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In document Guro L. Andersen (sider 75-78)

Associadas às garrafas de secção quadrada, foi também descoberta na Santo António de Taná uma grande quantidade de tampas em liga de estanho. Estas caracterizam-se genericamente por três tipos distintos, com base na sua morfologia e na decoração que exibem na sua parte superior (Fig. 23).

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Fig. 23 – Tipos de tampas em liga de estanho identificadas em Santo António de Taná (Tiago Silva sobre base INA).

O primeiro tipo, o mais numeroso, apresenta o topo plano decorado com um círculo inciso ao centro da tampa, e demonstra um aro exterior bastante soerguido que cai pronunciadamente para o interior (Fig. 23). Apresenta em média uma altura de 1,54 cm, um diâmetro máximo de 5,42 cm, e na base um diâmetro de 4,67 cm (Tabela 5).

ID Altura Diâmetro máximo Diâmetro da base Diâmetro externo na boca

Diâmetro

interno na boca Proveniência

MH-0093 1,7 5,7 4,95 4,75 4,25 19H MH-0132 1,75 5,25 4,75 4,55 4,15 21H MH-0147 1,45 5,4 - - Aprox. 4 21J MH-0148 1,65 5,25 4,7 4,5 4,2 rolado 21J MH-0154 1,5 5,2 4,4 4,2 Aprox. 3,9 21J MH-0155 1,4 5,5 4,85 5,1 4,25 21H MH-0203 1,4 3,2 - - 4 21J MH-0242 1,6 5,35 4,6 4,7 4,25 21J MH-0251 1,8 5,4 4,7 4,65 4,25 21J MH-0321 1,6 5,45 4,7 4,3 Aprox. 3,9 - MH-0411 Aprox. 1,6 - - - Aprox. 2,5 20H MH-0438 1,55 5,4 4,65 4,6 4,2 20H MH-0449 1,7 5,4 4,6 4,55 4,15 20H MH-0460 1,5 5,45 4,45 4,35 4,2 23G MH-0554 1,25 5,45 4,6 4,25 Aprox. 4 24G MH-1069 1,6 5,6 4,7 4,6 4,3 19H MH-1083 1,7 5,5 4,8 4,8 4,4 - MH-2437 - 5,5 - - 4 17K MH-3209 2,3 5 - - 2,6 24J MH-3407 2 5,5 - - 4,2 -

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MH-5200 1,8 5,6 - - 4,8 27I

MH-5366 1,4 5,6 - - 4,2 28J

MH-5630 1,6 5,3 - - 4,2 28I

Tabela 5 – Principais medidas das tampas do Tipo 1 (Matthews, 1978).

O tipo 2 caracteriza-se por um topo ligeiramente convexo com decoração incisa com dois ou mais círculos na sua parte central, o aro exterior pouco pronunciado e apresenta um compasso de rosca mais largo que o tipo 1 e o tipo 3 (Fig. 23). Em média, apresenta uma altura máxima de 1,55 cm, um diâmetro máximo no topo de 5,26 cm, sendo o diâmetro da base de 3,87 cm (Tabela 6).

ID Altura Diâmetro máximo Diâmetro base Diâmetro externo na

boca

Diâmetro

interno na boca Proveniência

MH-0093 1,25 5,05 3,4 3,25 2,9 21G MH-0127 - - - - MH-0186 1,4 5,15 3,3 3,3 2,9 21J MH-0200 - 5,1 - - 3 21G MH-0206 1,4 5 3,7 3,25 - 21G MH-0265 1,1 5,1 - - Aprox. 1,9 - MH-0272 1,45 5,15 3,7 3,3 0.03 21J MH-0346 1,7 5,1 3,5 - Aprox. 2,5 20G MH-0373 1,45 5,05 3,65 3,25 - 21H MH-0621 1,4 5,1 3,7 3,3 2,6 26H MH-0712 - - - 26H MH-1001 1,65 6,6 4,85 4,3 - Sf MH-1396 1,4 5,1 3,7 3,25 2,6 20H MH-1415 1,4 5,3 4,25 3,3 3 20H MH-2438 - 3,6 4,8 - - 26J MH-3244 1,1 5,1 - - 3,2 26J MH-3876.01 1,8 6,8 - 3,8 - 24J MH-4162 1,3 5,2 - 3,5 - 23J MH-5645 1,4 5,5 - 4,3 - 28J MH-5931 2,7 5,8 - 4,3 - - MH-6222 2,5 5,5 - 4,5 - 28J

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Finalmente, o tipo 3, com menor expressão no sítio, evidencia o topo cónico ou pontiagudo, decorado com um grande círculo, também inciso, centrado sobre a parte superior da tampa, e o aro externo é também muito pronunciado, caindo ligeiramente inclinado para apertar no gargalo. Morfologicamente, denota semelhanças em relação ao tipo 1, embora a base de encaixe na garrafa seja de tamanho um pouco menor (Fig. 23). As suas medidas médias são uma altura de 1,59 cm, diâmetro máximo de 4,98 cm e um diâmetro na base de 4,59 cm (Tabela 7).

