Atualmente, é grande o número de estudos no Brasil que abordam o tema sobre aderência à prática de exercícios físicos em academias de musculação (FERMINO, PEZZINI e REIS, 2010; ROJAS, 2003; MARCELLINO, 2003; MORALES, 2002) no entanto, a maioria com o objetivo de investigar os motivos atribuídos ao
início ou a desistência de determinada prática, sem ter como base alguma teoria motivacional.
Chagas e Samulski (1995) em estudo intitulado "Análise da motivação para atividades físicas em academias de ginástica em Belo Horizonte", e tendo como objetivo diagnosticar e analisar os motivos que levam as pessoas a praticarem atividades físicas em academias, entrevistaram 200 clientes com média de idade de 25 anos em seis diferentes academias. Os resultados obtidos, sem distinção de sexo, foram: ―manter-se em boa forma física‖; ―melhorar o condicionamento físico‖; ―aumentar o bem-estar corporal e psicológico‖; ―melhorar o estado de saúde, o prazer e a aparência física‖.
Em revisão de literatura, com o objetivo de identificar os motivos de aderência e de desistência da prática de exercícios físicos em academias de ginástica no Brasil, Liz et al., (2010) identificaram que ―saúde‖ e ―estética‖ foram os motivos mais citados para a aderência, seguidos de ―resistência, condicionamento e aptidão física‖, ―bem-estar‖, ―proximidade da academia da casa ou do trabalho‖, ―qualidade de vida‖, ―prazer pelo exercício‖ e ―socialização‖. Por outro lado, identificou-se a ―falta de tempo‖, ―preguiça/falta de motivação‖, ―distância dos locais de prática‖, ―custo da mensalidade‖ e a ―baixa qualidade das aulas oferecidas‖ como os principais motivos de desistência da prática de exercícios físicos em academias de ginástica.
Soares (2005) investigou 61 mulheres de meia-idade, com o objetivo de analisar a influência dos fatores determinantes da atividade física sobre a motivação e a aderência. Quanto aos determinantes, verificou-se que: a) na dimensão pessoal, as mulheres atribuíram maior motivação à melhora do estado de saúde e do equilíbrio emocional, ao aumento do bem-estar geral, melhora do condicionamento
físico e da qualidade de vida; b) na dimensão comportamental e sócio-ambiental, os motivos foram prevenir doenças, melhorar o condicionamento físico, reduzir estresse de trabalho, desenvolver mais autoconfiança e condições favoráveis para prática; c) Os facilitadores para a prática foram: horário, local, característica da atividade, profissionais e orientação; e d) Os fatores que dificultam a prática de atividades físicas relacionaram-se à falta de tempo. Os resultados não demonstraram a influência do nível de aptidão na motivação das participantes. No tocante à aderência, verificou-se que: a) o número de aulas praticadas determina a condição cardiorrespiratória, b) o número de horas dedicadas ao trabalho, por dia, diminui a possibilidade de participar das aulas e c) a menor aderência associa-se ao ambiente desfavorável à prática. Dentre os motivos de desistência ao programa: predominaram as barreiras de ordem pessoal, relacionada à falta de tempo, cuidados médicos/pessoais e familiares, seguindo-se a barreira de ordem ambiental.
Silva et al., (2008) com o objetivo de avaliar a participação atual e passada de adultos em academias de ginástica de Pelotas/RS, realizaram um estudo de base populacional, incluindo 972 indivíduos de 20 a 69 anos de idade e relataram que a prevalência de prática atual e passada de atividades físicas em academias foi de 7,8%., e relatam ainda, que a maioria dos freqüentadores de academia o faz há mais de seis meses e realiza três sessões semanais de treino. Os motivos mais prevalentes para a procura das academias foram emagrecimento, prazer pelo exercício e preparação física. O nível econômico associou-se positivamente à participação atual e passada em academias. A idade esteve associada inversamente à prática passada e o tabagismo à prática atual.
