5. ANALYSE OG VIDERE TREND
5.1.4 Den kinesiske stat
Berger (1932) (BERGER, 1932 apud KASAMATSU et al., 1964) relatou ausência de atividade elétrica nas primeiras semanas de vida, quando na literatura se demonstrava uma incompleta mielinização em recém-nascido humano e animal (KELLAWAY, 1952). Este fato parecia corroborar as observações de Berger (1932) (BERGER, 1932 apud KASAMATSU et al., 1964), no entanto, se tratava de um equívoco metodológico. O equipamento disponível era um galvanômetro em espiral, o que impossibilitava a demonstração das oscilações EEG em recém-nascidos (PAOLA, 1998). Fleichig (1920) (FLEICHIG, 1920 apud KELLAWAY, 1952), em seu estudo Mielinização do Cérebro, provou que a base estrutural do processo de maturação em humanos se encontra na mielinização, que está estreitamente ligada à formação de lipoproteínas, estabelecendo as relações intracelulares que conferem ao cérebro características de órgão funcional.
Em 1938, Smith descreveu os primeiros modelos de EEG em neonatos e lactentes, incluindo as condições da sonolência. Em 1950, a escola francesa estudou o EEG neonatal em recém-nascidos (RN) prematuros. Estudos dessa espécie foram em particular publicados por Dreyfus-Brisac e seus colaboradores (1957). Mais tarde, trabalhos e ensaios foram feitos para delimitar o EEG normal e patológico, sugerindo rigorosos critérios para o EEG neonatal.
Em 1960, iniciaram-se os registros poligráficos durante o sono. Vários trabalhos posteriores elucidaram, espontaneamente, o curso do sono, como a
distribuição quantitativa do sono REM, sono NREM e outras variáveis fisiológicas. Estudos desse tipo foram realizados por Delange e colaboradores (1962), Dreyfus- Brisac e colaboradores (1957), Monod e Pajot (1965) e Petren-Quadens (1966).
Uma revisão sobre o sono foi publicada, mencionando as diferenças do sono de recém-nascido a termo com crianças mais velhas e adultas. O sono REM também foi chamado de sono ativo, levando a maior proporção do tempo de sono das crianças nesta faixa etária (LENARD, 1970).
O traçado descontínuo (tracé descontinue), presente em neonatos pré-termo, foi descrito por Dreyfus-Brisac (1968). De acordo com este autor, antes de 28 semanas de idade concepcional, o EEG mostra-se de alta voltagem, em surtos de 3 a 20 segundos. O modelo é altamente descontínuo e pode alternar-se com trechos de silêncio elétrico generalizado com duração de dois a três minutos.
O termo tracé alternant foi introduzido por Samson Dollfus (1969). Dreyfus- Brisac e Curzi-Dascalova (1975) observaram que o tracé alternant, característico do sono quieto, desaparece em torno de três a quatro semanas de nascimento do RN a termo, apesar de Ellingsom (1979) ter observado sinais dele até 47 dias de vida pós- natal em RN a termo.
Dement e Kleitman (1957) e Tharp (1990) descreveram os traçados dessincronizado, do sono REM, e sincronizado com ondas lentas, do sono não- REM. Eles também discriminaram um estado de sono com atividade eletrencefalográfica do tipo “tracé alternant”, concomitante com uma pobreza de movimentos, ou raros abalos generalizados do corpo, com a persistência de atividade tônica muscular e freqüências respiratória e cardíaca regulares, correspondendo ao supracitado sono quieto (SQ). Tal estado era seguido, por um padrão de EEG mais rápido e de baixa voltagem (ondas de 4 a 5Hz, com raras ondas delta), múltiplos movimentos segmentares de pequena amplitude, incluindo “REM”, respiração irregular, instabilidade da freqüência cardíaca e alterações vasomotoras, como sudorese e rubor faciais, correspondendo ao sono ativo (SA).
Samson-Dollfus (1979) destacou que a atividade elétrica cerebral no pré- termo apresentava uma maior tendência à descontinuidade, com maior teor das ondas lentas seguidas de ritmo rápido e de atividade delta occipital, quando comparada à do recém-nascido a termo, e ainda sugeriu que o amadurecimento EEG do neonato se fazia no mesmo ritmo, quer intra-útero, quer no berçário, estando apenas na dependência da idade pós-concepcional.
Os traçados de descontinuidade foram estudados por Clancy e Tharp (1984) em recém-nascidos com hemorragia periventricular e propuseram uma classificação de anormalidades segundo o aumento dos intervalos intersurto. Nos casos de crianças com menos de 30 semanas de idade pós-concepcional com um aumento anormal moderado do intervalo intersurto o tempo foi de 45 segundos e nos casos de crianças com mais de 30 semanas de idade pós-concepcional com aumento acentuado foi de 60 segundos. O intervalo intersurtos de crianças normais a termo é de 10 segundos.
