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Overordnede prioriteringer

In document Årsrapport (2014-2015) (sider 75-79)

5.4 Budsjett 2015

5.4.1 Overordnede prioriteringer

Coloquialmente, a cidade é o lugar onde vivemos, conjunto de ruas, bairros e distritos marcado por uma unidade política e dotado de uma série de órgãos administrativos e de prestação de serviços aos seus cidadãos. Na cidade digital, novos sistemas, ou camadas, são agregados à cidade, coloquialmente entendida.

São variados os tipos de cidades: família, tribal ou comunitária; rural ou campo; artesã; industrial; operária; administrativa; monumento; jardim; travessia; histórica; hídrica ou sagrada. Estas são algumas das classificações propostas por Guerreiro (2006, p. 55). Outras cidades descritas por ele são de especial interesse aqui. Uma delas, a cidade tecnológica, conta com recursos intelectuais e científicos para prover a base para diversas aplicações tecnológicas, transformando-se em polo tecnológico. No Brasil são exemplos São José dos Campos e Campinas. Dublin, Tel Aviv e Bangalore são exemplos no exterior. Por sua vez, a cidade digital, informacional ou cibercidade (Valência, Boston, Puebla, Niterói, Curitiba e Piraí, são exemplos citados pelo autor) é uma extensão da cidade tecnológica e

se constitui com infraestrutura de telecomunicação implantada e conectada em rede compartilhada para o acesso, permitindo o fluxo de informações em infovias, o que acaba por formar uma grande rede em que cada habitante pode desempenhar sua atividade em qualquer lugar, desde que as conexões digitais sejam acessíveis (GUERREIRO, 2006, p. 55).

A cidade digital de Silva (2004) é um novo conteúdo da cidade real e se apresenta como uma camada de ciberespaço12 sobreposta a esta. Na visão de Couclelis (2004, p. 14), a cidade digital é a interseção da área urbana física, das pessoas que ali vivem e trabalham, do nexo de possibilidades tecnológicas, econômicas e culturais e daquilo que se chama sociedade em rede. A representação gráfica deste encontro é apresentada na Figura 3, à página seguinte.

Diferentemente de Couclelis (2004), Fernandes e Gama (2006, p. 4) veem a

cidade digital como uma primeira etapa da cidade inteligente. Consideram que ―a

informação e a evolução tecnológicas, que se encontram na base da criação das cidades

12 Ciberespaço (cyberspace) foi usado originalmente pelo autor William Gibson, no conto de ficção Burning Chrome, de 1982. O termo ganhou notoriedade com o livro Neuromancer, de 1984.

digitais, são importantes para o espaço urbano‖ (FERNANDES e GAMA, 2006, p. 4). Para eles, a cidade inteligente ainda deve contar com a combinação do físico com o virtual na criação de uma região de aprendizagem ou conhecimento, onde haja pessoas com elevado nível de instrução e uso de inovações.

Figura 3 – A cidade digital na interseção de três domínios Fonte: Adaptado de Couclelis (2004)

No relato sobre a cidade digital de Quioto, Ishida et al (1999, p. 4) destacam o papel da tecnologia para armazenamento de conteúdo produzido localmente pelos cidadãos da cidade digital. Em sua opinião, a tecnologia como ferramenta para ultrapassagem de barreiras culturais dentro de um modelo de cidade que contempla toda a estrutura da vida urbana: compras, negócios, transportes, educação, seguridade social e outros (ISHIDA ET AL, 1999, p.23). Com base na experiência da Digital City Kyoto, os autores propõem uma arquitetura de cidade digital em três camadas: informação, integrando a web e os sensores espalhados pela cidade; interface, que provê modelos 2D e 3D da cidade e interação, que ajuda moradores e visitantes da cidade. O aspecto de tecnologia é predominante no relato sobre Quioto.

Em Egler (2007, p. 14-15), a pólis é a cidade tradicional com acréscimos de participação pública mediada pela TI. Os atores socioeconômicos abrangem uma gama de atividades, práticas e arranjos institucionais propiciados e demandados pela provisão de serviços da cidade real pela web. Já a cidade tecnológica é orientada para os aspectos mais técnicos como aplicações geograficamente referenciadas, sensores e tecnologias sem fio. Esta última teria traços de uma cidade inteligente, ou seja, portadora de uma extensa infraestrutura telemática no solo, acoplada a modelos computadorizados de alta resolução.