Dentre os estudos que utilizaram a Teoria da autodeterminação para compreender o processo de aderência à prática de exercícios físicos em academias,
pode-se citar o estudo de Balbinotti e Capozolli (2010). O estudo procurou verificar se havia diferenças entre os índices motivacionais de seis dimensões (Controle de Estresse, Saúde, Sociabilidade, Competitividade, Estética e Prazer), controlando-se as variáveis: sexo e grupo de idade de 300 praticantes de ginástica de academia de Porto Alegre/RS, de ambos os sexos e com idades variando entre 18 e 65 anos. Os resultados indicaram que, quando controladas as variáveis Sexo e Grupo de Idades, a dimensão Saúde é a que mais motiva os praticantes de ginástica em academias.
Em estudo com 40 indivíduos com faixa etária de 18 a 30 anos Amorim (2010) verificou que os motivos para a prática da musculação foram a estética, prazer e saúde, seguidos de sociabilidade, controle do estresse e competitividade.
O estudo de Deschamps e Domingues Filho (2005) verificou que a maioria dos motivos de prática se repete em ambos os sexos (prazer na atividade física, melhora da estética, melhor condicionamento físico e qualidade de vida). No estudo, homens e mulheres diferenciaram-se quanto à socialização, mais presente para os homens, e realização pessoal, mais presente para as mulheres.
Alguns estudos apontam que parece haver diferenças entre os estilos motivacionais de homens e mulheres. O estudo de Murcia, Gimeno e Coll (2007) verificou, em amostra de adolescentes de 12 a 16 anos praticantes de esportes, que as meninas tinham motivação mais autodeterminada à prática esportiva quando comparadas aos meninos. Por outro lado, o estudo de Markland e Ingledew (2007) verificou diferença apenas entre os níveis de regulação identificada, porém com índices mais altos para os meninos. Há de se destacar a pouca atenção dada às diferenças motivacionais existentes entre os sexos na aderência à prática de exercícios físicos e esportes. Na maioria dos estudos revisados, essas diferenças não são discutidas.
Edmunds, Ntoumanis e Duda (2006) verificaram, pesquisando pessoas com idades variadas (16 a 64 anos), que a motivação intrínseca e a regulação integrada têm relação mais forte com os exercícios mais vigorosos, enquanto não se relacionaram com as atividades leves e moderadas. Esse resultado demonstra a maior entrega à prática de exercícios quando as regulações são internalizadas. Realizada a análise de regressão, observou-se, novamente, que a regulação integrada prediz mais fortemente a participação em tais atividades do que a própria motivação intrínseca.
Apesar da concordância entre os resultados de pesquisas em apontar que as motivações mais autodeterminadas estão mais relacionadas à prática de atividades físico-esportivas, a maior parte dos estudos têm demonstrado que as regulações identificadas e integradas são tão ou mais influentes sobre essas práticas do que a própria motivação intrínseca (VIANA, 2009). Para tanto, mesmo contrariando os pressupostos da TAD, de que pessoas motivadas intrinsecamente estão mais propensas a se engajarem em exercícios físicos, percebemos certa coerência nesses achados. Na atualidade, as atribuições do dia-a-dia como o trabalho e estudos, por exemplo, fazem com que seja difícil a aderência em atividades, simplesmente porque estas proporcionam prazer (MATIAS et al., 2010).
Devemos considerar ainda, a possibilidade de existir mudanças nos tipos de motivações entre a fase inicial da prática de um exercício e a adesão a um programa de exercício físico regular (MULLAN e MARKLAND, 1997). Segundo Ryan et al. (1997), as motivações extrínsecas predizem curto prazo de aderência, enquanto um envolvimento mais prolongado necessita de motivações mais intrínsecas. Para melhor compreender as motivações em diferentes fases da aderência ao exercício físico, Wilson et al. (2003) realizaram estudo experimental que verificou as
alterações longitudinais nos níveis de motivação de praticantes de programas de exercícios. Preliminarmente às sessões de exercícios, verificou-se que a regulação identificada e a motivação intrínseca tiveram forte relação com as atitudes e comportamentos para o exercício e o VO2max dos participantes. Com o decorrer da
prática, dentre outras análises, observou-se aumento nos níveis de regulação identificada e motivação intrínseca, o que demonstra que quanto mais tempo se pratica exercício sistematizado, menor a probabilidade de desistência, pois mais motivado intrinsecamente estará o indivíduo. Resultados semelhantes foram encontrados por Murcia, Gimeno e Coll (2007), que também concluíram que um maior tempo de prática está relacionado ao maior índice de autodeterminação.