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5.3   Mulige konsekvenser ved dagens aktivitetsnivå

Alguns autores procuraram relacionar o usufruto do espaço à sua compreensão física. O raciocínio é que o ser humano tem maior facilidade de se relacionar com um espaço se ele for entendido, “lido”.

É justamente nesse terreno das percepções que se insere o clássico trabalho de Kevin Lynch, à frente de uma equipe do Joint Center for Urban Studies do MIT

(Massachussets Institute of Technology), que deu origem ao livro A imagem da cidade, publicado em 196035.

Segundo esse trabalho, as cidades precisam de organização para que seus habitantes as reconheçam e as decifrem. Tão mais confortável é a cidade quanto mais ela é reconhecível pelos seus habitantes. A forma das ruas, os pontos nodais, espaços públicos, comércio, todas essas variáveis servem como referências importantes para seus habitantes e apareceram nas descrições feitas aos pesquisadores.

Os componentes que compõe a imagem ambiental são a identidade,

estrutura e significado. Note-se que a organização do espaço não é um fim em si.

35 O estudo escolheu três cidades americanas, Boston, Jersey City e Los Angeles e é dividido em

duas partes. A primeira, um reconhecimento sistemático de campo por um “observador experimentado”. A segunda, entrevistas qualitativas, feitas com base num questionário não- estruturado, com cidadãos das três cidades.

Os entrevistados contaram seus trajetos pela cidade, descrevendo os pontos de interesse, as paradas e as grandes referências. O entrevistador deveria explorar as razões das escolhas e esclarecer as sensações em relação a cada referência. As entrevistas eram longas e chegavam a durar uma hora e meia cada.

Com esses “mapas perceptuais” em mãos, Lynch procurou sistematizar os padrões para analisar a maneira como as pessoas descrevem o espaço urbano. A primeira conclusão é a própria descrição dos elementos que são usados para dar a imagem da cidade: vias, limites, pontos nodais e marcos.

Nós precisamos de um ambiente que não seja simplesmente bem organizado, mas também poético e simbólico.

Lynch vai adiante e sugere que uma imagem bem definida da cidade pode causar uma sensação de segurança e, mais longe ainda, que um ambiente legível pode reforçar “a profundidade e a intensidade potenciais da experiência humana.”

Com relação à forma desses elementos, há uma conclusão que interessa diretamente a esse trabalho que são as “qualidades da forma”, ou colocadas de outra maneira, as questões que deveriam estar presentes nas preocupações de quem está planejando espaços urbanos36.

Essas qualidades da forma podem ter implicação direta na análise de espaços públicos, além de, como sugere Lynch, servirem para inspirar sugestões para os planejadores urbanos, como por exemplo, reforçar a singularidade dos espaços, a hierarquia visual das vias, a visibilidade dos limites dos bairros.

A leitura da forma da cidade também é objeto de estudo de Gordon Cullen. Sob o ponto de vista do pedestre, a paisagem se descortina aos poucos. Os princípios usados para a análise da paisagem urbana são três37: a visão, o espaço (a posição do

36As qualidades da forma, segundo Kevin Lynch, em A imagem da cidade, p. 117:

1. Singularidade ou clareza 2. Simplicidade da forma 3. Continuidade 4. Predomínio 5. Clareza de função 6. Diferenciação direcional 7. Alcance visual 8. Consciência do movimento 9. Séries temporais 10. Nomes e significados

Em outro livro, “Good City Form”, (apud Sun Alex, em O projeto da praça) Lynch preconiza as cinco dimensões dos “bons” ambientes:

1. Presença – direito de agir no espaço; 2. Uso e ação – habilidade de uso;

3. Apropriação – tomar posse, simbólica ou fisicamente; 4. Modificação – direito de alterar o espaço para facilitar o uso; 5. Disposição – possibilidade de se desfazer de um espaço público.

37 CULLEN, Gordon. Paisagem Urbana. Lisboa, Edições 70, data não conhecida (tradução a partir da

edição de 1984). Cullen, arquiteto e designer inglês, descreveu os princípios sensoriais que regem a percepção em relação à forma urbana. Suas conclusões foram publicadas inicialmente na revista

Architectural Review e posteriormente na obra Townscape, de 1961 transplantando a paisagem

Landscape, para a cidade – Town. O livro Paisagem Urbana explora a leitura da cidade a partir do ponto de vista do pedestre, oferecendo uma bela narrativa das caminhadas através de sequências de fotos e pontos de vista.

corpo no espaço ajuda a explicar sua reação ao espaço) e o conteúdo (tem a ver com as características do tecido urbano: cor, textura, escala, estilo, caráter, personalidade e unicidade).

A visão é o modo como aprendemos a maior parte da relação como ambiente urbano. O conceito-chave, como ele chama, é a visão serial. A visão serial explica como, através do avanço pela paisagem, vamos percebendo a relação entre os elementos e sua progressão.

O ponto de vista do pedestre e a mudança de perspectiva numa caminhada encontram paralelo na maneira como Olivier Mongin descreve o olhar do homem sobre a cidade:

“A prática do transeunte é a marcha, mas porque esta é uma experiência rente ao chão que exige lentidão e paciência, porque ela desconfia do olho que quer captar longe demais, alto demais. Caminhando, não se vê grande coisa, mas se muda de perspectivas incessantemente, como um pintor cubista que renuncia à perspectiva clássica.” (MONGIN, 2009, p. 62)

Esse conceito da visão serial tem uma aplicabilidade direta na análise dos espaços públicos. Ao se colocar no plano do pedestre e começar um passeio, começam a aparecer os elementos que definem a experiência da caminhada, como a relação com o entorno, por exemplo. Usando o conceito da visão serial, pode-se pode começar a entender por que uma caminhada ao longo de um muro contínuo gera menos reações emocionais que, por exemplo, uma calçada emoldurada por casas de alturas diferentes, vitrines, contrastes de cores e planos.