A participação pública mediada pela TI remete à autonomia e participação política dos indivíduos (FERNANDES e GAMA, 2006; HANZL, 2007; INFANTE, 2006 e LEODORO, 2008). Nesse sentido, o próprio Guerreiro (2006, p. 73) acrescenta que as cidades modernas devem se pautar pelo desenvolvimento humano local, por exemplo, dando ―condições permissivas para [o excluído] se incluir nas novas

demandas técnicas e nos avanços sociais do mundo‖.

Em Portugal, o projeto Gaia Digital, desenvolvido na cidade de Vila Nova de Gaia, contempla o aspecto social da cidade digital (GOUVEIA, 2002, p. 1-3), com o

argumento de que nas cidades digitais ―a tecnologia deve seguir as necessidades de

informação e a informação só existe para suportar a interação entre as pessoas‖. Ali o objetivo é conectar o lugar físico e a comunidade com uma sua contrapartida digital, promovendo a visibilidade externa de Vila Nova de Gaia, influenciando o aperfeiçoamento de áreas como saúde, educação e ambiente, criando condições para aumento do investimento na região e contribuindo para a melhoria da qualidade de vida e níveis de participação dos cidadãos. Uma adição pertinente ao dito sobre Gaia Digital

é a cidade digital considerada como ―um conceito de ‗política territorial‘ inserida em

uma sociedade em rede; um sistema de pessoas e instituições conectadas por uma infraestrutura de comunicação digital (como a internet) que tem como referência uma cidade real, cujos propósitos variam e podem incluir diferentes objetivos‖ (FERNANDES e GAMA, 2006, p. 3).

Sanford e Rose (2007, p. 406) discorrem sobre a participação eletrônica (e- participação), que é a participação em processos consultivos democráticos com a mediação das tecnologias da informação e comunicação.

A e-participação também é mencionada por Infante (2006), que a situa no centro do seu conceito de cidade digital. Para o autor, as cidades digitais devem se constituir em um avanço da democracia, pois

O desenvolvimento de cidades digitais constitui um meio para acrescentar a participação cidadã nas decisões relevantes da comunidade, além de prover soluções específicas para problemas concretos das pessoas, junto com assegurar transparência da gestão pública. Assim, o conceito de cidade digital desloca seu centro do social para o público. [.] As cidades digitais hão de se constituir em uma forma explícita de boas práticas de governo e de aprofundamento da democracia, pela via da participação cidadã em nível local e de base (INFANTE, 2006, p. 3).

Infante (2006) também faz uma interessante distinção entre a visão de cidades digitais do ponto de vista de provedores de serviços (de informática) e de outra abordagem centrada nas pessoas. Para os provedores de serviços, a cidade digital é uma

―translação de modelos de cidades que existem no mundo real para o ambiente telemático‖ (INFANTE, 2006, p. 6-7). Sob a outra ótica apontada, trata-se de um espaço

de conhecimento, que considera a identidade dos cidadãos e é inteligente com capacidade de aprender e apreender, rearticulando-se em forma de redes. Infante (2006, p. 16) ainda prescreve o que deve estar presente na cidade digital: e-governo ou e-gov, mecanismos de saúde à distância, oportunidades e gestão do teletrabalho, capacitação e formação a distância, e-democracia, apoio de infraestrutura (cabo, wi-fi13 etc) e- business, gestão do turismo e gestão da cultura. Os atributos de um portal de cidade digital também são discriminados: informação útil para os residentes, facilidade de uso, ser visualmente atrativo, acesso a trâmites de processos públicos, espaços de participação e links de interesse do público (INFANTE, 2006, p. 13).

13 Wi-fi (pronunciado /uaifai/) é uma marca registrada da Wi-Fi Alliance, que pode ser usada com produtos certificados que pertencem à classe de dispositivos de rede local sem fios(WLAN) baseados no padrão IEEE 802.11. Por causa do relacionamento íntimo com seu padrão de mesmo nome, o termo Wi- Fi é usado frequentemente usado como um sinônimo para a tecnologia IEEE 802.11.O padrão Wi-Fi opera em faixas de frequências que não necessitam de licença para instalação e/ou operação. Este fato as tornam atrativas. No entanto, para uso comercial no Brasil é necessária licença da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Para se ter acesso à internet através de rede Wi-Fi deve-se estar no raio de ação ou área de abrangência de um ponto de acesso (normalmente conhecido por hotspot) ou local público onde opere rede sem fios e usar dispositivo móvel, como computador portátil, Tablet PC ou PDA com capacidade de comunicação sem fio, deixando o usuário do Wi-Fi bem à vontade em usá-lo em lugares de "não acesso" à internet, como aeroportos (Fonte: http://www.pt.wikipedia.org/wiki/Wi-Fi).

