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Ordinary differential forms

Part I. The Differential Case

Chapter 1. Preliminary Preliminaries

1.3. Differential forms on manifolds

1.3.1. Ordinary differential forms

O câncer ocupa o segundo o lugar nas causas de morte por doença no Brasil, sendo reconhecido como um problema de saúde pública. O número estimado para os anos 2014 e 2015 é de aproximadamente 576 mil casos novos de câncer no Brasil, incluindo os casos de pele não melanoma, que é o tipo mais incidente para ambos os sexos (182 mil casos novos), seguido de próstata (69 mil), mama feminina (75 mil), cólon e reto (33 mil), pulmão (27 mil), estômago (20 mil) e colo do útero (15 mil). A elevação das taxas de incidência por neoplasias no país pode ser explicada pela evolução e aumento da qualidade dos métodos diagnósticos e do aumento dos registros advindos dos Sistemas de Informação(24).

A Oncologia é uma área de atuação multidisciplinar, por essência, pela forte interação exigida pelas outras especialidades médicas (Cirurgia, Radioterapia, Anatomia Patológica, Radiologia e Diagnóstico por Imagem, Medicina Nuclear, entre outras) e outras multiprofissionais pela atuação da Enfermagem, Nutrição, Ciências Farmacêuticas, Fisioterapia, Fonoaudiologia, psicologia, Odontologia,

Serviço Social, entre outras. No cotidiano de um Serviço Oncológico, a notícia da cura e a remissão do câncer a longo prazo, para pacientes portadores de doença incurável, é muito gratificante, pois o retardo da progressão, a resposta objetiva ao tratamento e a melhora da qualidade de vida são metas cotidianas(25).

O paciente portador de doença oncológica requer assistência diferenciada, pois frequentemente carrega o medo da morte, a incerteza do prognóstico, a depressão, a ansiedade e também muita vontade de viver. O Enfermeiro é o profissional que permanece ao lado do paciente durante todo processo saúde-doença o que o torna elemento primordial para o sucesso do tratamento como membro minimizador dos desconfortos trazidos pela doença oncológica.

A equipe de enfermagem presta atendimento ao paciente oncológico de forma holística, imprescindível na prestação dos cuidados, vivenciando cada momento e cada conquista do tratamento, e tornando-se uma base de segurança para os pacientes, Desta forma, necessita de capacitação específica para prestar o atendimento ao paciente, pois este cuidado próximo e contínuo torna os profissionais amplamente vulneráveis já que o câncer é revestido de estigma, quase sempre associado à morte(26).

A realidade do profissional, que está diretamente prestando cuidados aos pacientes com câncer, é a de conviver com os mais diversos sentimentos, tanto pelo problema vivenciado pelo paciente, a doença em si, quanto pelo sofrimento de seus familiares. Este profissional está exposto não só ao desgaste físico, mas ao desgaste emocional que o consome no dia dia, uma vez que a experiência de conviver e acompanhar a evolução do prognóstico de um paciente com câncer é desafiador para todos que estão envolvidos neste processo(27).

Por estes motivos a equipe de enfermagem trabalha com alto grau de ansiedade junto aos familiares, pois são alvos das expectativas de resolução de problemas que, na maioria das vezes, não podem ser resolvidos em sua totalidade. A complexidade da terapêutica em oncologia tem exigido do Enfermeiro oncológico novas competências e de acordo com a Resolução 210/98, do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN)(28), suas competências consistem em: planejar, organizar, supervisionar e executar atividades de enfermagem durante o tratamento, elaborar protocolos clínicos para prevenção, tratamento e minimização dos efeitos colaterais e

difundir medidas de prevenção de riscos e agravos, mediante educação de pacientes e familiares.

3 JUSTIFICATIVA DO ESTUDO

Na literatura sobre o tema deste estudo, poucos trabalhos foram realizados referentes à rotatividade de pessoal de enfermagem em hospitais do Brasil. Alguns destes estudos analisam aspectos financeiros e/ou numéricos, porém, faltam dados referentes aos motivos dos desligamentos dos funcionários.

