4 Contextualizing the Quran’s environmental conditions
6.2 Paradise and hell as apocalyptic motifs
Apesar das várias definições e modelos para as IDE, como anteriormente referido, podemos identificar a existência de algumas componentes comuns entre si.
Rajabifard e Williamson (2001) propuseram como principais componentes de uma IDE as políticas, as redes de acesso, as normas técnicas, as pessoas (incluindo parcerias) e os dados espaciais. Este modelo propõe ainda que a interação fundamental entre dados espaciais e as partes interessadas (pessoas) se reja pelas componentes tecnológicas dinâmicas de uma IDE, incluindo as redes de acesso, as políticas e as normas, como é possível observar na Figura 2.1.
Figura 2.1 – Natureza e relação entre as componentes IDE (adaptado de Rajabifard e Williamson, 2001)
É importante referir, que estas não são as únicas componentes que compõem uma IDE, existindo outros modelos possíveis. Realça-se o facto do conceito de IDE ser dinâmico, podendo este ser
ou para incluir um novo ambiente físico. Este aspeto será mais detalhadamente descrito quando forem abordadas as IDE Marítimas.
Como exemplo disso, temos outro modelo apresentado pelo The Executive Office of the President of the United States - OMB (2002), que introduziu cinco componentes na IDE nacional dos Estados Unidos. Neste modelo, as componentes da IDE, ilustradas na Figura 2.2, são os dados temáticos fundamentais, os metadados, a clearinghouse (central de análise, classificação armazenamento e distribuição de dados) de dados espaciais nacionais, as normas e as parcerias.
Figura 2.2 – Componentes da IDE (adaptado de The Executive Office of the President of the United States - OMB, 2002)
Já no Reino Unido, a National Spatial Data Infrastructure (NSDI) constitui um modelo de IDE que abrange os processos que integram as tecnologias, as políticas, os critérios, os padrões e as pessoas necessárias para promover a partilha de dados geoespaciais em todos os níveis (Nacional, Estatal e Local). Esta engloba a base, ou estrutura de práticas, e as relações entre os produtores e os utilizadores que facilitam a partilha e o uso de dados, bem como o conjunto de ações e de novas formas de aceder, partilhar e utilizar dados geográficos, permitindo análises mais abrangentes em todos os níveis de governação. Abrange ainda os sectores comerciais, os sectores sem fins lucrativos, bem como as universidades. Descreve ainda o hardware, software e as componentes necessárias do sistema para apoiar estes processos (Figura 2.3).
Figura 2.3 – As componentes da UK NSDI (adaptado de UK GI Panel, 2006)
Outro modelo proposto, é o do Canadian Geospatial Data Infrastructure (CGDI), que identificou cinco componentes principais para uma IDE, que são as tecnologias, as normas, as politicas, as plataformas de trabalho (framework), o acesso a dados e os serviços, como é visível na Figura 2.4.
Figura 2.4 – Componentes da IDE identificada pela GeoConnections (adaptado de GeoConnections, 2008)
Nos últimos anos, tanto o conceito como o desenvolvimento das plataformas de trabalho IDE têm vindo a amadurecer e o papel de outros elementos, tais como a capacidade de construção (capacity building), a partilha de dados espaciais, as parcerias e a gestão governamental (governance), tem sido reconhecido por ter um grande impacto na eficácia e no sucesso das IDE. Para uma melhor compreensão das componentes mais importantes das IDE aqui referidas, estas
• Dados – A maioria das IDE tem conjuntos de dados que são considerados fundamentais. Isto verifica-se quando estes conjuntos são imprescindíveis para mais do que uma agência governamental e onde a consistência de cobertura nacional é necessária para os organismos a fim de atingirem os seus objetivos. Muitas vezes, estes conjuntos de dados são denominados de conjuntos de dados fundamentais, conjunto de dados essenciais ou conjuntos de dados de plataformas de trabalho, dependendo do modelo conceptual da IDE. Importa que estes conjuntos de dados respeitem as políticas e as normas definidas no âmbito da IDE e que sejam disponibilizados através da rede de acesso. Os dados temáticos são registos eletrónicos e direcionados (coordenados) para um tópico ou assunto.
