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II. Sammendrag

3.5 Oppsummering av teoridelen

érgio Wladimir Bernardes nasceu em

9 de abril d- 1919, no Rio de Janeiro, tendo se formado m 198 pela Faculdade Naional de quitetura da

Universidade do Br1sil Recebeu inúmeros prêmios como arquiteto e urbanista. destacando·se por seus projetos de

residência, entr. estes a casa de Laa

Macedo Soares em Petrópolis, Rio de Janeiro (1951.1 953) Em 1 963 obteve

aa s onou� na VII Bienal de sao

Paulo e, na dkada de 60, foi o responsável pelo Plano Diretor da Cidade do Rio de Janeiro e pelo plano diretor

para as favelas da Guanabara Como

urbanista, também assinou os projetos da cidade-porto Presidente Stroessner, no Paraguai. e da cidade de Albufeira, em Portugal Ver daos em lauro Cavalcanti (og.), 2001

Fale sobe suas origens e sua formaão.

Sou carioca. Nasci em 1 935 em Botafogo. onde morei até me casar. Antes de entrar na faculdade de arquitetura. estudei dois anos de agronomia na Universidade

Federal Rural, mas tive a revelação de um outro campo de cultura quando comecei a

namorar a Vera, filha de Vera Pacheco Jordão e do editor José Olympio. Meio de brincadeira, fiZ um projeto para a casa da família em Saquarema, na Região dos Lagos. Por acaso, eles eram vizinhos do Sérgio Bernardes, e a mãe da minha namorada lhe mostrou o projeto. Ele disse: "O arquiteto errou aqui e aqui", ela achou graça: "Isto não foi feito por um arquiteto, mas pelo meu futuro genro, que está estudando agronomia. " O Sérgio se espantou: "Ele está maluco?! Mande-o conversar comigo. "

Esse talento para o desenho arquitetônico já vinha da infância? Já. Sempre prestei muita atenção a casas; reproduzia de memória a casa da fazenda do meu avô. O curioso é que não se trata de algo familiar, porque minha familia materna é de comerciantes. os Oliveira Castro, e na minha família paterna o meu avô foi diretor do Tesouro Nacional, presidente do Tribunal de Contas da União; meu pai era advogado e foi procurador da Fazenda Nacional a vida inteira. A coisa mais próxima de um arquiteto era um tio-avô, João Teixeira Soares, um fascinante engenheiro do tempo do Império, que construiu a estrada para O Corcovado e a Paranaguá-Curitiba. Fundador do Clube de Engenharia, era uma pessoa muito à frente do seu tempo, foi amicíssimo de Paulo de Frontin

Pois bem, o Sérgio Bernardes me animou muito a abandonar a agronomia pela arquitetura. Assim, quando fui convocado para servir ao Exército, tranquei a matrícula na Universidade Rural e fiz vestibular para arquitetura. Isso num período importantíssimo para a formação de arquitetos: entre 1 956 e 60, quando a faculdade ainda funcionava na Praia Vermelha. Primeiro, era o governo Juscelino, época da maior ofeta de trabalho que o Brasil já viu; se você quisesse ganhar O dobro, bastava trabalhar o dobro. Segundo,

a geração dos fundadores da arquitetura moderna no Brasil estava no auge da produção: Sérgio Bernardes, Affonso Eduardo Reidy, Henrique Mindlin. Jorge Moreira. os irmãos Roberto. E onde arregimentavam mão-de-obra para poduzir os projetos? Na faculdade de arquitetura. Você tinha a chance de conhecer um aluno veterano que Já trabalhava com um desses arquitetos que dizia: "Conheço um menino do segundo ano, que tem talento e está precisando trabalhar. " Isto quase sempre bastava para o camarada chamar você para um teste no escritório.

Algum desses grandes arquitetos era professor da escola?

Nenhum deles. Aí é que reside o radicalismo do pessoal que estudou na Praia Vermelha. Com a certeza dos 20 anos, afirmávamos que quem sabe faz, quem não sabe

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ensina. Nenhum desses luminares ensinava na escola, e mais, nos mostravam coisas que os professores da escola não mostravam, pois estes falavam o tempo todo de arquitetura romana, gótica etc.

o senhor também começou cedo?