Assim, o desenvolvimento de um estudo que analise a rotatividade do pessoal de enfermagem durante a implementação de um Instituto de alta complexidade faz-se fundamental, pois durante a fase de implementação, as dificuldades em relação à gestão de recursos humanos é expressiva, desde o processo de recrutamento de pessoal, até a retenção dos profissionais.

A vivência na monitoração da implementação do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP), em todas as fases do processo, mostrou grandes dificuldades no processo de captação e retenção dos profissionais da área de enfermagem, com consequências impactantes no cronograma de implementação das áreas assistenciais.

Outros pontos que motivaram o desenvolvimento deste estudo foram à escassez de Enfermeiros especialistas em oncologia e a falta de profissionais de nível médio no mercado, dificultando a capacitação mínima para esta assistência, e o atraso na ampliação e funcionamento das áreas no tempo pré-estabelecido. A falta de clareza das Políticas de Recursos Humanos, até então adotadas, também contribuiu para este cenário. Neste contexto, optou-se por um estudo que permitisse o desvelamento e entendimento das reais causas e motivos que levam os profissionais a se desligarem da Instituição ou serem desligados.

4 OBJETIVOS

4.1 Objetivo Geral

Subsidiar, após o reconhecimento situacional, um plano factível de retenção de pessoal de enfermagem de um Instituto especializado em oncologia.

4.2 Objetivos específicos

- Identificar as taxas de rotatividade dos profissionais de enfermagem, na fase de implementação de um Instituto especializado em oncologia.

- Conhecer os motivos dos desligamentos relatados pelos profissionais nesta fase de implementação.

- Identificar os fatores que contribuem para a retenção dos profissionais de enfermagem.

5 PERCURSO METODOLÓGICO

5.1 Pesquisa Quantitativa

A Pesquisa quantitativa caracteriza-se pelo emprego da quantificação, tanto nas modalidades de coleta de informações, quanto no tratamento dessas informações através de técnicas estatísticas, desde as mais simples até as mais complexas. Possui, como premissa, a intenção de garantir a precisão dos trabalhos realizados, conduzindo a um resultando com poucas chances de distorções. A coleta de dados enfatiza dados que podem ser convertidos em números, que permitam verificar a ocorrência, ou não, das consequências. Desta forma, os dados são analisados com apoio da estatística ou outras técnicas matemáticas. O método quantitativo é utilizado nos estudos descritivos, ou seja, naqueles que procuram descobrir e classificar a relação entre variáveis, às quais se propõem investigar “o que é”(29).

No presente Estudo, optou-se pela utilização deste método como parte da metodologia, para a verificação das taxas de rotatividade da equipe de enfermagem do ICESP.

5.2 Pesquisa Qualitativa

A pesquisa qualitativa se ocupa, nas Ciências Sociais, com um nível de realidade que não pode ou não deveria ser quantificado e trabalha com o universo dos significados, dos motivos, das aspirações, das crenças, dos valores e das atitudes o que corresponde ao universo mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis. Esse conjunto de fenômenos humanos é entendido como parte da realidade social, pois o ser humano se distingue por agir, pensar sobre o que faz e por interpretar suas ações a partir da realidade vivida que partilha com seus semelhantes(30).

O método na pesquisa qualitativa é aquele capaz de incorporar a questão do significado e da intencionalidade como inerentes aos atos, às relações e às estruturas

sociais, sendo estas últimas tomadas tanto no seu advento quanto na sua transformação, como construções humanas significativas(31).

A pesquisa qualitativa é predominantemente descritiva. Os dados coletados são mais uma forma de palavras, ou figuras, do que números. O pesquisador qualitativo analisa os dados em toda sua riqueza, respeitando a forma de registro ou transcrição. A abordagem investigativa de âmbito qualitativo tem potencial para fornecer informações importantes na construção e compreensão do fenômeno estudado. O enfoque dos dados pesquisados deve sempre demonstrar a perspectiva dos significados atribuídos pelos participantes. A maneira como os informantes vivenciam e informam uma situação vivida é importante e singular a cada indivíduo. O significado ou sentido que elas dão aos fenômenos vivenciados é foco da pesquisa qualitativa. A pesquisa qualitativa busca compreensão aprofundada dos significados e características situacionais apresentadas pelos sujeitos e as convicções subjetivas das pessoas tem primazia explicativa sobre o conhecimento teórico do investigador.