• Política e Plataforma de Trabalho Institucional (Institutional Framework/Policy) – Inclui a administração, a coordenação e as componentes política e legislativa de uma IDE. O enquadramento institucional está dependente do sucesso da comunicação e da interação entre as partes interessadas. As políticas são influenciadas pelas melhores práticas de gestão e pela troca de dados espaciais. Estas políticas abrangem os acessos, a custódia de dados, a conformidade, a qualidade, o conteúdo, os compromissos industriais, a sensibilização e a prevenção de duplicação. Isto inclui os custos dos dados e as políticas de licenciamento, bem como a abrangência da privacidade e as questões de sensibilidade. As políticas ou componentes das diretrizes podem ser consideradas um sector de governação para as outras componentes, como devem cumprir com esta secção. O desafio para esta componente é que as tecnologias e as suas utilizações estão constantemente a mudar, envolvendo as IDE, criando a necessidade de políticas de atualização rápida das mesmas, de modo a responderem a este ambiente dinâmico. • Normas – As normas são regras comuns e repetidas, condições, diretrizes ou
características para os dados, processos relacionados, tecnologias e organizações. Para ampliar a utilização global de dados federados e serviços, deve-se utilizar as normas e protocolos internacionais. Assim, as normas devem ser consistentes, abrangendo o conteúdo, o acesso e a troca, de forma a permitir que as pessoas possam partilhar, aceder e utilizar os vários conjuntos de dados. As normas asseguram que os dados são interoperáveis e integráveis para todos os utilizadores. Por este motivo, as normas são geralmente definidas ao nível global e/ou nacional. O conteúdo das normas abrange os modelos de dados, os sistemas de referência, os dicionários de dados, a precisão e a qualidade dos dados. As normas de acesso referem-se aos metadados, às licenças e ao custo dos dados, à cobertura de privacidade e às matérias sensíveis sobre quem tem permissão para utilizar os dados. Quanto às normas de transferência, estas especificam os formatos e as codificações dos dados, facilitando a troca de dados entre os fornecedores e os utilizadores.
• Redes de Acesso – Inclui a rede de acesso e de distribuição, a clearinghouse e outros mecanismos para a obtenção de dados e informação espacial para serem disponibilizados
instituição que está a administrar a IDE. Muitas vezes, algumas redes de acesso são criadas sem o suporte do servidor da infraestrutura, das normas e políticas, o que as torna deficitárias. Sem esta infraestrutura de apoio, os dados são dificilmente interoperáveis e provavelmente os diferentes utilizadores terão dificuldade na sua obtenção, utilização, transferência e compreensão. De uma forma geral, o objetivo da rede de acesso é fornecer aos potenciais utilizadores de dados uma lista do conjunto de dados disponíveis e seus metadados que também especificam a forma como o utilizador pode obter um conjunto de dados particular. Algumas redes de acesso fornecem a possibilidade dos dados serem descarregados do sítio da Internet, mas a maioria não. Muitas vezes os fornecedores de dados gostam de ter controlo sobre aqueles que utilizam os seus dados e o propósito da sua utilização, por isso preferem que as pessoas que pretendem aceder aos dados os contactem.
• Pessoas – Os dados espaciais são utilizados nas mais diversas áreas, nomeadamente no planeamento e ordenamento do território, na gestão de recursos naturais, em estudos de impactos ambientais, em análises espaciais, em estudos marinhos, entre outros. Dentro destas áreas de estudo, as pessoas representam uma das componentes fundamentais de uma IDE. Quando se mencionam as pessoas, tal refere-se às partes interessadas nos dados, tais como os utilizadores, os produtores, os fornecedores, os gestores e os detentores dos dados, contribuindo todos para a implementação de uma IDE. Uma parte importante da componente pessoas é constituída pelas parcerias dentro e entre as pessoas de todos os diferentes níveis de uma IDE. Esta colaboração é extremamente importante na construção e no desenvolvimento dos vários níveis hierárquicos das IDE.
• Metadados – Os metadados são geralmente definidos como os dados sobre dados ou dados que descrevem dados, ou seja, é um resumo estruturado de informação, no qual se faz uma descrição dos dados. Normalmente, os metadados contêm informações sobre dados e/ou serviços espaciais, tais como o conteúdo, a fonte, a escala/resolução, a precisão, o sistema de projeção, os responsáveis pelos dados, os seus contactos, os métodos de aquisição, entre outras descrições. Os metadados são de extrema importância para a documentação, a preservação e a proteção quer das agências produtoras de dados espaciais, quer dos seus recursos.
• Parcerias – As parcerias são outra componente crítica das IDE. Estas podem ser dentro e/ou entre várias empresas ou países. Para se conceber uma IDE eficaz é necessária uma parceria bem coordenada entre os governos globais, regionais, nacionais, estatais, locais, instituições corporativas e/ou instituições académicas, como por exemplo, as universidades. Para além das parcerias públicas, são também de enorme importância as parcerias privadas, ao nível dos vários sectores, tais como o geográfico, o demográfico, o estatístico, entre outros.
• Partilha de dados – A partilha de dados espaciais consiste na transação de dados entre indivíduos, organizações ou partes de organizações.
• Governação (Governance) – É necessário ir além do estabelecido para os mecanismos de coordenação das IDE e dar prioridade máxima à criação de estruturas de governação de IDE apropriadas, para que sejam compatíveis, compreendidas e aceites.
• Capacidade de Construção - As IDE são suscetíveis de serem bem sucedidas quando se maximiza a utilização da informação geográfica local, nacional e global, em situações onde exista a capacidade para explorar o seu potencial. A criação e manutenção das IDE constituem também um processo de gestão das mudanças organizacionais. Nos países menos desenvolvidos, onde a implementação de iniciativas de IDE é dependente de um número limitado de pessoas com as necessárias capacidades de gestão de informação espacial, a capacidade de construção é muito importante. Além disso, ainda há muito a fazer para desenvolver as capacidades SIG em muitos países desenvolvidos, particularmente ao nível local.