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Oppsummering

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A visualização de imagens mentais se dá através da figuração mental de imagens que viabilizam o livre trânsito de uma pessoa por espaços que, não fazendo parte de sua realidade concreta, objetiva e consciente, possibilitam o acesso a uma realidade subjetiva, imbuída de signos e símbolos muitas vezes intraduzíveis objetivamente.

Neste sentido, almeja-se que esta técnica atue como dispositivo de dissociação da Dor Espiritual, deslocando o paciente da sua condição de sofrimento para uma condição diferente que o permita dar novos significados e sentidos para o que está vivenciando.

Elias (2001, p. 46), reportando-se a uma afirmação de Caudill (1998), pondera que:

[...] essa técnica pode ser uma experiência emocional muito poderosa. O uso de imagens mentais permite ao paciente explorar a experiência não verbal, inconsciente dos significados e metáforas da dor. Pode também ajudar o paciente a estabelecer ligações com outras experiências ou interpretações que não poderiam ser obtidas através do raciocínio lógico sequencial. Isto, por sua vez, pode dar uma perspectiva e uma atitude totalmente diferentes com relação à dor, aumentando o controle do paciente sobre esta dor.

Elias (2005) cita três processos como necessários à técnica de Visualização das Imagens Mentais concernentes à RIME: Dissociação, Sugestão Indireta e Sugestão Direta. No primeiro procedimento, como o próprio termo indica, é oportunizada ao paciente a experiência de se desligar da sua realidade concreta, através do direcionamento do seu pensamento para outra condição, espaço e tempos distintos do que ele vivencia. No segundo

procedimento, Sugestão Indireta, o paciente é estimulado a se concentrar em imagens mentais benfazejas que foram escolhidas por ele previamente. Já o terceiro procedimento, Sugestão Direta, é enfático e conduz o paciente à minoração do seu sofrimento através de declarações específicas, incluindo citações ou imagens.

No caso da Visualização de Imagens Mentais, no contexto da RIME, aplicadas em pacientes fora de possibilidade de cura durante o mestrado e o doutorado, os elementos utilizados por Elias (2005) foram assim elencados:

1. Cenário de base: é apresentado ao paciente um álbum com uma variedade de paisagens da natureza, predominantemente em tons claros, que passem uma ideia de conforto, acolhimento, beleza e tranquilidade. É solicitado que escolha a que mais lhe provoca bem- estar para ser seu cenário de base. A autora aqui salienta que o cenário compõe um dos principais pressupostos desta pesquisa, que é a crença em uma vida espiritual pós-morte, e esclarece que ele simboliza: “Um mundo imaginário espiritual, belo e reconfortante, o qual pode ser identificado, segundo a nomenclatura definida por Miller (1997), como lugar de espera, onde tanto para os mortos quanto para os vivos a realidade da mudança começa a aprofundar-se” (ELIAS, 2005, p. 188).

2. Lembranças de vivências felizes anteriores: esse elemento tem como intuito estimular o paciente a se concentrar em eventos que o remetam à felicidade, acolhimento e conforto, através do processo de dissociação;

3. Túnel ou caminho luminoso dourado ou azul e seres de luz: a visualização desta imagem, associada à presença de seres de luz, irradiando energias benfazejas, integrando o cenário base mencionado no item um, ancoram-se nas pesquisas realizadas por Greyson (2000, 2003), Kübler–Ross (1998, 2003), Moody Jr. (1989, 1992), Morse e Perry (1997), Parnia e Fenwick (2001), Van Lommel (2004), Van Lommel et al. (2001), Weiss (1998, 1999) acerca da EQM, que serão mais detalhados no tópico referente à espiritualidade. 4. Símbolos de transformação: a água, a árvore com frutos, a vegetação, o trigo, e a cevada, foram incorporados ao cenário de base pela autora como símbolos de transformação. Neste item Elias (2005, p. 188) fundamentou-se em Jung (1986), ao referir-se à água como um dos “símbolos maternos ou de transformação”, significando “nascimento ou renascimento, vida que vem da água”, e também ao referir-se à árvore com frutos, na qual a árvore representaria a “vida humana” e seus frutos a “alma humana” ou o self, usando a terminologia Junguiana. Quanto às imagens da vegetação, do trigo e da cevada, Elias (2005) reportou-se a Von Franz (1995) quando a mesma afirma existir:

[...] a difundida ideia arquetípica de que os mortos voltam à vida, por assim dizer, do mesmo modo que a vegetação. [...] é comum aparecerem imagens de vegetação nos sonhos de pessoas próximas da morte. O trigo e a cevada por sua vez também podem ser tomados como símbolos de algo psíquico, algo que existe além da vida e da morte, um processo misterioso que sobrevive ao temporário florescimento e morte da vida visível (VON FRANZ, 1995 apud ELIAS, 2005, p. 189).

5. Imagens simbólicas diversas: peculiaridades concernentes a dor simbólica da morte do paciente, podendo ser introduzidas na visualização através da sugestão direta ou indireta.

6. Afirmações para que o paciente possa integrar-se com a beleza do universo, da natureza: através da sugestão direta, utilizando a natureza como pano de fundo, conduzir o paciente na mentalização de pensamentos concernentes à espiritualidade, ao que é positivo e belo.

7. Afirmações para o paciente observar sua própria beleza interior, suas qualidades: através da sugestão direta, orientar o paciente a elaborar pensamentos, que minimizem suas angústias, seu estado depressivo, especialmente as culpas.

8. Afirmações sobre aspectos do pós-morte: estas afirmações foram elaboradas pela autora a partir dos relatos de pessoas que passaram por uma experiência de quase morte (EQM).

9. Filmes e histórias: uso de material literário e cinematográfico com narrativas que gerem identificação do paciente com as mesmas, abordando temores relacionados ao processo da morte, auxiliando-o a produzir “insights” que promovam novas elaborações e re- significações.

Há que se salientar que ao longo da técnica de Visualização de Imagens Mentais, deve-se atentar para a respiração, inclusive solicitando que o experiente se observe nesta dinâmica, com vistas a estabelecer uma frequência respiratória mais harmoniosa e também como maneira do paciente ir se interiorizando.

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