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Paper 3: How wrong are climate field reconstruction techniques in recon-

Uma vez que na segunda metade do século XVIII, por todos os países da Europa, afirmava-se a importância da Botânica, manifestada tanto na consolidação do ensino nas universidades como na criação de coleções vivas e classificadas em jardins botânicos, estas e outras matérias científicas eram discutidas nas academias de ciências, interessadas pelas novas propostas de sistemas de classificação e de novas designações para as plantas (CASTEL BRANCO; REGO, 1999, p. 99).

Em Portugal, os cientistas reclamavam uma nova atitude da Coroa, no sentido de aliarem a urgente e necessária renovação da Medicina à exploração expansiva de seu território com vistas à sistemática recolha e classificação das plantas para publicar a sua flora, a exemplo dos espanhois, que estavam a explorar os produtos naturais de suas colônias na América do Sul em negócio de muito rendimento para eles e de utilidade para a Europa, comercializando mil raízes, frutas e cascas que serviam à Medicina, às Artes etc. (CASTEL BRANCO; REGO, 1999, p. 99).

Fato é que pouco depois, quando a Coroa decidiu financiar a primeira tentativa de estudo organizado e sistemático da História Natural do império português, contou com o empenho das três principais instituições científicas do reino: a Universidade de Coimbra, a Academia das Ciências de Lisboa e o Jardim Botânico da Ajuda. Não é de estranhar, portanto, pela ligação estreita que tinha com essas instituições, que fosse Domenico Vandelli o convidado a orientar as expedições científicas às colônias portuguesas e a realizar todos os empreendimentos visando à expansão da estrutura de apoio à pesquisa de botânica no país, surgindo desse movimento evolutivo, em 1772, como parte integrante do Museu de História Natural, o Jardim Botânico da Universidade de Coimbra (CASTEL BRANCO; REGO, 1999, p. 99).

FIGURA 88 – Acadêmicos de Coimbra nos Jardins do Ateneu Comercial de Lisboa

Revolta Acadêmica de 1907, iniciada em Coimbra e disseminada por todo o país.

Foto de Carlos Alberto Lima – Arquivo Fotográfico Fonte: ALMANAQUE REPUBLICANO, 2007.128

Segundo Alvarez e Ferreira (2011), conforme reza os estatutos da Universidade de Coimbra, o jardim botânico tinha como principal finalidade mostrar as plantas vivas, após sua coleta nos domínios ultramarinos do Reino de Portugal:

1.º Ainda que no gabinete de Historia natural se incluem as producções do reino vegetal; como porém não podem ver-se nelle as plantas senão os seus cadáveres, seccos, macerados e embalsamados; será necessário para complemento da mesma Historia o estabelecimento d’um Jardim botânico, no qual se mostrem as plantas vivas;

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2.º Pelo que: No logar, que se achar mais próprio e competente nas vizinhanças da Universidade, se estabelecerá logo o dicto Jardim; para que nelle se cultive todo o género de plantas; e particularmente aquellas das quais se conhecer ou se esperar algum préstimo na Medicina, e nas outras artes; havendo cuidado e providencia necessaria para se ajuntarem as plantas dos meus domínios ultramarinos, os quaes têm riquezas imensas no que respeita ao reino vegetal.

Em Fevereiro de 1773, o Marquês de Pombal escrevia ao Reitor Francisco de Lemos:

Devendo ahi chegar com muita brevidade o tenente coronel Guilherme Elsden, elle delineará perfeitamente o horto botânico pelos apontamentos dos professores, que v. s.ª me avisou que iam em sua companhia reconhecer o terreno, que para elle se acha destinado.

Referia-se aos professores italianos Dalla Bella e Domenico Vadelli, responsáveis, junto com o engenheiro Guilherme Elsden, pelo primeiro projeto do jardim botânico, que teria sido rejeitado pelo Marquês de Pombal, por considerar a sua execução demasiado dispendiosa. Feitos os devidos ajustes, instalou-se então o horto botânico num amplo terreno, rodeado por um muro, que existe ainda hoje, na parte central do jardim (ALVAREZ; FERREIRA, 2011).

FIGURA 89 – Risco do Jardim Botânico da Universidade de Coimbra – 1773

Fonte: BLOGS P129

O terreno, situado próximo da Universidade, pertencia quase na totalidade ao colégio de S. Bento e foi cedido pelo colegiais “gratuitamente e com todo o gusto”, por se considerar “feliz a sua situação de poderem concorrer, ainda que em tão pequena parte, para um estabelecimento tão interessante não só da Universidade como a todo o reino” (ALVAREZ; FERREIRA, 2011).

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FIGURA 90 – Anteprojeto para as estufas do Jardim Botânico da Universidade de Coimbra – 1791 – MNMC 2885. Fonte: MUSEU NACIONAL DE MACHADO, 2011.130

Conforme descrição a seguir, em texto elaborado pela Universidade de Coimbra (2001), traçado à maneira italiana, distribuído por vários patamares, escadarias e avenidas, e possuidor de um esplendoroso gradeamento de ferro e bronze, o Jardim ocupa uma área com cerca de 13,5ha, sendo dividido em dois grandes espaços, com o primeiro ocupando uma área mais elevada, com intervenção arquitectônica, composta por diversos pisos e escadarias, onde se destaca o “Quadrado Central” criado no século XVIII, que nucleariza todo o Jardim. Esta zona mais elevada é composta por seis pisos, e possui, entre muitos outros elementos patrimoniais, a notável Alameda das Tílias (Tilias x vulgaris) e diversas coleções de plantas de diferentes regiões do mundo. O segundo espaço é constituído pela Mata, formada essencialmente por espécies exóticas.

