• No results found

Patents related to carotenoid sources and extraction techniques

For Peer Review Only

11. Patents on carotenoids in relation to foods and feeds

11.1 Patents related to carotenoid sources and extraction techniques

Vásquez de la Horra (2010)

FIGURA 19 - Oh sole mio de Sandra Vásquez de la Horra (2010)

55

possíveis e abertas, que dependem das próprias experiências e da relação que se estabelece entre público e obra. Em entrevista a Alcino Leite, ao ser questionado sobre seus pontos de partida, ele afirma que: “(...) aparentemente absurdos ou fantásticos, possam se transformar em imagens que carreguem uma força de evocação abrangente, onde o outro talvez possa encontrar um pouco de si mesmo.”

Para Nino Cais, seu corpo “é uma espécie de ímã que atrai os objetos do seu entorno”. Descreve dessa maneira a série de fotografias que, a partir de colagens, constrói em seu próprio corpo uma cabeça de animal, arranjos de flores, tecidos, entre outros objetos do cotidiano. Utilizando-se também da fantasia, Cais experimenta novas imagens, rostos estranhos em um corpo humano, independente da distância que possa existir entre um e outro objeto. Em seu trabalho é possível identificar algo que está além do nosso trivial uso de um objeto - há um valor em cada um deles,

uma metamorfose com o homem, uma entrega do corpo a essa “coisa” que existiria apenas para serví-lo. FIGURA 20 - Enterro de Eduardo

Berliner (2009)

FIGURA 21 - Série Bichos de Nino Cais (2011)

56

Na série Bichos, o artista coloca máscaras e se transforma em personagens que facilmente encontraríamos em fábulas: a aparência selvagem, o cenário infantil e características supostamente humanas, com certa delicadeza e movimentos finos.

Há alguns anos, no Brasil, uma exposição com imagens de um homemcachorro causou indignação entre público e mídia. Rodrigo Braga participava de sua primeira exposição coletiva na cidade de São Paulo: O

corpo na arte contemporânea brasileira (2005), no Itaú Cultural.

O trabalho Fantasia de Compensação foi feito a partir de arte digital, montagens que segundo o próprio Braga, deixam o público atordoado, sem saber se aquilo é real ou virtual. Diferente de artistas que trabalham com surrealismo, Braga tinha interesse em criar imagens que pudessem, de fato, ter acontecido, não sendo uma imagem apenas da fantasia. Entre os fatos que mobilizaram o artista, havia uma situação em que ele havia dissecado um bode e uma cena em que ele, ainda adolescente, viu a fragilidade de um cão doente na rua e se percebeu bastante semelhante ao animal.

O trabalho envolveu professores universitários, um veterinário e o Centro de Vigilância Ambiental da Prefeitura de Recife. Para conseguir o cachorro, Braga precisou de documentos e realizou todo o processo de acordo com as normas legais. O animal, recolhido da rua, aguardou durante 40 dias no FIGURA 22 - Série Bichos de Nino Cais

(2011)

FIGURA 23 - Cirurgia em Fantasia de Compensação de Rodrigo Braga (2004)

57

Centro de Zoonoses até que fosse sacrificado. Só após esse momento, o artista teve acesso ao cachorro. A cirurgia foi realizada e partes da face do cão foram costuradas no molde do rosto de Braga. Após essa etapa, mais de um mês de trabalho foi necessário para que as imagens ficassem parecendo reais. No website do artista é possível ler a Nota de Esclarecimento sobre esse trabalho. Na tentativa de evitar polêmicas, Braga escreve que os procedimentos tomados em relação ao animal são procedimentos padrão em casos de cachorros abandonados. Alguns animais são cedidos para pesquisas artísticas e científicas, não se tratando de uma alteração de etapas, mas do uso de um animal que não teria alternativa de vida.

