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Lagets motivasjon i 2020

4.3 A VLYST SESONG OG MOTIVASJON

4.3.2 Lagets motivasjon i 2020

Com base nas discussões da Oficina de Nutrição, identificamos como propostas

de capacitação a necessidade de conscientizar os jangadeiros sobre a forma correta de

preparar, manipular e armazenar os alimentos para que durem mais. Quanto às propostas de projeto, identificamos a necessidade de:

- Haver um local adequado na embarcação para o armazenamento dos alimentos sem que estejam em contato com outros objetos, indispensável para uma maior durabilidade destes e para uma alimentação segura;

- Utilizar material neste local que seja de fácil higienização e não propicie a proliferação de microorganismos.

5.1.6 6ª Oficina

A 6ª oficina foi realizada no dia 28 de agosto de 2010. A coordenadora do Projeto Jangadeiros deu início à oficina falando sobre os riscos de acidentes na atividade jangadeira e o que poderia ser feito para diminuir esses riscos, como, por exemplo, o risco que os jangadeiros correm ao se distanciarem muito da costa em busca do pescado. A proposição para iniciar a oficina com este tema surgiu a partir de um fato ocorrido na semana anterior a esta, onde uma jangada naufragou em uma praia do Muriú, litoral do Rio Grande do Norte e até aquele momento os tripulantes estavam

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desaparecidos. De acordo com as reportagens sobre o acidente ocorrido, estes não dispunham da vela, somente do motor. É sabido que com a ausência de um sistema de redundância para navegação, os riscos de acidentes se tornam maiores. Com base no exposto, buscou-se conscientizar os jangadeiros sobre a importância da preservação do uso da vela para o caso de haver panes no motor, chamando atenção para a comodidade proporcionada pelo uso deste, fazendo com que os novos jangadeiros que ingressam na atividade não dêem a devida importância à vela ou não saibam manuseá-la adequadamente. As causas por este desinteresse crescente em utilizar a vela ocorrem, principalmente, por não ser uma tarefa fácil e exigir experiência dos jangadeiros, além de requerer conhecimentos específicos sobre as condições dos ventos, condições climáticas, sobre sua manuseabilidade, etc. Além deste aspecto, a preservação do uso da vela possibilita a redução de custos ao jangadeiro para aquisição de combustível, além de poluir menos o meio ambiente. Outra vantagem foi exposta por um jangadeiro: “A

vela é mais rápido, pra descer pra terra é mais rápido.” (Jangadeiro participante das oficinas). Quando há condições favoráveis de vento para o retorno da pescaria, a

navegação se torna mais rápida com o uso da vela.

O segundo momento da oficina teve como foco as abordagens sobre a interferência do meio ambiente na atividade dos jangadeiros, causando impactos como a redução da produção pesqueira, agravada pela poluição do mar, pelo aumento do número de embarcações, a urbanização e o turismo. A mudança nas condições climáticas também trouxe alterações na atividade e todas essas questões trazem prejuízo aos pescadores. O inverso desta interferência, ou seja, os impactos que a atividade jangadeira causa no meio ambiente também foram discutidos, como a pesca predatória que ocorre em jangadas devido ao uso das redes, assim como em outros tipos de embarcação, com capacidade de capturar uma quantidade considerável de peixes, inclusive os que ainda estão se reproduzindo. As discussões visaram conscientizar os jangadeiros sobre o que poderia ser feito para diminuir estes impactos na atividade de trabalho. Os resultados das pesquisas com foco no meio ambiente encontram-se detalhados no trabalho de Celestino (2010).

Para propor melhorias no projeto da jangada, discutimos a necessidade de haver um local específico na embarcação para armazenamento dos resíduos oriundos da atividade jangadeira ou da ação cotidiana dos jangadeiros, combatendo a destinação

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inadequada destes resíduos, o que prejudica o meio ambiente. Muitas vezes estes são descartados no mar, como vísceras, restos de alimentos e embalagens plásticas sem que haja nenhuma consciência dos danos que isso pode causar, como pode ser identificado através das fala dos jangadeiros: “Se for é jogar no mar, a maioria faz isso mermo!

Hoje eu não faço mais, mas antes eu fazia.” (Jangadeiro – J22); “Eu tiro por mim que eu pesco na canoa ali e o gelo que eu levo é em garrafa, eu tenho que cortar ela pra tirar o gelo e eu sempre jogo no mar agora não vou jogar mais. E eu jogo bem onde tem muita tartaruga eu jogo... e vai simbora mermo num quero nem saber! Vou soltando aí num to nem aí, num faz mal pra mim!” (Jangadeiro – J9). Alguns

jangadeiros apontaram a popa como sendo o local adequado para inserir um dispositivo de armazenamento de resíduos, visto que esta área é pouco utilizada, principalmente quando o meio de propulsão utilizado é o motor, não estando a vela e o estai abertos e ocupando espaço na embarcação. O jangadeiro J1 aponta uma possível solução: “Fazia

um caixãozinho do lado da jangada onde você colocava todo o lixo. Em qualquer espaço dessa jangada aí tem onde levar, hoje que a gente num trabalha mais com a vela, trabalha no motor, né? Realmente não toma muito espaço. Um caixãozinho de você colocar seu lixo dentro.” Para o jangadeiro J22, este dispositivo poderia se

localizar abaixo do banco de governo: “O ideal era se pudesse fazer um caixão de baixo

do banco.” Para outros, a inserção desse dispositivo só ocuparia espaço, podendo-se

apenas pendurar uma sacola plástica no espeque da jangada para depositar os resíduos, o que, na percepção de outro jangadeiro, não seria correto, pois a sacola poderia rasgar. A tampa da jangada que fica próximo ao banco de governo também foi apontada como local para dispor os resíduos, “isso é só acumular o lixo dentro da tampa de trás, não

vai ter pobrema.” (Jangadeiro – J9).

Com base nas discussões estabelecidas, vimos que as opiniões se dividiam quanto à percepção de armazenar o resíduo na embarcação para não poluir o meio ambiente, tornando necessária a continuidade do processo de conscientização dos jangadeiros para as questões ambientais.