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3.3. Utvikling i mediemarkedet

A importância da indústria automotiva na sociedade contemporânea pode ser justifica- da por uma série de fatores. É um setor onde prevalecem equipamentos de base microeletrôni- ca, que tem adotado as mais modernas tecnologias de gestão, e representa um certo pioneiris- mo comumente seguido por outros setores industriais. É o setor em que têm ocorrido os maio- res esforços em prol da modernização da produção (ARBIX e ZILBOVICIUS, 1997; POS- THUMA, 1997; WOMACK, 1992).

A escolha do setor automotiv4o como foco da nossa pesquisa reflete não só a impor- tância de sua dimensão produtiva, mas também a sua capacidade de definir comportamentos. São muitos os pensadores que destacam o papel que este seguimento representa na sociedade contemporânea. Segundo Womack (1992):

(...) a indústria automobilística continua sendo a maior atividade industrial (...) No entanto, a indústria automobilística é ainda mais importante para nós do que pare- ce. Duas vezes neste século, ela alterou nossas noções mais fundamentais de como produzir bens. E a maneira como os produzimos determina, não somente como tra- balhamos, mas como pensamos, o que compramos e como vivemos (p. 1).

No que se refere ao caso brasileiro, também, são muitas as facetas, quais sejam, a eco- nômica e política, que fazem a indústria automotiva figurar com acentuado destaque social. Arbix e Zilbovicius (1997) reforçam a importância deste setor quando afirmam que o auto- móvel já foi tudo na História do Brasil:

Nos anos 50 era o motor do progresso nacional. E a sua produção em terras brasi- leiras, uma espécie de passaporte para a modernidade. No pós-guerra, poucas fo- ram as visões de desenvolvimento que prescindiram da indústria de autoveículos (...) Freqüentou os sonhos de ricos e pobres, de governantes e governados. Foi si- nônimo de progresso. Sua locomotiva. E, literalmente, o carro-chefe da nação (...) O surpreendente é que quarenta anos depois, apesar de todas as metamorfoses de economia brasileira e mundial neste final de século, a indústria de autoveículos continua destilando seus encantos. (p. 7-8)

Na realidade, não se pode falar em indústria mundial sem deixar legitimado o papel do setor automotivo e isso é bem visível no Brasil. Crescendo a taxas de 20% ao ano, foi também o setor que conduziu o chamado “milagre brasileiro” que ocorreu de 1968 a 1973 (SHAPIRO, 1997, p. 65).

3.1.1 As autopeças

Na trilha do setor automotivo, a indústria de autopeças inscreve-se como um ramo com significativa influência na economia brasileira e, ainda, como um pólo gerador de tecno- logia e de uma força de trabalho relativamente numerosa e extremamente qualificada. De a- cordo com o Sindipeças (2003),1 este setor obteve um faturamento de 10.920.000 bilhões de reais em 2002, o que corresponde aproximadamente a 2.4% do PIB nacional, e empregando, diretamente, cerca de 168.000 trabalhadores.

É importante ressaltar o fato de as empresas de autopeças estarem sempre acompa- nhando os avanços da indústria automobilística, tendo com isso que fazer contínuos investi- mentos em atualização, tecnologias e novos processos, assim como em alguns casos fazer alianças com empresas estrangeiras. Enfim, precisam seguir e antecipar todos os esforços das montadoras. O desenvolvimento da indústria de autopeças no Brasil, embora remonte ao iní- cio do século XX, ganha impulso com a vinda, e o posterior crescimento, da indústria auto- motiva a partir da década de 1950. Segundo boa parte dos pesquisadores, o alavancamento da indústria automotiva no Brasil, em meados da década de 1950, contará com o apoio de ações do governo, como a proposta de restringir as importações de veículos e componentes automo- tivos e a de incentivar financeiramente a produção de veículos que contivessem de 90 a 95% de peças produzidas no Brasil, o que foi mais relevante após 1956, com a posse do presidente

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Juscelino Kubitschek e sua política dos “cinqüenta anos em cinco”. Surgem o CDI – Conselho de Desenvolvimento Industrial e a Geia – Grupo Executivo para a Indústria Automotiva – que propunham estimular os investimentos no país e tomar as decisões para o desenvolvimento do setor, criando uma seqüência desenvolvimentista que só veio: conhecer crise no período de 1963 a 1968 (POSTHUMA, 1997; SHAPIRO, 1997). O Geia chegou, inclusive, a estabelecer um cronograma sobre a nacionalização da indústria automobilística, conforme aponta Gattás (1981):

Tabela 1. Cronograma do Geia para nacionalização da indús- tria automobilística no Brasil.

