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distribuição equitativa às quatro dimensões na desmaterialização. A evolução da produção de fibras sintéticas registou uma materialização, traduzida à taxa de crescimento superior ao da economia nos 50 anos analisados. O algodão com um crescimento ligeiramente superior aos índices verificados pela população representa a fraca desmaterialização. Na moderada desmaterialização temos as fibras celulósicas que nesse período de 50 anos analisados apresentam (61%) menos de metade do crescimento registado pela população (126%). Por sua vez a lã, com um crescimento negativo (-27%) descreve a forte desmaterialização com uma redução muito significativa no consumo bruto mundial.

2.1.4. Metais ― Dos 27 metais analisados a materialização é identificada em 10 dos elementos que registam um aumento médio superior ao do PIB podendo destacar-se o alumínio, o crómio e o zircónio, derivado ao seu consumo ser bastante significativo sendo expresso no ano de 2010 em milhões de toneladas. Estes materiais na última década evidenciam um aumento na sua utilização bastante similar de 68%, de 53% e de 71% respetivamente. O crómio é utilizado principalmente para aumentar a resistência à corrosão dos metais, representando cerca de 8% do total da composição do aço. Relativamente ao zircónio, cerca de 90% da sua produção destina -se a revestimentos de reatores nucleares tendo registado um forte decréscimo de -14% entre 1990 e o final do século recuperando na última década.

Existem cinco metais onde o consumo é expresso em milhares de toneladas. São eles, o magnésio utilizado geralmente como material refratário em fornos, o molibdênio em grande medida na composição das ligas metálicas, o nióbio que integra as ligas metálicas com aplicações em condutas para líquidos, assim como o estrôncio que na última década registou uma redução significativa do seu consumo, consequência da sua principal aplicação ser destinada aos tubos de raios catódicos para televisores tendencialmente em desuso e o Vanádio.

Os dois restantes metais a materializar são a platina e o índio q ue apresentavam consumos de 467t e de 609t respetivamente, evidenciando um emprego bastante modesto ou com pouca expressão a nível global. O índio teve um aumento muito substancial nas três últimas décadas pela intensificação da sua utilização em soldas na indústria eletrónica e mais recentemente em painéis fotovoltaicos. A platina apresenta uma taxa de crescimento de 1076% nos cinquenta anos analisados, essencialmente pelo grande aumento das oscilações de consumo verificadas entre os anos 60 e 70 do século passado, contrariado nas duas últimas décadas por um crescimento mais moderado de 25% e 28% (fraca desmaterialização).

O somatório dos metais a desmaterializar é de 17 elementos representando cerca de 67% do total do grupo, dos quais a fraca desmaterialização é verificada em 8 dos elementos silício, níquel, zinco, prata, cobre, bismuto, manganésio e com especial destaque para o ferro e aço que em 2010 representavam os metais mais utilizados a nível mundial com 1 030 000 000 de toneladas, cerca de 10 vezes superior ao somatório dos restantes metais analisados com 106 390 183 toneladas (9%). Entre o ano de 1970 ao de 2000, o seu crescimento foi inferior ao crescimento populacional com especial relevo para a década de 80 até ao final do século com oscilações entre os 3% e os 8%. No entanto em 2010 registou-se um acréscimo muito significativo no seu consumo

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com um aumento de 80% comparativamente ao ano de 2000, muito em consequência do aumento verificado na Ásia (ver figuras 50 e 51, Produção mundial do aço e do ferro (-) China), 1990-2010, respetivamente.

Relativamente ao silício, bastante abundante na crosta terrestre, tendo as características de um material semicondutor, despertou um interesse muito especial por parte da indústria eletrónica na produção de chips, transístores e mais recentemente na produção de células fotovoltaicas. Os dados iniciais disponíveis datam da década de 70 com um crescimento médio de 68% registando posteriormente uma acentuada descida entre os anos de 90-00 para -15% do consumo originando um aumento de 108% na última década. O níquel, na sua grande maioria é consumido na produção de aço inoxidável além de entrar na composição das baterias recarregáveis indispensáveis aos novos equipamentos portáteis que povoam o nosso quotidiano. Este material regista um crescimento inferior ao crescimento do PIB expectando a primeira década analisada onde evidencia a materialização. O zinco tem como principal aplicação a produção de ligas metálicas que registaram na primeira década um crescimento superior ao verificado pelo PIB seguido de uma redução substancial para 9% de crescimento, menos de metade dos indicadores da população.

