São reuniões entre gestores de diferentes departamentos e eles fazem encontros anuais, participam diretores, gestores e pessoas que não tem cargo de gerência, mas gerenciam.
Campanha Motivacional Interna
Em 2008 fizemos uma campanha de motivação para funcionários – eles ganharam camisetas, cartazes, banners com fotos deles. Quando eles chegavam eram abordados por pessoas tirando fotos e pedindo autógrafos. Quando chegavam ao local de trabalho tinham bilhetes escritos: Você se sentiu uma estrela? Pois você é a estrela da Empresa que leva à independência. Acabou sendo uma campanha cara, por isso, não repetimos agora.
Quadro 36: Ações de comunicação/informação apresentadas pelos gestores da emissora 1 Fonte: Elaborado pela autora
As ações sistematizadas de comunicação da empresa são ainda em menor número do que os veículos. As reuniões de gestores são as únicas adotadas no grupo 1 como um todo pelo que descrevem os entrevistados. E mesmo assim, na Emissora 1, o gestor operacional já apontou uma diminuição na freqüência delas. Ele foi o último a ser entrevistado, talvez isso explique a diferença que se estabeleceu entre a informação que prestou e a dos demais gestores. A iniciativa dessas reuniões vai ao encontro da recomendação de Jornet (2006) quanto à importância de interação entre departamentos para que haja compreensão e respeito mútuo em relação às atribuições de cada um. Contudo é fundamental que não se restrinjam somente a conteúdos administrativos, os quais poderiam ser solucionados por outros meios que despendessem menos tempo. Devem ser gerenciadas para permitirem a ampliação das reflexões e conversações, dentro de uma periodicidade adequada.
De qualquer forma o comitê está ligado ao corpo gestor, não sistematiza ações de aproximação em relação aos colaboradores, seja dos departamentos na emissora ou mesmo no grupo. E notadamente uma das poucas ações de comunicação que envolveram todo o grupo foi muito mais motivacional e pontual, que é o caso da campanha citada. A adoção de ações pontuais, por melhores que sejam, não é suficiente para integrar e a falta de continuidade vai minando a credibilidade das ações que, porventura, surjam depois. Daí a importância, já afirmada por Kunsch (2008a), quanto ao planejamento e à gestão de comunicação, adaptando
às ações ao orçamento disponível na empresa para garantir ações permanentes que reforcem o compromisso do grupo com a comunicação e com as pessoas.
Também não há ações de integração da rede de jornalismo no grupo 1, ou seja, da redação de Maringá com a de outras afiliadas do Estado, exceto quanto ao workshop citado pelo diretor 1. Esse tipo de ação pode fortalecer a identidade das áreas de jornalismo na empresa e até melhorar o entendimento da direção do grupo com as áreas de jornalismo, desde que sigam certa periodicidade e permitam participação presencial dos jornalistas das praças. O evento ainda não pode ser considerado uma ação sistematizada porque não foi referenciado pelo gestor do jornalismo, tampouco pelos colaboradores, e teve uma única edição.
Aliás, é curioso o olhar do diretor 1 para a necessidade de que o jornalista deixe de ser o “justiceiro”, termo usado por ele, e que pareceu à pesquisadora estar relacionado a uma das características marcantes do ethos jornalístico, que é o de ser “guardião dos cidadãos” (TRAQUINA, 2005a), função defendida pelos jornalistas. Por motivos já explicados, não se obteve outras opiniões sobre esse evento. Encontrou-se somente uma referência quanto a ele em uma edição do jornal interno da empresa, cujas informações demonstram que o encontro, chamado “Os desafios da notícia”, foi dedicado ao debate sobre coberturas jornalísticas.
