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THE DYNAMICS OF CHINA-AFRICA RELATIONS

In document China in Africa CMIREPORT (sider 65-84)

p (2) Média Desvio Padrão Média Desvio Padrão Média Desvio Padrão Mediana Valor mínimo Valor Máxim o Funcional 5,76 4,02 2,26 1,79 3,75 3,39 3 0 13 <0,001* Emocional 3,38 3,82 0,913 1,78 1,97 3,16 1 0 13 <0,001* Orgânico 11,58 5,99 3,78 2,75 7,55 5,85 7 0 23 <0,001* Geral 21,23 10,69 6,95 3,02 13,27 10,15 10 1 42 <0,001* Teste Qui-Quadrado

As Tabelas 6, 7 e 8 apresentam os resultados de acordo com cada questão contida nos domínios do IDV (funcional, orgânico e emocional). As questões presentes no domínio orgânico diferenciaram os grupos com e sem distúrbio de voz em maior número (oito) quando comparadas as do domínio funcional (três) e emocional (dois).

Tabela 6. Distribuição dos professores com distúrbio de voz (GCDV) e sem distúrbio de voz (GSDV), segundo a média do escore de cada questão presente no domínio funcional do IDV.

Perguntas IDV

GCDV (17) GSDV (23)

p (2) Média Média

F1-As pessoas têm dificuldade em me ouvir por causa da minha voz

0,765 0,304 0,149

F3-As pessoas têm dificuldade em me entender em lugares barulhentos

1,411 0,869 0,929

F5-Minha família tem dificuldade em me ouvir quando os chamo de outros cômodos

0,882 0,217 0,046

F6- Uso menos telefone do que gostaria

0,705 0,391 <0,001*

F8- Tenho tendência a evitar grupos de pessoas por causa da minha voz

0,176 0,043 0,261

F11- Falo menos com os vizinhos, amigos e parentes por causa da minha voz

0,117 0,000 -

F12- As pessoas pedem para eu repetir o que falo quando conversamos pessoalmente

0,764, 0,217 <0,001*

F16- Meu problema de voz limita minha vida social e pessoal

0,117 0,043 0,801

F19- Eu me sinto excluído nas conversas por causa da minha voz

0,059 0,043 0,801

F22- Meu problema de voz causa prejuízos econômicos

0,471 0,000 -

Tabela 7. Distribuição dos professores com distúrbio de voz (GCDV) e sem distúrbio de voz (GSDV), segundo a média do escore de cada questão presente no domínio orgânico do IDV.

Perguntas IDV

GCDV GSDV

p (2) Média Média

O2-Fico sem ar quando falo

1,000 0,434 0,018*

O4-Minha voz varia ao longo do dia

1,882 0,913 0,001*

O10-As pessoas perguntam "o que você tem na sua voz?"

0,294 0,261 0,171

O13-Minha voz parece rouca e seca

1,471 0,652 <0,001*

O14-Sinto que tenho que fazer força para minha voz sair

1,117 0,521 0,017*

O17-Não consigo prever quando minha voz vai sair

0,352 0,000 -

O18-Tento mudar minha voz para que ela saia diferente

1,235 0,217 <0,001*

O20-Faço muito esforço para falar

1,411 0,478 <0,001*

O21-Minha voz é pior ao final do dia

1,941 0,956 <0,001*

026-Minha voz falha no meio da fala

0,705 0,173 <0,001*

Tabela 8. Distribuição dos professores com distúrbio de voz (GCDV) e sem distúrbio de voz (GSDV), segundo a média do escore de cada questão presente no domínio emocional do IDV.

