O behaviorismo, corrente teórica iniciada com os estudos de Ivan Pavlov, é a teoria da aprendizagem segundo a qual todos os comportamentos são fruto de condicionamentos que ocorrem em interação com o ambiente. De acordo com esta teoria, o comportamento pode ser estudado de forma sistemática e observável, sem, no entanto, serem tidos em consideração os estados mentais. Os primeiros seguidores desta corrente teórica pretendiam explicar que toda a aprendizagem era resultado de condicionamentos.
Tendo por base a sua experiência realizada com cães, Pavlov (2003 [1927]) formulou uma teoria sistemática do comportamento (Teoria do Condicionamento Clássico), segundo a qual uma resposta acontece sempre que ocorre um estímulo. Para o autor distinguem-se três tipos de estímulos e de respostas mas, de um modo geral, um estímulo é um incentivo que atua sobre o ser humano provocando uma reação. Porém, as respostas não necessitam de ser aprendidas, uma vez que perante um determinado estímulo, o ser humano responde de determinada maneira, de uma forma não aprendida, ou seja, de forma incondicionada. Os estímulos que as provocam são designados por estímulos incondicionados já que involuntária e independentemente conduzem a uma determinada reação. Existem ainda estímulos que não produzem qualquer resposta, sendo por esse motivo considerados estímulos neutros. Ao associar frequentemente estímulos neutros com estímulos incondicionados é possível obter uma resposta, ocorrendo, por conseguinte, um condicionamento, ou seja, a aprendizagem. Um estímulo neutro dá assim origem a um estímulo condicionado e a resposta passa a ser condicionada, ou seja, é aprendida. Esta teoria pode ser aplicada à aprendizagem do ser humano, visto que o processo de condicionamento constitui um ato de aprendizagem, especialmente durante a infância. Assim, de acordo com esta teoria, todo o comportamento
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humano, incluindo a aquisição de um idioma, pode ser explicado por este condicionamento, uma vez que a criança ao ser exposta a determinado estímulo, reagirá de determinada forma, e fornecerá uma resposta que lhe permitirá aprender.
Thorndike (2012 [1911]) associou o comportamento a reflexos físicos e defendeu que os estímulos que ocorrem depois de um determinado comportamento têm influência no futuro tornando-se, por isso, importante que a ação conduza ao êxito. A sua teoria da aprendizagem centra-se em três leis principais (Efeito, Exercício e Maturação), segundo as quais se um comportamento for seguido por uma recompensa, a probabilidade de voltar a acontecer aumenta; se for seguido por uma punição a sua viabilidade, diminui. A segunda lei está associada à relação entre estímulo e resposta, ou seja, a frequência com que esta relação ocorre torna-a mais ou menos forte. No que respeita esta lei, como é referido por Tavares et
al. (2007), Thorndike esclareceu que a repetição de um comportamento por si só não conduz
à aprendizagem, pois para que isso aconteça tem de ser acompanhada de resultados positivos, ou seja, só acontece se a criança for recompensada pela resposta e pelo resultado positivo que teve. Ao ser recompensada, a criança quererá repetir a experiência, levando-a a aprender. Segundo a Lei da Maturação, para que a criança possa ser devidamente preparada para a aprendizagem, os currículos escolares devem estar adaptados às suas reais necessidades, assim como ao seu desenvolvimento físico e intelectual. De acordo com a teoria e as experiências de Thorndike, um aluno deve ser previamente motivado para poder atingir o objetivo, ou seja, a aprendizagem. Quando o aluno é confrontado com uma situação diferente, é importante que mostre interesse em ultrapassar esse obstáculo, mesmo que para isso comece por utilizar movimentos sem objetivos concretos, de forma a reduzir a tensão provocada pela necessidade. Assim que um dos movimentos conduz ao objetivo, a tensão é reduzida e a atividade teve êxito e, consequentemente, a aprendizagem ocorreu. Esta fase designa-se de aprendizagem por ensaio-erro que, para Thorndike, precede toda a aprendizagem.
Para Skinner, a aprendizagem é o resultado do ambiente em que o indivíduo se insere, mais do que da sua estrutura genética, aspeto que o levou a ser fortemente criticado. À teoria do condicionamento clássico de Pavlov, Skinner adicionou-lhe dois novos conceitos: os operantes e o reforço. De acordo com a sua teoria, uma resposta individual a um estímulo produz determinados resultados, embora a resposta esteja condicionada pelo tipo de reforço (Lei do Efeito de Thorndike) fornecido: se o reforço for positivo (existência de recompensa), a probabilidade de resposta é maior, mas se o reforço for negativo, havendo lugar a uma punição, então a probabilidade de resposta é menor. Segundo Skinner (1989): “[i]n a behavioural analysis, contingencies of reinforcement change the way we respond to stimuli. It is a changed person, not a memory that has been «stored»” (16). Desta forma, a criança aprende não só por estímulos, como também através do sistema de recompensas e punições, apesar de ser necessário ter presente que as punições nem sempre originam aprendizagem,
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ocorrendo, na maioria dos casos, uma não-aprendizagem. Aplicando esta teoria ao ensino de línguas, a língua passa a ser encarada como um comportamento a ser ensinado, ou seja, quando apresentamos uma nova estrutura ou um novo tema aos alunos que seja do seu interesse, este funcionará como um estímulo ao qual os alunos irão responder através da repetição, por exemplo. Para o processo de aprendizagem, Skinner propunha que o professor deveria tornar claro o que está a ensinar e que os alunos deveriam resolver as tarefas de forma progressiva respeitando o seu ritmo. O reforço positivo das aprendizagens e progressões do aluno deve ser uma prática recorrente no ensino das línguas estrangeiras. Se nos centrarmos na aprendizagem da língua inglesa, em especial nos primeiros anos de aprendizagem, reforços como Well Done ou Great Job são muito importantes para aumentar os níveis motivacionais dos alunos.
De uma forma geral, os behavioristas não têm em conta a estrutura cognitiva dos alunos. O mais importante para a aprendizagem é o estímulo, a resposta a esse mesmo estímulo e o reforço, de preferência positivo, a essa mesma resposta. Porém, o facto de não se debruçarem sobre estados de espírito, pensamentos, sentimentos e aprendizagens que se processam sem recorrer a reforços, assim como não entenderem o ser humano como capaz de adaptar o seu comportamento quando uma nova informação lhe é apresentada, mesmo que anteriormente um padrão de comportamento não tenha sido estabelecido através de um reforço, levaram esta teoria a ser criticada. Em resposta a esta corrente, surgiram várias teorias no âmbito da Corrente Cognitivista.