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Os diversos materiais analisados representam uma base diversificada de dados que possibilitam uma análise evolutiva na produção ou consumo dos materiais em questão, no entanto qual o comportamento e o peso que estes materiais representam em média por pessoa no ano de 2010, comparativamente à evolução percentual dos últimos 50 anos? Para tal, na Tabela 4 constitui-se um “cabaz” composto por uma média mundial do consumo por habitante.

Consumo Mundial de Materiais (t) per capita

2010 1960-2010

PIB Mundial per capita ($) 6.045 153%

Celulose e derivados (t)

2010

1960-2010 Papel de impressão e de escrita 0,016415254 219% Papel de imprensa 0,004839364 2% Papel reciclado 0,030387538 498%

Celulose para papel 0,026777438 31%

Papel e cartão 0,058445211 142% Madeira (m3)

2010

1960-2010 Aglomerado de madeira 0,012281489 125% Madeira serrada 0,057114900 -47%

Madeira para combustível 0,273076109 -45%

Fibra prensada para

mobiliário 0,057164976 124%

Fibras (t)

2010

1960-2010

Algodão 0,003559678 7%

Como se pode constatar a evolução do crescimento médio dos recursos monetários por habitante entre os anos de 1960 e de 2010 foi de 153%, fixando-se em 6045 dólares EUA (WB,N 2000) [128].

O grupo da celulose e derivados é caracterizado por dois elementos, o papel de impressão e o papel reciclado que comparativamente registam um crescimento no consumo superior ao crescimento do poder de compra. O papel reciclado que representava cer-ca de 5 Kg per capita em 1960 passan-do para mais de 30 Kg em 2010 traduziu-se num aumento de 498%, o maior no grupo. Relativamente ao papel de imprensa no ano de 2010 verifica-se um decréscimo no consumo para 4,8 Kg, recuando para valores do ano de 1960. No grupo da madeira regista-se no consumo um

47 Lã 0,000156421 -68% Fibras sintéticas 0,007129296 2974% Fibras celulósicas 0,000625100 -29% Metais (t)

2010

1960-2010 Silício 0,001065710 ** 139% Estanho 0,000040494 -33% Níquel 0,000232439 120% Zinco 0,001754256 72% Platina 0,000000068 421% Tungstênio 0,000010058 -2% Prata 0,000003377 40% Chumbo 0,000605218 -23% Ferro e aço 0,150573634 76% Ouro 0,000000374 -5% Alumínio 0,005964470 302% Cobre 0,002353627 81% Berílio 0,000000030 -80% Bismuto 0,000001301 64% Cádmio 0,000003085 -16% Crómio 0,001065710 158% Indium 0,000000089 380% Magnésio 0,000110664 261% Manganês 0,002046632 1% Mercúrio 0,000000329 -88% Molibdênio 0,000035377 165% Nióbio 0,000009195 1022% Estrôncio 0,000059206 1459% Tântalo 0,000000100 -22% Tálio 0,000000001 ** -50% Vanádio 0,000008420 406% Zircónio 0,000182735 329%

** Silício/In dium (1970-2010), ** Tálio (1980-2010)

Não Metais (t)

2010

1960-2010 Bromo 0,000065785 116% Iodo 0,000004196 319% Selénio 0,000000310 24% Enxofre 0,009955402 54% Minerais (t)

2010

1960-2010 Cimento 0,483882262 363% Cal 0,045464466 * 102% Sal 0,040932638 46% Grafite 0,000135224 -6% Fosfato de rocha 0,026460027 92% Amianto 0,000293838 -60%

crescimento moderado do aglomerado com 125% e na fibra para mobiliário com 124%. A madeira serrada embora registe a diminuição mais acentuada de -47%, passando dos cerca de 0,107 m3 de consumo

em 1960 para cerca de 0,057 m3 em 2010, o

destaque vai para a madeira para combustível pelo volume que ocupa 0,273 m3 per capita em 2010 no entanto bastante

inferior ao registado em 1960 com 0,495 m3,

representando uma diminuição de -45% no consumo.

No grupo das fibras verifica-se um aumento muito significativo nas sintéticas com um consumo de 7,1 Kg em 2010. O algodão estabilizou com 7% de crescimento ao invés das fibras celulósicas e da lã que registam um decréscimo muito significativo no consumo de -68% e de -29% respetivamente. Estes dados evidenciam uma maior utilização das fibras sintéticas em detrimento das fibras naturais. Embora o estrôncio no grupo dos metais, apresente a maior taxa de crescimento entre o ano de 1960 e o de 2010 com 1459%, no entanto representa apenas 59g per capita de consumo no ano de 2010. Em contrapartida o alumínio e o crómio são do grupo dos metais os que registam um crescimento superior ao indicador económico com 302% e 158% e em simultâneo atingem a escala dos quilos no consumo com cerca de 6Kg e 1Kg respetivamente em 2010. Com um crescimento mais moderado e inferior ao PIB

per capita temos o ferro e aço com cerca de

150 Kg, o cobre com 2,4 Kg, o manganésio com 2Kg, seguido do zinco com 1,8 Kg e finalmente o silício com 1,1 Kg de consumo médio no ano de 2010. Dos 27 metais

48 Barite 0,001147576 28% Feldspato 0,003011473 481% Fluorite 0,000878590 32% Gipsita 0,021489635 63% Mica 0,000156421 308% Perlite 0,000244134 -29% Talco e pirofilita 0,001054015 27% Vermiculita 0,000078357 -3% Wollastonite 0,000083327 585% * Cal - dados de 1963 Rochas e Pedras (t)

2010 1960-2010 Bauxita 0,030553291 235% Diatomita 0,000266062 -43% Pedras preciosas 0,000000002 428% Areia e gravilha Industrial* 0,017688747 -32%

* Areia e grav ilha - Dados de 1985

Plásticos (t) 2010 1960-2010

Plásticos 0,038739819 1663%

analisados nesta tabela cerca de um terço regista valores de crescimentos negativos, o que se traduz numa diminuição efetiva do peso consumido por pessoa, oscilando entre os -2% do tungstênio aos -88% do mercúrio. O chumbo evidencia uma redução percentual média no consumo de -23% nos 50 anos analisados, traduzindo-se numa redução dos cerca de 0,8 Kg no ano de 1960 para 0,6 Kg em 2010.

