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processo, que desde 2007 a gente vem desenvolvendo um projeto em busca de um financiamento, então toda essa questão de montar um projeto de aprender a elaborar de buscar metodologias tudo isso foi me apaixonando demais, no entanto eu fui percebendo que nesse momento não é possível para eu viver só de pesquisa, por conta dessa falta de incentivo, a verba vem e quando vem tem seus entraves. Ai penso um pouco no que a M. falou da precarização. Quando o pesquisador de fato pode ser só pesquisador? ou pode ser pelo menos oito horas por dia pesquisador? O tanto que existe de incentivo tanto da universidade quanto dos órgãos de fomento? Ai fica, para mim, a evidência desta precarização porque poderia sair muito melhor, se sai bom poderia sair muito melhor numa pesquisa dentro da universidade se tivesse incentivo mesmo. Então o que falta eu acho que é só o dinheiro, porque eu acho que existe sim pessoas dispostas a pesquisar, pessoas que estão tão apaixonada quanto eu por todo aquele momento de pesquisador de entrar em contato com seus sujeitos com suas teorias. A vontade existe, acredito que as vezes não existe a oportunidade de que você se dedique para. Acho que é isso.

R. : Eu queria fazer uma colocação a partir do que você disse, eu queria falar sobre financiamento sobre a ótica de uma pessoa que ainda está iniciando numa pesquisa , mas também de uma pessoa que trabalha em instituições que recebe pesquisadores. Que é meu caso, trabalho numa organização pública que ao longo da minha vida de trabalho me acostumei a receber pesquisadores, pessoas que vem da universidade querendo pesquisar alguma coisa na área pública. Acho que a pesquisa em ciências sociais ela é diferente da pesquisa em ciências exatas, ela é mais complicada por que vai lidar com seres humanos,

em instituições. Então o tempo dela não é o mesmo que você vai ter em uma pesquisa básica onde você pode controlar todos os fatores tem um tempo e acabou. São seres humanos, geralmente as pessoas que a gente trabalha, são pessoas que não possuem recursos para voltar e ficar a disposição, o pesquisador por outro lado também tem o seu tempo. Então a gente pensa assim, que todo dinheiro é pouco. Eu acredito que não é uma coisa barata, tem que ter um envolvimento muito grande com a organização que você está trabalhando. Acho difícil não trabalhar com esta parceria, quem esta trabalhando tem que entender e apreender o valor dessa missão. Mas também que a universidade tem perder um pouco a arrogância de que você vai trabalhar com a questão do agir. Eu tive recentemente um convite de uma pessoa que veio e me disse: eu quero fazer pesquisa com quem só usa crack, mais nada. Onde você vai arrumar isso? Eu nem preciso ser uma pesquisadora, eu estou apenas dando um exemplo, para saber que é impossível você ter uma demanda dessa, e para que serve uma pesquisa...só isso?! Isso é uma pratica diária, eu não estou presumindo isso, a gente vê pessoas com esta postura, e não tem noção nenhuma. Também penso nas pessoas que recebem os pesquisadores, por que a gente poderia fazer parcerias maiores para que essas pesquisas fossem feitas junto com as organizações. As instituições têm urgência de serem pensadas de serem pesquisadas, melhorar sob todos os aspectos, inclusive com o dinheiro mesmo, para não se jogar dinheiro fora, de ser uma coisa que venha mesmo melhorar trazer um beneficio a curto, médio e longo prazo. Para a gente trazer ciência para melhorar a vida das pessoas, melhorar as questões do dia-a-dia. Eu sinto que muitas vezes as pessoas chegam com uma hipótese tirada não sei da onde, e ai chora, pois você não vai ter como desenvolver aquilo, se estivesse pensado conosco isso lá... Tipo olha isto que está acontecendo aqui, isto que a gente precisa e a gente constrói junto e a gente tem uma parceria fantástica, por que você precisa de alguém que realmente te de um teto, de alguém para trabalhar para passar o dia, tem coisas que são impagáveis. Se não tem essa compreensão da sociedade, porque a universidade não pode ter a arrogância de chegar lá e falar eu acho que é isso e pronto. Eu espero quando eu chegar aqui eu não me esqueça disso lá (risos)... É verdade, porque às vezes as pessoas, elas choram, ficam assim muito frustradas, por que não dá dessa forma. O tempo das pesquisas humanas para a sociedade é totalmente diferente, aliás, você tem que controlar coisas incontroláveis, tais como o humor do gestor que está ali e pode te compreender ou não, que se ele fechar a porta para você, você não entra mesmo. E nós temos que compreender isso, porque eu fiquei muito incomodada com esta proposta e falei, mas onde a senhora vai encontrar essa demanda e para que serve? Eu não estou veja bem sendo simplista, de achar que a gente tem que ter uma visão utilitária da pesquisa, não é isto que eu estou querendo dizer. Mas acho que nós temos que ser mais sensível para a realidade que está ali e não o que está na sua cabeça, se não nós vamos ficar com este divórcio eterno da realidade com a academia. Eu acho que a academia deve estar dentro dos locais, dentro da sociedade, o conhecimento junto das pessoas. E saber que ciências humanas é infinitamente diferente das ciências exatas, pois você pode ficar doente, ficar grávida...

