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DEL IV: ANALYSE

14.1 Organisering av ansvar for tjenester

Com a tecnologia digital, o cinema se esforça para manter o glamour e os privilégios das salas de exibição, mas também está ameaçado por este novo momento de tensão entre emissor-receptor. Considerado um dos mais poderosos meios de comunicação de massa, passa por profundas transformações. A imagem analógica da película vem sendo substituída pelos bits da digitalização. O processo fotoquímico aplicado à película vem dando lugar ao processo fotoelétrico, onde a luz é transformada em eletricidade e codificada em fileiras de zero e um. O resultado é facilidade, economia de tempo e de dinheiro na produção, distribuição e projeção dos filmes. Na reportagem O Cinema Vê o Futuro, Cláudia Vital [19] explica que o sucesso

do cinema digital está na vantagem do baixo custo na produção. Ela lembra que com o sistema analógico, as companhias cinematográficas gastavam, e ainda gastam, muito dinheiro com a gravação de fitas, distribuição e recolha de filmes para os cinemas do mundo inteiro. Assim, essas empresas geralmente escolhem a dedo os filmes que irão distribuir e são bastante cautelosas com número de cinemas em que os filmes serão exibidos, com receio de não ter o retorno do investimento. Com a distribuição de dados em formato digital todo esse processo torna-se desnecessário. O filme pode ser gravado em DVD, difundido por cabo ou mesmo por satélite. Os custos de distribuição são drasticamente reduzidos, e não faz grande diferença para o cofre das distribuidoras exibir um filme em 15 ou em 15 mil cinemas.

Desde a existência do primeiro filme, em 1895, pelos irmãos Lumière, o cinema sempre usou rolos de película para transmitir as imagens. Somente nos anos 1960 é que a vídeo-arte e seus experimentalismos começaram a preparar terreno para o surgimento do cinema digital, mas foi com a chegada dos computadores em 1990 que o tom experimental deu lugar ao profissionalismo. Os computadores passaram a ser utilizados na pós-produção dos filmes facilitando a edição das imagens (Disponível em <http://www.revistaogrito.com/page/blog/2007/12/04/cinema-digital/> acesso em 15/10/2010).

Além da facilidade de poder editar as imagens logo após a sua gravação, sem ser necessário passar por qualquer processo de conversão, o cinema digital também apresenta vantagens na hora da exibição. O antigo projetor mecânico que vai

desgastando a qualidade da imagem à medida que o filme é projetado, deu lugar a um novo processo em que não há perda de nitidez, de definição da imagem. Outra vantagem do formato digital é a flexibilidade na manipulação da imagem e reprodução do filme em várias línguas.

Há dúvidas sobre qual foi o primeiro filme todo digital. Segundo Cláudia Vital (2009), duas obras brigam pelo título de pioneiros no cinema digital, Cassiopéia, do diretor brasileiro Clovis Vieira e Toy Story (imagem 02), do norte-americano John Lasseter, ambas de 1995. Em Toy Story há referência a cultura tradicional do vaqueiro que dialoga e com um robô, uma representação do futuro e da tecnologia. O ano de 2002 é marcado pelo lançamento de Star Wars II, considerado o primeiro filme digital de alta definição. Nessa época o cinema digital já tinha chegado à Europa e ao Japão, e já existiam mais de cem salas preparadas para esse formato.

Imagem 02: Toy Story – pioneiro no cinema digital

(Disponível em < http://www.revistaogrito.com/page/blog/2007/12/04/cinema-digital/>)

Embora o filme em película ainda mantenha uma aura de encantamento e beleza da imagem, praticamente toda a produção audiovisual vem sendo desenvolvida utilizando processos digitais, em decorrência dos baixos custos que tornaram a realização cinematográfica mais acessível. A produção independente está em expansão e já não é um absurdo dizer que hoje qualquer pessoa que domina a linguagem pode

fazer um filme. Cineastas consagrados deixaram a película de lado e a celulóide (imagem 03), ícone da tecnologia de cinema, pode estar com os dias contados.

Uma infinidade de vídeos caseiros faz sucesso em redes sociais e portais como o YouTube. Qualquer um pode fazer um filme, basta ter em mãos uma câmera de vídeo, câmera fotográfica que filma ou até mesmo um telefone celular com câmera. Muitas produções são documentários baseados no imprevisto.

Imagem 03: Filme em película

(Disponível em: http://www.bbc.co.uk/worldservice/images/2006/04/20060412174100

pelicula203.jpg)

O cinema digital, com sua nova maneira de fazer e mostrar os filmes, abre espaço para a inserção do espectador como potencial produtor e realizador em cinema. Quando esteve no Brasil, em julho de 2009, o cineasta britânico Peter Greenaway anunciou que o cinema comercial no seu modelo atual está com os dias contados. Ele estaria perdendo audiência em consequência de uma série de questões sociais, políticas e econômicas. "Mas eu, enquanto cineasta, prefiro falar das razões estéticas. O cinema como meio de comunicação de idéias está morto. A produção contemporânea é entediante. Em 10 minutos de filme já se sabe o que vai acontecer, como vai acontecer e de que forma vai terminar. A psiquê humana precisa de novidades. O cinema precisa desesperadamente ser reinventado, assim como qualquer mídia tem que se reinventar", propõe. (O cinema

como meio de comunicação de idéias está morto- reportagem de Guilherme Kolling- 10/07/2007. Disponível em< http://loja.fronteirasdopensamento.com.br/site2007/ ?menu=revista&ed=200707&act=colet_greena>)

Para o autor britânico, o cinema não pode ser interativo nem multimídia, dois fatores fundamentais para seu desaparecimento, e precisa ser reinventado. Ele defende

que a mudança na sétima arte deve ser radical, colocando os modelos e paradigmas do passado de lado para se utilizar do experimentalismo e produzir algo novo."Em 112 anos - se considerarmos a data de 1895 como a do surgimento do cinema - esgotaram-se todas as possibilidades. Depois dos anos 70, não houve novidades. Apenas pastiche, filmes requentados. Eu me sinto pessimista sobre o cinema. Mas sou muito otimista sobre o que virá a seguir, depois dessa crise, com o uso dessas novas tecnologias que estão à nossa disposição. Esses 112 anos foram apenas o prólogo do cinema", concluiu.