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7   Samlede  betraktninger

7.1   Oppsummering

Os grandes motivadores da criação da comunidade foram Antonio Prudêncio e Maria de Souza que em 1963 sentiram a necessidade de ter uma igreja mais próxima do bairro. A população estava aumentando muito e as pessoas reclamavam um lugar para suas orações. Havia já um terreno vazio, no alto do Morro que parecia indicado para construção da Igreja.

O Sr. Antonio Prudêncio resolveu então conversar com o Pe. Pedro Pereira Pinto, responsável por toda a Paróquia, que estava celebrando uma missa na Comunidade Imaculada Conceição. O Padre recebeu com alegria a idéia e autorizou a colocação de uma Cruz no local escolhido, para não ser invadido.

Assim foi feito. As pessoas animadas começaram a rezar e trabalhar. Realizavam novenas nas casas e leilões para arrecadar dinheiro para construir um pequeno barraco. E em 29 de junho de 1964 foi celebrada a 1ª missa no barraquinho, presidida por Padre Pedro. A partir daí o número de pessoas na comunidade e nas celebrações foi crescendo.

A senhora Maria Oliveira Chagas, conhecida como Mariquinha, conta como eram as atividades neste barraquinho:

Nesse barraquinho, a gente rezava o terço, cantava ladainha em latim. Depois pra frente surgiu um estudo bíblico, que era com um rapaz, o Pedro. Ele dava estudo bíblico, ensinava a separar os livros da bíblia, dizia quantos livros tinha, quantos a igreja evangélica tinha, quantos faltava, e aí nos começamos até a fazer homilia238, Depois de um tempo de estudo, cada dia ele colocava alguém para fazer homilia, eu

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Homilia é a reflexão das leituras bíblicas realizadas num grupo. O termo homilia significa "conversa familiar". Esta deve fazer a ligação entre a Bíblia, a vida dos presentes e a celebração. Deve clarificar as leituras e questionar a realidade, tentando perceber o sentido dos acontecimentos no plano de Deus, tendo como ponto de referência a pessoa, a vida, a missão, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo. A homilia ou partilha da Palavra abre perspectivas, esclarece, mostra a presença e a acção de Deus dentro dos acontecimentos

quase chorei no dia que ele falou que era eu que ia fazer, nós ficávamos tão nervosas. Mas a gente tinha que começar para poder aprender. Ele era o líder, era o Presidente da Comunidade, não tinha Conselho ainda, não tinha nada. O estudo bíblico deve ter começado por volta de 1974, ou antes, pois não tinha a Caminhada ainda.

Hoje o Pedro que dava os círculos bíblicos mudou de religião e é Testemunha de Jeová. Na época a gente fazia umas orações, misturava o terço e fazia uma leitura bíblica com homilia. Formato de Celebração só quando chega a caminhada.

O barraco ficou muito pequeno. Para acolher melhor o povo seria preciso construir um maior, então o desmancharam e fizeram uma Igreja maior, ainda de tábuas. As missas eram raras, só em 1969 com a chegada dos padres José e Geraldo é que houve um acompanhamento sacerdotal mais próximo à Comunidade. No inicio dos anos de 1970 a Comunidade também recebeu acompanhamento da Irmã Francisca que reforçou as equipes e organizou a Igreja até o nascimento do Conselho.

A construção de uma Igreja de alvenaria se daria somente em meados da década de 1980 (Fotografia 16), por iniciativa do Grupo de Mulheres, que trabalhava intensamente na Comunidade. A senhora Vera Lúcia da Silva Anacleto, moradora do Morro Aparecida desde 1968, conta o episódio:

Como não tinha dinheiro para comprar o material da Construção de uma Igreja nova, alguém no Grupo de Mulheres teve a idéia de pegar pedras na pedreira desativada da CVRD que existia aqui perto. Hoje é um lago super perigoso. Aí o grupo de mulheres foi pra lá. juntar pedra, para carregar depois, para construir a Igreja, pelo menos dava para fazer os alicerces. A gente só juntou, foram os homens que carregaram para o alto do morro

A chegada de Padre Bernardo marca a intensificação dos cursos de formação. Ele organizava grupos de estudo que iam desde estudos bíblicos a análise da conjuntura sóciopolítica da época. A senhora Maria Oliveira Chagas conta como foi a sua primeira reunião com o Padre Bernardo:

Com a chegada dele teve muita reunião com a gente. A primeira reunião que ele fez com comigo, ele chegou e colocou o pé em cima de uma pessoa e perguntou o que significava aquele pé em cima de uma pessoa, perguntou a alguém e começou a dar bala. E nós não sabia o que aquilo significava.

