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OVERVIEW OF CHINESE FOREIGN POLICY

In document China in Africa CMIREPORT (sider 59-65)

Na análise de regressão logística não condicional observa-se a razão de prevalência e os respectivos intervalos de confiança (IC) a 95% para preditores do distúrbio vocal, como pode ser observado na tabela 13.

Tabela 13 - Razão de Prevalência (RP) e os respectivos intervalos de confiança (IC) a 95% para preditores do distúrbio vocal moderado e severo. (N= 240).

Distúrbio Vocal Variáveis

RP (IC 95%)

Trabalho passivo / baixa exigência 1,21 0,60 – 2,43 Trabalho ativo / baixa exigência 1,06 0,50 – 2,28 Alta exigência / baixa exigência 1,88 0,97 – 3,64

Gripado (sim / não) 0,83 0,40 – 1,74

Idade (a cada 10 anos) 1,39 1,17 – 1,73

Sexo (mulheres / homens) 1,77 0,70 – 4,49 Ensino fundamental I (sim / não) 1,62 1,01 – 2,59 Ensino fundamental II (sim / não) 0,64 0,39 – 1,04 Tempo de trabalho (sim / não) 1,23 1,02 – 1,48

Regressão logística não condicional

Na tabela 14 foi selecionada a população de mulheres não gripadas e através de regressão logística não condicional, foi obtida a razão de prevalência no modelo bruto e no modelo ajustado. No primeiro modelo a alta exigência manteve-se associada.

Após a avaliação multivariada, por meio da regressão logística não condicional, foi possível observar a contribuição das variáveis idade (> 50 anos), nível de ensino (fundamental I e II) e tempo de trabalho na associação entre situação de trabalho e distúrbio vocal, como pode ser visto na tabela 14.

Tabela 14 - Razão de Prevalência (RP) e os respectivos intervalos de confiança (IC) a 95% para a associação entre alteração vocal e situação de trabalho em mulheres não gripadas (N= 80).

Distúrbio Vocal Variáveis

RP (IC 95%) Modelo 1 – ( Bruto)

Alta exigência / baixa exigência 2,20 1,08 – 4,47 Modelo 2 – (Ajustado)

Alta exigência / baixa exigência 2,47 1,13 – 5,42 Idade (> 50 anos / < 30 anos)

Ensino fundamental I Ensino fundamental II Tempo de trabalho

Regressão logística não condicional

6 DISCUSSÃO

A população estudada no presente trabalho é predominantemente de mulheres, e as porcentagens encontradas são similares às descritas em outros estudos internacionais (SAPIR et al., 1993; OYARZÚN et al. 1984; SMITH et al., 1998; RUSSEL et al.,1998; ROY et al.,2004b), e nacionais (FERNANDES, 1998; FERREIRA et al., 2003; BRASIL, 2003; ORTIZ et al., 2004 ).

A predominância feminina na docência parece estar relacionada, em grande parte, ao papel destinado às mulheres em nossa sociedade, que lhes reserva trabalhos e atribuições culturalmente exigidos, às mesmas, no âmbito doméstico (ARAÚJO et al., 1998).

Desse modo, a necessidade de conciliação entre demandas do âmbito profissional e familiar acarreta um aumento da carga real de trabalho ampliando a demanda vocal.

Outro aspecto observado foi a presença maior de docentes do sexo feminino no ensino infantil e fundamental I e predominância do sexo masculino no ensino do nível fundamental II, dado esse ratificado também por Oyarzún et al. (1984) e tardif (2005).

Dados estatísticos dos professores no Brasil, realizados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa (INEP), em 2003 revelam que a docência, na educação básica é uma atividade majoritariamente feminina.

Em relação à idade, a média encontrada (40 anos), é supeiror a verificada em alguns estudos nacionais (DELCOR et al., 2004; FARIAS, 2005; ZENARI, 2006) e similar às médias encontradas em estudos internacionais (42 anos na pesquisa de Russell et al. (1998) e 44 anos na de Smith et al. (1998) com professores do ensino fundamental e medio, e também ao estudo de Servilha (2005) quando investiga docentes universitários cuja a média de idade foi 41 anos.

Pesquisa realizada pela UNESCO com 500 docentes de escolas públicas e privadas, em diferentes estados brasileiros, encontrou uma média de idade dos professores de 37,8 anos (UNESCO, 2004).

