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P ROBLEMSTILLING 1: V IRKNINGER AV FYSISK AKTIVITET FOR LÆRINGSMILJØET

In document Den viktigtse faktoren er hverandre! (sider 87-91)

Enrique Dussel, ao escrever Para una de-strucción de la história de la

ética10, pretendia estabelecer uma ética universal ontológica. Embora tenha

renunciado posteriormente ao projeto ontológico, pela sua própria impossibilidade lógica, manteve o intento de alcançar uma ética universal, sem abandonar a forma de-strutiva de sua análise, como se evidencia em seu último livro Ética da Libertação na idade da globalização e da exclusão 11.

10 Buenos Aires: Ser y Tiempo, 1972. 11 Petrópolis: Vozes, 2000.

39 É necessária uma precisa compreensão do termo de-struição, empregado por Enrique Dussel, para definir a natureza de sua crítica à filosofia tradicional, assim como do método por ele adotado.

O sentido do termo de-struição foi inspirado notadamente nas palavras de Martin Heidegger, o qual é citado por Dussel:

De-struição não significa aniquilar, mas desarticular, separar e pôr

de lado... De-struição quer dizer: abrir nosso ouvido, libertá-lo para aquilo que na tradição se nos coloca como ser do ente. (DHE 6).

O termo de-struição carrega a idéia de uma análise rigorosa de seu objeto, a Ética em sua História, com a liberdade de não se restringir às significações já estabelecidas tradicionalmente. Não é intenção, por conseguinte, arruinar, desprezar, aniquilar os sistemas éticos conhecidos ao longo história: “A de-struição significa um desarmar o dito pelos filósofos a partir de seus pressupostos não pensados, e por isso mesmo não ditos.” (DHE 170).

Verifica-se assim o sentido preciso do termo de-struição, de desmontar os argumentos filosóficos tradicionais mediante a indicação de fundamentos anteriormente não explicitados pelos filósofos que pensaram a ética. A intenção é historiográfica, mas de cunho filosófico. Pode-se também afirmar que a Filosofia da Libertação exige, por conseguinte, de antemão a libertação da Filosofia.

Etimologicamente o termo vem do latim struere, o qual significa “edificar, fabricar, preparar, aparelhar, ordenar, arranjar, traçar, idear, dispor, acrescentar, aumentar, tecer etc”, acrescido do prefixo de, o qual possui o propósito de negação ou privação. Destarte, de-struir significa des-fazer, des-atar, des-

montar, visando à re-construção da Ética, como Filosofia, desde sua História,

tendo em vista uma Ética de conteúdo material universal, que vá além dos limites espaço-temporais estabelecidos pela história.

Assumindo o emprego etimológico e filosófico do termo, Dussel o emprega como sinônimo de crítica. Porém, de uma forma radical, desmontando os vários sistemas desde a Grécia Antiga e propondo a Ética ou Filosofia da Libertação, atribuindo ao homem papel fundante na História. Assim, é inevitável a de-struição também no tocante ao período moderno e contemporâneo. Essa

40 é uma das primeiras des-articulações, uma releitura do papel cabente ao homem na história.

Quando Dussel propõe a de-struição da História da Ética, na verdade, está pretendendo a de-struição da própria Ética, sempre histórica, visto que o homem é um ser pela história e não apenas um ser na história. O homem faz a história e se faz pela história. A história verifica-se verdadeiramente no ser do homem. A historicidade é condição do homem, sua temporalidade. Essa indicação é importante, vez que muito comumente se fala da história como algo exterior ao homem, algo de que o homem faz parte. Em verdade, “não é que o homem seja histórico porque está na história. O homem é histórico, porque a historicidade não é senão um modo de viver a temporalidade inerente à essência do homem.” (DHE 7).

Para realizar um trabalho autêntico, é preciso libertar-se dos sistemas construídos ao longo do tempo porque somente assim o filósofo terá condições de ter uma visão liberta das verdades preestabelecidas e estará apto para, então, estabelecer livre e historicamente o homem em seu papel fundamental: ser ético.

“Des-atar os nós” da história da ética é mais do que simplesmente analisar os sistemas passados ou presentes. Assim, Dussel faz divisão da história da Ética analisando de-strutivamente cada um dos sistemas estabelecidos desde a Grécia antiga, ao apontar os limites histórico-concretos que pautaram o pensamento de autores como Aristóteles, Tomás de Aquino, Kant e Hegel, entre outros.

Por outro lado, a de-struição da história da ética não é apenas uma análise do passado, mas, a partir do passado, liberto de seus dogmas, é, sobretudo, uma busca do ser presente livre:

A de-struição da história não é senão a atitude apropriada pela qual se reconquista, contra a en-cobridora interpretação vulgar da história, o sentido esquecido que foi instaurado pelos grandes gênios culturais do passado; isto é, desde onde esses homens eram-no-mundo. A historicidade autêntica é concomitante à tarefa de-strutiva, e somente começa quando alguém des-cobre que seu acontecer é histórico, porque, livre, e deixa manifestar-se às coisas. (DHE 7).

41 Dussel propõe construir a Ética da Libertação a partir do modelo passado destruído. Antes, “esses homens eram-no-mundo” (“os grandes gênios culturais do passado”). Agora, a Ética “somente começa quando alguém des-cobre que seu acontecer é histórico, porque livre, e deixa manifestar-se às coisas”.

Fica claro, portanto, que a História da Ética para Dussel deve ser entendida como a manifestação da própria ética. Mas qual a sua acepção de Ética?

