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KAPITTEL 3 TEORETISKE PERSPEKTIV

3.8 Oppsummering

A procura energética está intimamente relacionada com factores, como a população, PIB e preço da energia. A gestão na procura energética contribui para um aumento da auto-suficiência e para a aproximação de uma solução custo-eficaz, promovendo um desenvolvimento económico sustentável.

O crescimento populacional promove um aumento da procura energética, reflectindo-se em termos de aumento de importações e/ou maior produção por recursos endógenos. O mesmo se aplica em termos económicos, a economia portuguesa tem vindo a decrescer nos últimos anos e, em resultado da crise económica e financeira que teve início em 2008, a política económica portuguesa tem apresentado medidas de austeridade com repercussões em consumos energéticos, quer ao nível das famílias, quer das empresas. Assim, irá se ilustrar a evolução do consumo de combustíveis e de electricidade, comparando com o rendimento médio das famílias. O crescimento económico está associado ao crescimento do consumo de energia, no entanto, na UE estabeleceu-se um objectivo de redução de consumo de 20%. Nos países europeus, e em particular em Portugal, com dependências do exterior elevadas, uma redução do consumo diminui naturalmente riscos de disrupção por factores externos. Hoje, tendo em conta as políticas climáticas, é desejável que haja uma dissociação entre o crescimento económico e o consumo de energia.

54 Por outro lado, em anos secos a produtibilidade hidroeléctrica baixa, pelo que o consumo que não pode advir desta fonte energética tem de ser compensado por outro tipo de fonte. Desta forma, torna-se essencial que a avaliação dos consumos e vulnerabilidades do modelo energético português seja enquadrado por certos factores socioeconómicos e climáticos (Tabela 4.1).

Tabela 4.1. Factores socioeconómicos e climáticos considerados para o estudo.

S Ó C IO - E C O N Ó M IC O S FACTORES DADOS/FONTE

Índice de crescimento da população (%) População residente (hab.) – Pordata Índice de crescimento do PIB (%) PIB a preços constantes (€2000) - Pordata Rendimento médio disponível das famílias INE

C L IM Á T IC O S

Índice de hidraulicidade REN

Índice de eolicidade REN

De seguida, serão abordados os indicadores de procura energética escolhidos para caracterizar a situação energética portuguesa. Além do cálculo dos indicadores, serão analisados os balanços energéticos disponibilizados pela DGEG, de forma a comparar a dependência energética com os factores climáticos.

a) PIB PER CAPITA E CONSUMO DE ENERGIA PER CAPITA:

De modo a relacionar o factor população com a procura de energia, devem-se considerar dois elementos fundamentais: o primeiro é o desenvolvimento económico em função da população dado pela relação PIB per capita; e o segundo o consumo energético per capita. Há uma relação entre o desenvolvimento económico de um país ou região e a sua população. Tipicamente, quanto maior o PIB per capita, maior o consumo de energia per capita. A média do PIB e do consumo de energia per capita, nos países em desenvolvimento, são geralmente 1/7 a 1/8 do valor verificado nos países industrializados.

Por outro lado, associado ao crescimento económico, há uma melhoria do nível de vida da população, aumentando por isso as necessidades energéticas. Apesar do desenvolvimento económico e o consumo energético estarem estreitamente ligados, o consumo energético varia entre países, conforme as características estruturais da economia, características climáticas, preços de energia e políticas de conservação de energia. Da mesma forma, alterações no PIB per capita não reflectem muitas vezes alterações proporcionais no consumo de energia, tendo como causas as políticas climáticas, que contribuem para a dissociação do crescimento económico com o aumento do consumo energético.

55 b) INTENSIDADE ENERGÉTICA

A intensidade energética mede a quantidade de energia necessária para gerar uma unidade de PIB. É um indicador de produtividade que reflecte a natureza da actividade económica, a estrutura do cabaz energético, o clima e a eficiência energética. As tendências das intensidades energéticas são influenciadas, portanto, por alterações estruturais nas actividades económicas e industriais, no mix energético e na eficiência energética (WEC, 2008).