No que diz respeito à escolaridade destacou-se a alta porcentagem de professores com nível de escolaridade superior, esse achado foi similar a outros estudos (SILVANY NETO et al., 2000; DELCOR et al, 2004; FERREIRA et al., 2003). Acredita-se que esta percentagem esteja relacionada à Lei de Diretrizes e Bases da Educação (aprovada em dezembro de 1996) que passou a exigir escolaridade superior para todos os níveis de ensino, sendo essa responsável pelo aumento progressivo no nível de qualificação dos docentes.

Os professores, de todo o mundo têm aperfeiçoado, de modo significativo, sua escolaridade nas últimas décadas. Tal fato determina que, além de sua semana normal de trabalho, os professores necessitam investir um tempo considerável na sua formação (TARDIF, 2005).

Quanto às atividades docentes, averiguou-se que o tempo médio de carreira do professor encontrado neste estudo (11,6 anos), é similar às médias encontradas nas literaturas nacional e internacional que variam entre 11 e 15 anos (SAPIR et al., 1993; FERNANDES, 1998; SOUZA; FERREIRA, 2000; FARIAS, 2005).

Ao finalizar a discussão sobre o perfil sociodemográfico da população estudada é possível afirmar que este é similar ao encontrado em outras pesquisas especificamente os descritos nos estudos de Delcor et al. (2004), Ferreira et al. (2003) e Farias (2005).

A prevalência de alteração vocal auto-referida pelos docentes foi similar à encontrada por Ferreira et al. (2003) e Petter (2004), em pesquisas realizadas respectivamente em São Paulo e Porto Alegre.

Ao ser comparada com a apresentada em outras pesquisas, tal prevalência mostra-se superior (ORTIZ, 2004) e inferior (FUESS, 2003) e essas diferenças parecem estar relacionadas a fatores ambientais e organizacionais isolados ou combinados entre si, fato que evidencia a natureza multicausal dos distúrbios da voz, SOUZA (2005).

A porcentagem de professores diagnosticados como tendo distúrbio vocal firmado por meio de avaliação perceptual da voz é similar ao estudo de Dragone (2001), e inferior ao relatado por Cielo e Schwarz (2005) em pesquisa com professores do interior do Rio Grande de Sul.

Esses dados podem indicar que o uso de diferentes escalas de avaliação podem gerar resultados diversos. Deve-se ressaltar que neste estudo e no de Dragone (2001), foi utilizada a escala GRBAS, que prioriza as alterações de fonte glótica, e em contrapartida no estudo de Cielo e Schwarz (2005) foi utilizada escala que englobou a avaliação de fonte e filtro.

Os sintomas vocais mais encontrados foram a rouquidão, o ressecamento na garganta, o cansaço ao falar e a dor na garganta. Tais achados vão na mesma direção de outras pesquisas nacionais (FERREIRA et al., 2003; FARIAS, 2005; ZENARI; 2006) e internacionais (ROY et al., 2004b). Coincidem ainda com o trabalho de Reis et al. (2007), cujos achados revelaram que rouquidão, cansaço ao falar, perda da voz e irritação na garganta foram mais freqüentes entre os professores com mais de 25 horas semanais de trabalho, fato que fez os autores concluírem que o fator horas-aulas estava fortemente associado às alterações vocais deste grupo ocupacional.

Relacionado ao número de sintomas vocais relatados, observou-se que mais da metade de professores referem-se a quatro ou mais queixas vocais. Tais achados coincidem com o estudo de Sapir et al. (1993); Pordeus et al. (1996) e Oliveira et al. (1998 ).

Na mesma direção dos resultados apontados por Simões (2000) a porcentagem de alteração auto-referida pelos professores e a constatada em avaliação perceptivo-auditiva foi próxima. Este fato evidencia que o professor reconhece os sintomas vocais como sendo representativos de um distúrbio de voz. O problema dessa categoria de trabalhadores parece ser a não preocupação com medidas profiláticas, nem mesmo curativas.

Tal fato é reforçado quando se analisa o afastamento do trabalho por alterações vocais: uma parcela expressiva de docentes nunca foi afastada do trabalho por esse motivo e, no entanto quase a metade teve que restringir suas atividades profissionais em função de alterações na voz. Esses dados demonstram que embora os professores sintam algum tipo de alteração vocal, isso não justifica terem que se afastar de suas funções profissionais, aspecto discutido por Ferreira et al. (2003), visto terem detectado que uma minoria de docentes, tinham no presente ou passado, se afastado do trabalho devido a alterações vocais e por Roy et al. (2004b) que afirma que a maioria dos docentes restringiu a sua atuação profissional por problemas vocais.