A Ética não deve ser vista apenas como conjunto de normas morais vigentes em algum tempo ou espaço. Muitas discussões existem ainda, na filosofia, sobre o conceito de Ética e de Moral. Muitos afirmam mesmo não haver diferenças ou confundem um com o outro. Para Dussel, contudo, é imperioso notar a distinção, vez que propõe uma Ética Perennis, isto é, uma ética duradoura e imutável ao longo do tempo e do espaço. Logo, não pode estar se referindo à moral, a qual é vigente em função de determinados grupos e determinadas épocas.

O termo “ethos” é transliteração dos dois vocábulos gregos: êthos (com

éta inicial) e éthos (com épsilon inicial). E, conforme explica também Dussel, o

primeiro vocábulo refere-se à morada habitual, enquanto o segundo refere-se ao agir habitual. Em ambos os sentidos, entretanto, não se compreende o sentido dusseliano de ética, qual seja, o momento temático ou explícito daquilo que já foi vivido no aspecto do éthos. É o princípio que norteia o comportamento humano e não se refere ao hábito particular nem ao coletivo. É o oráculo que em Delfos foi proferido pela sacerdotisa a Sócrates: “Conhece-te a ti mesmo”.

Todavia, esse ainda não é o sentido filosófico do termo, porquanto se refere notadamente ao sentido comum. A reflexão metódica sobre essa ética resulta na ética filosófica, a qual surge na Grécia, sem dúvida. Porém, essa ética filosófica que se prolongou no tempo e no espaço, de diversos modos, não é a ética buscada pelo nosso autor, posto que embora já traga em si a intenção de universalidade e o sentido destrutivo, essas reflexões sempre tiveram seu fundamento na realidade particular dos vários grupos dominantes ao longo da história.

42 A ética pretendida por Dussel é a ética destrutiva das éticas filosóficas. É o pensar crítico dos sistemas estabelecidos.

As éticas grega, cristã ou moderna sempre foram críticas, é verdade, mas nunca se libertaram dos aspectos contingentes que as sustentaram. Evidentemente, Aristóteles, por exemplo, e muitos outros filósofos, por certo pretenderam estabelecer uma ética universal. Incorreram, entretanto, no equívoco intransponível de se pautarem apenas pelo mundo que os cercava. Somente no século XX, depois de ter passado por vários sistemas, em plena globalização, o homem alcançou a condição suficiente para estabelecer uma Ética Universal, mediante radicalização suficientemente crítica e ampla. Essa é a tarefa do filósofo da libertação: De-struir a História da ética ocidental e, concomitantemente, con-struir uma ética Universal, descobrindo, para isso, os fundamentos das éticas filosóficas passadas e despojando-se do que há de particular em cada uma delas. Apenas mediante esse processo poder-se-á estabelecer a ethica perennis, aproveitando-se o que há de bom ao longo da história, inclusive na modernidade, e assim con-struir a ética ontológica.

Nossa tarefa é descobrir o fundamento e os grandes temas da ética ontológica entre os muitos mais numerosos temas acerca dos quais tratam as éticas filosóficas tradicionais... É necessário deixar o grego das éticas gregas, o cristão das éticas cristãs, o moderno das éticas modernas, e ante nossos olhos aparecerá uma antiga e sempre fundante

ethica perennis a qual é necessário hoje descobrir, pensar, expor. (DHE

10).

Ao filósofo da libertação concerne, pois, conhecer, des-montar, analisar, excluir o particular, reunir o que é comum a todos os sistemas e então fazer uma reflexão crítica com o intuito de encontrar uma Ética de validade universal.

Enrique Dussel, ao pretender descobrir uma éthica perennis, voltou-se para a ética ontológica. No entanto, como bem alerta o professor Eliseu Cintra, como poderia Dussel visar a uma “ética universal, ethica perennis ou ética ontológica fundamental”, se também, nessa tarefa posterior, honestamente seu “pensar filosófico” tem “como ponto de partida a finitude”? A “finitude”, como ponto de partida necessário de todo “pensar filosófico” é a própria

43 impossibilidade da “ética universal, ethica perennis ou ética ontológica fundamental”.

A solução encontrada por Dussel surgiu pouco tempo depois de ter escrito “Para una de-strucción de la historia de la ética”. Foi a partir seu encontro com Emmanuel Lévinas, cujo pensamento ganhou fundamental importância na sua obra, que o segundo tomo prometido naquela obra deu lugar à grande obra filosófica, “Para uma ética da libertação latino-americana”, editada em cinco volumes. E naquele texto, Dussel reconhece, ainda que implicitamente, a existência do referido paradoxo:

O segundo momento, em verdade o terceiro (já que o primeiro é ôntico-ontológico dialético; o segundo, ontológico-ôntico dedutivo), é o salto meta-físico ao Outro. Este método meta-físico nos permitirá expor uma filosofia latino-americana ... Este método parte de Lévinas, embora vá além e o escrevemos depois de uma nova estada na Europa em 1972... (ELL II 155)

Assim fica creditado ao filósofo judeu-lituano-francês o momento

epifano-filosófico, de amadurecimento do pensamento filosófico de Enrique

Dussel. Acolhendo a tese levinasiana, exposta principalmente em “Totalidade e Infinito”, Dussel reformulou o paradigma sobre ética e, sem abandonar a idéia de estabelecer uma ética de validade universal, libertou-se da ontologia heideggeriana e voltou-se para a ética metafísica da alteridade, com fundamento no pensamento de Lévinas, o qual foi ainda a grande indicação teórico-filosófica para os ideais dusselianos.

Destarte, fundado ultimamente em Lévinas, ainda que com algumas divergências, Dussel firmou-se em sua reflexão filosófica, estabelecendo, de início, o método para a de-struição da ética ocidental, o método para a Filosofia da Libertação.

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