Em suma, a única ação sistematizada que envolve líderes e liderados está dentro da redação e não é uma iniciativa da empresa, mas do próprio chefe de redação, logo, pode ser extinta caso ele se desligue da empresa ou da redação. Trata-se dos Fóruns de Discussão, que também estão em fase inicial. O chefe de redação 1 falou sobre a origem da idéia:
Não foi algo que eu criei, estou aproveitando essa idéia. A gente vivenciava isso na [empresa em que trabalhou], mas lá era mais Curitiba levando e tocando o barco, um coordenador cuidando do fórum. Daí aqui não, aqui eu quero mesmo que cada um leve uma informação para o fórum, veja uma reportagem legal e leve para discutir. No primeiro falei sobre se reinventar para ser criativo. O próximo Fórum, eu quero ver se o produtor pode fazer. No outro, quero ver se o editor traz a esposa dele para falar de fonoaudiologia, sobre a importância da voz, que é algo extremamente ligado ao dia a dia, um outro, quero ver se o repórter faz. entende? Então, começar a estimulá-los, para buscar essa troca de experiências, até quem sabe alguém tem a iniciativa de dizer para mim: “olha o jeito que você faz isso ou faz aquilo eu não acho legal, sabe?” Por que não eu receber uma informação como essa, que é importante para mim também? Então, a busca é essa e não é aquela coisa do chefe em pé e o resto sentado, são todos, não tem imposição, nem hierarquia, é uma troca mesmo. (Informação oral de chefe de redação 1)
Esse gestor ainda explicou detalhadamente à pesquisadora o funcionamento dos fóruns:
[...] no primeiro eu falei sobre o que é reinventar-se, principalmente, em TV, naquelas reportagens: Páscoa, Natal. Todos têm capacidade de ser criativos, o que é a criatividade, né? Seria atitude, conhecimento, imaginação e avaliação. Se ela não tiver atitude não terá criatividade, ela precisa de atitude... Eu hoje vejo o repórter como um garimpeiro porque chega água, barro, pedra, ouro, e hoje o público quer o ouro, a jóia. Então, se a gente não souber tratar essa informação, aprofundá-la, tratar de maneira diferente, pra levar algo a mais para o público, ele vai trocar de canal porque é a mesmice e, a mesmice pela mesmice, ele vai ficar com que ele está acostumado. A gente deve fazer a diferença para ele assistir, achar legal e voltar. Assistiu hoje, achou legal, amanhã “nossa mais uma informação diferente”, e aí ele liga todo dia. E é isso que a gente vai discutir hoje aqui: os atributos desejados para um programa de jornalismo e entretenimento: que ele seja companheiro e emotivo, quente e vibrante, simpático, parceiro e leal, defensor e íntimo, por que íntimo? Para ele se sentir... porque a TV sempre invadiu a casa das pessoas. Acessível e amigo. Acessível como? Através da interatividade. Qual é o nosso público? É o C, D, E, a gente belisca o A, B, mas o foco é aquele. Como vamos beliscar esse público? Ser participativo e acessível pelo telefone, pelo e-mail, pela ligação, colocar ele ao vivo para dar opinião sobre a reportagem. Muitas vezes, o âncora deixa de dar a opinião dele, para liberar a linha. [...]
Sempre temos a honestidade com o telespectador. Aconteceu um problema no ar, vamos falar para o telespectador porque aconteceu. Ele não quer mais ser enganado. Você vê que o Bonner está mais participativo com os repórteres. Quando acontece alguma coisa, ele diz: “oh tivemos um problema, fulano não conseguiu entrar ao vivo”. O ponto dele está incomodando, eu já vi ele tirando e dizendo: “oh esse é o ponto que a gente usa para escutar tal coisa, ele tá com problema, tá me incomodando”. É uma satisfação para o telespectador. O telespectador não é bobo mais, ele percebe tudo isso.
A gente usa essa sinceridade. Esses dias, o apresentador falou que a poltrona estava com xixi de cachorro, e eu falei pelo ponto para ele mostrar a poltrona e explicar porque tinha xixi de cachorro. O programa ficou divertido, então, é essa busca, uma forma que a gente está vendo, e o apresentador tem esse carisma, ele é simpático. Quando cheguei à TV e conversei com ele, tentamos pegar esse rumo, mostrar isso no ar, ser simpático e conquistar o público, a ponto de a senhora dizer: “nossa, imagine se esse cara fosse meu filho”, “nossa queria que ele fosse meu genro”. Enfim, esse contato mesmo, que faz entrar na TV, ser emotiva.
Hoje o programa jornalístico, nessa versão popular, ele não quer ser apelativo. Ele tem que ter apelo, mas sem ser apelativo; ele tem que ser popular, mas não pode ser popularesco. Então essa busca... e o fio é muito tênue. (Informação oral de chefe de redação 1)
Esse gestor apresenta de forma clara os desafios do processo de gestão da informação que o jornalista realiza em seu trabalho diário, despertando para a necessidade de que o processo de produção seja tratado dentro dos departamentos de jornalismo e enfatiza o compromisso com o telespectador. O próprio Jornet (2006) destaca que
[...] las reuniones productivas crean una identidad para el equipo de trabajo, ofrecen un ámbito donde se pueden comentar los progresos del grupo, brindan una oportunidad para generar soluciones creativas, fomentan el compromiso com las decisiones, alientan un espíritu de colaboración y fijan un rumbo26. (p.151)
Portanto, trata-se de uma integração e ao mesmo tempo um processo de trocas de informação, conhecimento e aprendizado que podem ser estimulados pela comunicação interna.
4.4.9 Ações de comunicação/informação utilizadas pelos colaboradores na emissora 1
Embora existam menos ações sistematizadas na empresa do que veículos, as primeiras são estratégias mais democráticas porque todos os respondentes apontaram pelo menos uma ação utilizada e a maioria (sete) marcou pelo menos duas. Dentre elas, o quadro mostra as que receberam maior destaque.