Depois ele explicou, que era os político, as pessoas maiores massacrando os pequenos, e dando bala para gente não sentir o peso do pé.

Fazia muita reunião para mostrar a realidade que a gente não devia ficar em baixo do pé. Ele não saia da casa da gente. Ele falava muito e adorava tirar foto de tudo.

Quando Padre Gabriel chegou para substituir Padre Bernardo o trabalho de conscientização política estava em andamento na Arquidiocese como um todo. Seu pastoreio na região vai intensificar esse aspecto da vida da Igreja e tornar cada vez mais conhecida por todos a opção

política que as CEB’s estavam assumindo naquele momento de abertura política. A censura diminuiu e as eleições começaram a fazer parte da vida das pessoas de uma maneira diferente. Era preciso preparar o povo para viver numa democracia. De acordo com a senhora Vera Lúcia Padre Gabriel explicava o que estava acontecendo na política local e nacional.

Ele não gostava que os políticos enganassem o povo, então ele colocava a gente a par dos podres dos políticos. Tinha um jornalzinho, chamado De Olho na Câmara (Câmara de Vereadores). Tinha uma equipe, um de cada comunidade, que ia lá para ficar olhando o que acontecia e depois fazia aquele panfleto, mas quem trazia para cá era Padre Gabriel e distribuía para todos da comunidade. Era ele que avisava quando tinha alguma coisa importante para ser votada.

Padre Gabriel motivou a organização de grupos de Juventude Operária Católica (JOC) em cada comunidade do Setor. Esse grupo juntamente com a Associação de moradores passou a organizar o Carnaval Popular. Era um bloco que saia sempre no ultimo dia de Carnaval, na terça feira. Ia caminhando e festejando de Flexal à Porto de Santana, com musicas que criticavam a desigualdade social e a inércia do poder público. A Senhora Vera Lucia relembra com saudade:

Era mais freqüentado pela JOC, mas a gente ia pro samba também, e ajudava a preparar o Carnaval em cima da realidade que estava acontecendo. A gente pegava o que estava acontecendo na política. Vamos supor que alguém fez uma coisa errada lá. Então a gente pegava aquela coisa que ele fez para poder malhar aquela pessoa no Carnaval. Mais ou menos como o Grito dos Excluídos.

Era uma passeata, na verdade era um bloco. A gente saia lá de Flexal e vinha até a pracinha da baixada. Tinha batucada, todo mundo cantando, sambando, fazia caixão, tinha boneco, batia panela, essas coisas assim.

Na época a gente cantava nossas próprias musicas. Tinha uma do Delfim Neto, que o refrão dizia: é ovo no almoço, é ovo no jantar e essa turma toda ai para nos roubar.

No Jornal da Arquidiocese239, produzido pelo Secretariado de Pastoral de Vitória, encontramos meia página escrita pelo Padre Gabriel, dando notícia dos trabalhos realizados em Cariacica, dentre elas uma nota sobre o Carnaval Popular, que descrevo abaixo:

O Carnaval Popular de Porto de Santana é organizado pela Associação de moradores, Comunidades e pela JOC, este carnaval popular existe desde 1980, ele mostra a realidade do dia a dia em Porto de Santana e Flexal. É um protesto com boas alegorias. Entretanto muitos desejam que no ano que vem, além de percorrer as ruas de Porto de Santana, ele vá até Campo Grande, talvez com a participação da FAMOC – Federação das Associações de Moradores de Cariacica.

O Carnaval popular é um exemplo das muitas atividades que aconteciam nas comunidades nos anos de 1980. De acordo com o depoimento de Aluízio Xavier Filho, o boletim Caminhada era um dos grandes motivadores da focalização dos trabalhos da Igreja em aspectos políticos da sociedade. O Boletim falava muito em luta e sindicalização.