ID Altura Diâmetro máximo Diâmetro da base Diâmetro externo na boca

Diâmetro

interno na boca Proveniência

MH-0171 - 5,5 - - - 21H MH-0194 1,6 5,2 4,45 4,35 4,05 21G MH-0204 1,75 5,1 4,1 4,15 Aprox. 3,85 Sf MH-0241 - 5,1 - - - 21K MH-0244 1,7 5,4 4,85 4,4 3,95 21J MH-0322 1,5 5,3 4,45 4,45 4 21J MH-0345 1,5 5,3 4,55 4,35 4,05 21J MH-0447 Aprox. 1,6 5,25 4,75 4,4 4 20H MH-0610 1,8 5,45 4,75 4,45 3,95 23G MH-0640 1,265 5,2 4,8 4,4 4 26H

Tabela 7 – Principais medidas das tampas do Tipo 3 (Matthews, 1978).

Quanto à composição da liga de estanho, uma amostra foi analisada pelo International Tin Research Institute, em Inglaterra, com recurso a um microscópio de varrimento lateral chegando- se à conclusão de que este era composto por uma concentração de estanho, chumbo e cobre, o que conferia uma maior resistência ao metal (Matthews, 1978).

Através da consulta da bibliografia, verifica-se que este é um tipo muito frequente de achado em naufrágios holandeses tanto do século XVII como do XVIII. Por exemplo, o Lastdrager, naufragado em Shetland, ao largo da Escócia, em 1653, transportava um grande número de garrafas com tampas em estanho, às quais se associa mercúrio usado para a separação da prata e para tratamento de doenças a bordo dos navios (Sténuit, 1974). Por outro lado, o Vergulde Draeck, um navio da VOC naufragado em 1656 ao largo da Austrália, continha na sua carga um grupo numeroso de garrafas com tampas em liga estanho (Green, 1977), e o Liefde, um navio também de origem holandesa que naufragou também em Shetland, em 1711,

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transportava a bordo além de garrafas quadradas em vidro verde, um grande número de tampas em liga de estanho.

No que diz respeito a naufrágios de origem inglesa, é de referir o Dartmouth (1690), no qual foi identificada uma tampa associada a uma garrafa quadrada (Holman, 1975); de origem possivelmente francesa, são exemplos os naufrágios de La Natière, com um conjunto de tampas associadas a garrafas de secção quadrada ainda introduzidas numa caixa de madeira (L’ Hour & Veyrat, 2000: 32-33 e 84), ou ainda o Elisabeth and Mary (1690) naufragado em Newfoudland, no Canadá, onde surgiram várias tampas e roscas fragmentadas de garrafa quadrada (Bernier, 1997: 33). Através dos paralelos expostos, é difícil precisar a origem das tampas, o que poderia também indicar a proveniência das garrafas quadradas.

A circulação destes recipientes era muito elevada, feita à escala global, sendo que a sua produção se fazia, neste período, em diversos países. Como vemos, encontram-se tampas associadas a garrafas quadradas em Inglaterra e na Austrália, em navios holandeses, e em França e no Canadá, em navios possivelmente franceses ou ingleses, o que é demonstrativo desta escala, tanto ao nível da produção como da circulação.

Com base na imagem da figura 24 (Fig. 24) verificamos que tal como nas garrafas quadradas, a distribuição das tampas no sítio concentra-se maioritariamente na zona central do casco, com especial incidência para a quadrícula 21 J e 21 K, embora se visualizem nesta planta vários exemplares em zonas mais próximas da proa do navio, em locais onde não se encontraram quaiquer fragmentos de vidro, como são os casos da 19 H e da 17 K. Para além disso, no caso da quadrícula 21 H, onde não se encontrou qualquer garrafa de secção quadrada, observaram-se 4 tampas em liga de estanho, um número significativo dadas as tampas com posição. Por outro lado, apareceu um grupo numeroso de tampas na zona do porão do navio, para bombordo, próximo da carlinga do mastro, o que pode significar que uma grande quantidade de garrafas se encontrava armazenada aqui.

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Fig. 24 – Dispersão das tampas em liga de estanho no sítio arqueológico (Tiago Silva sobre base de Piercy, 1981).

Ao compararmos ainda a dispersão de tampas no sítio com a dispersão de case bottles, verifica-se que a zona que apresenta um maior número corresponde à quadrícula 21 J e à 21 K, acima das curvas d’alto, logo na zona do convés, o que pode igualmente demonstrar que as garrafas se encontravam a ser utilizadas neste local do navio aquando do acidente.

Todavia, a restante colecção encontrava-se globalmente nas mesmas zonas que as garrafas quadradas, embora algumas se pudessem ter deslocado durante o processo de naufrágio, depositando em zonas onde não se verifica qualquer garrafa de secção quadrada.

In document Guro L. Andersen (sider 75-78)