4. EIERSTYRING I KINA OG KOREA
4.4 K OREA
Loomis e colaboradores (1935) (LOOMIS et al., 1935 apud JANKEL e NEIDERMEYER, 1982) foram os pesquisadores especializados em sono, cujo trabalho pioneiro descreveu a sonolência, inclusive, caracterizando a difusão do ritmo alfa para as regiões anteriores, o despertar com estímulo auditivo e os fusos de
sono. Esse trabalho caracteriza a morfologia, a freqüência, a distribuição espacial e o seu surgimento no estágio C, posteriormente a fase II do sono.
Em 1937 e 1938, Loomis e colaboradores (LOOMIS et al., 1937 e 1938 apud NEIDERMEYER, 1999b) classificaram seis estágios de sono, sendo o primeiro como estágio A caracterizado pelo início da sonolência ou acordado com ondas alfa; o estágio B1 pela sonolência leve com alfa, estágio B2 pela sonolência profunda com ondas do vértex; estágio C ou sono leve com fusos de ondas no vértex e complexo K; estágio D ou sono profundo com ondas muito lentas, complexo K e alguns fusos; estágio E ou sono muito profundo com muitas ondas lentas e alguns complexos K. Esta classificação foi discutida posteriormente por Dement e Kleitman (1957) e novamente refeita em cinco estágios: estágio 1 ou sonolência caracterizado por alfa sem ondas do vértex; estágio 2 ou sono leve com fusos, ondas do vértex e complexo K; estágio 3 ou sono profundo por ondas lentas, complexo K e alguns fusos; estágio 4 ou sono muito profundo por ondas lentas e alguns complexos K; e sono REM (rapid eye movements) por dessincronização com freqüências rápidas.
Outra classificação feita pelo registro eletroencefalográfico durante a noite (poligrafia) define seis estágios: estágio zero (0) com registro poligráfico de traçado acordado; estágio 1 com subdivisões de I-A com ritmos alfa difusos principalmente em regiões anteriores e I-B com atividade teta e ondas do vértex; estágio 2 com um ou mais fusos do sono, complexos K ondas delta em menos que 20% da época; estágio 3 com ondas delta em 20 a 50% da época; estágio 4 com ondas delta em mais que 50% da época; e sono REM com ondas de média amplitude e diversas freqüências principalmente teta com movimentos rápidos dos olhos e respiração
irregular (BROUGHTON, 1999).
Uma investigação dos traçados de EEG no estado de vigília e sono de 14 crianças normais nascidas a termo feito por Goldie e Van Velzer (1964) mostrou a presença de ciclos de atividade no sono que correspondem a mudanças no EEG, as quais estão presentes nas primeiras horas de vida do neonato. A presença de ritmo inato de atividade durante o sono existe em crianças a termo imediatamente após o nascimento. Isto fica evidente com a mudança que ocorre simultaneamente com a atividade motora dos músculos extra-oculares, dos movimentos corporais, da respiração, dos batimentos cardíacos e mudanças no traçado do EEG. O ciclo do sono é rítmico e consiste em duas diferentes fases: a fase longa (Fase I) que dura
aproximadamente 40 minutos e sucessivamente a fase curta (Fase II) que dura de 15 a 20 minutos (GOLDIE e VAN VELZER, 1964).
Na Fase I, o EEG mostra uma amplitude arrítmica moderada ou com atividade semi-rítmica com quatro a dez ciclos por segundo (c/s) com uma média de duração de 47,5 minutos. Durante esta fase a respiração fica irregular e mais rápida que a Fase II, e a velocidade do pulso tende a ficar mais rápida. Os movimentos corporais são freqüentes, contínuos, suaves e caracterizam-se por mudança da posição da cabeça de um lado para o outro. Durante esta fase todos os bebês normais mostram um movimento rápido e freqüente dos olhos os quais persistem por 41,25 minutos em média (GOLDIE e VAN VELZER, 1964).
Em contraste, na Fase II os traçados do EEG transformam-se em episódios
caracterizados por surtos de atividade acima de 200µV de amplitude mostrando uma
mistura de freqüências que variaram de dois a seis c/s com duração de um a três segundos separada por períodos com duração relativa de seis a 10 segundos. Esta fase refere-se aos “episódios de atividade do sono” (EAS) e tem uma duração total de 13,6 minutos em média. Neste período a respiração é lenta e regular, os batimentos cardíacos indicados no eletrocardiograma (ECG) tendem a ficar lentos em comparação com outros períodos. A criança nesta fase não tem movimentos corporais perceptíveis, exceto nos casos de movimentos súbitos ou sobressaltos espontâneos. O movimento nos olhos cessa dentro de um período médio de 16,5 minutos. Além destas duas fases existe um período transicional que é caracterizado por movimentos nos olhos que se tornam lentos e infreqüentes com o desaparecimento total poucos minutos antes do EAS tornando-se claramente estável (GOLDIE e VAN VELZER, 1964).
Essas duas fases foram novamente caracterizadas e renomeadas por Reimão (1985). Durante a noite, o sono de um humano passa por quatro a seis ciclos sucessivos, com duração de aproximadamente 90 minutos cada. O ciclo consiste na alternância entre dois estágios fisiológicos distintos: sono REM e sono não-REM (NREM). Inicia-se pelo estágio 1 e passa para estágios 2, 3 e 4, quando, então, retorna ao estágio 2 e em seguida passa para o sono REM (REIMÃO, 1985). O sono REM recebe essa denominação por apresentar movimentos oculares rápidos (rapid
eye movements) associados à diminuição do tônus e respiração irregular. O sono
NREM é dividido em quatro estágios, caracterizados por aprofundamento progressivo do sono, respiração regular e ausência de
movimentos oculares. Elementos fisiológicos do sono são observados principalmente nos dois primeiros estágios do sono, como os fusos de sono, as ondas agudas do vértex, complexo K (CK), hipersincronia hipnagógica (MONTENEGRO et al., 2001).
