1. Introduction
1.8 Outline of the Thesis
A essas perguntas de pesquisa atrelamos as seguintes hipóteses que serviram como concepções iniciais e foram comentados de acordo com os resultados obtidos em nossas análises:
a) Após dois anos de estudo, o desempenho nas habilidades de compreensão e produção oral dos alunos presenciais e a distância terão mudado de nível em relação ao nível do pré-teste detectado no início da pesquisa.
b) Após dois anos de estudo, o desempenho nas habilidades de compreensão e produção escrita dos alunos presenciais e a distância terão mudado de nível em relação ao nível do pré-teste detectado no início da pesquisa.
c) Os futuros professores de inglês, graduandos da modalidade a distância, apresentam desempenho nas habilidades orais inferior aos alunos da modalidade presencial.
d) No entanto, o nível de desempenho nas habilidades escritas entre os dois grupos não apresentará grande diferença.
e) A modalidade presencial mostrar-se-á mais eficaz no desenvolvimento de todas as habilidades.
1.3 Objetivos
De um modo geral, a pesquisa objetivou analisar a aprendizagem da língua inglesa por professores em formação nas modalidades de ensino presencial e a distância, a partir de uma avaliação qualiquantitativa de suas habilidades orais e escritas.
Especificamente, conduzimos a pesquisa em busca de cumprir os seguintes objetivos:
a) Analisar, de forma qualiquantitativa, o desenvolvimento das habilidades orais (compreensão e produção oral) em inglês de alunos de cursos de Letras nas modalidades presencial e a distância;
b) Analisar, de forma qualiquantitativa, o desenvolvimento das habilidades escritas (compreensão e produção escrita) em inglês de alunos de cursos de Letras nas modalidades presencial e a distância;
c) Identificar se os futuros professores de inglês, nas duas modalidades, desenvolvem as habilidades orais e escritas na língua inglesa em níveis equivalentes;
d) Evidenciar que tipo de modalidade, presencial ou a distância, mostra-se mais eficaz no desenvolvimento de um ou outro tipo de habilidade na língua estrangeira.
1.4 Justificativa
O Ensino a distância no Brasil já se constitui uma realidade vivenciada principalmente por instituições de ensino superior. O intuito de expandir o acesso à
universidade e o programa de formação de professores do Governo Federal respondem pela alavancada dessa modalidade em nosso país. Vários são os cursos ofertados (em 2005, de acordo com dados do ENADE, haviam sido ofertados no Brasil cursos a distância de Administração, Biologia, Ciências Contábeis, Ciências Sociais, Filosofia, Física, Formação de Professores, Geografia, História, Letras, Matemática, Pedagogia e Turismo) que proporcionam um vasto leque de opções para os alunos que pretendem ingressar em um curso universitário e que veem na modalidade a distância a solução para alguns problemas que os impossibilitam de tentar o ingresso em um curso presencial.
Contudo, como apresenta Vianney (2008), a comparação entre as modalidades de ensino presencial e a distância ainda é um assunto inevitável diante de muitos fatores que influenciam a educação a distância no Brasil. O ceticismo em relação à eficácia do ensino a distância, a pouca estrutura de fornecimento de materiais virtuais ou impressos, assim como a precariedade física de instalações educacionais em algumas pequenas cidades do interior do Brasil contribuem para que ambas as modalidades de ensino sejam comparadas.
Ainda segundo Vianney (2008), apesar de o Ministério da Educação ter optado por um modelo metodológico semipresencial (B-learning6
), em detrimento do modelo caracterizado pelo uso intensivo de tecnologias da informação e da comunicação (U-learning7
), um estudo comparativo realizado pelo INEP (Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais), sobre os resultados do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (ENADE) dos anos de 2005 e 2006, apresentou um desempenho superior dos alunos matriculados nos primeiros semestres de cursos de graduação a distância em nove das treze áreas avaliadas em relação aos alunos de cursos presenciais equivalentes. Dentre os alunos matriculados nas fases finais dos cursos, os do ensino a distância se sobressaíram em comparação com aqueles do ensino presencial, em sete dos treze cursos avaliados.
Ristoff (2007), diretor de avaliação e estatísticas do ensino superior do INEP, idealizador da pesquisa, conjectura a respeito dos fatores que possam ter contribuído para tal desempenho. Dentre as hipóteses favoráveis ao ensino a distância estão: a exigência de autonomia e disciplina nos estudos; o uso de conteúdos de aprendizagem previamente
6 B-learning (blended learning = aprendizagem mista) é um sistema de ensino e aprendizagem que inclui aulas
presenciais e aulas não presenciais, essas suportadas por tecnologia (E-learning = aprendizagem eletrônica).