A própria Caminhada só trazia política, vinha da Arquidiocese, o Padre Gabriel tinha o apoio total da Arquidiocese, ele não fazia um trabalho isolado. Na caminhada vinha falando de Sindicato, das lutas do trabalhadores, da luta da mulher, de todas as lutas.

No final da Celebração dominical, nos avisos, sempre tinha convite para alguma movimentação política: Oh, tem reunião no movimento comunitário pra isso e pra aquilo, tem abaixo assinado reivindicando isso e aquilo, e convidava a comunidade para assinar, e iam para a porta da Igreja pegar assinatura.

Mas teve época, neste período do Padre Gabriel que até na parte político partidária teve indicação, ele era tão afoito que chegou a afirmar que Nodir Colombo240 era o candidato das comunidades, ele pediu voto aberto a Comunidade. E Nodir ganhou para vereador do bairro.

Apesar de todo esse trabalhom de conscientização política, de toda a crítica realizada pelo Padre Gabriel, há quem diga que o padre não se posicionava diretamente sobre um partido ou outro. A Senhora Vera Lucia afirma que ele explicava a importância da participação do povo nas decisões políticas. Em seu depoimento ela esclarece:

Até hoje a Igreja fala o que você deve fazer: você tem que escolher um bom político, só que bom político você não vê olhando a cara né? Tem que conhecer a antecedência dele, também conhecer o projeto dele, e a Igreja não fala em quem você deve votar, nem em qual partido.

Gabriel não falava que você tinha que votar em fulano, ele só mostrava a realidade pra nós, então quer dize,r você ia pelo caminho que quisesse. Só que naquela época a política era mais criticada. Você via que a prefeitura era comandada por duas famílias e nada de melhoramento, a gente não via as coisas melhorar. Foi ai que as pessoas foram abrindo a mente e ele foi mostrando os erros de quem estava no poder.

Todo esse trabalho de formação dos leigos e conscientização política criou uma liderança forte nas comunidades, que embora tenha ficado abalada com o assassinato de seu Pastor, não parou de trabalhar com afinco a relação da fé com a política que haviam aprendido. O boletim Caminhada direcionava as celebrações e as pastorais já bem estruturadas continuaram seu

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Nodir Colombo era morador de Porto de Santana filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), hoje pertence ao Partido Comunista do Brasil (PC do B) e desempenha o cargo de Secretário da Agricultura de São Gabriel da Palha.

trabalho. A senhora Verá Lucia que as comunidades ficaram um tempo sem padre e que as coisas mudaram no direcionamento das ações pastorais em 1992 com a chegada do Padre Alfonso Pastore. Umas das mudanças foi o aumento do numero de comunidades que a senhora Vera Lúcia comenta:

Aqui no Morro Aparecida tinha uma Igreja só, depois com o Padre Alfonso nasceram mais 8 comunidades, que nem existem mais, agora temos 4 (quatro). Eu não sei porque ele queria colocar uma igrejinha em cada esquina.

Quando o Padre Alfonso chegou, não sei da onde ele arranjava tanto dinheiro para comprar tanta cazinha para fazer Igreja, o pessoal fala que era doação da onde ele trabalhava antes, do pessoal da Mata da Praia. (bairro nobre de Vitória). Veio abrindo um monte de Igreja, e o negocio era só rezar, rezar, rezar. Encontro de casais com cristo, experiência de oração.

Mas não tinha mais reuniões sobre o bairro, porque nessa época também a Associação de moradores já estava independente da Igreja. Porque antes como eram as mesmas pessoas que estavam na Igreja e na Associação o contato era muito maior. Depois o povo ficou dividido. A base que tinha foi acabando. As comunidades que foram surgindo elas não tem tanta ligação com as mais velhas, porque a formação deles é muito diferente da nossa. Então hoje tem certas horas na Celebração mesmo que o povo das comunidades novas tem um gesto e a nossa tem outro.

As mudanças de direcionamento da pastoral da Igreja aconteceram em todos os níveis da sua organização, não é um fenômeno especifico das comunidades estudadas. A mudança se consolidou nos anos de 1990 quando o Setor já havia se transformado na Paróquia São Francisco de Assis.