Prazos limites Caminhões Jipes Caminhões leves

31/12/1956 35% 50% 40% 01/07/1957 40% 60% 50% 01/07/1958 65% 75% 65% 01/07/1959 75% 85% 75% 01/07/1960 90% 95% 90% Fonte: GATTÁS (1981)

A partir da década de 1970, ainda que possa parecer paradoxal, as empresas de auto- peças ao mesmo tempo em que se estruturaram para atender as determinações das montadoras passaram, também, a influenciar a gestão do trabalho nas montadoras. De acordo com Addis (1997):

Ao contrário das considerações predominantes sobre a indústria brasileira, as em- presas de autopeças foram, na realidade, a força motriz para a consolidação e o de- senvolvimento do setor automotivo (...) Na implantação da indústria, mas também durante os anos 80, quando algumas empresas fornecedoras formaram cartéis, as tendências das indústrias foram, em grande parte, determinadas pelas firmas de au- topeças. Em outras palavras, a produção de veículos no Brasil acabou gerando ca- deias de desenvolvimento e a sua natureza foi profundamente condicionada pelas empresas de autopeças. Por volta de 1951, algumas empresas de autopeças, perten- centes em sua maioria a imigrantes, decidiram criar uma associação industrial. Um ano depois, esta associação transformar-se-ia no Sindicato Nacional da Indústria de peças para Veículos Automotivos – Sindipeças (p. 134).

3.1.2 Relação entre fornecedores de autopeças e montadoras

A relação entre as empresas de autopeças e as montadoras tem apresentado uma gran- de correspondência com a transformação na organização e gestão do trabalho. Em outras pa- lavras, a produção de veículos no Brasil acabou gerando cadeias de desenvolvimento e a sua natureza foi profundamente condicionada pelas empresas de autopeças. Neste sentido, a capa- cidade das autopeças em absorver e assimilar as mudanças na organização e gestão do traba- lho vem sendo fundamental para a adoção do padrão flexível e integrado conduzido pelas montadoras, notoriamente a partir da década de 1990.

De acordo com Salerno, num primeiro momento, os fornecedores foram instados a fa- zer entregas mais freqüentes e em lotes menores, numa tentativa de aproximação de um just in

time. Depois, foram chamados a colaborar nos projetos de produto. Daí, foi um pulo passar ao

fornecimento de Subconjuntos, ao invés do fornecimento de uma série de peças separadas que seriam montadas pela montadora final. Por um lado, uma tentativa de redução de custos, da- das as condições de trabalho e de salário, em geral relativamente piores nas autopeças; por outro lado, uma tentativa de reduzir investimentos necessários das montadoras, pois parte do ferramental, dispositivos, equipamentos destinados à montagem são agora de responsabilidade do fornecedor, ainda uma economia de espaço físico, e uma simplificação da gestão interna da produção (SALERNO, 1997, p. 509).

Nos últimos anos, outras mudanças contribuíram para o aumento da importância do setor de autopeças dentro da produção industrial. Posthuma (1997) afirma que:

cada vez mais, apenas os líderes mundiais de autopeças têm os recursos tecnológi- cos e financeiros para atender as demandas para se tornarem fornecedores de pri- meira linha. Essa tendência favorece a consolidação do setor de peças, que tradi- cionalmente sempre foi uma indústria pulverizada. Nesse sentido, a indústria de au- topeças está começando a assemelhar-se à indústria de montagem, tornando-se uma indústria globalizada, composta de grandes companhias transnacionais (p. 400).

Em relação à indústria brasileira, o setor de autopeças passou a viver uma situação de turbulência que transformou a estrutura do setor. A partir da liberação comercial, da vinda de novas montadoras e de um novo surto de investimentos, a indústria de autopeças está passan- do por um processo de concentração, envolvendo a extinção de parcelas significativas de seus integrantes. E das suas cinzas, está surgindo hoje uma nova indústria de autopeças compostas basicamente por empresas de maior porte e capital estrangeiro (Posthuma, 1997, p. 390).

Essa autora afirma, ainda, que ao fornecer para os mercados de maior demanda, tanto no Brasil como no exterior, estas empresas foram levadas a atualizar a qualidade e o design de seus produtos e métodos de produção, procurando acompanhar os padrões internacionais. Dessa forma, um grupo intermediário de firmas credenciou-se para as disputas em uma eco- nomia aberta, que está sempre exigindo a melhoria dos métodos de fabricação, de tecnologia e de design (POSTHUMA, 1997, p. 392).