7 U-learning (ubiquitous learning = aprendizagem onipresente, ubíquo) = aprendizagem em todo lugar, a qualquer
estruturados e organizados didaticamente; e um possível alinhamento entre os conteúdos curriculares utilizados no ensino a distância com as diretrizes curriculares nacionais utilizadas como base para o planejamento das provas do ENADE. Além dessas variáveis hipotéticas, Ristoff (2007:37) acredita que:
(...) os diferentes métodos ou modelos utilizados na EAD e as estratégias para o uso de distintas tecnologias na modalidade podem também ser investigados para verificar se são observadas discrepâncias ou não na aprendizagem aferida.
O curso de Letras, graduação alvo nesta pesquisa, não figurou entre aqueles em que os alunos a distância obtiveram maior êxito. De acordo com o levantamento, os alunos de Letras de início de curso presencial conseguiram média 34,0 (trinta e quatro), enquanto que os alunos do ensino a distância conseguiram 33,0 (trinta e três). Com os alunos ingressantes e concludentes a média dos presenciais foi de 35,7 (trinta e cinco vírgula sete) enquanto que dos alunos a distância ficou em 33,1 (trinta e três vírgula um). Deve-se salientar que, nesse estudo, os alunos de Letras não foram divididos entre aqueles que cursam uma graduação em língua estrangeira e os que cursam graduação em língua portuguesa.
O panorama traçado com essa pesquisa levou à proposta de um estudo mais aprofundado sobre formação de professores de inglês nas modalidades de ensino presencial e a distância. A proposta de um estudo desse tipo tem ainda mais relevância quando consideramos que a aprendizagem de uma língua estrangeira com o objetivo de formar professores dessa língua deva elevar a complexidade da graduação, tanto na modalidade presencial como na modalidade a distância.
A revisão dos trabalhos apresentada na problematização permitiu-nos constatar que, apesar de muitos e relevantes, a maioria dos estudos procurou averiguar o desenvolvimento de uma ou de outra habilidade linguística em um idioma estrangeiro. Nenhum deles, porém, fez o que esta pesquisa se propôs a fazer: avaliar o desenvolvimento das quatro habilidades linguísticas de aprendizes de inglês como língua estrangeira que usam o computador como material didático. Os resultados obtidos neste estudo contribuirão, certamente, com o que já se pesquisou e descobriu a respeito da potencialidade da tecnologia digital na aprendizagem de uma segunda língua, mais especificamente, com os estudos em CALL (Aprendizagem de Línguas Assistida pelo Computador). Essa contribuição estende-se também à área mais abrangente de estudos de aquisição de segunda língua e, consequentemente, à Linguística Aplicada.
Também, a inclusão de participantes de um curso presencial de formação de professores de línguas proporcionará a comparação entre o desenvolvimento de habilidades linguísticas de aprendizes em dois ambientes distintos de aprendizagem – presencial e a distância. Estudos que avaliam a aquisição e o ganho de desempenho em habilidades têm demonstrado um relativo sucesso de alunos que usam ferramentas tecnológicas. Contudo, ainda não se procurou comparar ganhos de desempenho nas quatro habilidades linguísticas de aprendizes de língua estrangeira em situação presencial e a distância. Estudos de natureza como a que se propõe aqui, tendo como parâmetro a modalidade presencial de ensino, devem auxiliar em conclusões mais generalizáveis em relação ao desenvolvimento de habilidades linguísticas de alunos do ensino a distância, mais um hiato que pode ter sido preenchido com os resultados desta pesquisa; o que com certeza aprofundou o conhecimento sobre a Educação a Distância.
Tem-se, portanto, uma pesquisa que iniciou um estudo diagnóstico sobre o processo de desenvolvimento das habilidades linguísticas de professores de línguas estrangeiras em formação na modalidade a distância uma vez que, ao se avaliar o produto de um curso (o desenvolvimento da proficiência do aluno), pode-se observar todo o processo pelo qual esse indivíduo passou e, assim, identificar pontos positivos e negativos a serem melhorados na graduação não presencial.
Vislumbra-se, desse modo, a perspectiva de aplicação dos resultados desta pesquisa ao desenvolvimento de materiais didáticos para aprendizagem mediada por computador e online, à compreensão do processo de ensino e aprendizagem de línguas a distância e ao aperfeiçoamento da formação de professores de línguas em cursos de Letras, nas modalidades presencial e a distância.