Na pesquisa qualitativa, a coleta e análise dos dados ocorrem concomitantemente, de forma dialética e vão sendo apresentadas novas descobertas no decorrer do estudo partindo de questões amplas até definições que surgem no decorrer do estudo(32).

Neste estudo, optou-se pela utilização deste método como parte da metodologia para análise dos questionários das entrevistas de desligamento dos profissionais de enfermagem, demitidos e demissionários do ICESP, no período de maio de 2008 a dezembro de 2011.

Considerando-se a subjetividade do fenômeno no processo da análise da rotatividade de pessoal, a pesquisa qualitativa é apropriada para abordar o objeto deste estudo e, neste contexto, adotou-se o método do Estudo de Caso sendo, o objeto do estudo, uma Instituição específica.

5.2.1 Estudo de Caso

O Estudo de Caso é um método de pesquisa que utiliza, geralmente, dados qualitativos, coletados a partir de eventos reais, com o objetivo de explicar, explorar ou descrever fenômenos atuais inseridos em seu próprio contexto. Caracteriza-se por

ser um estudo detalhado e exaustivo de poucos, ou mesmo de um único objeto, fornecendo conhecimentos profundos(33-34).

O método Estudo de Caso enquadra-se como uma abordagem qualitativa e é frequentemente utilizado para coleta de dados, permite uma caracterização abrangente dos dados e o estudo aprofundado de uma ou mais unidades em sua complexidade, fornecendo informações relevantes para a tomada de decisão. É uma categoria de pesquisa cujo objeto é uma unidade que se analisa profundamente; é uma caracterização abrangente para designar pesquisas que coletam e registram dados de um caso particular ou de vários casos a fim de organizar uma crítica sobre a experiência, objetivando tomar decisões ou propor uma ação transformadora(35).

O Estudo de Caso representa uma investigação empírica e compreende um método abrangente, com a lógica do planejamento, da coleta e da análise de dados(34). Pode incluir tanto Estudos de Caso único quanto múltiplos, assim como abordagens quantitativas e qualitativas de pesquisa(34).

Para se discutir o método do Estudo de Caso alguns aspectos devem ser considerados como a natureza da experiência enquanto fenômeno a ser investigado; o conhecimento que se pretende alcançar e a possibilidade de generalização dos estudos a partir do método.

Normalmente este método se aplica em pesquisas exploratórias e explicativas, mas pode ser usado em pesquisas descritivas. Existe, ainda, a possibilidade de utilizar Estudos de Casos para realizar previsões, analisando ocorrências passadas em casos similares(36).

O Estudo de Caso não aceita um roteiro rígido para a sua delimitação, mas determina três fases de trabalho para o seu desenvolvimento e em determinadas fases da pesquisa, estas se sobrepõem, dificultando a separação pontual entre elas. Assim, a primeira fase é a fase exploratória, que se caracteriza por um plano inicial que vai se tornando mais claro na medida em que o estudo se desenvolve; a segunda fase é a fase de investigação de um tema na vertente qualitativa, tendo como uma das técnicas de coleta de dados a entrevista semi estruturada. Após a identificação dos elementos chave, o pesquisador coleta os dados sempre no foco da investigação considerando que a seleção de aspectos mais relevantes e a determinação do recorte são cruciais para atingir os propósitos do estudo e também para chegar a

compreensão mais completa da situação estudada. A fase de análise e interpretação temática dos dados constitui fase refinada da análise e da síntese dos dados. A fase de elaboração do relatório é a do registro sistematizado, da abstração dos temas, das formulações teóricas e das recomendações realizadas pelo investigador(37.

Como referencial teórico para a análise qualitativa dos achados, foi adotado o referencial de Laurence Bardin que configura a análise de conteúdo como um conjunto de técnicas de análise das comunicações, que utiliza procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo de mensagens, como indicadores que permitem a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção dessas mensagens(38).

