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2. BAKGRUNN

2.3. Drikkevann

2.3.2 Oversikt over vannkvalitetsvariable i studien

Antes de iniciar a discussão acerca da educação do campo e da formação docente para este espaço, faz-se necessário discutir o conceito da “questão agrária” e a origem desta no contexto brasileiro, bem como a constituição dos povos rurais. Isto porque, a questão agrária apresenta-se como o elemento base da luta de movimentos sociais do campo, que também reivindicam por educação “do” e “para” esse campo.

Sendo assim, entender como se dá o uso, a posse e a exploração da terra no contexto histórico brasileiro e como se desenvolveram os habitantes do campo, implica em buscar nas origens, os fundamentos para as concepções que permeiam a atual educação e formação docente para o campo.

Para Stedille (2005, p.17), a questão agrária pode ser analisada sob vários olhares, a partir da ótica que se pretende enfatizar nas diversas áreas do conhecimento. Segundo o autor, esse conceito pode ser compreendido como um conjunto de interpretações e análises voltadas à explicação de como se organiza a posse, a propriedade, o uso e a utilização de terras na sociedade brasileira .

Brasil, devido ao longo período de submissão colonial que impediram o desenvolvimento no campo científico durante 400 anos. Apenas a partir de 1960, tem início esse debate sob interpretações diferentes e a partir da necessidade política e sociológica dos partidos políticos.

A discussão acerca da posse da terra é realizada por Stedille, dividindo a história da constituição do povo brasileiro em quatro períodos.

O primeiro período visto a partir das correntes migratórias vindas da Ásia, as quais ocuparam todo território americano e viviam no modo de produção denominado de comunismo primitivo8.

O segundo, tendo início com a invasão do Brasil em 1500 e vai até 1850, a qual era financiada pelo crescente capitalismo comercial europeu. Os portugueses, se apoderando do território brasileiro, irão impor sobre os que aqui habitavam seu modo de produção, as suas leis e a sua cultura. Tudo passa então a ser visto como mercadoria pelos europeus e a atividade produtiva e extrativista como lucro. 9 Inicia-se assim, o modelo agro-exportador, onde 80% de tudo o que o Brasil produzia era exportado para o mercado europeu – modelo este chamado de plantation.10

Nesse momento, a propriedade de todo território brasileiro era monopólio da monarquia, o que determinava que, por não ser privada, a propriedade da terra não era capitalista, ou seja, não poderia ser vendida, estando, todavia, sujeita à “concessão de uso”, com direito à herança, dados os interesses comerciais e de lucro da Coroa. Assim, aos grandes capitalistas colonizadores, grandes extensões de terras eram cedidas, medidas em léguas e delimitadas por acidentes geográficos.

No terceiro período (1850 a 1930), a questão da posse da terra passou a ser discutida sob a pressão que a Coroa irá sofrer para abolir a mão-de-obra escrava. Foi criada a primeira Lei de Terras do país, Lei nº 601 de 1850, a qual implantava no Brasil a propriedade privada das terras, momento a partir do qual a terra passou a ser considerada mercadoria.

A lei estabelecia que qualquer cidadão brasileiro poderia ser um proprietário de terra, desde que pagasse a Coroa. A antiga concessão foi, pois, transformada em uso da propriedade privada e o direito a terra dado apenas aquele que pudesse comprá-la.

8

Essas populações viviam em agrupamentos diversos e eram em sua maioria nômades, vivendo basicamente da extração dos recursos da natureza e com pouca prática da agricultura – modo de produção do comunismo primitivo. Tudo era de posse e uso coletivo para atender as necessidades de sobrevivência dos grupos.

9 Num primeiro momento o ouro, em seguida outros bens materiais, mas a descoberta de que a maior vantagem

seria a qualidade das terras e seu potencial de cultivo, deram um outro sentido e valor à terra como espaço de produção e lucro.

10 O plantation pautava-se na monocultura nas grandes fazendas de área contínua e utilizava-se de mão-de-obra

Nasce então, para Stedille, o latifúndio no Brasil, trazendo toda uma estrutura injusta de propriedade da terra, a qual é ainda realidade em nossos dias.

Tais acontecimentos no cenário brasileiro serão acompanhados de lutas e revoltas populares, uma vez que o trabalho escravo e as condições de vida levaram muitos a fugir e se rebelar, multiplicando os quilombos, as cidades e os movimentos de apoio ao abolicionismo.

Mais tarde, a Lei Áurea não iria apenas abolir oficialmente a escravatura, mas também ser responsável pela exclusão de milhares de ex-escravos, os quais em sua nova condição de “livres” também se encontrariam sem rumo, e desprovidos de bens para comprar as terras, passando a migrar para os centros urbanos passando a constituir em seguida as favelas brasileiras.

Outro problema nesse período foi a crise do modelo agro-exportador que levou as elites a buscar a antiga força de trabalho escrava no colonato.11 Essa crise durou até 1930, período em que nasce o campesinato no Brasil.

O campesinato se constituiu pelos imigrantes oriundos da Europa, como também pelas populações mestiças originárias do processo de colonização.

Essa população, impedida pela Lei de terras do direito à propriedade privada migrou para outras regiões do interior brasileiro, constituindo os povos do campo.

Por fim, no quarto período, a queda da monarquia e o estabelecimento da república, levariam a burguesia industrial a tomar o poder da oligarquia rural, impondo um novo modelo econômico para o país, o modelo de industrialização dependente, denominado de Projeto Desenvolvimentista ou Era Vargas.

No início da década de 60, a agricultura passaria então a se subordinar ao modelo industrial. No processo de modernização capitalista da grande propriedade rural, ao mesmo tempo em que os camponeses serviram como elementos de mão-de-obra barata, foram também estimulados pela lógica do capital a se integrarem ao sistema capitalista de industrialização. Muitos se evadiram para os grandes centros urbanos para suprir as indústrias, como operários das fábricas, com baixos salários e poucas condições de vida.

Ao mesmo tempo, no campo, a multiplicação de pequenas propriedades gerada pela compra e venda e reprodução das unidades familiares, cresceu, contraditoriamente, paralela ao avanço da grande concentração de terra das propriedades capitalistas, que cada vez concentrava mais terras, mais recursos.

11 Milhares de imigrantes europeus foram trazidos para substituir a mão-de-obra escrava, sendo assalariados, mas

sem nenhuma condição de trabalho. Os colonos imigrantes recebiam as lavouras de café antes produzidas pelos escravos e uma casa para morar. Tinham o direito de usar uma área de dois hectares para a agricultura de subsistência.

Observamos assim, que em mais de 500 anos de história, a realidade dos povos do campo ou como aqui ainda se utiliza da “zona rural”, está marcada por conflitos que têm a terra como principal foco de luta, assim como as relações sociais de produção fundamentadas na exploração, no trabalho escravo, na negação dos direitos, da cidadania (Batista, 2006, p. 130). A resistência dos povos do campo em todas as suas denominações – negros, índios, agricultores, e tantos outros - sempre presente no contexto da história brasileira, constitui a identidade política deste povo. Um povo que luta e que se organiza, que resiste, que insiste no direito de ter voz e vez, num país que nega a sua história e a sua cultura.

Sendo assim, não poderíamos deixar de refletir sobre os movimentos sociais e o papel desses nas conquistas dos povos do campo.