Perguntas IDV

GCDV GSDV

p (2) Média Média

E7-Fico tenso quando falo com os outros por causa da minha voz

0,352 0,173 0,572

E9-As pessoas parecem se irritar com a minha voz

0,823 0,173 0,801

E15- Acho que as pessoas não entendem o meu problema de voz

0,471 0,000 -

E23- Meu problema de voz me chateia

0,941 0,304 <0,001*

E24-Fiquei menos expansivo por causa do meu problema de voz

0,117 0,000 -

E25- Minha voz faz com que eu me sinta em desvantagem

0,176 0,000 -

E27-Fico irritado quando as pessoas pedem para repetir o que eu falei

0,823 0,217 <0,001*

E28- Fico constrangido quando as pessoas pedem para repetir o que eu falei

0,411 0,000 -

E29- Minha voz me faz sentir incompetente

0,058 0,000 -

E30- Tenho vergonha do meu problema de voz

0,058 0,000 -

6. Discussão

Com relação aos dados sociodemográficos, esta pesquisa apontou maior prevalência em participantes do sexo feminino, resultado semelhante ao observado nas pesquisas de SCHAWARS e CIELO (2005); TAVARES e MARTINS (2007) e THOMÉ (2007). Tal fato confirma a presença maior do número de mulheres em atividades educativas, informação compatível com a apresentada em pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP, 2007). Nesse censo, observou-se ainda que 96,1% das professoras estavam inseridas na pré-escola e 91,2% no ensino fundamental.

No estudo de ROY e col. (2004), as mulheres comparadas aos homens, apresentaram maior prevalência de distúrbios vocais durante a vida. Em pesquisa realizada por CAPOROSSI e FERREIRA (2011), em que foi utilizado o mesmo instrumento desta pesquisa (CPV-P), as autoras constataram associação entre a autorreferência ao fato de ser mulher e a presença de alteração de voz e cansaço ao falar. Contudo, importante destacar que na pesquisa ora apresentada, apesar do número de mulheres ser maior, não houve diferença significativa com relação a variável sexo no que diz respeito à presença de distúrbio de voz.

Quanto à idade, há pesquisas confirmando que o distúrbio de voz pode ser observado em maior número em pessoas mais idosas (ROY e col. 2004; ORTIZ e col. 2004). Resultado semelhante ao encontrado por CAPOROSSI e FERREIRA (2011), no qual as autoras também encontraram associação entre a presença da sensação lari ngofaríngea de garganta seca e de cansaço ao falar em participantes mais idosos. No mesmo sentido GAMPBEL e col. (2008) concluíram menor variação de loudness em professores mais velhos.

Entretanto torna-se importante destacar que nesta pesquisa, em que maior parte dos professores encontrava-se na faixa etária de 20 a 45 anos, não foi registrada associação entre presença de distúrbio de voz e idade. Tal fato corrobora dado da literatura que aponta estar a eficiência vocal na faixa etária 18 a 45 anos (OLIVEIRA e BEHLAU, 2009).

Em relação ao nível de escolaridade, 95% dos professores desta pesquisa possuem formação superior. Esse resultado está próximo ao encontrado em outras pesquisas (FERREIRA e col. 2003; THOMÉ, 2007; GIANNINI, 2010) uma vez que atualmente o nível superior é exigido para todos os professores de ensino infantil e fundamental segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação 9.394/96 de 20/12/1996 (BRASIL, 1996).

No que diz respeito ao vínculo empregatício, quase a totalidade dos participantes desta pesquisa lecionavam com classe definida, fato que não permitiu verificar diferença entre os grupos analisados.

Com relação ao tempo de docência, que muitas vezes pode estar atrelado a variável idade, há na literatura alguns estudos que confirmam a associação dessa variável com distúrbio de voz. Nessa direção podem-se citar os estudos de ARAÚJO e col. (2008) e CEBALLOS e col. (2008). Nesta pesquisa, não foi registrada diferença estatisticamente significativa quando os grupos foram comparados. Porém pode-se destacar que 35,2% dos participantes do grupo com distúrbio de voz encontram-se atuando entre 16 e 20 anos, enquanto 34,8% sem distúrbio de voz possuem de 6 a 10 anos de magistério. O que indicia uma piora dos sintomas vocais na medida em que aumentam os anos de docência.

Quanto à jornada de trabalho, a pesquisa corrente mostra que a maioria dos docentes trabalha mais de 20 horas por semana, carga horária semelhante à referida nos estudos de ORTIZ e col. (2004), FERREIRA e BENEDETTI (2007) e SOUZA e col. (2011). Na comparação dos grupos com e sem distúrbio de voz não houve diferença estatística significativa.