Materialização Quando a produção de um material supera o crescimento do PIB.

Fraca desmaterialização Compreende os materiais que registam um crescimento na produção inferior ao crescimento do PIB per capita mas superior ao da população. Moderada desmaterialização Quando engloba os crescimentos inferiores ao da população.

Forte desmaterialização Traduz-se numa redução real da produção bruta.

Tabela 4. Cabaz de Consumo Mundial de materiais per capita no ano de 2010. [17, 35, 39, 70, 74, 82, 88, 116, 119, 128]

No grupo dos não metais o iodo apresenta a maior taxa de crescimento com 319% no entanto representando apenas 4,2 g por pessoa, no ano de 2010. Os restantes elementos surgem com um crescimento no consumo mais moderado do qual se destaca o enxofre com 54% passando dos 6,4 Kg em 1960 para cerca de 10 Kg em 2010.

O cimento embora não apresente a maior taxa de crescimento (363%) no grupo dos minerais é sem dúvida o elemento mais significativo com cerca 484 Kg per capita, assim como a cal e o sal com cerca de 45 Kg e 41Kg, no entanto com um crescimento mais moderado 102% e 46% respetivamente, nos 50 anos analisados. O crescimento médio negativo regista-se em 4 elementos: na grafite com -6%, no perlite com -29%, no vermiculita com -3% e com especial destaque para o amianto com uma redução de -60%, traduzindo-se numa diminuição de 0,73 Kg no ano de 1960 para 0,29 Kg em 2010.

Nas rochas e pedras constata-se que dois elementos apresentam um crescimento superior ao índice do PIB per capita, constituídos pela bauxita com 235% representando cerca de 30 Kg em 2010 e pelas pedras preciosas com 428%, mas o seu peso total não tem expressão para o cabaz. O crescimento negativo por sua vez verifica-se na diatomita com -43% e na areia e gravilha industrial com -32%. A indústria de plásticos sendo relativamente recente apresenta numa fase inicial taxas de crescimento muito elevadas, reflexo da sua adaptabilidade ao grau de exigências do mercado.

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Apesar do consumo total ser pouco expressivo, representando em 1960 apenas cerca de 2,2 Kg per

capita anual a sua difusão foi vertiginosa passando para 38,7 Kg em 2010, sendo o crescimento

nesse período resultante da multiplicação por um factor de 17,6 comparativamente ao PIB per

capita que regista um de 2,5. Além do plástico, seis outros materiais destacam-se pelo peso ou

importância que representam no contexto do crescimento do cabaz entre o ano de 1960 e o de 2010. É o caso de dois materiais utilizados na construção, o cimento que em 1960 o seu consumo era de cerca de 105Kg passando para 484Kg (factor 4,6) em 2010, seguido do ferro e aço que aumentou dos 85,5Kg para 150Kg (factor 1,7) em 2010. Embora o factor de crescimento destes materiais seja relativamente moderado, muito contribuiu a China para que estes indicadores não fossem substancialmente inferiores já que se transformou no maior consumidor mundial como analisaremos mais detalhadamente nas figuras 50 (aço), 51 (ferro), 52 (cimento).

Pelo volume, o destaque vai para a madeira para combustível com 0,495 m3 no ano de 1960 diminuindo para 0,273 m3 em 2010 resultando numa diminuição de -45%, uma das mais acentuadas entre os materiais analisados. O alumínio, um metal bastante leve com um consumo de cerca 1,5 kg em 1960 aumentou para 6Kg (factor 4) em 2010. Por sua vez o papel reciclado apresenta a maior taxa de crescimento no grupo da celulose passando de 5,1 Kg em 1960 para os cerca de 30,4 Kg (factor 6) em 2010. As fibras sintéticas que gradualmente substituem as vegetais apresentam o maior crescimento no factor de multiplicação dos materiais analisados (factor 31) consumindo em 1960 cerca de 0,23 Kg para 7,12 Kg em 2010.

A soma dos materiais da tabela no ano de 2010 foi de cerca de 1390 Kg em média por pessoa a nível mundial (recordando energia primária equivalente a 1755 Kg), segundo M atos e Wagner (1998) no período compreendido entre 1970 e 1995 o consumo de materiais no mundo subiu de 5,7 mil milhões para 9,5 mil milhões de toneladas (englobando biomassa, materiais de construção, entre outros) [65]. Por outras palavras o consumo per capita registado em 1970 era de 1,54t aumentando para 1,67t em 1995, que se traduz num aumento de 0,125t per capita (8%). Por sua vez a economia cresceu de 12,22 mil milhões de dólares para 27,23 mil milhões, equivalente em termos percentuais a 123%, traduzindo-se num aumento do poder de compra bastante superior ao peso do consumo total de materiais.