Se a redução da procura energética for acompanhada por fortes níveis de crescimento económico indica que a economia encontra-se mais segura dos efeitos das flutuações dos preços energéticos. Em particular, uma melhoria nas intensidades de petróleo e gás natural indicam uma diminuição na dependência que uma economia tem sobre os combustíveis. No entanto, é importante referir que uma diminuição no consumo de energia, devido a redução da procura estimulado por preços elevados, não reflecte uma melhoria global da segurança.

Desta forma pode-se calcular a intensidade energética de acordo com a equação (1)

; (1)

Onde, CEP: consumo de energia primária; PIB: Produto interno bruto a preços constantes.

c) DEPENDÊNCIA ENERGÉTICA

Numa primeira análise vai-se avaliar a evolução do cabaz de energia primária português de acordo com os factores climáticos, tentando perceber qual a relação entre o indicador dependência energética e os índices de eolicidade e hidraulicidade. Não serão analisados o impacto de extremos climáticos nos picos de procura de energia e a sua relação com a dependência energética. O indicador dependência energética é um indicador simples, vulgarmente utilizado neste tipo de estudos, calculando-se de acordo com a expressão (2):

(2)

í ;

í çõ í Onde, DE - Dependência Energética (%);IL - Importações líquidas (PJ);CEP - Consumo de Energia Primária (PJ); IB - Importações brutas (PJ); ∆stocks - Variação de stocks (PJ).

Os dados para o cálculo do indicador dependência energética foram retirados dos balanços energéticos disponibilizados no site da DGEG, os índices de eolicidade e hidraulicidade foram fornecidos pela REN.

A dependência energética reflecte a vulnerabilidade dos sistemas energéticos ao exterior, já que elevadas dependências energéticas reflectem a necessidade de maiores importações para a satisfação das necessidades energéticas.

56 d) DIVERSIDADE

Desde a decisão de Churchill em mudar a fonte energética da Royal Navy (de carvão para petróleo), na altura da 1ª Guerra Mundial, que a diversidade é uma questão essencial para a segurança energ tica, tendo afirmado: “On no one quality, on no one process, on no one country, on no one route, and on no one field must we be dependente (…) Safety and certainty in oil lie in variety and variety alone” (Yergin, 2011). A diversidade pode ser analisada em termos de fontes energéticas, fontes de abastecimento, rotas e infra-estruturas energéticas. Uma vez que a auto-suficiência de um país é um objectivo altamente irrealista, dadas as interdependências existentes nos sistemas energéticos no mundo actual, a diversidade constitui uma forma de resiliência a possíveis disrupções, pelo que quanto maior a diversidade, maior a segurança de abastecimento.

De acordo com Stirling (1998), um indicador de diversidade deve considerar três elementos essenciais: variedade (número de categorias), equilíbrio (extensão de categorias) e disparidade (diferença entre categorias, ou seja a natureza e o nível em que as categorias diferem entre si). Dada a dificuldade e a complexidade do conceito de disparidade num indicador de diversidade (Skea, 2010), optou-se por escolher dois indicadores que traduzem duas daquelas propriedades, a variedade e o equilíbrio: Indicador de Shannon-Wiener (SWI) e o de Herfindahl-Hirshmann (HHI). Apesar de Stirling (1998) ter verificado que o indicador mais satisfatório, embora não reflicta a disparidade, seja o SWI, optou-se por calcular também o HHI pela sua vasta utilização em estudos de segurança de abastecimento e de forma a ter maior confiança nos resultados obtidos.

O estudo deste indicador irá abranger a diversidade de recursos na matriz energética primária. Vários estudos aplicaram o indicador de Shannon ou uma variante para avaliar a diversidade do cabaz energético (Jansen et al., 2004; Grubb et al. 2006; APERC, 2007; Costantini et al., 2007). Já o HHI é muito utilizado em estudos de segurança de abastecimento, mas geralmente foca-se na concentração do abastecimento (Grubb et al., 2006; IEA, 2007; Gupta, 2008).