Na década de 80 até ao final do século verifica-se uma estabilidade no crescimento com cerca de 20% recuperando na última década para 37%. A prata é designada como um metal nobre geralmente associado à joalharia, no entanto surge bastante utilizado em componentes eletrónicos registando na década de 80-90 o seu maior crescimento com 55%. Tanto a primeira década assim como a última apresentam um crescimento inferior ao PIB com 28%, em contraposição às décadas de 70-80 e de 90-00 com 14% e 9%, respetivamente, inferior aos índices de crescimento populacional. O cobre é um metal com excelentes características condutoras bastante utilizado em instalações elétricas, assim como em equipamentos eletrónicos onde se refletem as cerca de 16 milhões de toneladas consumidas em 2010.

A década de 90-00 evidencia um crescimento acima do PIB com 43%, no entanto nos restantes indicadores estabilizam abaixo do PIB mas superiores aos da população. O bismuto apresenta uma evolução no consumo bastante irregular com 55% na primeira década mas com um crescimento real bruto negativo nas duas seguintes com -3% e -5%. A década de 90-00 com um crescimento de 9% (moderada desmaterialização) antecede um grande crescimento de 137% bem acima do crescimento do PIB, eventualmente consequência dos progressos registados na substituição do chumbo tóxico por este metal em ligas e cerâmicas. Por sua vez, o manganês muito utilizado em ligas pela indústria metalúrgica assim como na produção de pilhas, regista uma quebra muito significativa no consumo de 1980 ao ano de 2000 com -6% e -23%, traduzindo-se numa diminuição bruta real. A última década é pautada por um crescimento de 101% contribuindo para o aumento dos resultados obtidos no consumo nos cinquenta anos analisados representando um crescimento de 129% (fraca desmateriali zação).

A moderada desmaterialização, designação utilizada para os materiais que registam um crescimento médio inferior ao da população mundial, regista-se em 6 situações, no estanho, no

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tungstênio, no chumbo, no ouro, no cádmio e no tântalo. O estanho uti lizado em diversas ligas para conter a corrosão, assim como em soldaduras para circuitos eletrónicos , atingiu o maior crescimento nas décadas entre os anos 60/70 e 90/00 com 27% e 26%. Os restantes indicadores apresentam valores de crescimento muito ténues entre os anos 60/70 com 6%, abaixo do crescimento populacional ou inclusivamente negativos como se pode verificar entre os anos 80 -90 e 00-10 com -10% e -0,36% respetivamente. O chumbo, um metal pesado e apontado como um dos elementos tóxicos e bastante nocivo para o meio envolvente apresenta um crescimento de 73% no período de 50 anos analisados. A última década marcada por um aumento de 29% na produção, contrariando a evolução descendente registada nas duas décadas que a antecederam com -4% em 80-90 e de -5% na última década do século passado, consequência em parte de regulamentos específicos na limitação de aditivos de chumbo nos combustíveis. No entanto, segundo Rogich et al. (2008) os índices de reciclagem do chumbo a nível mundial passaram de 20%, em 1970 para

55%, em 2004 [102]. Analisando os indicadores da USGS verifica-se que em 1970 o consumo

mundial de chumbo foi de 3 390 000 toneladas e em 2004 registou uma diminuição para 3 150 000

toneladas. Neste mesmo período, evidencia-se uma redução do novo chumbo extraído e

introduzido no circuito comercial de 2 712 000 t, em 1970, para cerca de metade em 2004 com 1 417 500 t. Por sua vez, a reciclagem passou de 678 000 toneladas, em 1970 para 1 732 500, em 2004. Nos EUA, à semelhança do registado na média dos países da OCDE, a reciclagem de chumbo já atingia em 2010, os 79% do chumbo total utilizado.

A forte desmaterialização é caracterizada por três metais que apresentam crescimentos reais negativos. O berílio excetuando a década 70/80 onde se verifica um crescimento de 50% é representado por um decréscimo constante na produção resultando numa média de -54% no período em questão. O tálio, um material bastante tóxico anteriormente utilizado como pesticida, embora atualmente tenha uma função bem menos mortal não deixa de evidenciar um decréscimo constante na produção de -23% nos últimos 30 anos. Por sua vez o mercúrio, um metal líquido e bastante tóxico geralmente associado aos termómetros evidencia um crescimento negativo de - 73% no período total analisado. O crescimento registado na última década torna-se insuficiente para contrariar uma tendência vincadamente descendente na produção real deste material.