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OPPSUMMERING OG AVSLUTNING

Quanto às propostas de capacitação, concluímos ser importante realizar orientações técnicas e organizacionais que evitem a ocorrência de acidentes e incidentes durante o trabalho, em virtude de fatores identificados na atividade como:

- Riscos de lesões dos membros inferiores durante o transporte da jangada com rolos de coqueiro;

- Risco de lesões nas mãos durante a colocação e retirada das redes do mar; - Risco de lesões com peixes, geralmente nas mãos e nos pés;

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- Risco de explosões navegação com motor, em preparar alimentos na embarcação, acender cigarros e acondicionar combustível no interior da jangada;

- Uso indevido de E.P.I´s, como luvas e coletes salva-vidas;

Com base no exposto, torna-se necessário, ainda, capacitar os jangadeiros para realizar procedimentos de primeiros socorros.

Quanto às propostas de projeto, deve-se considerar no projeto de uma jangada algumas questões que contemplem a segurança dos pescadores no mar:

- Utilizar material mais resistente no convés e fundo da jangada devido aos impactos com objetos perfurantes, com rolos de coqueiro durante o transporte da jangada e aos impactos com as ondas durante a navegação;

- Considerar a durabilidade deste material para diminuir a freqüência de trocas durante as manutenções;

- Utilizar grade de proteção na hélice do motor para que não entre em contato com objetos encontrados na superfície do mar (lixo) e causem riscos à segurança da tripulação caso ocorra uma frenagem brusca da jangada, evitando danos no motor e a queda do pescador no mar;

- Desenvolver um sistema de proteção que evite a queda do pescador no mar.

- Dispor de recipiente para retirada da água do interior da jangada como sistema de redundância, caso não disponham de nenhum outro no momento em que se faça necessário realizar este procedimento.

5.1.8 8ª Oficina

A 8ª oficina foi realizada no dia 25 de setembro de 2010, dando sequência à oficina anterior sobre segurança na atividade jangadeira. Na ocasião, as discussões giraram em torno de um incidente ocorrido com uma jangada de Ponta Negra, alguns dias antes da realização desta oficina. Dois jangadeiros saíram para a pescaria e perceberam que estavam sem combustível e em meio a uma tempestade tentaram abrir o pano da vela, porém o vento forte virou a jangada no mar. Após desvirarem a embarcação, perceberam que o pano estava rasgado e sem nenhum meio de propulsão para retornarem, à deriva até o dia seguinte, aguardando pelo resgate. Segundo os jangadeiros, a experiência dos dois tripulantes foi indispensável para manterem-se em

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calma até serem resgatados. Quando outros jangadeiros se deram conta de que eles ainda não haviam retornado da pescaria, entraram em contato com a Colônia de Pescadores e Capitania dos Portos, mas saíram à sua procura sem esperar que as buscas fossem iniciadas pelos órgãos competentes.

Este acidente evidenciou várias questões sobre os riscos para a segurança dos jangadeiros, quando estes não fazem vistorias adequadas na embarcação antes de saírem para a pescaria ou quando não tomam todas as devidas precauções para permanecerem mais tempo no mar, caso seja necessário. Dessa forma, durante discutimos sobre a quantidade de combustível comumente transportada na jangada, a importância de dispor de sistema de redundância na embarcação para o caso de panes nos meios de propulsão, os cuidados que devem ser tomados com a vela, a viabilidade de haver um kit de segurança na jangada para realizar reparos na vela e a capacitação necessária para fazer tais reparos. Segundo o jangadeiro J10, os tripulantes poderiam ter conseguido chegar à costa caso tivessem utilizado e estai aberto, mesmo sem a vela, e “descido a jangada de popa”, conforme linguagem específica do setor. Assim, haveria como a jangada se deslocar no mar, mesmo que sem um controle da direção desejada, mas poderiam atracar em praia nas proximidades de Ponta Negra.

Os jangadeiros estimaram que a quantidade mínima de combustível necessária para uma viagem de ida e volta a pesqueiros mais distantes, com duração de aproximadamente 1:40h a 2h, é de 8 litros. Na prática, eles relatam levar uma quantidade inferior, devido ao pouco poder aquisitivo para aquisição do combustível. Em meio aos relatos dos jangadeiros, constatamos que em alguns casos, podem ir ao mar sem levar consigo a vela, confiando somente no motor. Caso este apresente problemas e fiquem sem nenhum meio de propulsão, resta apenas esperar pelo socorro, conforme fala do jangadeiro a seguir: “Aí se for numa água seca espera, ancora e

espera que passe um vamo butá a bandeira pra trazer” (jangadeiro participante da oficina). A coordenadora do projeto buscou conscientizar os jangadeiros sobre algumas

práticas simples que poderiam ser feitas com o objetivo de minimizar estes riscos, como os cuidados com o pano da vela, devendo-se abri-la após a pescaria para não permanecer molhada, aumentando assim sua durabilidade; utilizar um kit de manutenção para fazer reparos na vela durante a navegação, quando necessário; quanto

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ao motor, utilizar grade de segurança na hélice para evitar que este pare de funcionar e possa ocasionar riscos de queda do pescador do mar devido à frenagem brusca.

Quanto ao kit de manutenção para fazer reparos na vela, o jangadeiro J22 lista os itens que poderiam constar na embarcação: agulha, cera, rolo de fio, linha e pedaços de pano. Os jangadeiros presentes na reunião informaram ter habilidade para costurar a vela, mas os menos experientes não saberiam como proceder. Esta questão fez surgir a discussão sobre o aspecto da cooperação, pelo repasse do conhecimento dos mais experientes aos inexperientes, aumentando dessa forma a segurança da tripulação do mar em caso de pane. No entanto, esta questão fez surgir um ponto importante que vem caracterizando a atividade jangadeira, o desinteresse pelos mais novos em aprender e dar continuidade ao ofício, associado ao fato de a Marinha do Brasil proibir que menores de 16 anos trabalhem na pescaria. Antigamente, os jangadeiros costumavam levar seus filhos desde pequenos e pelos motivos mencionados, esta prática vem deixando de ser vista.

Outras questões sobre a cooperação na atividade em prol da segurança foram abordadas, como a importância da comunicação entre os jangadeiros e da atenção que devem ter para saber quem saiu para o mar e os horários de saída. Dessa forma, caso alguma jangada demore mais do que o previsto para retornar, os demais jangadeiros iniciem as buscas, como ocorreu no caso do incidente relatado no início da explanação desta oficina, onde a agilidade e a atitude dos jangadeiros que estavam em terra foram imprescindíveis para encontrarem os tripulantes naufragados em tempo de serem socorridos. O uso de telefonia móvel também foi sugerido, visto que não é uma prática comum a todos os jangadeiros e na maioria dos pesqueiros há cobertura dos serviços de telefonia, possibilitando a comunicação entre os jangadeiros. Por fim, a coordenadora do projeto buscou fazer uma reflexão sobre a exposição aos riscos os quais os jangadeiros comumente se sujeitam, muitas vezes por necessidade, por depender da pescaria para sobreviver e dar sustento aos familiares, mas que, uma vez tendo consciência de que as condições climáticas não estão favoráveis à pesca, todos os procedimentos que garantam sua segurança não tenham sido tomados ou ainda, que a jangada não esteja em condições propícias para enfrentar o mar, é preferível que o jangadeiro procure retomar as condições de estabilidade que garantam sua segurança.

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