Assim, a técnica de análise de conteúdo se compõe de três momentos: o da pré-análise (organização), da exploração do material e tratamento dos resultados e o da interpretação. O momento da pré-análise, é a fase da organização propriamente dita e tem por objetivo tornar operacionais e sistematizar as ideias iniciais de maneira a conduzir um esquema preciso para o desenvolvimento das operações sucessivas. O segundo momento refere-se à exploração do material existente. Esta etapa é longa e consiste essencialmente em operações de codificação e decomposição em função de regras previamente formuladas. A categorização é o procedimento de agrupar dados considerando os significados comuns existentes entre eles. Classificam-se por semelhança ou analogia segundo critérios previamente estabelecidos, que podem ser semânticos originando categorias temáticas. As categorias podem ainda ser constituídas a partir de critérios léxicos, com ênfase nas palavras e seus sentidos ou podem ser fundadas em critérios expressivos focalizados em problemas de linguagem. O terceiro e último momento refere-se ao tratamento dos resultados obtidos e à interpretação destes(38).

6 OPERACIONALIZAÇÃO DA PESQUISA

6.1 Tipo do Estudo

Trata-se de um estudo exploratório, descritivo, na vertente quanti qualitativa. A pesquisa exploratória tem por objetivo principal o aprimoramento de ideias, possui planejamento flexível, de modo a possibilitar a consideração dos mais variados aspectos relativo ao fato estudado. Envolve levantamento bibliográfico; entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas com o problema pesquisado e a análise de exemplos que estimulem a compreensão. Estas pesquisas têm como objetivo principal o aprimoramento de ideias ou a descoberta de intuições(39-40).

A pesquisa descritiva visa descrever as características de determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis. Envolve o uso de técnicas padronizadas de coleta de dados: questionário e observação sistemática. As pesquisas descritivas têm como objetivo primordial a descrição das características de determinada população ou fenômeno ou, então, o estabelecimento de relações entre variáveis(39).

6.2 População

Os sujeitos do estudo, na vertente quantitativa, são o número de Enfermeiros, Técnicos e Auxiliares de enfermagem lotados na Diretoria Geral da Assistência, demitidos e demissionários, no período compreendido entre maio de 2008 e janeiro de 2011.

Na vertente qualitativa, os sujeitos do estudo são os registros das entrevistas de desligamento de Enfermeiros, técnicos e Auxiliares de enfermagem arquivadas no Departamento de Recursos Humanos da Fundação Faculdade de Medicina (RH- FFM).

6.3 Coleta de Dados

Como não foi possível o acesso ao documento fonte das entrevistas de desligamento, não foram levantados os dados referentes ao sexo, idade e nem o período em que o trabalhador permaneceu na empresa.

Dos documentos disponíveis, foi possível ter acesso ao questionário respondido pelos trabalhadores, segundo as categorias profissionais Enfermeiro, Técnico de enfermagem e Auxiliar de enfermagem, e ao conteúdo das entrevistas de desligamento realizadas pelo profissional do Departamento de RH-FFM. O instrumento adotado na entrevista encontra-se no Anexo 4.

6.3.1 Como instrumentos de coleta de dados na etapa quantitativa foram utilizados os Relatórios mensais das Unidades Assistenciais do ICESP, arquivados na Diretoria Geral da Assistência (DGA), que contém o número de Enfermeiros, Técnicos e Auxiliares de enfermagem demitidos e demissionários da Instituição bem como o número de profissionais admitidos e demitidos no período correspondente a maio de 2008 a dezembro de 2011.

6.3.2 Na etapa qualitativa o instrumento de coleta de dados foi um Relatório arquivado no Departamento de RH-FFM, onde constam as transcrições das entrevistas de desligamento. Neste Relatório consta, também, o número de Enfermeiros, Técnicos e Auxiliares de enfermagem, demitidos e demissionários, que realizaram as entrevistas, no período correspondente a maio de 2008 a dezembro de 2011. O instrumento adotado na entrevista de desligamento contém questões fechadas onde o trabalhador avalia a Instituição segundo uma escala de Likert, e uma parte aberta onde o profissional registra os motivos pelo qual saiu da Instituição. Neste Relatório constam, ainda, as observações feitas pelo profissional do Departamento de RH-FFM referentes à postura do colaborador durante a entrevista.

A entrevista como técnica de coleta de dados permite a obtenção de informações através das falas individuais, que revelam condições estruturais, sistemas de valores, normas, símbolos e representações do grupo estudado(31).