Especificamente com relação à distribuição do tempo e do espaço, Zabala (1998) mostra que estas duas variáveis têm uma influência crucial na determinação de diferentes formas de intervenção pedagógica, pois são condicionantes que transmitem a sensação de segurança e ordem, bem como estabelecem valores estéticos, de saúde, entre outros aspectos que revelam o ritmo temporal em um espaço concreto de formação.
A distribuição do tempo para Zabala (1998) seria resultado e consequência de decisões tomadas em relação a outras variáveis, como a sequência didática, tipo de atividade, organização de conteúdos, entre outras, possuindo, ainda, um papel decisivo na configuração das propostas metodológicas. Para o autor, a não ser que a tarefa educativa do professor se limite à exposição de conteúdo, ao estudo ou à realização de exercícios individuais padronizados, em que o fator tempo pouco importa, a estruturação horária deve ser ampliada, sobretudo, para uma atuação consequente com a maneira como se produzem as aprendizagens. Nesse sentido, atividades como debates, trabalhos em grupo, de motivação e de desencadeamento de sequências didáticas condicionam o interesse e a atenção dos alunos e devem ser dados os tempos adequados para que atendam às necessidades educacionais. No entanto, chama a atenção o autor, no sentido de que o ritmo da escola e da coletividade não pode se deixar levar pela improvisação, cujo planejamento deve prever horários que podem variar conforme as atividades.
No que se refere ao papel do espaço, Zabala (1998) relata que, entre outras variáveis do ensino, notadamente, a estrutura física das escolas é o que mais perdura no
tempo, uma vez que unidades espaciais das salas de aula se situam próximas e unidas por corredores, que podem variar de tamanho e envergadura, mas que possuem similaridades entre si internamente, sendo que o conjunto de cadeiras e mesas, alinhadas e defronte o quadro e para a mesa do professor permanece na grande maioria delas, fruto da tradição histórica de ensino centrado nos conteúdos factuais e conceituais.8 Segundo o autor, o espaço começa a ser um problema quando o protagonismo do ensino faz com que o professor se desloque em direção ao aluno, cujo centro da atenção não é mais o quadro e passa a ser o que acontece no campo dos alunos, modificando consideravelmente o cenário e adquirindo elementos que configuram o meio físico do aluno. Dessa forma, o estado de ânimo, o interesse e a motivação passam a receber influência do espaço físico da escola, surgindo a necessidade de se criar um ambiente de convivência que favoreça a aprendizagem e, ao mesmo tempo, modifique as características dos conteúdos a serem trabalhados.
Para Melatti (2004), a arquitetura tem uma contribuição fundamental na concepção do domínio dos espaços e sobre influência dos materiais que compõem o ambiente escolar. Para a autora, salas fechadas, mal ventiladas, janelas altas, não prosperam na arquitetura moderna das escolas, que exige novas formas de intervenção que atendam às necessidades do aprendizado. Espaços amplos, abertos e sem obstáculos e salas de aula com piso no mesmo nível do professor, ao contrário do que era projetado nas estruturas do passado, deixam o aluno mais tranquilo e facilitam a movimentação e a interação dos sujeitos.
O dimensionamento dos espaços escolares foi estudado por Neufert (1998), que analisou a estatura de mais de 15.000 estudantes e definiu parâmetros para formas e tamanhos adequados de instalações e mobiliário para salas de aula. Assim, o autor dimensiona o espaço necessário para uma sala de aula, uma superfície de construção de 20 a 25 m² e a superfície de aula, conforme as normas gerais, ≥ 1,5 m² por aluno, mas de preferência entre 2 e 6 m². Já a parede principal de iluminação deve ficar sem pilares exteriores e com o menor número possível de apoios intermediários para conseguir a iluminação uniforme do local, com anteparos, abaixo de 60 a 80 cm (altura das mesas e carteiras) e janelas até o teto, sendo recomendado o uso de prismas refratores de vidro, persianas e outros dispositivos difusores de
8 O ensino dos conteúdos conceituais e factuais caracterizava-se pelo uso de exposições gerais para todo um
grupo de alunos que, em função das finalidades da educação, podia ser bastante numeroso, de forma que todos pudessem receber facilmente as exposições e instruções do ensino, além de ser um dispositivo que auxiliava a manter a ordem (ZABALA, 1998, p. 131).
luz que tornam a iluminação mais uniforme. Para o autor, considera-se como normal uma superfície da aula para 45 alunos, a medida de 6 x 9m, o que corresponde a 54 m².
Melatti (2004) relata que existem instalações escolares com uma diversidade de tipos de iluminação, com sentido transversal para as cadeiras, deixando sombra para os alunos, prejudicando a visibilidade. Segundo a autora, a iluminação deveria acompanhar o sentido das cadeiras, facilitando a visão tanto do quadro quando do material de leitura. Para Neufert (1998), a iluminação elétrica deve considerar a luz direta ligeiramente difundida, ou luz fluorescente, podendo os quadros ter luz própria, não sendo recomendável, ainda, a luz indireta devido à pobreza das sombras.
O Manual de Ambientes Didáticos para Graduação (ALVES, 2011), que faz parte do Programa de Recuperação de Espaços Didáticos e visa à recuperação de infraestrutura de espaços destinados ao ensino de graduação das unidades de ensino que compõem a Universidade de São Paulo, trouxe algumas dimensões de espaço que contribuem para o aprendizado. O referido manual apresenta como um espaço considerado agradável para circulação entre carteiras cerca de 0,60 m, conforme ilustrado na Figura 3.3.
Figura 3.3 – Espaço de circulação entre carteiras considerado ideal para salas de aula
Fonte: Alves (2011)
Quanto à distância que os alunos ficam do professor, cuja posição geralmente é focada na parte frontal da sala de aula, junto à lousa onde são feitas exposições, o Manual de Ambientes Didáticos para Graduação indica que um bom desempenho nas atividades didáticas é obtido nos espaços em que a distância mínima entre a lousa e a primeira carteira
seja de 2,60 m, compreendendo a mesa do professor e o espaço de circulação à sua volta, conforme Figura 3.4. Já se for considerada apenas a distância da mesa do professor para a primeira carteira, o espaço diminui para 0,65 m. Esse “território” do professor significa um espaço exclusivo que ele tem para se comunicar com os alunos e apresentar a sua prática docente, mesmo que ele se desloque de vez em quando por entre as carteiras, quando esse espaço é disponível.
Figura 3.4 – Distância entre a lousa e a primeira carteira considerada adequada para uma sala de aula - 2011
Fonte: Alves (2011)
Em relação à ventilação, Melatti (2004) aponta que o estilo arquitetônico do sistema sala-corredor-sala, em escolas onde as portas não ficam frente a frente, sob o pretexto de que se afeta a concentração dos alunos, prejudicam a passagem do ar, sendo o ideal que essas salas dessem para pátios internos ou externos para facilitar a absorção da claridade e proporcionar um ambiente mais arejado. Segundo Neufert (1998), as janelas de ventilação devem ter dimensões tais que permitam a rápida circulação do ar sem arrefecimento importante das paredes, cuja ventilação lateral sem tiragens forçadas é a mais conveniente e com a cubicação normal das salas, a 6 m³ por aluno, onde o ar deve ser renovado de três a cinco vezes por hora.
Finalmente, um cuidado especial em relação à estrutura física das salas de aula diz respeito à acústica. Melatti (2004) descreve como um problema o acúmulo de sons, mistura de falas e ecos, devido a salas grandes com poucos alunos ou mal dimensionados, agravados por barulhos de ventiladores ou ar condicionado, que prejudicam a inteligibilidade dos ouvintes.