Um alto índice de professores relata que nunca procurou tratamento especializado em decorrência das alterações do trato vocal e, quando o fazem, este é mais de natureza diversa (medicamentosa, terapia fonoaudiológica ou cirúrgica), dados semelhantes aos relatados por Pordeus et al. (1996) e Ferreira et al. (2003).

Acredita-se que medidas paliativas como a automedicação e o uso de pastilhas (BELHAU; PONTES, 1995) sem qualquer orientação médica devam ser as condutas mais utilizadas pelos professores, tendo em vista que a freqüência auto- referida de queixas vocais é maior do que o índice de educadores que procuram atendimento especializado.

Quanto às características próprias da atividade laboral, a valorização dos aspectos relacionados ao controle sobre o trabalho como: a possibilidade de tomar decisões e opinar dentro do próprio grupo, autonomia para realização de tarefas, ser criativo e ter alto nível de habilidades é similar aos achados de Delcor et al. (2004), uma vez que os entrevistados relataram a possibilidade de ser criativo, de ter um alto nível de habilidade, de aprender novas coisas, que os colegas são competentes para fazer suas atividades, e que tem possibilidade de dar opinião em seu trabalho, e de Medeiros (2006), em que a maioria dos docentes relataram ter a possibilidade de serem criativos.

Os professores, em síntese, relatam autonomia no planejamento e na condução das disciplinas e isso sugere que há uma aceitável liberdade para conduzir o processo de aprendizagem desenvolvendo os potenciais de criatividade e habilidade sem cobranças por parte da direção da escola.

No que tange à demanda psicológica, os docentes consideraram que seu trabalho exige longos períodos de concentração, e que, esperar pelo trabalho de outras pessoas, deixa mais lento o ritmo do seu trabalho. Revelam ainda que estão expostos à demandas conflitantes. Esses dados são similares a outro estudo realizado com professores no mesmo estado, porém em outro município (Feira de Santana, Bahia), em que a exigência de concentração de trabalho, necessidade de trabalho criativo e a boa relação com os colegas foram referidas pela maioria dos docentes (PARANHOS, 2001). Diverge, porém em parte dos dados de Delcor et al. (2004), quando, em pesquisa sobre saúde e trabalho dos professores, relata, como predominância de demanda psicológica, o ritmo acelerado de trabalho, a posição inadequada e incômoda do corpo durante a atividade laboral, e os longos períodos de intensa concentração em uma mesma tarefa. Tal diferença pode estar relacionada à população estudada e às condições diferentes da estrutura das escolas de Vitória da Conquista.

As características psicossociais que freqüentemente foram referidas pelos docentes estão ligadas a aspectos relacionados ao processo e à organização do trabalho bem como sobre a esfera relacional dos professores.

A partir dos indicadores do instrumento Job Content Questionnaire JCQ, combinou-se demanda e controle de modo a compor os grupos dos quadrantes representantes das situações de trabalho. Verificou-se que “baixa exigência“ e “ trabalho ativo“ representaram os grupos com maior proporção entre os professores, entretanto há uma distribuição relativamente equilibrada dos docentes entre as quatro situações de trabalho. Os dados são concordantes com estudo realizado com mestres da rede municipal de Vitória da Conquista, em que houve predominância de , além do “trabalho ativo“, também o de “baixa exigência“. Os dados são em parte similares à pesquisa realizada por Zenari (2006), que estudou educadores de creche e encontrou o grupo de “baixa exigência” como sendo o grupo mais frequente.

No estudo com professores universitários realizados por (WERNICK, 2000; PARANHOS, 2001) predominou o grupo “ trabalho ativo“, podendo indicar alto nivel de demanda psicológica nos docentes universitários em comparação aos professores desse estudo.

Segundo Delcor et al (2004), ao fazer referência a karasek (1990), revela que em cada quadrante do modelo costuma-se encontrar diferentes categorias de

trabalho. No “trabalho ativo” encontram-se advogados, professores, enfermeiras, engenheiros, entre outros. Seria o grupo com maior satisfação no trabalho. Com “baixa exigência”, encontram-se pesquisadores, esse grupo com poucos problemas apresenta pouca motivação para produzir mudanças no próprio trabalho. No “trabalho passivo”, encontram-se motoristas, vigias ou vendedores, entre outros. Neste grupo, a estimulação no trabalho está completamente reprimida. O grupo de “alta exigência” é considerado o de maior risco para o adoecimento, e nele encontram-se operários de máquinas, operadores de telefone , garçons, entre outros.