Após análise fonoaudiológica da voz dos professores, foi constatado que 42,5% dos participantes apresentaram distúrbio de voz em grau leve ou moderado, com destaque para os parâmetros de soprosidade, rugosidade e instabilidade, características essas presentes em vozes com disfonia funcional (CEREST, 2006). Essa porcentagem, encontrada nesta pesquisa, é semelhante à apresentada por SCALCO e col. (1996), e inferior a outras que

apontam valores em torno de 80% (SIMÕES e LATORRE, 2006; TAVARES e MARTINS, 2007).

Neste momento, é importante destacar que o contexto de uma escola particular é diferente da escola pública. Na escola pública, as condições parecem ser mais adversas ao bem estar geral e vocal do professor, e, dessa forma, predispõem ainda mais o professor ao distúrbio vocal (PENTEADO e PEREIRA, 2007). Embora exigente, a escola particular costuma apresentar melhores condições principalmente do ambiente de trabalho, garantidos pela mantenedora da escola. A escola selecionada para desenvolver esta pesquisa é tradicional e considerada uma das melhores do município e provavelmente, as melhores condições oferecidas aos professores parecem justificar a menor porcentagem de professores com distúrbio de voz, confirmada na avaliação fonoaudiológica.

A análise dos sintomas vocais autorreferidos indicou nos dois grupos a presença de rouquidão. Esse é um sintoma referido em estudos como os de SMITH e col. (1997); LEMOS e RUMEL (2005) e JARDIM e col. (2007). Segundo PRECIADO e col. (2005) ao lado de esforço ao falar esse sintoma é o mais mencionados pelos professores. Rouquidão é o sintoma mais associado à presença de disfonia e considerado como indicativo de distúrbio de voz (SCHWARTS e col. 2009). Da mesma forma, nesta pesquisa, a rouquidão foi registrada em maior porcentagem entre os participantes do grupo com distúrbio de voz, dado esse que diferenciou os dois grupos entre si. Ao encontro desses resultados está o estudo caso-controle de GIANNINI (2010), que identificou que apesar do sintoma de rouquidão estar presente nos dois grupos, também houve maior registro no de casos (93,4%) quando comparado ao de controles (51%), fato que determinou diferença estatística significativa (p<0,001). Importante destacar, ainda, que o sintoma vocal de rouquidão, apesar de estar relacionado na maioria das pesquisas ao contexto de fala intensivo, pode ocorrer também em função de falta de hidratação, limitação de abertura de mandíbula, havendo sobrecarga da estrutura de laringe na produção da voz, média de hora de sono ou ao fato de não acordar descansado, conforme pesquisa desenvolvida por FERREIRA e col. (2010).

Quanto às sensações laringofaríngeas, o esforço ao falar e ardor na garganta estiveram entre os mais citados pelos participantes, com ênfase aos pertencentes ao grupo com distúrbio de voz, fato evidenciado pela diferença estatística significativa (p=0,041 e p=0,042 respectivamente). Na leitura de diferentes pesquisas pode-se encontrar achados similares (SCALCO e col.1996; LEMOS e RUMEL, 2005). No estudo de SERVILHA e PENA (2010), ao contrário do presente estudo, as sensações mais referidas pelos docentes foram cansaço ao falar (69,44%) e garganta seca (61,11%). Porém, pode-se hipotetizar que todas essas sensações estão relacionadas entre si, ou seja, o fato do professor falar muito, em condições ambientais e de organização de trabalho não adequadas, gera sobrecarga no sistema de fonação e respiração que ocasiona maior esforço ao falar, e conduz ao cansaço ao falar (CHANG e KARNELL, 2004). Essa situação, quando acompanhada de pouca hidratação (por desconhecimento da necessidade ou pela impossibilidade de ingerir durante as aulas), leva a um desconforto entendido como garganta seca, que na sequência se traduz em dor ou ardor ao falar.

Importante também destacar que atualmente a condição de alimentação inadequada da maioria das pessoas e, em particular dos professores que atuam em mais de um período, quer pela qualidade do alimento ingerido quer pelos horários irregulares, na maioria das vezes, está associada a sensações que envolvem dor ou ardor na garganta, para falar, engolir ou presença de pigarro que podem ser sintomas de distúrbio de voz, mas também podem estar associados a refluxo gastroesofágico.

