No seu conjunto, em 1970 as economias dos BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) eram pouco expressivas no contexto mundial, contrariando a evolução extraordinária do PIB desses países nas duas últimas décadas, ocupando gradualmente um lugar de destaque no contexto internacional.
No entanto, essa melhoria não é equitativa. A Rússia durante esse período registou um aumento de 7%, por sua vez o Brasil com 82%, a Índia com 256% e finalmente a China, destacada com uns surpreendentes 630%, representando 64% do crescimento total do PIB desses países.
2.4.1. Celulose e derivados
O papel de impressão e escrita demonstra uma dimensão de materialização. Em 1960 os BRIC representavam 5,56% da produção mundial passando para 27,12% em 2010 . A China individualmente já representava em 2010, 20,56% das cerca de 115 milhões de toneladas
Figura 47. Gráfico da produção mundial de papel para impressão e escrita (-) BRIC, 1960 – 2010. [29,39]
Na produção de pasta de papel (figura 48) ao contrário do papel de escrita e impressão como anteriormente reconhecido, a componente BRIC assume uma maior preponderância a nível mundial face à China. Como se pode observar no gráfico, a linha quase se afasta equitativamente dos indicadores do mundo e do mundo (-) BRIC.
Estes factos, em grande medida, são consequência do peso que representa o Brasil, que em 2010 produziu 14 164 000 toneladas de pasta de papel. A China isoladamente representa só
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11,15% do total mundial, mas em conjunto com os BRIC essa percentagem aumenta para os 24,26%, tendo sido em 1970 de apenas 3,34%.
Figura 48. Gráfico da produção mundial de pasta de papel, (-) BRIC, 1960 – 2010. [29,39]
Relativamente à produção mundial de papel e cartão a influência da China neste contexto volta a ser mais preponderante, (representado no gráfico abaixo) onde a linha dos BRIC se volta a aproximar dos indicadores da China, como evidenciado na figura seguinte.
Figura 49. Gráfico da produção mundial de papel e de cartão, (-) BRIC, 1960 – 2010. [29,39]
Os BRIC aumentaram significativamente a produção no período compreendido entre 1960 a 2010, passando de 4,73% para 30,99% respetivamente, em grande medida provocada pelo desempenho da China que só por si representava 24,13% das cerca de 400 milhões de toneladas do total da produção mundial em 2010.
2.4.2. Metais
O sector da construção é uma das áreas onde a China registou um acentuado aumento, sendo mais preponderante a sua influência face ao mercado global próximo do início do novo
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milénio. Os materiais utilizados nessa atividade refletem-se de uma forma mais expressiva como se pode verificar através dos indicadores nos últimos 20 anos analisados nos gráficos seguintes.
A produção mundial de aço (figura 50) é um dos casos bastante representativo da influência da China que representa 44% no contexto do mercado internacional.
Figura 50. Gráfico da produção mundial de aço, (-) China, 1990 – 2010. [70]
Os indicadores representados pela linha do mundo descrevem um acréscimo na utilização deste material desde 1990 com cerca de 800 milhões de toneladas para 1400 milhões em 2010, refletindo-se numa variação percentual em cerca de 80%. No entanto, quando subtraída dos indicadores da China referenciados pela linha Mundo (-) China esse aumento é de apenas 10%, tendo em conta que o número populacional a nível mundial sofreu um acréscimo nesse mesmo período de 30%, o que em termos práticos se traduziria numa substancial redução média no consumo per capita deste material.
Relativamente ao ferro como se pode constatar na figura 51, o ano de 2002 inicia uma maior divergência na linha que representa a evolução nos indicadores da produção mundial comparativamente ao Mundo (-) China.
Figura 51.Gráfico da produção mundial de ferro, (-) China, 1990 – 2010. [70]
Deste facto, não pode ser dissociada o incremento na construção e em obras públicas registadas durante essa época neste local do planeta. A China é o maior consumidor de ferro no mundo pois em em 2010, representava 57% da produção total mundial deste material. Segundo as previsões do USGS, a China irá necessitar de cerca de 600 milhões de toneladas de ferro para construção, representando o dobro do consumo registado nos EUA, Europa, e Japão juntos. A
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China planeia construir 40 mil milhões de metros quadrados, aproximadamente 10 cidades da dimensão de Nova Iorque, até ao ano de 2025.
2.4.3. Minerais
O cimento como elemento indispensável para dar corpo a estruturas e infraestruturas está inserido numa dimensão de materialização (como anteriormente referido) em consequência do imenso crescimento registado, pela China que representa aproximadamente 54% da produção total mundial em 2010. Embora neste material a linha dos índices de produção tenha uma divergência mais gradual ou menos abrupta que a registada nos materiais anteriores, no entanto a diferença é bem explícita.
Figura 52. Gráfico da produção mundial de cimento, (-) BRIC, 1990 – 2010. [74]
A cal por sua vez, como se pode verificar nos indicadores de produção mundial evidencia uma evolução descendente até ao “salto” registado a partir de 2002, duplicando a utilização deste material no espaço de um ano como se pode constatar na figura.
Figura 53. Gráfico da produção mundial de cal, (-) BRIC, 1990 – 2010. [74]
O crescimento intenso posterior elevou o seu consumo para valores surpreendentes. Contudo, se verificarmos o indicador da curva do mundo (- China) revela uma evolução percentual nesse mesmo período, em cerca de 10% inferior ao crescimento da população. O peso que a China representava em 1990 era de 18% do total mundial, tendo esse valor sido ampliado para os 61% em 2010.
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Estes casos evidenciam uma crescente influência dos BRIC, com especial relevo para a China, que de uma forma surpreendente nas últimas décadas ocupa um lugar de destaque no contexto internacional. Estas economias emergentes não têm necessariamente que repetir o mesmo padrão de consumo registado nos países mais desenvolvidos . Quanto mais precoce for o acesso ao conhecimento e às novas tecnologias, mais facilmente se difundem formas para tornar eficiente e sustentável a utilização dos materiais. Os avanços registados na tecnologia e o aumento da eficiência na produção e no uso dos materiais, assim como a reciclagem, reduzem a necessidade de recursos.