O EEG revela mudanças da consciência em animais normais podendo ser caracterizado pelo estado de alerta ou excitação, relaxamento, sonolência ou sono, mesmo quando observado somente à inspeção. O EEG pode ter um alto grau de confiabilidade revelando vários processos patológicos (KLEMM e HALL, 1974).
Wauquier e colaboradores (1979) fizeram uma análise visual e computacional para classificar o registro dos traçados do ciclo sono-vigília em sete cães adultos da raça Beagle, durante um período de 24 horas. As análises dos traçados eletroencefalográficos definiram os registros referentes à vigília, ao estágio transicional, ao sono leve de ondas lentas, ao sono profundo de ondas lentas e ao sono REM. O ciclo sono-vigília alternou entre 20 e 30 minutos durante o período proposto, com rápidas transições entre um estágio e outro.
É importante saber que o estágio do sono quieto (SQ) ou NREM é apropriado para observar artefatos no registro de EEG. Esses artefatos são considerados anormalidades eletroencefalográficas, que durante o sono, são freqüentemente e normalmente observadas. Por outro lado, apesar do estado comportamental durante o sono, o estágio de maturação do cérebro inevitavelmente influencia os traçados eletroencefalográficos (TAKAHASHI e INADA, 1986).
Segundo Hughes (1994) o sono na infância apresenta três marcos importantes, como o aparecimento de fusos do sono, ondas agudas do vértex e estabelecimento da sincronia entre esses elementos. Os fusos do sono devem estar
presentes a partir do 2o mês, podendo ser muito longos, com duração de 10s até o
5o mês. No início, os fusos do sono são assíncronos, sendo registrados ora em um
hemisfério, ora no outro, entretanto proporcionalmente devem aparecer em quantidades iguais em cada lado, sem predomínio inter-hemisférico (NIEDERMEYER, 1999C).
As ondas agudas do vértex (OAV) são outra evidência importante no contexto histórico da eletroencefalografia e o termo foi descrito por Davis (1939) (DAVIS, 1939 apud DUTERTRE, 1977). Autores franceses têm usado o termo ponta de vértex (BANCOUD et al., 1953 apud DUTERTRE, 1977). Elas são observadas a
máximo entre os três e oito anos de idade, quando relativamente são mais agudizadas, de alta amplitude, e podem ocorrer repetidamente. A negatividade destas ondas ocorre na região de vértex, entretanto seu espraiamento pode ser assimétrico, principalmente na infância (NIEDERMEYER, 1999b). O complexo K é
observado a partir do 5o mês, algumas vezes como resposta a estímulos sensoriais.
Nos primeiros anos de vida da criança, observam-se também, ondas de alta amplitude nas regiões posteriores chamada de ondas em cone (cone waves), que são normais para a faixa etária (NIEDERMEYER, 1999c).
A sonolência na criança a partir do 6o mês pode ser identificada, quando se
observa o aparecimento de atividade teta rítmica; já aos nove meses, observa-se a hipersincronia hipnagógica, caracterizada por atividade paroxística, síncrona, difusa, podendo ser de alta amplitude, na freqüência de 2Hz a 3Hz que ocorre na sonolência ou na transição entre sono e despertar. Quando esta atividade precede o despertar, ela é chamada de hipersincronia hipnopômpica (HUGHES, 1994; NIEDERMEYER, 1999b).
No estágio 3 do sono NREM pode ser observada uma atividade delta anterior, interposta por uma onda aguda passageira com menor amplitude, formando um elemento que tem sido descrito como mitten pattern . Esta atividade tem uma relação com o complexo K, já que é observado antes que este grafoelemento termine. O termo mitten pattern foi descrita por Leem-Huis e Stamps (1949) (LEEM- HUIS e STAMPS, 1949 apud NIEDERMEYER, 1999b) e de acordo com Niedermeyer (1999b) os pesquisadores caracterizaram o mitten pattern de acordo com a amplitude e duração da onda aguda, pois podem estar associados a tumores talâmicos ou doença de Parkinson em adultos, dependendo da modificação destas variáveis.
O tipo de registro de EEG de sono tem sido feito há 60 anos em muitos laboratórios para obter informações que não são detectadas na vigília relaxada com utilização de hiperventilação e fotoestimulação intermitente. O termo EEG de sono é considerado um exame que registra somente um pequeno segmento do sono durante circunstâncias diárias de registro. Este exame registra basicamente o cochilo que pode ser espontâneo ou induzido por sedativos, e, portanto, diferente do sono noturno. A duração do sono é relativamente pequena, sendo que, para muitos propósitos práticos, a duração de 10 a 30 minutos é suficiente. O resultado deste registro mostra a transição do estado de vigília para a sonolência (estágio 1) e da
sonolência para o sono NREM (estágio 2), que são muito informativos para os eletroencefalografistas, pois revelam anormalidades clínicas, especialmente descargas epileptiformes não demonstradas no estado de vigília (NIEDERMEYER, 1999b).
Takeuchi e Harada (2002) investigaram o ritmo de sono-vigília de cães idosos e jovens utilizando registro de EEG, eletromiografia (EMG) e eletrocardiografia (ECG) durante 24 horas, e observaram que os cães mais velhos possuíam maior dificuldade de manutenção do sono, o que pode ser explicado por uma alteração no balanço autonômico destes animais, assim como tem sido observado no humano que tem sonolência diurna.