7. Sogn og Fjordane
7.3. Oppsummering og konklusjon for Sogn og Fjordane
Os procedimentos quantitativos nos dão boas condições para distinguir a distribuição de evidências dos paradigmas em conflito (razões persecutória e mediadora) na rede organizacional do campo policial civil. Isto implicou em cotejar os pontos de vistas, representações e autorrepresentações do grupo profissional segundo distribuição por carreiras, por regiões geográficas (departamentos/regionais) e suas unidades de trabalho no Estado de Minas Gerais (delegacias). Características pessoais como escolaridade, nível socioeconômico, gênero e etnia, entre outros, também foram assumidos como elementos de análise.
O instrumento de medição foi um questionário de auto-aplicação, conforme se vê no anexo I desta dissertação. Além de mapear o perfil socioeconômico dos profissionais, ele agregou conjuntos de questões que pretendem representar a adesão aos dois eixos paradigmáticos estudados: a cultura persecutória e a cultura mediadora. Há questões que pedem respostas de identificação imediata entre o enunciado e o sentimento do respondente, mas também há outras que oferecem respostas por nível de concordância, utilizando um conjunto de 5 variáveis ordinais que oscilam entre os valores “concordo totalmente” e “discordo totalmente”.
A elaboração da peça passou por várias etapas. Num primeiro passo, foi desenhada pelo próprio mestrando com base na literatura da área e em sua experiência
profissional que, especialmente nos últimos anos, vinha sinalizando um processo de mudança no interior da organização policial civil. Em instante seguinte, visando depuração, o trabalho foi discutido com o orientador e outros pesquisadores, momento em que cada uma das questões foi examinada em perspectiva de conteúdo e abrangência dentro do contexto da dualidade “persecução X mediação”. A própria linguagem do questionário foi tramada buscando adequação e similitude com o fraseado comum à cultura policial civil, abarcando idiossincrasias e expressões lingüísticas características. Consumado este processo de aperfeiçoamento, foi remetido ao grupo selecionado. A aplicação atingiu alto índice de retorno com insignificante número de itens não atendidos. Assim, pode-se inferir que o questionário atendeu à expectativa de seus elaboradores.
Reuniões subsequentes definiram os critérios para interpretação dos respectivos dados. No agregado de questões foram demarcadas as concernentes a um e outro dos paradigmas observados, repita-se, o persecutório e o mediador. Para efeito de análise, ao primeiro atribuiu-se o designativo 1; ao segundo, o designativo 262. Neste último, incluíram-se, por exemplo, alternativas que faziam referência à participação da sociedade civil na solução dos problemas de segurança pública, o papel da imprensa, da opinião pública, da aproximação com os operadores das organizações “adjacentes”, tudo numa estratégia de percepção de possíveis vetores dos movimentos de mudança. Observe-se que as opções de resposta deste domínio (cultura mediadora) são numericamente inferiores ao do segundo (cultura persecutória). Isto foi assim para que fosse aumentada a força da presunção de uma escolha (dos respondentes) consciente e “menos forçada” sobre os itens que traduzem o paradigma tido por emergente. Nesta linha, sobre o modelo persecutório, considerado tradicional e aprioristicamente mais forte, enfatizou-se a lógica de que ação da polícia se reduz à identificação e à punição de criminosos. Portanto, de forma geral, as questões sempre apresentam a reafirmação de jargões e estereótipos que caracterizam a cultura policial classicamente hegemônica e, ao mesmo tempo, contém opções com vocábulos ou frases que apontam para algum tipo de ruptura com “a obsessão punitiva”.
Universo
É compreendido pelo total de servidores da Polícia Civil do Estado de Minas Gerais, cujo efetivo, em maio de 2009, era de 7.199 profissionais63.
Amostra
O tamanho da amostra foi fixado pelo parâmetro dual que caracteriza o problema deste estudo: a) a conjectura da persistência e hegemonia de um tipo nuclear da cultura policial civil, intitulado persecutório, ou seja, um ethos que, como dito ao longo desta dissertação, posiciona a ação técnica e institucional do campo policial civil na centralidade de uma visão “dura”, que pouco transcende a idéia de “investigar para punir” (aqui tratado como traço conservador); b) a aceitação de que outras concepções “desestabilizadoras” podem existir em contraposição à primeira. Buscou-se caracterizá-las em termos dicotômicos, ou seja, a probabilidade de encontrarmos, nas diferentes carreiras, percentuais de “resistência” ao modelo considerado preponderante, verificando extensão e outros atributos desta relação.
