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Defining core concepts

In document Music, Health, Technology and Design (sider 142-149)

Uma vez estruturado o modelo de avaliação das condições de mobilidade potencial de pedestres quanto à acessibilidade relativa dos espaços (Capitulo 4), as etapas seguintes consistiram em duas aplicações do modelo para obtenção de resultados (Capítulo 5) e, finalmente, na sua análise para validação ou refutação.

Segundo Morrow et al. (2005) a validade de um conteúdo é a evidência da veracidade de um teste, baseada na decisão lógica dos procedimentos e de sua execução. Com base nesta visão, a opinião de comissões julgadoras formadas por pessoas envolvidas na área em questão (avaliadores), pode ser utilizada no processo de validação. Assim, o processo de validação, segundo Hellinga (1998) pode determinar se o modelo calibrado representa corretamente o sistema real.

O processo de análise de validação do modelo foi realizado em duas partes. Este procedimento permitiu uma análise mais rigorosa, no que diz respeito a fatores estáticos e dinâmicos que possam influenciar o modelo. Em ambas as partes desta etapa, alguns grupos de pessoas capazes de participar do processo de validação, como avaliadores, foram selecionados.

102 Capítulo 6 – Validação do Modelo

A primeira parte do processo de análise de validação diz respeito ao aspecto estático do modelo de avaliação multicritério de acessibilidade a um determinado espaço urbano.

Assim, foi proposta a realização de uma “avaliação direta” por meio da aplicação de um questionário simplificado que verificou os principais aspectos abordados no modelo proposto. Esta avaliação direta teve como objetivo principal fornecer dados que pudessem legitimar ou refutar o modelo descrito no Capítulo 4 e aplicado no Capítulo 5.

A análise do processo de validação foi possível a partir da verificação do nível de consistência entre os resultados obtidos na aplicação do modelo (Capítulo 5) e a avaliação direta.

De acordo com Kiss (1987), a objetividade de um instrumento de medida se relaciona ao grau de consistência dos resultados. Para verificar a consistência do procedimento adotado nos estudos de caso tanto no campus de São Carlos quanto no

campus de Gualtar, foi realizada uma análise de correlação (R) entre os resultados do

modelo de avaliação multicritério adotado e os resultados da avaliação direta. No caso da avaliação direta, os resultados foram obtidos por três diferentes formas de ordenamento de critérios.

O grau de consistência utilizado como condição preestabelecida para validar e legitimar o modelo de avaliação multicritério, quando comparado aos resultados da avaliação direta, compreendeu valores de R = 0,75 a 1,00. Segundo Costa (2005) estes valores são definidos estatisticamente dentro dos níveis de correlação forte a perfeita. Valores de R = 0,50 a 0,75 correspondem a uma faixa de correlação média a forte.

Esta parte do processo de análise de validação também pode fornecer subsídios que permitam aprimorar o processo de cálculo dos indicadores ou critérios utilizados ou, ainda, pode permitir a identificação de eventuais discrepâncias provenientes dos resultados obtidos entre a aplicação do modelo adotado e a avaliação direta.

A segunda parte do processo de análise de validação diz respeito ao aspecto dinâmico do modelo proposto de avaliação da acessibilidade relativa que envolve as condições de mobilidade potencial dos usuários de um determinado espaço urbano.

Assim, além de se realizar a avaliação por meio do questionário direto, foi proposta outra forma de avaliação subjetiva. Para tanto, foi adotada uma abordagem que utilizasse o conceito de mapa emocional dos percursos.

A avaliação subjetiva sugerida teve como objetivo principal fornecer parâmetros complementares que também pudessem legitimar ou refutar o modelo em itens que não puderam ser contemplados na avaliação direta (referente à parte estática). Portanto, a metodologia adotada sugere estabelecer mais respostas para a seguinte questão: “como

as pessoas se sentem nos percursos urbanos?”

Com base no trabalho de Zeile et al. (2009), foi possível utilizar uma forma de mensurar estes dados subjetivos para tentar traçar uma correlação entre os resultados obtidos desta avaliação e os resultados do modelo proposto realizado no estudo de caso. Esta proposta complementar de validação do modelo sugere uma discussão enriquecedora sobre a forma de coleta de dados, já que foi utilizado um aparelho (ainda protótipo) desenvolvido na Alemanha pelo pesquisador Dr. Georgios Papastefanou, o qual mede dados vitais geo-referenciados através de sensores e de um GPS.

O aparelho utilizado, denominado smartband (http://www.bodymonitor.de), foi projetado em forma de “bracelete”, o qual mede principalmente a resistência e a temperatura da pele. Segundo Zeile et al. (2009) a resistência da pele, que é influenciada pela atividade glandular em função da regulação térmica do organismo em situações emocionais, pode ser parâmetro de medidas subjetivas. Os dados adquiridos podem levar a um método de identificação de impulsos emocionais quando submetidos a um ambiente urbano (por exemplo, bem-estar, tensão ou relaxamento ao realizar uma caminhada).

Ainda segundo Zeile et al. (2009), os dados obtidos sugerem um método que identifique áreas positivas e negativas em uma cidade. Portanto, nesta etapa do presente trabalho o uso desse método foi direcionado para se obter tais respostas em um determinado percurso de caminhada. Estas respostas (áreas positivas e negativas dentro do percurso) podem indicar a carga de acessibilidade dos espaços e elas são obtidas através dos dados de excitação do estado emocional (estresse) das pessoas que utilizam o aparelho.

104 Capítulo 6 – Validação do Modelo

É importante salientar que o modelo proposto nesta etapa do trabalho foi considerado complementar por dois principais motivos:

1) este modelo de avaliação utiliza uma ferramenta ainda em fase de ajustes (protótipo). Assim sua aplicação deve ser expandida e seus resultados necessitam ser mais analisados para que seja constatada sua eficácia na área de avaliação trabalhada.

2) o modelo proposto avalia apenas as reações subjetivas dos usuários em relação ao espaço físico do percurso. Neste procedimento, não é analisada a questão dos pesos que os usuários atribuem aos destinos. Isto significa que apenas uma parte da avaliação multicritério utilizada na fase de estudo de caso pôde ser colocada em análise de validação.

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