O indicador de Shannon ou de Shannon-Wiener é muito utilizado em ecologia para estudos biodiversidade, tendo sido criado em 1962. Actualmente é muito comum a sua utilização em estudos de diversidade, incluindo os de abastecimento energético ou geração de electricidade. Para o cálculo da diversidade consideraram-se seis fontes energéticas, de acordo com a sua importância actual ou potencial na matriz energética portuguesa: petróleo, gás natural, carvão, hídrica, eólica e outros renováveis. Este indicador calcula-se através da expressão (3):

(3)

Onde, pi é a share do recurso energético i no consumo de energia primária.

O SWI é uma medida simplificada de diversidade, uma vez que para o seu cálculo só se utilizam as contribuições de cada fonte no cabaz energético. Como se pode verificar na Figura 4.2, o seu comportamento depende do número de fontes independentes (o que Stirling define como disparidade).

57 Figura 4.2. Indicador de Shannon–Wiener. Adaptado de Kruyt et al. (2009).

O valor mínimo assumido pelo indicador é zero representando a contribuição de apenas um recurso no sistema energético. Um sistema com duas fontes energéticas independentes e com a mesma contribuição, ou seja cada uma com uma contribuição de 50%, terá uma diversidade de 0.69, representando a maior diversidade possível para um sistema nestas condições. Para seis formas de energia, o valor máximo de SWI é de 1.79. A Figura 4.2, indica que para valores abaixo de um, o sistema é muito concentrado e dependente de uma ou duas fontes, a um nível que, na ocorrência de alguma disrupção, pode ameaçar a segurança energética. Valores acima de dois apontam para sistemas com várias fontes, em que nenhuma terá um papel dominante, e consequentemente, este sistema é seguro no caso de alguma fonte falhar (Grubb et al., 2006).

Quanto ao indicador Herfindahl-Hirschmann (HHI), também é conhecido pela sua contribuição em estudos de diversidade no ramo da ecologia como indicador de Simpson, e em economia como indicador de concentração de Herfindahl-Hirschman. O HHI é uma medida de concentração de mercado vulgarmente utilizada pelos governos, como US Federal Trade Commission e UK Office of Fair Trading (IEA, 2007; Skea, 2010).

O HHI obtém-se pela expressão (4):

(4)

Onde, pi é a share do recurso energético i no consumo de energia primária.

Os valores variam entre 0 e 1, em que quanto menor o valor de HHI, mais diverso é o sistema. De modo a que os dois indicadores variem da mesma forma, é usual utilizar 1-HHI na avaliação da diversidade.

Estes dois indicadores de diversidade, variam de forma semelhante tal como se pode verificar na Figura 4.3. Nesta figura, encontra-se representado um sistema com três fontes energéticas, em que uma delas varia de acordo com o eixo xx, e as restantes representam o que sobra de forma equitativa. A maior diversidade ocorre quando as fontes energéticas têm uma participação equivalente, HHI assume valor zero (1-HHI assume 1) e a diversidade mínima quando apenas uma fonte representa 100% do portfolio.

58 Figura 4.3. Variação de HHI, 1-HHI e SWI.Adaptado de Kruyt et al. (2009).

e) NET ENERGY IMPORT DEPENDENCY (NEID)

Este indicador é uma medida combinada de diversidade e de dependência energética, criado pela APERC (2007). Tal como se pode verificar na expressão (5), o indicador de Shannon foi adaptado numa medida de dependência ponderada com a respectiva diversidade de recursos energéticos (Kruyt et al., 2009).

(5)

Onde, mi é a share das importações recurso energético i, e pi é a share do recurso energético i no consumo de energia primária.

Deste indicador, obtém-se um valor sob a forma de percentagem. Valores próximos de zero sugerem que a economia depende de recursos endógenos para satisfazer as suas necessidades energéticas primárias. Valores próximos de 100% apontam para uma economia fortemente dependente do exterior, e portanto, reflecte maior risco para a segurança de abastecimento (APERC, 2007). No entanto o contrário não se pode assumir, uma vez que o facto de não se importar estes recursos não significa que o sistema energético não apresente vulnerabilidades quanto à segurança. Ao depender totalmente de FER, pode não ocorrer a satisfação das necessidades totais de energia, devido a certos eventos, como por exemplo anos de seca.