Estudo realizado por FUESS e LORENZ (2003) associou os sintomas e refluxo gastroesofágico e o aumento na frequência de sintomas vocais e identificou que, em 30% dos casos pesquisados, observava -se distúrbio de voz de etiologia não ocupacional, advindas pelo próprio refluxo, ou laringite de causa alérgica ou infecciosa entre outros. FERREIRA e col. (2010) também encontraram sintomas referentes à disfunção temporomandibular associados ao distúrbio de voz.

Em relação aos resultados encontrados na aplicação do IDV constatou- se uma discreta desvantagem vocal referida pelos professores, com média total

de 13,27, inferior a encontrada em outras pesquisas desenvolvidas com o mesmo tipo de profissional (TUTYA e col. 2011; FOLTRAN e col. 2011). Importante notar, a presença de maior impacto entre os participantes do grupo com distúrbios de voz, confirmado pelas médias maiores em todos os domínios e também no escore total, fato que determina a diferença estatística significativa. Dado compatível com o mencionado por KUZAŃSKA e col. (2009). Outro aspecto que merece destaque é o fato do domínio orgânico se mostrar o mais comprometido entre os professores pesquisados, informação também confirmada por TUTYA e col. (2011).

Na análise que considerou cada uma das questões dos domínios, também foi o orgânico aquele que registrou maior número de respostas que diferençou os dois grupos. As questões desse domínio reforçam a autorreferência aos sintomas vocais e sensações laringofaríngeas em consonância à discussão apresentada anteriormente quanto à produção da voz por parte do professor (“sinto que tenho que fazer força para a minha voz sair”, “faço muito esforço para falar”, “fico sem ar quando falo”). A incoordenação

pneumofonoarticulatória pode se dar não apenas por questões orgânicas, mas também por questões psíquicas (FERREIRA, 1990).

Outras respostas dadas às questões do domínio orgânico que estabeleceram diferença entre os grupos evidenciam a percepção dos professores quanto à presença do distúrbio de voz (“minha voz varia ao longo do dia” e “minha voz falha no meio da fala”) e a tentativa feita por parte do

professor para reverter seu quadro (“tento mudar minha voz para que ela saia diferente”).

As situações explicitadas nas questões do domínio funcional mostram a interferência do distúrbio de voz no cotidiano pessoal e profissional dos professores (“minha família tem dificuldade em me ouvir quando os chamo de outros cômodos”, “as pessoas pedem para eu repetir o que falo quando conversamos pessoalmente” e “uso menos o telefone do que gostaria”), com

queixas que denotam falta de clareza e projeção de suas vozes. Tal fato que levam os professores a terem uma autoimagem vocal negativa e podem afetar o exercício docente, uma vez que o processo professor/aluno e

ensino/aprendizagem requer uma comunicação clara (PENTEADO e ROSSI, 2006).

As consequências psicossociais percebidas pelos professores em relação ao distúrbio de voz são explicitadas no domínio emocional (“meu problema de voz me chateia” e “fico irritado quando as pessoas pedem para eu repetir o que falei”) e podem traduzir a forma como o professor avalia sua

própria posição de falante nas relações sociais. Considerando o impacto do distúrbio de voz no contexto profissional, pode-se dizer que eles percebem a alteração e também a implicação dessa sobre sua autoridade perante os outros, e em especial frente aos alunos. Desta forma há necessidade do fonoaudiólogo avaliar, além das medidas relacionadas à função orgânica (respiração/voz), também o contexto social, apontando as condições de produção da voz do professor avaliado (FERREIRA, 1990).

Dessa forma, acredita-se que os resultados desta pesquisa irão contribuir para as pesquisas futuras nessa área no sentido de ampliar a reflexão sobre a multifatoriedade que determina o distúrbio de voz em professores, e de rever as práticas fonoaudiológicas presentes nas ações de promoção de bem estar vocal e de prevenção e tratamento do distúrbio de voz.

7. Conclusão

Houve associação estatística significativa entre a presença de distúrbio de voz e o sintoma vocal de rouquidão, e as sensações laringofaríngeas de esforço ao falar e ardor na garganta, e o escore geral, assim como o referente aos domínios funcional, orgânico e emocional, do Índice de Desvantagem Vocal.

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