarismo ou permissividade, que comprometia a educação dos filhos. A visão reducionista do programa - como um receituário para toda e qualquer família é o aspecto negativo, pois o contexto e a individualidade são descartados.
Além disso, muitas técnicas aplicadas é que comprometem a efetiva educação das crianças, que cumprem apenas a função de obedecer e acatar o que lhes é colocado, não havendo um diálogo profundo e a interação entre pais e filhos sobre as causas de tais problemas. Assim, no programa Supernanny, o modelo de educação é focado para a obediência e não para a construção da autonomia, portanto, em curto prazo funciona mas a longo prazo não, pois não houve o processo de conscientização.
Conclui-se que as técnicas empregadas no programa supernanny não favorecem o desenvolvimento da autonomia moral da criança, mas sim a heteronomia, pois os horários, as tarefas e as regras são impostas à criança, não há um diálogo e a interação da criança nesse processo. A autonomia moral ocorre com a construção de regras em comum acordo entre criança-adulto, num ambiente de respeito e minimização das relações de poder, no qual prevalece a co-participação da criança e não o autoritarismo do adulto. É no ambiente de respeito, diálogo, participação, reflexão e igualdade que se dá o início de um longo processo de formação da criança, as sementes da autonomia e da construção de valores.
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_______________________________ Vanessa Barros Galzerano
Aluna
_______________________________ Profª. Sílvia Marina Anaruma