J. : Eu destacar uma coisa que você falou porque eu acho importante, a gente quando está fazendo a pesquisa, não minha pesquisa individual, mas a maior a gente vivência isso, que quando a gente elabora o projeto, a gente tem uma visão, mas que quando a gente adentra e vai estudando e vai aprofundando, a gente percebe que as coisas vão mudando e ai ta uma questão da gente ter uma flexibilidade na metodologia. Naquela questão sobre metodologia não pode ser mudada... Pode sim, porque não pode? E ai você também tem que escrever quando for escrever de metodologia lá no começo e não fazer uma metodologia fechada. Porque você estará trabalhando as ciências sociais, então várias coisas vão acontecendo e ai você vai ter de ter a flexibilidade o diálogo, adentrar naquele espaço criar estratégias que você só vai conseguir isso ter essa visão e essa flexibilidade fazendo e que o nosso micro

espaço lá de nossas pesquisas individuais que perpassa alguma coisa assim, mas é diferente. É diferente porque você não tem um outro para sentar e conversar sobre e apresentar e falar e agora o que vai acontecer? Como a gente vai, aconteceu isso...Como é que é então assim na pesquisa individual não se tem o diálogo. E ai eu percebo o seguinte, quando se fala em universidade, temos que diferenciar as públicas das particulares, porque as universidades públicas têm um foco e as universidades particulares outro. E o professor que está na universidade pública ele está recebendo para ser pesquisador, tanto que o número de horas aulas que ele tem é bem menor que você na Instituição privada se você ganha 40 aulas você tem que dar quarenta horas de aulas. Agora na instituição pública não você tem sua dedicação para a pesquisa, dedicação para o ensino e você pode também estar fazendo extensão. Então temos que ver estas questões e pensar um pouco nisso na formação que este pesquisar docente teve porque quando ele chegar lá e não quer saber de fazer pesquisa e ele deveria estar, pois recebe para isto. O fomento já parte de lá, meu sonho é entrar numa universidade federal porque eu já vou ser pago para isso. Agora além de ser pago para isso você vai buscar financiamento para custear o que as bolsas de iniciação científica, seja lá qual for a questão, mas você tem que ter essas estratégias também e criar estratégias é só vivenciando porque sem a vivencia disso a gente vai ficar somente na utopia de que isso é muito difícil e de que não tem financiamento, quando a gente monta um projeto e ele vem cortado, mas a gente não sabe porque ele vem cortado, também do diálogo de justificar porque tais benefícios não podem ser cortados, esse universo da pesquisa é um universo que a gente não conhece. E que a Pós Graduação daqui por mais que queira que a gente saia daqui doutor essa formação é muito pequena, porque a gente não tem a dimensão do que acontece nesse universo de pesquisa.

S. : No Núcleo que eu participo acontecem essas pesquisas, elas são poucas, aliás não sei se esta é a palavra certa, poucas, mas não consegue fazer com que todos que participam do Núcleo possam se incluir no grupo de pesquisa para ser efetivos pesquisadores, isto também é uma realidade, mas não impede que a pesquisa possa acontecer. O tempo é muito curto, pois dois anos não dá tempo para fazer tudo o que te oferecem. Não sei se é uma besteira isto que eu falo, pois penso que não adianta a gente fazer N números de pesquisa se a gente não fizer direito talvez uma delas fazer com que se invista recursos tempo, pessoas... Para que ela se frutifique, porque acho difícil fazer uma pesquisa fora da realidade, ela vai para realidade vai e volta para universidade. Acho que não dá para se dissociar muito isto dai. Claro que se eu faço parte da pesquisa é porque eu tenho afinidades com o tema. Acredito que este espaço do Núcleo, não só as pesquisa do cotidiano, mas dá para apreender sim muitas coisas para se pensar e se construir e ser pesquisador. Eu sou da educação, não sou do Serviço Social, sou pedagoga de formação, e você poder ser e fazer pesquisas, não sei, eu acho que os Núcleos sempre dão uma abertura para conhecimentos sobre pesquisa. Eu acho que essa participação no Núcleo para mim esta sendo muito importante, não estou em um grupo de pesquisa, mas ajuda na minha pesquisa individual.