O Portão Principal, situado na Alameda Júlio Henriques, leva ao Terraço das Gimnospérmicas, onde está a estátua de Félix Avelar Brotero.

À entrada do portão dos Arcos do Jardim, o primeiro terraço oferece uma panorâmica geral do lugar. À esquerda fica o Recanto Tropical, com vegetação tropical e subtropical, composta por fetos e várias espécies de palmeiras, incluindo a única espécie de palmeira espontânea em Portugal (do Algarve), a palmeira-das-vassouras (Chamaerops humilis var. humilis). Na parte superior, está situada a Escola das Monocotiledóneas, a vinha e o pomar.

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FIGURA 91 – Projeto do pórtico do Jardim Botânico da Universidade de Coimbra – 1791 – MNMC 2898.

Fonte: MUSEU NACIONAL MACHADO DE CASTRO, 2011.131

No patamar seguinte, depois das estufas e da centenária figueira-estranguladora (Ficus macrophylla), originária da Austrália, está o Quadrado Central depois do portão D. Maria I, datado de 1791. Nos terraços superiores localizam-se as “Escolas Sistemáticas”, onde se cultivam plantas agrupadas sistematicamente, e que servem de apoio aos diversos estudos, para além de fornecerem sementes que passam a integrar as coleções de permuta do Jardim com instituições congêneres.

•O Instituto Botânico possui museu, laboratórios, a maior biblioteca botânica de Portugal, com mais de 120 000 volumes, um herbário com mais de 1 milhão de espécimes oriundas de todo o mundo, e sementes de mais de 2000 espécies, Index Seminum, catálogo de sementes que o Jardim permuta anualmente com os seus congêneres.

Outra particularidade deste Jardim Botânico é seu interessante conjunto de estufas onde são cultivadas plantas das mais variadas partes do Mundo: na Estufa Grande cultivam-se plantas tropicais e subtropicais; na Estufa Pequena cultivam-se nenúfares gigantes oriundos da zona Equatorial da América do Sul; a Estufa das Reproduções permite a reprodução e multiplicação de plantas para estudo e para o repovoamento do próprio Jardim.

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A princípio, as responsabilidades administrativas do novo jardim botânico recaíram sobre Vandelli, mas a partir de 1791 foi passada a Félix de Avelar Brotero (1744-1828), então professor de Botânica e Agricultura, que o ampliou em 1809, com a aquisição de um terreno da quinta dos Padres Marianos.

Este Jardim Botânico assumiu verdadeira relevância somente depois das obras empreendidas por Brotero, então emigrado em Paris, após seu nome ter sido indicado pelo reitor da Universidade de Coimbra à Rainha D. Maria I, em 1791, para lecionar Botânica e Agricultura. Durante os vinte anos que Brotero permaneceu em Coimbra, coube-lhe, para além do ensino, a direção do jardim conimbricense no qual aplicou os seus vastos conhecimentos da organização dos jardins botânicos europeus (UNIVERSIDADE DE COIMBRA, 2011).

FIGURA 92 – Jardim Botânico da Universidade de Coimbra no começo do seu florescimento – Início do Século XIX

Fonte: ARQUIVO REPUBLICANO, 2007132

Após a saída de Brotero, o Jardim Botânico de Coimbra entrou num período de decadência, subsistindo à custa de esmolas e da intervenção esporádica de alguns protetores, como foi, por exemplo, a do naturalista australiano Friedrich Martin Josef Welwitsch (1806-1872), que viria a radicar-se em Portugal. Tendo conduzido e participado de várias expedições científicas, com o intuito de recolher plantas, nos Açores, Cabo Verde

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e Angola, Welwitsch ofereceu algumas das suas coleções ao Jardim Botânico da Universidade de Coimbra (ABREU, 1854-1855). Uma nova e promissora era surgiu em 1866, com a conclusão das estufas e com a contratação do botânico e horticultor alemão Edmond Goeze (1838-1929), que realizou uma missão à ilha de S. Miguel, para trazer uma valiosa coleção de plantas raras que viriam a ornamentar a nova estufa (GOEZE, 1871). Foi também nesta década que foram estabelecidas profícuas relações com os jardins de Paris, Kew, Hamburgo e Berlim (CARVALHO, 1918, p. 270).

Em 1874, foi a vez de Júlio Augusto Henriques (1838-1928) assumir a direção do Jardim Botânico e lhe dar o formato bastante próximo do que se pode vislumbrar nos dias atuais. Tornou-o útil não apenas para o ensino da Botânica mas, também, para a agricultura, cujos objetivos e interesses foram voltados para as colônias.

FIGURA 93 – Jardim Botânico de Coimbra – Início da década de 1880, com sua vegetação ainda em processo de crescimento

Fonte: JORNAL O OCCIDENTE, 1882.133

Parte indissociável da história das Viagens Philosophicas, dos filósofos cientistas, dos naturalistas e das plantas, o Jardim Botânico da Universidade de Coimbra deve a sua notável riqueza florística à intervenção de competentes botânicos como Félix Avelar Brotero, Júlio Henriques, Luís Carriço e, mais recentemente, Abílio Fernandes.

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O Occidente, n. 141, 21 nov. 1882. Disponível em: