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Segundo Zeile et al. (2009), a dificuldade de utilização deste método de

avaliação reside na correta interpretação dos dados. Basicamente, o pressuposto é de que a pele humana transpira em situações de alguma tensão (mesmo que esta tensão seja mínima) e isto leva a uma diminuição do nível de resistência da pele (SRL - do inglês

Skin Resistance Level).

Para a agregação dos dados, alguns métodos têm sido desenvolvidos. A versão de smartband utilizada mediu principalmente a resistência e a temperatura da pele. A

questão de saber como estes dados podem ser interpretados foi resolvida, por um lado, com a visualização completa dos dados e, por outro, com a adoção de um indicador mensurável.

138 Capítulo 6 – Validação do Modelo

Antes de prosseguir com as análises é necessário explanar, mesmo que de forma resumida, sobre o mecanismo neuro-fisiológico que está associado a mudanças mensuráveis de nível de resistência da pele. Segundo o Dr. Papastefanou, o nível de

condutância da pele (SCL - do inglês Skin Condutance Level) é um dos dados mais

diretamente ligados à excitação nervosa. Sendo fenômenos elétricos, a resistência da pele e a condutância da pele são inversamente proporcionais. Desta forma, o pesquisador utilizou a transformação dos escores de medida de resistência da pele para escores de condutância da pele com a seguinte relação formal (Equação 6.6):

6 10 * 1 SRL SCL= (6.6)

Em que SCL: Nível de condutância da pele; SRL: Nível de resistência da pele;

O nível de condutância da pele (SCL) corresponde diretamente à produção de suor (nível de umidade absoluta da pele), ou seja, quando há um aumento na produção de suor, o SCL é também aumentado.

Segundo o Dr. Papastefanou, foi observado que existem algumas razões para não se usar o SRL tampouco o SCL para indicar as diferenças interpessoais e individuais na excitação neuro-emocional. Isto se dá por causa dos mecanismos que levam à evolução das quantidades absolutas de suor na pele. A resistência da pele pode ser diferente entre uma pessoa e outra. A quantidade real de umidade da pele pode estar relacionada a diferentes causas externas e/ou internas, por exemplo, a temperatura do ar ambiente, a desidratação da pele devido a processos de envelhecimento, hábitos específicos de cuidados da pele etc.

Mas, através da medida da condutância elétrica da pele, a quantidade real de umidade pode ser mensurada indiretamente. Assim, é a mudança do nível de suor na pele (amplitude) que deve ser considerado como o informativo para estimar a atividade neuro-emocional. O mecanismo pode ser resumido da seguinte forma:

As fibras neurais simpáticas estão em cada órgão e elas os estimulam por sinais elétricos neurais. A pele, sendo um desses órgãos, contém glândulas sudoríparas. A excreção do suor é regulada pela chegada de sinais neurais. Desta forma pode-se dizer que uma determinada quantidade de suor produzida é equivalente a um sinal neuro-

simpático específico ou uma série de sinais e existe um processo de compensação pela absorção de suor. Por isso, a alteração da quantidade total de suor na pele (amplitude) é que corresponde a uma excitação nervosa.

Enquanto o SCL (Figura 6.18) indica o nível absoluto de umidade da pele de forma cumulativa, as respostas de condutância da pele (SCR - do inglês Skin

Condutance Response) indicam a variação da amplitude no nível de condutância da pele

resultante da produção e absorção de suor.

A variação da amplitude SCR (Figura 6.19) durante um intervalo de tempo específico de observação reflete a freqüência de sinais neurais para este intervalo de tempo. Assim, é a diferença de condutância da pele entre determinados tempos tn e tn+1 que serve como indicador mensurável. Importante citar que uma amplitude igual a zero não significa a inexistência de atividade neural. O valor zero de amplitude significa que não houve mudança de condutância da pele, pois existiu um equilíbrio entre a atividade neural de produção e absorção de suor.

Em suma, a taxa de amplitude SCR é um dos cernes da análise. Dependendo do intervalo de tempo de observação, pode-se obter uma taxa de excitação neural não diretamente, mas contrabalançados por um processo contínuo de produção e absorção de suor.

Figura 6.18: Gráfico esquemático que indica o tipo ideal de nível de de condutância da pele depois de um estímulo neural

Tempo (t) SCL

140 Capítulo 6 – Validação do Modelo

Figura 6.19: Gráfico esquemático que indica o tipo ideal da trajetória de resposta de condutância da pele depois de um estímulo neural

O outro parâmetro utilizado é o nível de resposta de temperatura da pele (STR) que, semelhante à resposta de condutância da pele (SCR), é calculada como a variação da temperatura medida de segundo a segundo.

A discriminação entre reações de estresse (medo ou raiva) parece não ser possível utilizando-se apenas os dados da atividade das glândulas sudoríparas (medidas pelo SCR). A atividade neural regulada pelas artérias (vasodilatação e vasoconstricção) e aferidas pelo sensor de temperatura, fornece informações adicionais que podem ser combinadas com as informações do SCR.

Estudos experimentais mostram que a alteração da temperatura da pele na periferia do corpo (por exemplo, as mãos) está intimamente relacionada à excitação simpática. Os sinais neurais das fibras simpáticas do sistema nervoso autônomo excitam as arteríolas dos músculos para contraí-los. Assim, o fluxo sanguíneo é restrito e isto leva à queda de temperatura da pele nesses locais. Esta é uma resposta funcional que prepara a periferia do corpo contra estímulos ameaçadores (por exemplo, contra a perda de sangue em caso de ferimentos). Por isto as respostas da temperatura da pele podem ser conhecidas como resposta ao estresse.

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