As cidades tecnológica, digital e inteligente, além da e-participação e das métricas, possuem aspectos importantes para a compreensão das expectativas geradas quando se fala da interação das cidades com a TI. Mas ainda há que se explorar uma última expressão da cidade, mencionada por Guerreiro (2006) e Silva (2004), a cibercidade. Silva (2004) explicitamente se refere a uma camada de ciberespaço aplicada sobre a cidade. Nas palavras de William Gibson, em seu romance Neuromancer, o ciberespaço é

Uma alucinação consensual experimentada diariamente por bilhões de operadores legítimos, em cada nação, por crianças aprendendo conceitos matemáticos [.] Uma representação gráfica de dados abstraídos de bancos de cada computador no sistema humano, Complexidade inimaginável. Linhas de luz organizadas no não-espaço da mente, blocos e constelações de dados. Como luzes da cidade, retrocedendo. (GIBSON, 1984, p. 34)14.

Lopes (2004, p. 9) destaca que ―As cibercidades nascem no contexto das novas tecnologias da informação e integram o campo da análise da interpretação do fenômeno da comunicação humana e social de onde emerge uma nova disciplina: a cibercultura‖, enquanto Lemos (2002, p. 7) salienta que as cibercidades atendem ―ao crescimento da insegurança social, a instalação de não lugares e ao fluxo comunicativo crescente, transformando-se em uma espécie de salvação das cidades reais‖.

Gibson (1984) enfatiza a relação entre homem e máquina dentro da sua rede

global de informação (―The Matrix”) na qual está localizado o ciberespaço. Lemos

(2004a) afirma que agora compreendemos que ―as cidades são artefatos que se desenvolvem sempre em relação às redes técnicas e sociais‖ (LEMOS, 2004a, p. 19) e

as cibercidades são formas de ―reestabelecer o espaço público, colocar em sinergia

diversas inteligências coletivas, ou mesmo reforçar laços comunitários (LEMOS, 2004a, p. 20). ―As cibercidades nascem no contexto das novas tecnologias da informação e integram o campo da análise da interpretação do fenômeno da comunicação humana e

social de onde emerge uma nova disciplina: a cibercultura‖ (LOPES, 2004, p. 9). André

Lemos (2002) salienta que as cibercidades atendem ―ao crescimento da insegurança

14 No original: Cyberspace. A consensual hallucination experienced daily by billions of legitimate operators, in every nation, by children being taught mathematical concepts [.] A graphic representation of data abstracted from the banks of every computer in the human system. Unthinkable complexity. Lines of light ranged in the non space of the mind, clusters and constellations of data. Like city lights, receding."(GIBSON, 1984, p. 34).

social, a instalação de não lugares e ao fluxo comunicativo crescente, transformando-se

em uma espécie de salvação das cidades reais‖ (LEMOS, 2002, p. 7).

Silva (2004, p. 6-13) lembra que a cibercidade – cidade digital, cidade virtual, município digital, cidade eletrônica, cidade inteligente e outros nomes – terá suas funções e especializações definidas pelos seus gestores, indutores e freqüentadores. Segundo o autor, a geografia dos trabalhadores se altera, quando o local de trabalho e a residência, ou qualquer outro espaço, pode ser o mesmo lugar. Elas são uma etapa da evolução urbana moderna que começa em 1820, com a cidade mercantil, passa pela cidade industrial, uma cidade de negócios e a cidade máquina da década de 1970 (LEMOS, 2004b, p. 3, 4).

Esse rápido trânsito pela cidade digital, denominação que será usada daqui em diante para referência ao resultado da aplicação da TI para criação de uma nova camada de inteligência cibernética sobre a cidade real e a disseminação de seu uso em benefício da população local e dos visitantes, mostra que há bastante interesse pelo assunto e variadas formas de abordá-lo.

Em seguida será apresentada a ANT que vai direcionar a extensão do modelo heurístico de inclusão digital e a construção da trajetória de Piraí em sua interação com a tecnologia da informação.

Os vários aspectos da cidade digital foram abordados a fim de compor um quadro conceitual do objeto de estudo. Desse modo, a cidade que se estuda fica caracterizada como um agregado de camadas sobre a cidade tradicional, física que frequentemente observamos.

In document Årsrapport (2014-2015) (sider 75-79)