Através do método de amostragem aleatória simples, a fórmula utilizada para o cálculo da amostra foi:
,
onde:n: equivale ao tamanho da amostra;
Z: equivale ao valor padronizado em função do nível de significância;
P: equivale à estimativa da proporção do universo que adere ao procedimento persecutório;
Q: equivale à estimativa da proporção do universo que não adere ao paradigma persecutório;
E: equivale ao erro máximo permitido; N: equivale ao tamanho da população.
A amostra é constituída por 506 policiais civis, distribuídos por todo o Estado de Minas Gerais. Este número compreende uma margem de erro máxima de 4,2 pontos percentuais, em um intervalo de 95% de confiança. Estratificou-se o grupo segundo a distribuição das carreiras (delegado, perito, agente, escrivão e legista) nas diferentes regiões de Minas Gerais. Assim, a aplicação do questionário obedeceu ao percentual de cada uma dessas carreiras por área geográfica em nível dos 16 departamentos territoriais da Polícia Civil. Foram agregados também os 4 departamentos especializados da organização. Partindo-se do tamanho da amostra, selecionaram-se, aleatoriamente, as unidades que compõem cada um desses departamentos onde, finalmente, foram aplicados nos domínios das respectivas delegacias regionais e delegacias de polícia (ou, no caso dos departamentos especializados, em suas unidades internas)64.
Coleta de dados
Os questionários foram diretamente remetidos às Delegacias Regionais, notificados os respectivos chefes de departamentos. Nos 4 departamentos especializados, seus titulares foram os acionados. Esses delegados, pela posição na cadeia gestora da Polícia Civil, foram os responsáveis pela distribuição das peças entre os servidores. O material, impresso em número adequado e com os respectivos documentos agregados (01 carta de apresentação, justificação do projeto, autorização institucional/esclarecimentos do pesquisador e, finalmente, 01 TCLE/UFMG) foi enviado por malote e cada regional o devolveu ao núcleo da pesquisa. Esse processo transcorreu por dois meses meio.
O passo seguinte foi o enfoque técnico das respostas, visando a constituir um banco de dados para tratamento por intermédio do software SPSS. A análise desses dados obedeceu a seguinte ordem: a) descrição estatística tanto do perfil da amostra quanto da distribuição das percepções e opiniões dos profissionais respondentes. Nesse momento, as relações estatísticas concentraram-se no cálculo das
64A PCMG possui 16 departamentos territoriais, imediatamente subdivididos em regionais e, estas, em delegacias de polícia. Aboliram-se nomenclaturas do tipo: distrito policial, delegacia seccional. Este desenho corresponde às mudanças do já discutido processo político iniciado em 2003, havendo correspondência dessas estruturas com as da PMMG (que trabalha com 16 comandos regionais equivalentes). Os 4 departamentos especializados da PCMG têm suas bases na capital do Estado, mas ostentam o mesmo nível hierárquico organizacional dos territoriais. Ver figuras 2 e 3 no cap. 3.
frequências, das médias do desvio padrão, enfim, as relações que permitiam descrever o fenômeno estudado em diferentes aspectos. O objetivo nuclear dessa primeira fase foi mostrar os dados de forma concisa, porém, completa. Objetivou-se aí verificar se os conjuntos de sujeitos que compõem a amostra (no caso, os profissionais agrupados em cada carreira) apresentavam tendências semelhantes ou divergentes, considerando não apenas as diferenças próprias de cada carreira, mas também outras variáveis que poderiam exercer interferências. Contudo, como ensinam os especialistas (Doria Filho, 1999), esta primeira análise não é suficiente para se fazer inferências ou generalizações. Para tanto, é preciso incluir estatísticas analíticas que constituem o passo seguinte; b) conhecido o perfil da amostra e a freqüência das respostas relativas às posições dos profissionais em relação aos paradigmas em foco, selecionaram-se algumas dessas características para firmar uma análise de correlação entre variáveis. O intuito foi o de perceber a influência e até que ponto tais correlações são significativas. Por fim, aplicou-se a regressão linear para se conhecer, no conjunto das variáveis independentes, quais estavam mais relacionadas com o paradigma persecutório.