• No results found

4. Result and Discussion

4.2. Multivariate calibration methods for quantification of chitin

4.2.3. Partial least square regression (PLSR)

Desde a educação instituída pelos jesuítas no país na época da colônia até o Brasil Império (1500-1749), existem evidências de que não houve relativa preocupação com a educação pública e democrática, visto que esta educação era dirigida apenas para a classe hegemônica. Neste sentido, “a obra de catequese, que, em princípio, constituía o objetivo principal da presença da Companhia de Jesus no Brasil, acabou gradativamente cedendo lugar, em importância, a educação da elite” (ROMANELLI, 1978, p.35).

A partir da chegada dos portugueses ao país, as populações indígenas que aqui viviam foram vítimas de um processo de aculturação que fazia parte do modelo repressivo educacional europeu.

Quando os jesuítas17 chegaram ao Brasil, trouxeram consigo valores éticos e morais, associados à religiosidade, bem como métodos pedagógicos próprios da cultura européia, que vivia momentos históricos de profundas transformações de ordem política, cultural, social e, sobretudo econômica.

17 A pedagogia dos jesuítas exerceu grande influência em quase todo o mundo, incluindo o Brasil. Chegaram aqui em 1549, foram expulsos em 1759 e retornaram em 1847. Até hoje, a educação tradicional os defende. A ordem dos jesuítas foi fundada em 1534 pelo militar espanhol Inácio de Loyola (1491-1556 ) com o objetivo de consagrar-se à educação da juventude católica. Seguia os princípios cristãos e insurgia contra a pregação religiosa protestante. O criador da Companhia de Jesus imprimiu uma rígida disciplina e o culto da obediência a todos os componentes da ordem. A ratio studiorum é o plano de estudos, de métodos e a base filosófica dos jesuítas. Representa o primeiro sistema organizado de educação católica. Ela foi promulgada em 1599, depois de um período de elaboração e experimentação. A educação dos jesuítas destinava-se à formação das elites burguesas, para prepará-los a exercer a hegemonia cultural e política. Eficientes na formação das classes dirigentes, os jesuítas descuidaram completamente da educação popular. A pedagogia da Companhia de Jesus foi e ainda é criticada, apesar de ter sofrido retoques e adaptações através dos tempos, por suprimir a originalidade de pensamento e comandar a invasão colonialista européia, no mundo (GADOTTI, M. 1993, p.72).

Nessa conjuntura, a mudança de um modo de produção, que imperou durante toda a Idade Média, na Europa, isto é, o feudalismo, dava sinais de enfraquecimento, e de superação por meio de um outro modo de produção, o capitalismo, graças a outras necessidades sociais, políticas, culturais e econômicas, que se impunham à luz de um novo tempo que surgia, o qual se consolidaria duzentos anos mais tarde, com a Revolução Francesa.

Este movimento político e econômico que nascia como conseqüência da invenção da imprensa por Gutenberg, entre 1391 e 1400 a 1468, que difundiu a emigração dos sábios bizantinos de Constantinopla para a Itália, da invenção da bússola, que contribuiu com as grandes navegações e, possibilitou as grandes descobertas da América por Cristóvão Colombo (1492) e do Brasil em 1500, pelos portugueses e de outros países, foi responsável pela reestruturação de uma nova visão de mundo, sociedade, de homem e de educação.

Nesse cenário vislumbrou-se a gênese do capitalismo comercial, dentro do qual a colonização do Brasil encontra-se profundamente influenciada por esse modo de produção e ideologias subjacentes, dentre as quais pode ser encontrada a ideologia liberal.

Assim, a exploração colonial fundamentou a acumulação de capital necessária, para a consolidação do sistema capitalista brasileiro, visto que enriqueceu sobremaneira a burguesia.

A formação do professor jesuíta, influenciado por tal ideologia, consistia principalmente em exercícios espirituais para fortalecer a obediência na forma de meditação por cinco horas diárias; de sistemáticos estudos e assimilação do espírito que deveriam orientar a prática dos mestres; de um profundo conhecimento e aplicação do regulamento de estudos fundados no ratio studiorum, que continha o plano, programas e métodos de ensino, bem como o pensamento filosófico que deveria orientar a prática dos mestres.

Com relação à organização curricular dos estudos ministrados nos colégios, esta se dividia em ciclos; o primeiro consistia na formação lingüística, abrangendo a gramática, as humanidades e a retórica.

Os estudos gramaticais envolviam a gramática latina e a gramática grega; as humanidades abrangiam a leitura e o comentário das obras clássicas greco-romanas, com o objetivo de formar o estilo; a retórica propunha-se a formar o perfeito orador.

Por outro lado, o 2º ciclo compreendia os estudos filosóficos, baseados no pensamento de Aristóteles e de São Tomás de Aquino.

