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1. Introduction

1.3. Outline of the thesis

Criada em 1o de março de 1985, como sociedade por cotas de

responsabilidade limitada e baixo capital inicial, em setembro do mesmo ano foi transformada em sociedade anônima. Até a safra passada, apresentava uma área cultivada de 15 mil hectares. De acordo com a UDOP (2003), no ranking de produção de cana-de-açúcar na região Centro-Sul, na safra 01/02, a Usina C ocupou entre a 25a e 50a posição com uma produção de cana moída entre 1,3 e 1,8 milhão de toneladas.

O bagaço de cana é a fonte energética primária usada para a produção de vapor necessário ao acionamento das turbinas de preparo e moagem, da turbobomba e para a geração de energia elétrica. O vapor é gerado em quatro caldeiras e aciona duas turbinas de contrapressão, às quais se incorporam dois geradores elétricos com potência nominal de 3.125 e 1.750 kVA. O conjunto de geração está em operação desde a primeira safra da usina, em 1986. Para situações de emergência, existe uma unidade de combustão interna a óleo diesel de 325 kVA.

Toda a energia é gerada em 440 volts, atendendo praticamente a demanda total da usina durante a safra. Na entressafra e em eventuais falhas de geração, a Companhia Paulista de Força e Luz atende as necessidades da usina. A unidade industrial está dimensionada para atendimento às necessidades produtivas da empresa (fabricação de açúcar e álcool), sendo utilizado o bagaço de cana como combustível. A

estratégia da empresa quanto à geração de energia, nas palavras do entrevistado é: “gerar muito bem para a empresa”.

Do total de bagaço produzido, 60% cumprem a função de combustível na geração de vapor, 30% são comercializados para outras usinas sucroalcooleiras da região, para uma fábrica de papel e celulose e a uma processadora de óleo vegetal. As empresas demandantes de bagaço adquirem o combustível posto na usina e a finalidade é também para geração de energia (na forma de vapor e/ou energia elétrica). O restante, no total de 10%, fica para formação de estoque de segurança (para o início da próxima safra ou para eventual interrupção no fornecimento da distribuidora local de energia elétrica).

De acordo com o entrevistado, o preço de venda do bagaço tem oscilado consideravelmente, de R$ 1,00 a R$ 2,50, há alguns anos, chegou a R$ 50,00 a tonelada no auge do racionamento, quando usinas promoveram formação de estoques de bagaço com o objetivo de garantia energética e/ou para cumprimento dos contratos estabelecidos com o setor elétrico. Todavia, esse valor vigorou por um período curto, estabilizando-se em R$ 38,00 até o final da safra 2001/2002. Em fevereiro de 2003, época da entrevista, o bagaço era comercializado em cerca R$ 35,00 a tonelada, posto na usina.

Para o especialista, o mercado de bagaço é estável no aspecto de compradores. Devido à tradição, não são realizados contratos com os compradores de bagaço, caracterizando assim como sendo um mercado spot, mas com compradores fixos. Contudo, no longo prazo, acredita-se que permanecendo o excesso de oferta de energia elétrica, possa ocorrer a queda no preço, pois as usinas, conforme forem vencendo os contratos com os agentes do setor elétrico e não ocorra a renovação, procurarão formas de comercializar o bagaço in natura, conduzindo à baixa do preço do insumo na região. Ainda assim, devido aos usos alternativos que o bagaço terá, o entrevistado aposta em um segundo cenário, no qual o mercado de comercialização do bagaço in natura seja mais promissor do que o de geração de excedente de energia elétrica.

A tecnologia adotada não é a de última geração no aspecto de eficiência energética: são turbinas de múltiplos estágios, mas não de extra-condensação.

Entretanto, a parte de proteção (relés e controladores) do sistema elétrico é considerada de última geração.

Em torno de 60% a 70% da colheita da cana é mecanizada, mas não há intenção no aproveitamento de palhas e ponteiros pois são utilizados para retenção de umidade e proteção do solo (formação de cama), não havendo nenhum estudo para tanto.