FIGURA 24 - Fantasia de Compensação de Rodrigo Braga (2004)

Ainda que tente explicar como seu trabalho foi feito, o nome de Braga é constantemente citado ao se pensar em artistas que, supostamente, maltratam animais. Um

blog (www.pristina.org) sugere a dissecação do próprio Braga, além de afirmar que o

cachorro foi morto para aquilo que “alguns chamam de arte”.

As imagens, além do choque inicial, remetem à questões da semelhança do homem e do animal. É uma forma de tratar com um mesmo peso questões que, geralmente, são relevantes à espécie humana. As montagens não parecem classificar como mais valiosa a vida do cão ou do homem – os dois, metamorfoseados, tem uma condição semelhante. Braga diz que, não faz seus trabalhos pensando ou esperando algo do público, mas faz aquilo que é necessário para debater suas questões. Contudo, não ignora o potencial que suas imagens têm em chocar as pessoas e, ao ser questionado sobre o estranhamento causado, acredita que “(...)

58

o mundo já é demasiadamente estranho, é só pôr a lente no que está diante dos nossos olhos. Onde tudo é possível o que mais parece estar fora do lugar? Será que só a arte que se faz hoje é estranha? (...)”

Braga remonta uma espécie de corpo monstruoso em sua própria face e o estranhamento do público é gerado a partir disso. De qualquer forma, trabalhos artísticos com animais são alvos constantes de debates públicos sendo, por si só, considerados chocantes e repudiados, como no caso de Laura Lima com a exposição “Galinhas de Gala e Galinheiro de Gala” (2008). A artista foi acusada de maltratar galinhas, pois usava uma técnica semelhante ao megahair para implantar plumas nas aves, sendo considerada por representantes de órgãos ligados aos direitos dos animais como um “carnaval sádico”. Outro exemplo é o artista Guilhermo Habacuc Vargas que, em 2007, foi acusado de deixar um cachorro morrer em uma galeria da Nicarágua. Embora organizadores da exposição tenham se pronunciado a respeito do uso do animal, informando que ele era alimentado na ausência do público, havia discussões sobre a morte do animal ter sido causada por falta de água e comida. O artista, por sua vez, explica que o trabalho fazia referência ao descaso com a vida - dois anos antes um amigo de Vargas foi atacado e morto por cachorros da raça rottweiler, na frente de policiais da Costa Rica que, segundo o artista, omitiram socorro.

59

Patricia Piccinini, assim como Braga, também trabalha com uma forma de metamorfose homem-animal. Busca seres estranhos, porém as metamorfoses não são feitas em seu próprio corpo, mas em esculturas. Piccinini não distingue exatamente quais são os animais, se são seres dos contos de fadas, se são rugas da idade ou outra situação ainda desconhecida. Ela brinca com formas e posições, trazendo o estático para a ação do brincar infantil. O olhar dos seus seres parece pedir algo. Alguns trabalhos precisam ser observados por um longo tempo, pois deixam dúvidas se são ou não reais. Ainda que causem estranhamento e uma certa descrença de que existam na sociedade, são dotados de características tão convincentes que fica difícil colocar como um “objeto”. Alguns parecem sofrer, têm medo, sonham e se relacionam com humanos.

O trabalho The young family (2002-2003) foi pensado a partir de experimentos onde alguns cientistas buscaram criar porcos geneticamente modificados – suas células e órgãos seriam utilizados por humanos em tratamento contra diabetes. Não apenas com essa obra, como em outras tantas, Piccinini está preocupada em levantar o debate sobre essas relações entre os indivíduos e inovações da ciência e tecnologia.

FIGURA 26 - The young family de Patricia Piccinini (2002- 2003)

FIGURA 27 - Still life with stem cells de Patricia Piccinini (2002)

60

Não se trata de discutir se tais práticas são corretas, mas de pensar como estamos lidando com um panorama que inclui a criação de outros seres. O novo ser, que talvez não seja absolutamente humano ou absolutamente animal, aparece na obra como um elemento amorfo, porém de uma maneira que permite reconhecer características de naturezas distintas.