A caracterização dos grupos de demanda-controle, segundo aspectos sócio- demográficos, demonstrara que dentre os professores na faixa etária até 40 anos, apresentaram respectivamente maior predomínio no trabalho de “alta exigência” (baixo controle e alta demanda), e os docentes de 51 a 65 anos, houve maior proporção de profissionais do grupo“ trabalho passivo” (baixo controle e baixa demanda), no mesmo sentido Araújo (1999) quando estudou trabalhadoras de enfermagem, verificou que aquelas que possuiamm até 35 anos tinham predomínio no grupo “ alta exigência” , enquanto que as que com mais de 36 anos a proporção entre os quadrantes foi similar embora tenha havido tendência maior no quadrante “trabalho passivo”.

Segundo Reis (2005), a ausência de controle sobre o próprio trabalho freqüentemente contribui para o aumento de sentimentos de insatisfação e eleva a produção de hormônios do estresse, com conseqüências negativas sobre a saúde dos trabalhadores.

No que tange à escolaridade, observaram-se diferenças expressivas entre os grupos. Sendo que a proporção alta de trabalhadoras com nível médio encontra-se no quadrante de “trabalho passivo“, enquanto entre profissionais com nível de pós- graduação tiveram predomínio em “trabalho ativo“ e docentes de nível superior concentraram-se no grupo de “alta exigência“.

Observa-se uma tendência, a alta de demanda psicológica nos docentes com nível superior e pós-graduação. Nesse mesmo sentido o estudo de Araújo (1999) observou maior proporção de trabalhadoras de enfermagem com nível médio no grupo com “trabalho passivo” e as trabalhadoras que possuiam nível superior estavam no grupo de “trabalho ativo“.

Dentre os entrevistados que têm até cinco anos de trabalho, observou-se maior proporção de profissionais do grupo com “alta exigência”. E entre os professores que têm mais de vinte anos de trabalho verificou-se predomínio no “trabalho passivo”. Araújo (1999). Observa que a variação entre os grupos não foi relevante em relação ao tempo de ocupação com trabalhadoras de enfermagem.

A proporção de professoras com baixo suporte social da chefia e dos colegas foi notadamente elevada no quadrante de “alta exigência”, contrastando com as proporções para trabalhadoras que apresentaram alto suporte social predominando nos grupos de “baixa exigência”. Essa mesma relação foi encontrada no estudo de Araújo (1999) referido anteriormente com trabalhadoras de enfermagem.

Baixo suporte social no trabalho tem sido um dos aspectos mais destacados em estudos sobre estresse e adoecimento, segundo Araújo (1999) .

Reis et al. (2005) reinteram o impacto de proteção para os agravos psíquicos decorrentes de uma boa atmosfera de trabalho e um bom relacionamento entre os colegas, fazendo assim referência ao alto suporte social.

Considerando a distribuição das situações de trabalho, segundo presença de distúrbio vocal moderado e severo, o grupo de “trabalho ativo“ apresenta menor prevalência de distúrbio vocal, enquanto o grupo de “ alta exigência“ foi aquele com maior prevalência.

Observou-se, nesse estudo, que o trabalho em “alta exigência“ concentrou as freqüências mais elevadas em situações consideradas como negativamente associadas à saúde, quando comparadas aos demais grupos. Segundo Karasek e Theorell (1990) o trabalho em “alta exigência”, seria um preditor de maiores riscos à saúde, hipótese que foi confirmada neste estudo para distúrbio vocal moderado e severo.

Achados similares foram encontrados por Reis et al. (2005) quando docentes da rede municipal de ensino de Vitória da Conquista, em situação laboral de “alta exigência”, apresentaram alta prevalência de distúrbios psíquicos menores.

Como pode ser observado nessa população, o fato de ser mulher mostrou uma prevalência maior para distúrbio vocal de grau moderado e severo. Fato que vai na mesma direção do estudo de Williams (2003) que revela ter maior prevalência de alteração vocal em mulheres. No estudo de Roy et al. (2004b) ao identificar variáveis que se associam à ocorrência de alterações vocais, verificaram que os fatores

estatisticamente associados à alteração vocal entre outros foi ser do gênero feminino. Essa mesma relação também é confirmada por Thibeault et al. (2004), porém Preciato et al. (2005) mostra que as mulheres apresentaram predomínio de alterações orgânicas ao serem comparadas aos homens, entretanto, nas disfonias funcionais e laringites crônicas, os homens tiveram maior predomínio. Dessa forma conclui, portanto que o distúrbio vocal não é mais comum em mulheres do que em homens. Esse dado é discordante em parte do nosso estudo que leva em consideração o distúrbio vocal moderado e severo.