Não, primeiro trabalhei num escritório de desenho, onde desenhei para o Sérgio Bernardes, para o FranCISCO Bolonha e para o Jorge Moreira. Era Já uma atividade bem remunerada, enquanto o estágio num escritório não pagava quase nada, pois a pessoa estava trabalhando para aprender. Do segundo para o terceiro ano, eu me casei e passei a trabalhar como se arquiteto fosse: fazia projetos para uns amigos meus que tinham uma construtora, e uma outra pessoa assinava. Assim ganhei algum dinheiro.

Quem eram s professores da faculdade de arquitetura?

Teoria da arquitetura era dada por Wladimir Alves de Sousa, excelente arquiteto, mas que nós considerávamos do grupo dos professores. Esnobávamos, apesar de sermos amigos e colegas do seu filho, o hoje pintor Jorge Eduardo Alves de Sousa. O Carlos Flexa Ribeiro era um fascinante professor de história da ate e me convidou para ser seu assistente; não pude aceitar, porque era uma atividade não remunerada. História da arquitetura era dada pelo Paulo Santos, também bom arquiteto, funcionário do Serviço do Património Histórico e Artístico Nacional, O catedrático de composição de arquitetura era Archimedes Memória, e seu filho, Tales Memória, era o assistente. A cadeira de urbanismo era dada pelo Sabóia Ribeiro, que depois foi diretor da escola.

Como era o ensino de urbanismo?

Uma sucessão de nomes e coisas, como "cidade jardim" etc. Não contribuiu nada para eu entender o Rio de Janeiro; talvez teoria e história da arquitetura tenham contribuido mais para esse fim. Agora, por conta própria, na base de revistas de arquitetura e no que se aprendia nos escritórios, tomamos contato com a Bauhaus, com o ensino do Lúcio Costa. Quando Juscelino foi construir Brasília, o Oscar montou o primeiro escritório naquele grande salão na sobreloja do prédio do Ministério da Educação e recrutou seu pessoal entre arquitetos recém-formados e em formação, todos lá da faculdade; teve gente que trancou matrícula para participar daquela aventura de planejar e construir uma cidade.

Pelo que vemos, o senhor teve um aprendizado na faculdade e outro fora,

Praticamente todos os verdadeiros catedráticos estavam fora da escola. Então, o que a gente aprendeu de arquitetura moderna no Corbusier. com a cabeça do Lúcio e do Oscar, ficou Só se falava em Le Corbusier na cadeira de grandes composições de arquitetura. Por exemplo, lembro que vi na revista Lie a reportagem da inauguração do Museu Guggenheim, em Nova Iorque, e fiquei fascinado. Aquele disco pousado numa

Wladimir Alves de Souza (1 908-1994) formou-se em Arquitetutl pela Escola Naciooal de Belas Artes (ENBA) no ano de 1930 Em 1932 foi nomeado professor catedrático da EN8A. Segundo Lauro Cavalcanti, H aliou-se

aos 'conserv3dofes' contra a criaçAo da Divisa0 dos Modernos no II Saloo Na(lonal de Belas Artes e, como restaurador, após-se à tendência odernizante do Serviço do Pltrim6nio

Hisórico e Artlstico Nacional" us

principais trabalhos nsta áea foram a restaura� do Convento de Santa Tere], em Salvador; da Fazenda

Samambaia, ds prédis e portões da

Floresta da Tijuca e da casa da Marquesa de Santos, no Rio de Janeiro, Projetou a casa modernista de Raymundo Castro Maya (1 957), o BanCO Moreira Salles e O

Banco Lar Brasileiro, na Rio de Janeiro, e o Banco do Norte, em Recife Foi diretor da ENBA por duas vezes, membro do

Conselho do Museu de Arte Moderna

do Rio de Janeiro e dir�tor-ldjunto do Museu Nacional de Belas Artes, Ver dados em Caval(anti (org ), 2001

Paulo Ferreira dos Santos, além de funcionário do Sphan, teve tanga carreira universiária foi professor de Arquitetura no Brasil na Faculdade Nacional de

qutura a Univtnsiae o ersil;

e Ténicas das Construçes na Esola

Técnica do Exército e de Arquitetura a

Escola Politécnica da Univérsidade Católica; e docente de Construçâo Civil

e Arquitetura na Escola Nacional de Engenharia da Universidade do Brasil

Ver dados em Santos, Paulo Ferreira dos, O Barroco e o Jesuftico na Arquitetura do Brasl. Rio de Janeiro,