Em Still Life with Stem Cells (2002) ou em The comforter (2010) Piccinini também discute a relação do humano com seres estranhos. Fazendo referência às polêmicas pesquisas com células-tronco, a artista cria novas formas que, apesar de uma imagem desconfortante, parecem em harmonia com as meninas que as seguram. Parecem ter sido criadas, mas que contaram com um pouco de acaso durante esse processo. Lembram figuras humanas, com rugas e orifícios, mas não se parecem com o homem. A artista relata que tem interesse em olhar, não tanto para a humanidade que está presente nos animais mas, a animalidade existente no humano. Para ela, interessa o cuidado da mulher com os filhos e a proximidade entre os hábitos dos humanos e animais (como podemos perceber em The young family).

Muitas pessoas têm defendido o uso de células- tronco na medicina e Piccinini, em entrevistas (e também em seu website), lembra que famílias com pessoas doentes tem interesse no assunto. Segundo a artista, a criação de novos seres pode resultar em espécies que saem do controle ou que não se apresentam na imagem esperada. Para além das questões éticas que estão envolvidas nesse tipo de debate, interessa-nos a possibilidade das artes de dar existência a novos seres, algumas vezes estranhos e amorfos.

FIGURA 28 - Newborn de Patricia Piccinini (2010)

FIGURA 29 - The comforter de Patricia Piccinini (2010)

61

FIGURA 30 - Foundling de Patricia Piccinini (2008)

Até aqui vimos artistas que, por meio de desenhos, esculturas, montagens ou fotografias criam seres dificilmente decifráveis. Outros se colocam em suas obras para discutir as transformações possíveis em seus próprios corpos e os limites do humano. É frequente trabalhos de artistas (mulheres) que, em fotografias, modificam suas aparências. Por tratarem de assuntos como

consumismo, política,

representação da mulher na sociedade e também pelo

contexto histórico que

presenciaram, muitas são consideradas artistas feministas. O movimento feminista, que defendia o direito da mulher ao voto, ao aborto, direitos trabalhistas e pedia proteção em casos de abuso ou violência doméstica, teve bastante força durante os séculos XIX e XX, nos países da Europa e América do Norte.

62

A semelhança ou a

possível interpretação das fotografias levam ao entendimento de que as norte americanas Barbara Kruger, Martha Rosler, Cindy Sherman e Ilene Segalove estejam buscando criticar a forma como a sociedade inúmeras vezes tem tratado as mulheres. Em

algumas entrevistas podemos perceber que não se trata exatamente de um discurso a favor das mulheres, mas de pensar nas diferentes imagens que elas já tiveram ou mesmo as que foram atribuídas a elas. Segalove apresenta em suas obras poses, roupas, partes do corpo de mulheres. Constrói também personagens que tentam transgredir o seu corpo feminino, personagens inspirados na televisão ou presentes na vida em família.

Talvez, a grande representante dessa experimentação fotográfica do corpo feminino seja Cindy Sherman. Depois de um tempo de dedicação à pintura, a artista começou a fotografar imagens de si mesma, personagens modificadas, que remetem a estereótipos femininos. De acordo com a artista, não se trata de autoimagem, já que a ideia é justamente criar mulheres distintas. Ela não quer ser reconhecida nas imagens, mas quer interpretar papéis ocupados por mulheres de tempos, idades, profissões diferentes. Segundo Annateresa Fabris (2003), “a identidade feminina transforma-se em uma série de papéis que Cindy Sherman assume conscientemente para poder melhor sublinhar o elo inextricável que na cultura contemporânea une imagem e identidade.”

Eduardo P. Cañizal (2005) acredita que vários trabalhos de Sherman, por conterem referências ou influências das pinturas clássicas, são exemplos de modalidades intertextuais e textos complexos. Ela se utiliza da nudez abjeta, do corpo do outro, não um corpo coberto de pelos ou escondido, como no caso de Tognina (citada no