No 3º ciclo, enfatizava-se mais a teologia, cujo estudo destinava-se aos membros da Ordem e aos discípulos de seu seminário.

A pedagogia jesuítica exprimia um método de ensino no qual, a preleção explicava o texto sob o ponto de vista etimológico, gramatical, literário e histórico, a contenda que provocava debates entre os alunos, com o intuito de ressaltar pontos importantes do ensino. A memorização era usada para reter aspectos essenciais da lição; a expressão utilizada como forma de tradução de exercícios de uma língua para outra, além de compor trechos literários; a imitação como prática no intuito de adquirir o estilo literário de autores clássicos, sem o descuido da atividade em composições e debates.

No que se refere à formação moral e religiosa a estratégia usada era o bom exemplo, a vigilância, exortações em público e as práticas consideradas como ações nobres.

A disciplina se baseava no incentivo e na competição, fomentadas de forma individual, ou coletivamente, quando cada aluno teria um colega com quem competir, ou um grupo. Houve também um grande incentivo à obediência e à submissão, mantidas sob uma vigilância constante e sistemática.

É importante lembrar que a educação jesuítica se destinava ao ensino secundário, e tinha pouca prioridade com o ensino primário. Em decorrência disso, ou seja, a instrução jesuítica ter se ocupado com a formação de adolescentes das classes burguesas e dirigentes da sociedade, ela influenciou sobremaneira a vida social e política do país, nessa época. No cerne dessas questões, Luzuriaga (1987) aponta aspectos significativos na educação jesuíta: em primeiro lugar, o cuidado na seleção e preparação dos mestres. [...] em segundo lugar, vem o conhecimento e o trato pessoal psicológico dos alunos. Embora sujeitos a rigorosa regulamentação, cada um era estudado, vigiado e atendido individualmente. [...] em terceiro lugar, a educação não tinha aspecto apenas intelectual, mas era, de certo modo, integral: física, estética, moral. Para tanto, cultivavam-se jogos, representações dramáticas, disputas que, ao mesmo tempo, serviam de atração.

Em contrapartida, Luzuriaga (1986) sinaliza as seguintes objeções ao trabalho dos jesuítas ao afirmar que houve a limitação do ensino às matérias puramente clássicas e religiosas, com descuido das que tinham caráter realista ou científico.

As matérias literárias apresentavam um caráter distanciado da vida concreta, pois a economia estava fundada na agricultura rudimentar e no trabalho escravo. A história ensinada não era a nacional, mas a clássica; a língua empregada era o latim e não o vernáculo, que era a língua da região. O caráter educativo revelava-se na desconfiança e heteronomia no âmbito da educação moral, que era baseada em normas impostas, na vigilância e denúncia de faltas. Havia uma nítida ausência de independência intelectual, senso crítico e pessoal. Associado a

estas questões tudo já estava dado e descoberto. Ao aluno só restava a função receptiva e passiva dos conhecimentos

Na prática, o ensino dos jesuítas foi voltado para a catequese e alfabetização dos índios, e com o tempo, foi priorizando e se direcionando às classes dominantes que começavam a se desenvolver. Dessa forma, “o ensino ministrado pelos jesuítas tornou-se, pois, uma educação de classe, atravessando os períodos colonial e imperial, chegando até o início do republicano sem alterações essenciais em sua configuração” (FELDMANN, 1983, p.23).

A Companhia de Jesus foi acusada de decadente e, além disso, seus princípios e práticas pedagógicas não atendiam mais as necessidades da sociedade desse tempo ou tão pouco da corte. O desenvolvimento da ciência e as novas técnicas requeriam um homem prático, que precisava saber e conhecer nesse nível, para dar conta das novas relações políticas e econômicas que surgiam no império.

Se por um lado, as escolas da Companhia de Jesus tinham por objetivo servir aos interesses da fé, por outro, Pombal pensou em organizar a escola para servir aos interesses do Estado.

A reforma educacional do Marquês de Pombal se expressa como uma estratégia que se apresentou necessária, não só pela lacuna deixada pelo sistema jesuítico de ensino, mas pela tentativa de modernização da sociedade em prol do desenvolvimento da economia portuguesa, cuja intenção era a manutenção e fortalecimento do seu regime absolutista. Entretanto aponta um marco importante na história da educação brasileira, isto é, a primeira reforma educacional no país.

Com a implantação do novo sistema educacional no Brasil abriam-se as portas à modernidade européia, o que propiciou a incorporação de partes dos discursos sobre a ação do Estado na educação e se passou a empregá-lo para ocupar o vácuo que foi deixado com a saída dos jesuítas, pelo menos no que diz respeito ao controle e gestão administrativa do sistema.

2.3 Segundo Período (1759-1827): Instituição das aulas régias, resultado da reforma