Livraria Kosmos Editora. 1951

O arquiteto norte-americano

Frank Lloyd Wrigth (1 869-1959\ desejava criar uma arquitetura nova, independente dos estilos tradiôonais, que fosse (apaz de responder às necESSJdades da vida moderna Ao longo de sua carreira, onde construiu mais de trezentos edifícíos e e.erceu grande influ�nda em pelo menos três gerações de arquitetos, nuna r�alizou um projeto

m colaboraç� m outros arquitetos e

nem paticipou de concursos. Conribuiu imensamente para a formaçl do movimento moderno, atingindo extraordin�ria liberdade nas escolhas formais e �do um ponto de referência para a pesquisa em curso

Gregori Warchavehik, arquiteto russo,

veio para o Brasil em 1923 ontratado

pela Companhia Comtrutora de Santos Publicou no Brasil, em 1925, um manifesto em favor da arquitetura moderna e em 28 constrói a primeira residência nesse estilo em Sáo Paulo, provocando intensa polêmica PartiCipou, a convite de udo Csa, da reestruturaç�o do curso de arquitetura na Escola Nacional de Belas Artes Sua obra

abrange inúmeras residênCIas, em espeCial os conjuntos de casas econômicas em série nos bairros da

Mooca (5áo Paulo) e Gamboa (Rio de Janeiro" em colaboração com lúao Costa Ver Maurício Jvs:.' e Paulo Sergio Moraes de Sã, 1 996

Mercado da Praça XV

Pedro Teixeira Soares ·

esquina era maravilhoso! Mas não se discutia Frank Lloyd Wright na escola. Sabíamos de sua existência porque o Gregori Warchavchik, que era meio seu filho intelectual, fora sócio do Lúcio Costa.

o senhor não pensou em participar da construção de Brasilia?

Não, porque, como disse, casei-me no final do segundo ano, e com família ficava mais difícil Mais tarde, no final da década de 60, pensei em aceitar o convite do Carlos Flexa Ribeiro, que tinha sido meu professor; naquele momento, ele era diretor de Educação da Unesco e estava arregimentando arquitetos do mundo inteiro para trabalhar naquele gigantesco projeto de restauração de Veneza. Com cinco filhos para mar, não pude aceitar o convite.

Pelo que pudemos observar, até meados dos anos 0, os arquitetos tinham

dois destinos principais: o Patrimônio e os grandes escritórios.

Ah, sim. Nos escritórios se tocavam os projetos, e no Patrimônio defendia-se o

que já estava construido. Mas naquele momento não se pensava em proteger nada cons­ truído a partir do século XVIII Estava-se iniCiando a construção da Perlmetral, e ia-se demolir o mercado da Praça Quinze, uma estrutura maravilhosa. Propus a um assistente

do Paulo Santos, da cadeira de história da arquitetura, que o trabalho da turma fosse um 145

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levantamento de desenho e de fotografia daquela estrutura que estava sendo posta abaixo. Mas isso era um pouco demais para o gosto da cadeira e preferiram nos mandar fazer levantamentos de casas de fazenda. O velho mercado ficou sem documentação, e depois da demolição só sobrou o Albamar, que ainda está lá. Outra coisa que é mais ou menos dessa época: na rua do Ouvidor, em frente à editora do meu sogro, existia uma loja de roupas masculinas chamada Torre Eiffel. A estrutura era de ferro, toda impotada de Paris, art nouvau, lindíssima. Com aquelas escadas, aquelas coluninhas, as estantes todas no segundo andar, uma clarabóia, uma maravilha! Foi feita uma proposta para seu tombamento, mas o Patrim6nio recusou.

Só havia interesse pela arquitetura colonial?

E, mesmo assim, com grandes restrições a transformações de uso. Uma coisa que o Patrim6nio custou muito a entender é que não se pode preservar cerca de 1 .200

casarões no Pelourinho sem permitir que aquilo tenha outra utilização, que se possa esvaziá-los por dentro, fazer uma estrutura nova, moderna, e conservar apenas as

fachadas.

No Rio, todo O planejamento urbano

ficava a cargo da Secretaria de Obras