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In document Music, Health, Technology and Design (sider 66-70)

Ferreira & Sanches (2001) citam que uma das principais dificuldades no tratamento das questões relacionadas à qualidade dos espaços urbanos é a definição de um instrumento para avaliar o nível de serviço oferecido por esses espaços.

Como dito anteriormente, ao caminhar o pedestre está sujeito a uma multiplicidade de fatores que afetam significativamente o seu sentimento de segurança, conforto e conveniência. Segundo Landis et al. (2001), alguns autores classificam estes fatores em três medidas gerais de desempenho, as quais descrevem o ambiente da via de pedestres: i) capacidade das vias de pedestre; ii) qualidade do ambiente de pedestre; e, iii) percepção da segurança e / ou do conforto do pedestre.

i) Capacidade das vias de pedestre

Quanto à capacidade da calçada, esta foi uma das primeiras medidas de desempenho a serem avaliadas, sendo desenvolvida por Fruin (1971). Embora o autor tenha citado que seu método é baseado em fatores quantitativos e qualitativos para avaliar o ambiente do pedestre, ele utilizou o conceito de capacidade oriundo dos princípios empregados na engenharia de tráfego de veículos (Highway Capacity Manual - HCM). Além desse autor, Pushkarev & Zupan (1975) e Mori & Tsukaguchi (1987) também utilizaram para expressar o nível de serviço apenas a densidade ou o seu inverso (espaço disponível por pedestre). Mesmo o HCM - 2000 (TRB, 2000) considera apenas aspetos quantitativos para avaliar o desempenho dos espaços de pedestres (fluxo, velocidade e densidade).

ii) Qualidade do ambiente de pedestre

Quanto à qualidade do ambiente de pedestre não existe uma abordagem única estabelecida. Vários trabalhos sugerem medidas qualitativas para avaliar a experiência de caminhada nos espaços públicos. Replogle (1990) utiliza fatores como existência de

40 Capítulo 3 – Avaliação da Acessibilidade dos Espaços para Pedestres

calçadas e abrigos em pontos de ônibus, recuo de edificações e tipo de uso do solo. Holtzclaw (1994) apresenta fatores como continuidade das vias, existência de calçadas, recuo dos edifícios, velocidade do tráfego de veículos na via adjacente às calçadas e topografia. Dixon (1996) considera como fatores determinantes existência de calçadas, continuidade e largura das calçadas, conflitos de pedestres com veículos, amenidades existentes nas calçadas, nível de serviço para veículos na via, estado de conservação das calçadas e existência de medidas de moderação do tráfego.

Yuassa (2008) realizou um estudo de avaliação dos níveis de serviço de três modos de transporte (a pé, bicicleta e automóvel) para verificar se existe uma relação inversa entre o modo automóvel e os modos não motorizados. Isto é, se o planejamento direcionado ao modo automóvel deteriora os níveis de serviço dos modos não motorizados avaliados em um estudo de caso.

Um ponto em comum entre estes métodos a ser observado é que, para serem propostos níveis de serviço, as avaliações são sempre feitas por técnicos e não consideram a opinião dos usuários.

iii) Percepção de segurança e / ou conforto do pedestre

Quanto à percepção de segurança ou conforto do pedestre, esta é uma medida de desempenho gerada a partir da expressão comum do pedestre em relação à sua percepção do espaço. Nela também estão embutidos os conceitos de qualidade do ambiente de pedestres (citado acima). Geralmente o pedestre associa o caminho a um “lugar perigoso para andar” ou um “lugar seguro e confortável". Esta é a forma como eles articulam os seus pontos de vista da via de circulação.

Mori & Tsukaguchi (1987) propuseram um método de avaliação utilizando como base a opinião de pedestres. Os fatores considerados foram largura da via de veículos e da calçada, largura efetiva da calçada (faixa livre), tipo de calçada, taxa de obstáculos, taxa de área verde, fluxo de tráfego de veículos, fluxo de pedestres e número de veículos estacionados. Khisty (1994) também considera a opinião dos pedestres em seu método e utilizou como fatores ou medidas de desempenho a atratividade, o conforto, a conveniência, a segurança, a seguridade, a coerência do sistema e a continuidade do sistema. Para estabelecer níveis de serviço, os trabalhos de Sarkar (1993, 1995a, 1995b e 1996), utilizam basicamente, fatores como segurança, seguridade, conforto, conveniência, continuidade, coerência e atratividade.

Ferreira & Sanches (2001)propuseram que o nível de serviço seja determinado através de um Índice de Qualidade das Calçadas (IQC). Alguns parâmetros, que caracterizam o ambiente das calçadas, foram incluídos na definição desse índice e ponderados de acordo com a importância atribuída a eles pelos usuários. Os parâmetros considerados foram: segurança, manutenção, largura efetiva, seguridade e atratividade visual.

Landis et al. (2001) propuseram identificar os fatores no âmbito da caminhada de forma a influenciar significativamente a sensação de segurança e/ou conforto do pedestre. O uso destes fatores em uma expressão matemática, testada estatisticamente, forneceu uma medida de nível de serviço (NS) para pedestres em um trecho de via. Esta medida avalia as condições ao longo dos segmentos da via de pedestres entre as intersecções.

Modelos de NS propostos, quando combinados com análises de medidas de capacidade da via e com medidas de desempenho da qualidade da via para avaliar a experiência de caminhada - no caso de uma calçada existente completam a imagem do ambiente da caminhada.

Aguiar (2003) apresentou um estudo que aplica alguns dos métodos existentes para avaliação dos espaços de pedestres com o intuito de comparar os resultados e verificar quais têm melhor facilidade de aplicação em cidades brasileiras.

Contudo, apesar de a maioria dos trabalhos propor índices com pontuações que sejam compatíveis a uma escala de variação de níveis de serviço (NS) oferecidos, os trabalhos, até então citados, basicamente não consideram usuários com características específicas, como é caso dos usuários de cadeiras de rodas, cegos e idosos.

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