• No results found

OVERSIKT OVER SKALAER SOM ER BRUKT I INKLUDERTE OVERSIKTER OG ENKELTSTUDIER

habiliteringstiltak i utlandet

VEDLEGG 8. OVERSIKT OVER SKALAER SOM ER BRUKT I INKLUDERTE OVERSIKTER OG ENKELTSTUDIER

A BHRH, localizada na Meseta Sul, é predominantemente plana, ou de relevo pouco acentuado, formando assim um imenso planalto. Todavia, pode identificar-se ainda um conjunto vasto de formas de relevo excepcionais. A norte da bacia identificam-se os núcleos de sinclinais das serras de São Mamede e de Ossa, as cristas quartzíticas de Marvão e as corneanas de Évora. Mais a sul é o degrau tectónico da serra do Portel que mais pontua o relevo. No Baixo Alentejo, a superfície de aplanação da Meseta é interrompida pelas elevações dos quartzitos de Alcaria e os mármores de Ficalho. Já no Algarve, a serra algarvia constitui um empolamento da planície alentejana, elevando-se as cotas acima dos 500 m. (Pimentel, 1993)

Nesta região, predominam os solos delgados, de características ácidas e pobres em sódio e potássio, com baixa capacidade de retenção de água e facilmente encharcáveis. Nas proximidades de Beja, identifica-se a excepção mais relevante: os Barros de Beja. Cerca de 92% dos solos do tipo A de toda a bacia localizam-se nesta área, que representa praticamente metade do total dos solos com aptidão agrícola. Os Barros de Beja constituem ainda um dos mais importantes

10 O tema dos recursos hídricos é retomado e aprofundado no capítulo sobre a disponibilidade de água na região:

5 8

reservatórios de águas subterrâneas no Alentejo. (Avaliação da recarga do Sistema Aquífero dos Gabros de Beja segundo os critérios múltiplos : disponibilidades hídricas e implicações agro- ambientais, 2003)

Capacidade de uso do solo Área (km²) (%)

A - Sem limitações 302 3

B - Limitações moderadas 876 8

C - Condicionada por limitações acentuadas 918 8

D - Limitações moderadas 1003 9

E - Limitações severas 6345 55

A ou B+C 806 7

A ou B+D ou E 53 0

C+D ou E 1100 10

Sem classe definida 121 1

Da análise da capacidade de uso das unidades pedológicas existentes na BHRGP, com base nas cartas de Capacidade de Uso do Solo, conclui-se que estes são muito pobres e apenas 26% estão identificados nas classes A, B e C, com aptidão para a agricultura (Tabela 3.2). Contudo, o elemento preponderante desta análise é, pela negativa, os 64% de solos do tipo D e E, aos quais se podem juntar os 10% de solos tipo complexos C+D ou E, isto é, praticamente ¾ do total do solo da bacia apresenta severas limitações para a prática de actividades agrícolas. Esta classificação deve-se sobretudo ao baixo teor de matéria orgânica no solo, sendo este o principal indicador na determinação de áreas desertificadas. O facto de os solos do tipo E representarem 55% do total da área da bacia, constitui uma grande limitação em termos de erosão e escorrimento superficial. «Esta limitação é determinada pela espessura efectiva, grau de secura associada à baixa capacidade de água utilizável e à fraca fertilidade». (Roxo, 1994 p. 123)

Um dos indicadores mais relevantes na determinação de áreas em risco de desertificação é a qualidade de uso do solo (Brandt, et al., 2006). A existência de solos pobres e de grande erodibilidade, como é o caso dos solos do tipo D e E na BHRGP (73% da área total), constitui um factor de risco evidente.

Em última análise, a desertificação relaciona-se directamente com a degradação dos solos. As características do solo da BHRGP sofreram grandes transformações provocadas

Tabela 3.2. Capacidade do uso do solo

3.CONTRIBUTO PARA A CARACTERIZAÇÃO REGIONAL DO CASO DE ESTUDO

5 9

essencialmente pela acção antrópica. Estas mudanças só estão documentadas cartograficamente a

partir do século XIX, mais concretamente através da Carta Agrícola de Perry11. Mas é no

século XX que se processam as transformações mais significativas, com consequências directas na

deterioração da qualidade dos solos. Tal como refere Roxo (1994 p. 134), «é irrefutável que o uso do solo traduz a forma de ligação do homem com o meio, mas é igualmente verdade que a ocupação e uso são condicionados por factores físicos e pelas conjunturas socioeconómicas, prevalecendo em muitos casos a influência destas últimas». Este factor está na génese de muitos hectares de solo pobre, praticamente improdutivo da BHRGP. A Campanha do Trigo, lançada em 1929 com o objectivo de contribuir para a auto-suficiência alimentar de Portugal, provocou o alargamento das áreas destinadas ao cultivo de cereais (através do arroteamento de terrenos com solos extremamente pobres), possibilitando o aumento da produção agrícola. Assim, foi possível atingir os valores máximos de sempre de produção de trigo, o que veio a acontecer em 1958, embora para tal fosse necessário sacrificar muitos solos sem o mínimo de apetência para a agricultura. (Feio, 1998); (Roxo, 1994)

Deste modo, a Campanha do Trigo, através da produção excessiva deste cereal, contribuiu decisivamente para uma degradação dos solos, sobretudo nas áreas mais declivosas, tornando-os menos espessos. «Para além da perda de fertilidade, os solos perderam a função vital de regularização do ciclo hidrológico, pois afectou-se a sua permeabilidade e capacidade de retenção.» (LPN, 2005)

Com a entrada de Portugal para CEE em 1986, os solos sofreram uma nova ofensiva causada pelas políticas agrícolas e florestais adoptadas. Tal como afirma Geof (2006), referindo-se ao Alentejo, «os impactos das políticas agrícolas desde a adesão de Portugal à CEE contribuíram para as mudanças de uso do solo, com efeitos negativos na desertificação». Em oposição às medidas agrícolas e florestais, o mesmo autor identifica as políticas ambientais e da água como sendo positivas na mitigação dos problemas dos solos e no combate à desertificação.

Assim, a situação actual caracteriza-se por solos bastante empobrecidos, o que associando-se ao clima, ao tipo de exploração agrícola e à desflorestação está na origem dos elevados riscos de desertificação da BHRGP 12. Estes solos já perderam parte das suas funções

11 As Cartas Agrícolas de Gerardo Perry foram levantadas entre 1882 e 1893 e constituem a primeira grande série

cartográfica para o estudo do uso do solo realizada em Portugal. Ver Mariano Feio (1998).

12 De acordo com o mapa do índice de desertificação para o Mediterrâneo, a BHRGP é, à escala nacional, a área mais

6 0

principais, tais como alimentar as plantas e filtrar as águas. Consequentemente, este nível de desertificação do solo da BHRGP afecta amplamente a produtividade agrícola e diminui a capacidade de retenção da água.