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KAPITTEL 5 HVERDAGSLIV I VELFERDSAVHENGIGHET

5.8 Skam truer verdighet

Desde 2000, a contribuição das energias renováveis tem aumentado bastante no consumo de energia na UE, tendo crescido cerca de 3,9% ao ano, de 2000 a 2010. Estes números devem-se, principalmente, ao aumento da produção de electricidade a partir de biomassa, eólica e fotovoltaica. Contando com 63% da produção bruta de electricidade a partir das renováveis em 2010, a hidroelectricidade é a fonte renovável mais importante na produção de electricidade na Europa. Já outras fontes têm vindo a consolidar-se no mix energético. A eólica, em particular, tem feito um bom progresso, com uma evolução da capacidade instalada de 8 000GWh em 1997 até 70 000 GWh em 2005, registando um aumento de cerca de 150% desde 2000. A electricidade gerada a partir da biomassa também teve numa taxa de crescimento de 13%, em 2003 e de 23% em 2005. A solar fotovoltaica instalada teve uma taxa de crescimento anual de 70% na UE (com um papel importante da Alemanha), mas a sua contribuição na geração de electricidade, em 2010, ainda representava apenas 4% da produção bruta de electricidade total a partir de renováveis (EC, 2008).

Apesar do sector eléctrico ter registado o maior aumento em termos de renováveis, o sector de consumo final mais importante é o aquecimento (57% face 43%) (IEA, 2008). Ao contrário do que se passa no sector eléctrico, as renováveis para aquecimento não sofreram grande evolução, nos últimos anos, porque não dispõem de uma rede que permita a sua integração, dependendo, o seu desenvolvimento futuro, na criação de novas infra-estruturas ao nível das redes e o desenvolvimento de tecnologias (IEA, 2008). A utilização da biomassa, especialmente a lenha, é a fonte renovável mais utilizada para aquecimento. Países como Itália, Suécia, Hungria, França e Alemanha, são os maiores produtores de calor a partir da energia geotérmica da Europa. A energia solar térmica alastrou-se na Alemanha, Grécia, Áustria e Chipre. Verifica-se assim, que há diferenças evidentes na utilização das renováveis para o sector eléctrico e para aquecimento (EC, 2007).

REDUÇÃO DA DEPENDÊNCIA DAS FÓSSEIS

Uma vez que as renováveis são produzidas endogenamente, uma maior contribuição destes recursos no mix energético, pode ajudar a reduzir a dependência das importações de fósseis (como o gás natural), a partir de regiões instáveis. Como tal, reduz-se a competição pelo acesso aos recursos energéticos fósseis que são cada vez mais escassos. Por outro lado, a natureza local e descentralizada da produção das renováveis diminui os riscos de disrupção inerentes ao transporte, bem como perdas de transporte transfronteiriças. As pequenas hídricas e as eólicas (de baixa capacidade) para autoprodução, por exemplo, tendem a ser mais dispersas e a não terem grandes riscos ao nível da segurança (quanto à exposição a sabotagem) (IEA, 2007a).

A escassez não constitui um problema para a grande parte das renováveis. Algumas têm um potencial ilimitado, especialmente nos países do sul da Europa como a Itália, Espanha, Portugal e Grécia. A biomassa tem a vantagem de poder ser armazenada, e como tal, pode melhorar a segurança de abastecimento, uma vez que pode fornecer uma capacidade excedentária para a produção de electricidade ou para aquecimento. As tecnologias das energias renováveis são flexíveis,

49 em termos de escala e tipo de utilização. A hidroelectricidade, por exemplo, tem um tempo de resposta rápido às necessidades de produção e, portanto, é capaz de satisfazer flutuações inesperadas de procura, ou ajudar a compensar perdas de produção por outras fontes. A hídrica, tal como a biomassa, pode ser armazenada e utilizada para equilibrar o sistema de produção com outros recursos muito variáveis, colmatando a variabilidade sazonal ou diária (IEA, 2007a).

PREÇOS

O problema da segurança de abastecimento também é reflectido nos preços das energias fósseis, nomeadamente no gás e no petróleo. A electricidade ou aquecimento gerado por fontes renováveis não se encontra tão sujeito a flutuações de preços, quando comparados com as fósseis. Também, através da utilização de mais renováveis, a pressão imposta pelos preços de gás é menor (Egenhofer and Jansen, 2006). Nas regiões mais isoladas e rurais, também há benefícios decorrentes de uma maior distribuição na geração de electricidade (produção descentralizada).

Contudo, a contribuição das renováveis na segurança de abastecimento, na UE, pode ser reconsiderada, quando considerados alguns aspectos estruturais. Um aumento de contribuição de renováveis, nomeadamente quando se fala em eólica, biomassa e fotovoltaica, pode ter algumas desvantagens. O vento é intermitente porque as turbinas não funcionam quando o vento se encontra muito fraco ou muito forte, uma vez que há o risco de danificar as turbinas. A fotovoltaica (PV), é sujeita a variações sazonais (Inverno/Verão) bem como variações diárias (dia/noite). Desta forma, a PV não consegue responder à variação de procura de electricidade (IEA, 2007a). A possível falta de continuidade na geração de electricidade a partir do vento, e da energia solar, requer uma capacidade de reserva das outras fontes mais flexíveis. Idealmente, esta diferença pode ser satisfeita por outras renováveis, como as grandes hídricas, ou por outras fósseis, como o gás natural e o carvão. É importante notar que a capacidade de reserva aumenta os custos da geração de electricidade através de renováveis.

Deve-se ter em conta que, no longo prazo, algumas renováveis podem vir a ser comercializadas entre países aumentando os riscos inerentes às importações, como, por exemplo, no caso da biomassa. As suas características físicas, nomeadamente a facilidade de armazenamento e transporte, permitem estabelecer uma comparação entre os riscos de abastecimento das fontes tradicionais e os da biomassa, tanto em termos de disponibilidade física, como em termos de preços. Para a biomassa, há o risco de conflito de usos, uma vez que o solo utilizado na produção de biomassa também pode ser utilizado na produção alimentar. Outra preocupação na dependência das importações relaciona-se com a energia solar (concentranting solar power), produzida no norte de África e no Médio Oriente. Por um lado, o projecto permite a Europa diversificar as fontes energéticas limpas, por outro lado aumentam-se as importações de regiões instáveis.

50 Figura 3.15. Custos das tecnologias das renováveis entre 2004 e 2030. Fonte: IEA (2007a)

A relativa imaturidade da maior parte das tecnologias das renováveis torna-as, de um ponto de vista económico, não muito competitivas. Apenas a geração de electricidade através da hídrica teve tempo para amortecer estes custos que baixaram para 0,03 USD/kWh para grandes hídricas e 0,2 US/kWh para as pequenas hídricas. A solar fotovoltaica é produzida a um custo de 0,5 a 0,45 USD/kWh enquanto os custos capitais para a solar térmica são cerca de 2 500 USD/kW e 5 500 USD/Kw para a solar fotovoltaica (IEA, 2007a). O preço médio para grandes eólicas é de cerca de 1000 USD/kW e a eólica offshore pode custar entre 35 a 100% mais. A longo prazo, com amadurecimento das tecnologias, os custos de capital e de produção baixam, tornando estas tecnologias mais competitivas, tal como se encontra representado na Figura 3.15. A IEA (2006a) espera que as renováveis (com a excepção da eólica), com a duplicação da capacidade instalada, atinjam uma redução na ordem de 15-19% dos custos capitais. De forma a tornar estas tecnologias economicamente viáveis é necessário mais incentivos ao investimento e mudanças ao nível dos consumos nos consumidores.

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