Para a empresa se tornar uma unidade produtora de excedentes de energia elétrica, mesmo tendo excedente de bagaço (combustível), haveria necessidade de investimentos em construção civil (ampliação da casa de força), na compra de novos equipamentos geradores e em linhas de transmissão para disponibilizar a energia à CPFL. Esses investimentos demandariam cerca de seis meses para entrarem em operação, fato que, mesmo durante a crise de energia, desmotivou a diretoria da empresa, pois havia incerteza quanto à manutenção do preço nos patamares do auge do racionamento em 2001 e os investimentos deveriam ser realizados na entressafra, já que a usina não poderia paralisar suas atividades no meio da safra para atendimento à demanda surgida com o racionamento em meados de 2001.

Caso a empresa tivesse optado pelo investimento, a geração de excedentes ocorreria efetivamente em torno de fevereiro de 2002, justamente o período final do racionamento e quando o preço do MWh já apresentava forte declínio. Mesmo a reativação do Proálcool não motivaria a empresa alterar a estratégia de “gerar muito bem para a empresa”. Segundo o entrevistado, os investimentos que por ventura seriam realizados, destinar-se-iam somente à promoção da auto-suficiência energética. Assim, nota-se que há entraves à estratégia de venda de excedentes: volatilidade no preço do produto e baixo valor esperado de venda versus alto valor esperado de compra da energia da concessionária local. Isso explicaria a opção pela auto-suficiência.

O especialista salienta que se o preço do bagaço in natura apresentasse forte evolução positiva, com menor volatilidade, poderiam ocorrer investimentos em eficiência energética que poupassem o bagaço, ou seja, a consolidação do mercado de bagaço in natura poderia favorecer investimentos em eficiência energética. Todavia, o entrevistado alertou que a estratégia de “gerar muito bem para a empresa” foi tomada há dois anos, após análise do ambiente institucional da época. Na oportunidade, havia duas opções: geração apenas para auto-suficiência ou geração de excedentes. O principal

motivo a favor da primeira opção foi o objetivo de manter somente aqueles investimentos necessários ao core business da empresa (fabricação de açúcar e álcool). A função da geração de energia elétrica seria a de continuar propiciando a manutenção desse core business. Ainda assim, se o ambiente institucional for alterado consideravelmente a favor da geração de excedentes, com preços atraentes, firmados por meio de contratos de longo prazo, a estratégia atual poderá ser alterada.

O entrevistado citou dois momentos em que a unidade foi procurada pela distribuidora local para geração de excedentes ao setor elétrico. No primeiro momento, há oito anos, o preço oferecido estava muito aquém do necessário para viabilização dos investimentos necessários para a unidade se tornar geradora de excedentes. Num segundo momento, durante o racionamento, novamente houve o interesse da distribuidora local, mas a diretoria continuou considerando os investimentos necessários para a concretização da negociação não-prioritários, apesar de o preço oferecido ter apresentado sensível melhora.

Não obstante, de acordo com o entrevistado, nunca ocorreu interesse da empresa em consultar acerca das linhas de financiamento disponíveis no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), nem tampouco ocorreu a visita de representantes do órgão de fomento. Em relação ao mercado de certificados de carbono, também não houve procura por parte de representantes de empresas certificadoras e nem motivação da diretoria da unidade industrial em procurá-los.

Em síntese, o entrevistado acredita que a diretoria da empresa fez a opção correta, pois, até o presente, a combinação de geração para auto-suficiência com a comercialização do bagaço in natura mostrou-se ser uma estratégia satisfatória, considerando que o core business da empresa é a produção de açúcar e álcool. Não obstante, o especialista considera que usinas que optaram pela produção de excedentes, fechando contratos por dez anos, com preços que chegaram a R$ 90,00, no auge do racionamento, obterão, no longo prazo, retornos positivos sobre seus investimentos.

Para o entrevistado, essas empresas tinham uma capacidade ociosa na geração de excedentes e/ou puderam expandir rapidamente a capacidade de produção, possibilitando o fechamento de contratos de longo prazo a preços satisfatórios. Porém, para a usina em pesquisa, conforme mencionado, seriam necessários seis meses para entrada em operação dos novos investimentos e, diante da incerteza de manutenção das

condições favoráveis à geração de excedentes, a diretoria da unidade manteve a mesma estratégia de “gerar muito bem para a empresa”.

O contraponto dessa estratégia é que a geração de energia nesse sistema está equilibrada, de forma a não ocorrer nem excedente nem escassez de energia (vapor e/ou energia elétrica). Assim, a empresa não teria a vantagem competitiva de “sobra” energética para atender a um aumento na demanda ocasionado pela expansão de suas atividades do core business.