Neste estudo, à medida que aumenta o tempo de trabalho como docente, aumenta proporcionalmente a razão de prevalência do distúrbio vocal moderado e severo, portanto o acúmulo dos anos na docência pode-se associar-se fortemente ao aumento da exposição danosa. Ortiz (2004), em seu estudo em Cosmópolis, afirma que a disfonia começa a surgir em média após 11 anos de carreira na docência. Souza e Ferreira (2000), em estudo com professores paulistas, encontraram relação entre o tempo de trabalho e a gravidade da disfonia, principalmente com a intensidade da rouquidão relatada pelos professores. Farias (2005), em estudo com docentes da rede particular do ensino fundamental e médio de Salvador, relata que a atividade docente, maior que oito anos, está entre os fatores que se apresentaram associados à alteração vocal. Reis et al (2007), em estudo com docentes de Vitória da Conquista, afirma que houve associação estatisticamente significante entre distúrbio vocal e trabalho por mais que cinco anos como docente.

Ministrar aulas para ensino infantil ou fundamental I e lecionar em dupla jornada, a saber, ensino infantil ou nível fundamental I; e fundamental II ou médio associou-se significativamente ao distúrbio vocal moderado e severo.

Verifica-se que as diferentes características de cada modalidade de ensino podem gerar demandas vocais diferentes, mas a dupla jornada de trabalho parece ter influência importante no desencadeamento de problemas vocais.

Olhar a diferença como cada professor executa a mesma tarefa dentro da mesma situação de trabalho é um desafio, pois se percebe que cada um encontra uma forma singular de chegar ao objetivo desejado, que é garantir a aprendizagem. Assim cada um busca dar uma forma própria, com a qual se identifica e pode, dessa forma, reconhecer-se naquela tarefa (ARAÚJO, 1998).

A idade dos professores, na faixa entre 51 a 65 anos, associou-se significante ao distúrbio vocal moderado e severo. Achados similares foram encontrados no estudo de Roy et al. (2004b), onde ter idade entre 40 e 59 anos foi um dos fatores estatisticamente associados à alteração vocal. Essa mesma relação é confirmada por Thibeault et al. (2004) em seu estudo com professores de de Iowa e Utah. Esse resultado pode ser explicado pela combinação do acúmulo da demanda vocal, ao longo dos anos de docência, e o impacto biológico natural do envelhecimento denominado “presbifonia”.

Considera-se como período de máxima eficiência vocal o período compreendido entre os 25 aos 40 anos. Behlau (1999), revela que o inicio da presbifonia, e o grau da deteriorização vocal dependem de cada indivíduo, de sua saúde física, psicológica e sua história de vida, além de fatores constitucionais, raciais, hereditários, alimentares, sociais e ambientais.

Ao finalizar esta discussão, é possível dizer que o professor tem papel de instruir e conduzir o outro ao conhecimento formal, e está é uma atividade que comporta múltiplas facetas.

A escola, não deve ser concebida apenas como espaço físico, mas também como espaço social que possui características organizacionais e sociais que afetam diretamente o trabalho docente.

O trabalho é gerador de satisfação e prazer uma vez que possibilita o sujeito desenvolver seu potencial, entretanto pode também transformar-se num agente nocivo à saúde do trabalhador

Identificar as principais características da organização do trabalho docente na escola, primordialmente o controle sobre o trabalho e as demandas psicológicas, foram o foco central deste estudo, e apontam para a necessidade do fonoaudiólogo refletir sobre estes achados ao planejar ações de promoção de saúde ou de prevenção de alterações vocais, assim como em processos clínico-terapeuticos.

A alta prevalência de alteração vocal em professores está ligada a um somatório de condições que cercam a docência. Neste estudo, especificamente, foram abordadas as questões referentes aos agravos vocais a partir da organização do trabalho.

Próximos trabalhos devem considerar que os estudos de corte transversal têm limitações características de sua natureza, pois incluem em seu estudo os

professores que sobreviveram à doença e, por coletarem simultaneamente dados de exposição e de doença, fato que dificulta o estabelecimento de uma relação de causalidade entre ambos.

A pequena parcela de professores apresentou alteração vocal severa, conduz a possibilidade de que outros educadores com mesmo grau de alteração estarem afastados mudaram de função, tendo em vista que o distúrbio vocal severo impossibilita a docência.

O protocolo usado nesta pesquisa denominado de questionário geral foi aplicado em um estudo piloto e modificado frente a análise dos dados dessa aplicação . Esse protocolo possibilitou o levantamento de diversos dados sobre as condições de trabalho dos docentes e dados relacionados ao uso da voz, e

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