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5   Sektor petroleum og energi

5.4   Mulige konsekvenser ved akutte utslipp fra petroleumsindustrien

5.4.4  Overlapp av olje og sjøfugl i åpent hav

Para falar sobre a fruição do espaço coletivo, acompanhemos Clarissa Dalloway, personagem do romance Mrs. Dalloway, de Virginia Wolf38, em seu passeio matinal pelo centro de Londres de 1925, em direção à loja de flores:

“Nos olhos das pessoas, no bulício, na pressa ou lentidão dos transeuntes; na algazarra e no fragor; carruagens, automóveis, autocarros, caminhões, homens-sanduíche aos tropeções ou de passo arrastado; realejo e fanfarras; no triunfo, no tinido ou na estranha melodia de um aeroplano lá no alto estava aquilo que ela amava: Londres, a vida, este momento de junho.”

Há um prazer tão grande na fruição do espaço público que vale a pena explorar um pouco do que está implícito no texto. Afinal, o que há no espaço público que o torna tão especial? Clarissa Dalloway começa a se sentir bem a partir do momento em que abre a porta da rua, sai de casa e respira o ar fresco da manhã. E depois, não é o bucolismo ou o verde ou o silêncio que a entretém. É o barulho da cidade, o movimento, pessoas diferentes que passam em ritmos diferentes. Assim, a fruição

individual é vivida no ambiente coletivo. E o ambiente coletivo é o ambiente do

outro, da alteridade, da diversidade.

A importância da diversidade já foi determinada no início da dissertação, quando se expôs a idéia da formação da identidade individual a partir do papel em coletividade. Nesse capítulo, em que se busca uma metodologia de análise sobre espaço público, vai-se tomar, portanto, a diversidade com um quesito a ser buscado no espaço.

Uma referência obrigatória sobre diversidade é novamente Jane Jacobs. Ela parte do uso profundamente pessoal da cidade e das observações da realidade que a cerca, numa Nova Iorque que está mudando totalmente, devido às grandes intervenções urbanísticas39 e à mentalidade do urbanismo moderno, que ela combate duramente.

Na descrição do papel dos espaços públicos, ela destaca o balé da sua vizinhança que acontece na calçada de seu quarteirão: ao longo do dia, os estabelecimentos comerciais vão sendo abertos, as pessoas se encontram, conversam, pedem favores. Crianças brincam, vigiadas pelos “olhos da rua”. Gente que está nos prédios participa da rua. Estranhos aparecem, interagem, pedem informações, passam.

39As intervenções em Nova Iorque foram conduzidas por Robert Moses, que esteve à frente das

grandes operações urbanas entre as décadas de 1940 e 1960 e que introduziram acessos viários à cidade e mudaram a feição urbana de algumas regiões.

Essa condição de urbanidade das calçadas não acontece em qualquer configuração. Ela depende da combinação de dois fatores; segurança e a possibilidade de contato. Jacobs valoriza justamente a possibilidade de pessoas que não se conhecem de maneira privada poderem conviver de alguma maneira nas ruas da cidade.

Segurança tem a ver com a “infraestrutura” para receber os estranhos sem ter medo deles:

Nítida separação entre o espaço público e o espaço privado. Mais

uma vez, esse conceito aparece. Os limites entre o público e o privado são importantes para a delimitação do espaço e dos papéis públicos. Nada de áreas mistas nos conjuntos habitacionais, que, segundo Jacobs atraem gente de fora sem criar condições de vigilância pelos moradores.

Os “olhos da rua”. A segurança é maior quando há gente olhando, seja nos

prédios, seja na calçada ou nas lojas. São os olhos da rua, que ela conta a partir dos incidentes locais. Prédios novos, altos e menos ligados à calçada, estão menos envolvidos com a segurança ou as questões da rua.

Trânsito ininterrupto de pessoas nas calçadas. Ruas vazias são mais

inseguras, geram situações de tensão. Calçadas (e parques) cheias aumentam a sensação de segurança.

Esse último é um conceito importante para esse trabalho, porque se liga à diversidade. Se é importante haver gente nos espaços públicos ao longo de um dia inteiro, essa presença só poderá acontecer se houver usos diferentes desse espaço para atrair pessoas diferentes. Cada grupo social tem suas rotinas e seus horários. Crianças saem para a escola em determinados horários, trabalhadores vão aos escritórios, pessoas fazem compras. Lojas abrem e fecham. À noite, bares atraem outros freqüentadores. O ponto da diversidade é que ela é um indicador da “saúde” da rua.

Jacobs detalha quais são os indutores da diversidade. Vale a pena listá-los, pois estão na base não só da diversidade, mas da própria vitalidade dos espaços públicos:

Usos combinados. É difícil só moradores ou só trabalhadores sustentarem

negócios. As lojas ficam abertas o dia todo e alguns grupos só aparecem em períodos curtos. Esse é um ponto importante na observação de espaços, em qualquer cidade. Em São Paulo, há várias ruas que abrigam apenas uma função, que provavelmente enfrentam esse tipo de problema. A Av. Berrini, por exemplo, tem trechos inteiros de escritórios sem residências nas imediações, o que gera um pico de movimento no comércio local em determinados horários e um vale após o fim do expediente. O oposto também acontece, em bairros que sofreram recente verticalização, como a Vila Leopoldina, por exemplo, onde há predominância de prédios residenciais (aliás, fechados para as ruas e ocupando quarteirões inteiros murados), o que provavelmente exemplifica a situação oposta em relação à dinâmica de ocupação das calçadas.

Em resumo, a atividade econômica é uma das indutoras da diversidade e é capaz de trazer pessoas diferentes, em horários diferentes, para as mesmas ruas e mesmas instalações e ainda em número proporcional em vários horários. Isso vale para bairros e os centros também. Quanto aos centros, Jacobs faz referência ao fato de que a própria denominação da área central, dada pelo urbanismo americano

Central Business District (CBD) já é uma indicação da falta de diversidade.

Quadras curtas. O ponto aqui é oferecer mais alternativas de trajetos aos

usuários e moradores e aumentar tráfego.

“Ruas frequentes não são um fim em si mesmas. Elas são um meio para um fim. Se esse fim – gerar diversidade e catalisar os planos de muitas pessoas além dos planejadores – for limitado por um zoneamento opressivo ou por construções padronizadas ... não se obterá nada de muito significativo com as quadras curtas” (JACOBS, 2009, p. 205).

Prédios antigos. A combinação de prédios antigos e novos permite ter

aluguéis baratos e caros numa mesma região, o que possibilita a coexistência de pessoas de diferentes faixas de renda num mesmo local. Se, ao contrário, todos os prédios forem novos, os locadores estarão todos buscando rentabilidade máxima no início de maturação de seus investimentos. Novamente, esse é o caso de algumas regiões da cidade de São Paulo. A nova Faria Lima, por exemplo, inserida na Operação Urbana Faria Lima. Nela, os escritórios novos e caros ocuparam todos os

espaços disponíveis, não deixando lugar para os menores, estes sim muitas vezes indutores de movimento de pedestre e demanda.

Concentração (densidade). Jacobs coloca a necessidade de uma densidade

mínima para poder sustentar a atividade econômica da região. Isso não significa buscar eficiência máxima na alocação dos recursos de uma cidade, até porque isso traria padronização. Quanto mais variedade melhor. Como remédio contra a alta ocupação do solo, a própria idéia de quadras menores dá conta do problema. “Quadras longas com alta ocupação do solo são opressivas. Ruas freqüentes, por serem aberturas entre as edificações, compensam o alto índice de ocupação do solo à volta delas.”