V. : Eu posso dizer que sou um pesquisador quase que profissional eu entrei de gaiato no navio numa pesquisa do S. e entrei numa pesquisa individual numa tese de doutorado, como consultor e uma coisa que vou contar aqui para vocês é da minha frustração que tenho desta pesquisa que tenho com o doutor S. é que basicamente pelo menos a perspectiva que eu tinha na minha mente é que aquela tese ia se tornar uma coisa prática. Nós fizemos uma pesquisa bem prática sobre o uso de drogas dentro da PUC nós fizemos o levantamento, participamos mais de anos fazendo o levantamento via estudos, consultamos bibliografia e tudo o que tivemos de consultar para fazer esta pesquisa ai individual do doutorando S. e ai nós apresentamos um projeto para a Reitoria e este projeto está lá até

hoje e não teve retorno, ai uma frustração minha pessoal do público envolvido nesta área que lidei com a questão de drogas praticamente minha vida toda. Então tem essa forma que vocês colocaram que de repente é uma pesquisa que serviu apenas para o S. ser doutor, para o doutorado dele, está lá bonitinha arquivada na biblioteca, fez o livrinho bonitinho, com dedicatória até para mim está lá meu nome, está lá ele guarda lá na casa dele como se fosse um troféu talvez e eu não vejo vantagem nenhuma em troféus pendurados lá . A importância que eu veria dessa pesquisa era realmente de ver e implantar um programa de dependência química dentro da PUC – SP, ai sim haveria uma mudança de visão “...a PUC é um antro de Maconha...” essa é premissa do Içami Tiba. E nós tentamos mostrar e demonstramos que não é um antro de maconha, é um centro de excelência de estudos a PUC, das pessoas que estudam aqui a maioria veio para estudar, não veio para fumar maconha, quem fuma maconha é apenas aquele pessoalzinho que fica ali no pedalinho, três, quatro cinco gatos pingados, mas na frente de todo mundo, sai na televisão, sei para tudo quanto é lado. Então a minha visão enquanto pesquisador na pesquisa individual é essa. Ai entra essa pesquisa que nós estamos participando do Sistema Prisional Feminino ai é uma pesquisa em grupo e o que a gente percebe é que cada um daquele grupo, tem psicóloga, tem jornalista, tem assistente social, que juntos realizam uma pesquisa interdisciplinar com a visão de cada um e ai acontece um monte de coisas, discutem, lutam por verbas e estão exaustos por fazer pesquisa quase que voluntários, e o dinheiro será que sai, será que não sai. E graças a Deus eu não vivo só disso se não eu morreria de fome. Então não dá para viver de pesquisa no Brasil, agora é um assunto fantástico a pesquisa do Sistema Prisional Feminino e o diretor do presídio nos questionou o que íamos fazer lá, que tipo de pesquisa, pois eles já estavam cansados de pesquisadores por lá e não terem retorno então é aquela coisa do pesquisador chegar na realidade do problema e apresentar soluções. Qualquer instituição ela quer uma solução ela quer uma resposta, ela quer uma sugestão, enfim... Ela quer alguma coisa prática e ai que é o perigo dessa questão que a R. colocou, essa questão da teoria e da prática, da dicotomia que existe na academia. Eu sou uma pessoa que gosto muito de ler, mas eu procuro daquilo que eu ler por na prática. Porque eu trabalho com isso e ponho a mão na massa o tempo todo com dependentes químicos, alcoólicos, família de alcoólicos, e dependentes químicos de vários lugares que eu já trabalhei na minha vida e eu vejo que aquele livro aquela informação ela me ajuda a poder fazer um trabalho melhor e para mim faz sentido isto agora para mim, agora da forma que o S. colocou sua bela tese na estante da biblioteca e ai você é doutor, você é mestre, mas qual a utilidade, não sei se é a minha forma de ver as coisas, mas vejo esta questão utilitária mesmo da pesquisa. Aquilo que estou fazendo é útil? Um ponto importante para mim é qual é a minha utilidade? Não é a utilidade de vocês...é a minha utilidade. Estou aqui para fazer o quê? Qual é o meu objetivo? Qual a minha perspectiva né e se eu sou inútil, aquilo que eu faço é inútil é uma questão para ponderar para pensar... Estou fazendo isso só para somente ter este título, só pelo nome doutor, professora doutora...

A. L : Eu gostaria de falar de uma outra experiência nossa, onde estamos juntos e