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As investigações de campo feitas permitiram expandir o entendimento sobre

internacionalização inward ao desenvolver a literatura com o estudo de um novo

contexto. A resposta à pergunta de pesquisa aqui proposta (Como ocorre a

internacionalização inward de gestores de recursos?) pôde ser construída ao

complementar a teoria com elementos necessários para melhor fundamentar os

conceitos já existentes (WELCH; LUOSTARINEN, 1993; BEAMISH, 1990, apud

COVIELLO; MUNRO, 1997). Em resumo, tais operações de internacionalização

ocorrem por meio de parcerias de longo prazo, caracterizadas por

comprometimento, confiança e credibilidade. São movimentos relacionados a ativos

com baixa liquidez, sem mercado interno e que demandam amplo suprimento de

recursos das fontes provedoras, no caso internacionais.

O conteúdo apresentado por este trabalho está embasado em metodologia

qualitativa, construída por meio de investigação de natureza exploratória e descritiva

de um conjunto de entrevistas feitas com o maior número de agentes com os quais

foi possível contato (HALINEN; TÖRNROOS, 2005). Depois de analisados os

diversos agentes do mercado por meio de pesquisa documental, foram selecionados

aqueles capazes de dar à pesquisa condições de configurar novos parâmetros,

inclusive com adaptações de outros modelos. Um levantamento com o perfil e as

principais características de cada gestor foi elaborado, a fim de apresentar um breve

panorama do mercado abordado e seus agentes. Neste contexto é que foram feitas

as entrevistas semi-estruturadas, de onde surgiram os diversos achados acima

apresentados.

Em termos de implicações teóricas, é possível verificar expansão da

compreensão de operações e condicionantes de movimentos inward. Para esta

compreensão, o paralelo construído com o que já estudado sobre

internacionalização inward se dá no momento em que tais movimentos são

analogamente vistos como uma espécie de "importação de capital".

Assim, este é o modo como os gestores de recursos se direcionam ao

mercado internacional em busca de recursos para ativos ilíquidos. Pela pesquisa

qualitativa realizada, são poucos os agentes que conseguem concretizar estes

movimentos e também são bem poucos os que tentam realizá-lo. São ações que

ocorrem em longo prazo, que se delongam tanto na estruturação, quanto no

acompanhamento ou pós-venda. Trata-se de movimentos específicos que são

direcionados ao exterior porque é em mercados internacionais que estão

investidores com o necessário nível de sofisticação para aceitar os volumes de

recursos e os padrões de risco/retorno destes ativos.

Sob a ótica gerencial, o trabalho tem sua contribuição quando mostra em

suas análises uma estrutura de sustentação que pode ser usada como base para a

efetivação dos movimentos de captação de recursos direcionados a mercados

internacionais. Conforme Vermeulen (2007), observar que a pesquisa tem

relevância, dado que organiza conhecimentos úteis aos participantes do mercado na

compreensão de suas próprias realidades organizacionais, especialmente por se

tratarem de variáveis que estão sob controle. O primeiro pilar de sustentação

observado desta estrutura é a necessidade de se ter no desenho do planejamento

de longo prazo da empresa o objetivo de estar presente em mercados

internacionais, dado que se trata de um ciclo de vida que precisa ser modelado. A

presença internacional vai ter suas bases também em um segundo pilar: maior

complexidade dos produtos de investimentos desenvolvidos pelos agentes. Como os

resultados apontam, existe um processo de aprendizagem do gestor em termos de

evolução de desenvolvimento de produtos mais simples para produtos mais

sofisticados, os quais necessariamente internacionais. E para qualquer gestor ser

capaz de desenvolver e gerir opções mais complexas, é necessário construir esta

imagem de capacidade para o mercado (o terceiro pilar da internacionalização).

Este reconhecimento por parte de outros agentes leva à estruturação de novas

parcerias que chancelam novos produtos. Na prática, tal capacidade pode ser

traduzida como uma evolução pela qual passa o gestor e que cria condições para

"assumir e entregar mandatos mais complexos e diligentes", firmando o quarto pilar

necessário para sustentar a capacidade de internacionalizar-se. Toda a construção

deste embasamento precisa estar organizada pela "excelência das parcerias" que

são estabelecidas ao longo de todo o ciclo de existência dos agentes, o que pode

ser considerado o quinto pilar de sustentação das operações de internacionalização

de gestores de recursos. A estrutura proposta por estes cinco pilares são o suporte

de um processo de aprendizagem que é permeado em confiança e credibidilidade

BtoB.

Pela amostra e estrutura da pesquisa, não se esperavam resultados que

tivessem a capacidade de generalização para aplicação em outros contextos. Nestas

condições, generalizações estão restritas apenas aos agentes participantes do

mercado investigado (amostra inclusiva) (RITCHIE; LEWIS, 2003). Apesar de

adequada, a própria estrutura com estratégia qualitativa traz uma amostra reduzida e

com poucas observações em um mercado muito relevante e ao mesmo tempo

bastante restrito, com poucos agentes. Assim, não poder estender para outros

contextos relacionados à prestação de serviços, por exemplo, é uma restrição

pontual deste trabalho. Isto porque só pelas diversas Teorias de Internacionalização

- das quais parte esta dissertação - já se percebe que o contexto estudado tem

características peculiares, o que pode implicar em visões sobre o assunto muito

distintas.

Em estudos futuros, sob a ótica de parcerias e redes relacionais, respostas a

questões sobre a existência de estratégias de curto/longo prazo para

posicionamento em redes, ou sobre competição coletiva dentro de redes relacionais,

inclusive já propostas em trabalhos anteriores a este (GOMES-CASSERES, 2003),

podem também ter vigor para pesquisas quantitativas e outras qualitativas.

Pesquisas que, inclusive, podem validar uma diferente abordagem teórica sobre

modelos de internacionalização. Outro ponto percebido é que o fenômeno aqui

observado pode ser analisado sob a ótica de conceitos da teoria da agência. Pelas

entrevistas semi-estruturadas, validações quantitativas sobre a formatação dos

relacionamentos e o desenvolvimento destes (COVIELLO; MUNRO, 1997) trarão

importantes contribuições teóricas sob o foco de governança corporativa. Abordar o

mercado de ativos líquidos é um estudo interessante, cujos resultados inclusive

podem ser comparados com os deste trabalho. Ou ainda, melhor explorar as

características dos movimentos de internacionalização em relação à tipificação e

ciclos (FLETCHER, 2001). Por meio das observações aqui realizadas, abrir espaço

para estudos quantitativos que busquem testar hipóteses embasadas nas

proposições que resultaram deste trabalho - organização indutiva do processo

investigativo (CRESWELL; MILLER, 2000).

Para concluir, o caráter profissional do curso ao qual se relaciona esta

dissertação permite sintetizar a discussão aqui exposta ao apresentar uma última

abordagem de implicação gerencial. No contexto das análises, pode-se inferir que os

movimentos de internacionalização de gestores de recursos ocorrem embasados em

4 capacidades fundamentais: (i) capacidade de gerir produtos mais complexos e

entregar resultados; (ii) capacidade de gerar constantemente novas opções de

investimentos sofisticados; (iii) capacidade de atender clientes cujo perfil e

comportamento de investimento só existe fora do Brasil; (iv) capacidade de gerir

parcerias para gestão destes produtos.

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