A duração dos intervalos intersurto de crianças em idade pós-concepcional de 27-30 semanas com discreta anormalidade no aumento de descontinuidade variou de 15 a 20 segundos, com moderada anormalidade variou de 20 a 25 segundos e com acentuada anormalidade variou de 25 a 30 segundos, sendo que o aumento de descontinuidade mostrou tendência a se correlacionar com mau prognóstico e a ser sugerido nos casos de encefalopatias primárias (FERNANDES, 1991).
Paralelamente ao progresso do conhecimento referente ao EEG do recém- nascido humano, desenvolviam-se estudos sobre a fisiologia do sono no ser humano. Aserinsky e Kleitman (1955) (ASERINSKY e KLEITMAN, 1955 apud THARP, 1990) descreveram dois estados comportamentais no recém-nascido durante o sono, que se repetiam com periodicidade de 50 a 60 minutos, correspondendo, respectivamente, aos chamado SA, REM, e SQ ou NREM.
Outros autores estudaram e definiram códigos numéricos para a caracterização dos estados do recém-nascido nas diferentes etapas de amadurecimento da atividade bioelétrica cerebral (de 28 a 40 semanas de idade pós-gestacional), combinando diversos padrões do EEG com os possíveis estados comportamentais exibidos pela criança durante o ciclo vigília-sono (PARMELEE et
al., 1968). Ainda estes mesmos autores caracterizaram o chamado sono
“Transicional” como períodos em que a combinação dos diversos parâmetros poligráficos e comportamentais não permitia a definição de sonos Ativo ou Quieto, assegurando-se de que a criança não estava em vigília. Chamaram a atenção para as proporções de SA, SQ e sono transicional (ST), em diversas faixas etárias ao longo do período neonatal, mostrando uma tendência a aumento na proporção de SQ e relativa redução de SA com o amadurecimento, o que foi confirmado em vários outros trabalhos subseqüentes (ANDRES et al., 1971; 1985b; ANDRES e KEENER, 1985a; CURZI-DASCALOVA et al., 1985, 1987; HOPPENBROUWERS, 1987).
O reconhecimento no recém-nascido de um ciclo ultradiano, que evolui em direção ao padrão circadiano durante o primeiro ano de vida, garantiu a utilização na prática clínica de estudos poligráficos com duração de uma hora, como método satisfatório para a avaliação do amadurecimento e da organização do sistema nervoso central no neonato, quando se toma o ciclo vigília-sono como parâmetro de tal evolução (SCHER, 1988).
O correlato morfológico, macro e microscópico do desenvolvimento do córtex cerebral com o padrão EEG foram sistematizados por Sher (1988), que definiu as cinco faixas fundamentais de amadurecimento eletrográfico do neonato em associação ao aumento no número e tamanho dos giros corticais, assim como, à estratificação das camadas de neurônios do córtex. Com isto, o eletrencefalografista experiente pode discriminar seis faixas de amadurecimento através do EEG de acordo com a idade pós-concepcional: 24 a 28 semanas, 29 a 31 semanas, 32 a 34 semanas, 35 a 37 semanas e 38 a 42 semanas. Uma sexta faixa, de 42 a 46 semanas, poderia ainda ser considerada característica no que se refere ao amadurecimento do EEG ao longo da vida neonatal pós-termo (BECKWITH e PARMELEE, 1986; DREYFUS-BRISAC e BLANC, 1956; ELLINGSON e PETERS, 1980; HAHN e THARP, 1992; LOMBROSO, 1992; STOCKARD-POPE et al., 1992).
Eiselt e colaboradores (1997) fizeram uma análise quantitativa, da média da potência espectral na banda de freqüência entre 0,8 e 16,8 Hz, do traçado eletroencefalográfico descontínuo de recém nascidos a termo e pré-termo durante o sono quieto. Verificou-se que este traçado é mais pronunciado no recém-nascido prematuro e que existe uma diferença funcional entre o hemisfério direito e
esquerdo, visto que o hemisfério occipital direito, tão logo chegou à 27a semana da
idade concepcional, apresentou uma diferença funcional.
O EEG neonatal humano tem proporcionado um avanço muito especial à pesquisa EEG de desenvolvimento cerebral. O período neonatal do RN a termo e prematuro traz muitos problemas de natureza eletrofisiológica e tecnológica que se traduzem em necessidade de interpretação altamente especializada (AUCÉLIO, 2000).
Várias publicações têm detalhado as descrições do EEG típico no período neonatal, embora ainda haja muita incerteza quanto a isso, dada a grande extensão da variação da normalidade, especialmente neste período. Vários
eletrencefalografistas ainda vêm discutindo o que considerar sinal de afecção cerebral no período neonatal (AUCÉLIO, 2000).