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Kostnader med fotball som SL

4.2 B REDDEFOTBALL SOM S ERIOUS L EISURE

4.2.2 Kostnader med fotball som SL

Quanto às propostas de capacitação, identificamos ser necessário retomar as discussões sobre os problemas de saúde dos jangadeiros como conseqüência do esforço

Figura 61: 2ª Oficina de projeto. Fonte: Acervo do Projeto Jangadeiros (GREPE/UFRN)

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físico durante o transporte de jangadas com rolos, como embasamento para a continuidade das discussões sobre o projeto do carrinho.

Como proposta de gestão da atividade, identificamos a necessidade de repassar as informações sobre doenças ocupacionais da atividade jangadeira aos órgãos e instituições relacionados à pesca.

Quanto às propostas de projeto, foram apontadas algumas questões que devem ser consideradas no projeto de uma jangada, a saber:

- Utilizar duas tampas no projeto da jangada;

- Definir altura suficiente para o armazenamento de redes no interior da embarcação; - Optar por angulação do convés, evitando o acúmulo de água em sua superfície e os riscos de imersão da parte frontal da jangada durante a navegação, principalmente quando da utilização do motor;

- Melhorar a flutuabilidade da embarcação utilizando material nas extremidades do cavername, diminuindo o risco de acidentes quando da possível ocorrência de viradas no mar;

- Aproveitar o espaço em baixo do banco de governo para armazenamento de objetos. Para o projeto do carrinho, identificamos como sendo necessário:

- Considerar o peso da jangada;

- Inserir um puxador na extremidade do carrinho como mais um ponto de apoio para transportar a jangada.

5.1.3 3ª Oficina

A terceira oficina foi realizada no dia 19 de junho de 2010. A partir da necessidade identificada na reunião anterior de retomar as discussões sobre os problemas de saúde dos jangadeiros como conseqüência do esforço físico durante a realização de algumas etapas da atividade, a oficina foi iniciada pela mestranda da área de saúde com formação em fisioterapia. Esta primeira etapa, denominada análise dos aspectos de biomecânica, foi importante para relacionar a dificuldade de atracamento das jangadas na praia, as posturas envolvidas, o intenso esforço físico e os riscos de lesões dos membros inferiores com a etapa da atividade de movimentar a jangada com

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auxílio dos rolos de coqueiro, e, por conseguinte, para retomar e aprofundar a discussão sobre o desenvolvimento do carrinho. Desta forma, a mestranda apresentou a relação do movimento corporal com as posturas e as dores, verificando as queixas de dores dos jangadeiros e as partes do corpo onde há maior incidência destas, além da sua relação com as etapas da atividade, apontando as conseqüências para o trabalhador. Foram projetadas imagens dos jangadeiros em atividade, viabilizando análises conjuntas entre os grupos técnico e social. A interação dos jangadeiros ocorreu de forma não apenas verbal, mas corporal, quando se erguiam para gesticular e representar seus movimentos durante a atividade de trabalho, permitindo uma melhor compreensão ao grupo técnico.

Foi possível validar as informações sobre a ocorrência de dores presentes na atividade e restituir as causas dessas dores, em virtude do movimento constante para se abaixarem e se erguerem desde quando saem de casa e iniciam os preparativos para a pescaria, durante a preparação da embarcação e durante o momento de puxar/empurrar a jangada na praia com utilização de rolos de coqueiro. Embora o foco das discussões tenha sido o transporte da jangada com rolos, alguns jangadeiros relataram dores durante a colocação das redes no interior da jangada: “Tem o movimento também da

pessoa butá as rede dentro da jangada, prejudica o pescoço, a coluna, prejudica tudo.” (Jangadeiro – J15); “O que mexe mais é aquela parte que você falou primeiro (região lombar) o cara se abaixa demais pra butá rede dentro. É por isso que muita gente não quer butá rede dentro da jangada.” (Jangadeiro – J10).

Retomando as abordagens sobre os problemas ao puxar/empurrar as jangadas, os jangadeiros relataram a dificuldade de movimentar a embarcação quando esta atola na areia, o que geralmente ocorre no inverno em virtude da maré alta, deixando a areia menos compacta. A projeção de imagens correspondentes a esta etapa da atividade foi importante nas discussões, fazendo surgir comentários como os do jangadeiro J10:

“Você fica naquela posição, oh... tem que sigurá a jangada pra ela não bater, aí você coisa mais a coluna.” As chuvas foram apontadas como responsáveis pela alteração na

geografia do terreno por causa das enxurradas, podendo abrir crateras na areia próximo à área onde se encontram as saídas de esgoto (no mesmo local onde as jangadas ficam estacionadas), dificultando a movimentação das jangadas. Segundo os jangadeiros, a mudança nos ventos também dificulta esta operação, visto que o “vento de fora” – termo utilizado pelos jangadeiros – traz areia fofa dos morros para o local onde as

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jangadas ficam estacionadas. As falas a seguir enfatizam essas questões: “Se for uma

areia muito frouxa ela (a jangada) não sai não” (Jangadeiro – J15); “Essa areia vem circulando, vem rolando, e fica ali onde a gente coloca as jangada que você não tem condições de puxar” (Jangadeiro – J10). O esforço físico torna-se maior quando os

jangadeiros precisam fazer regulações que permitam rolar a jangada na areia quando esta se encontra nas condições acima descritas. Segundo os jangadeiros, a popa da jangada precisa ser suspensa, o rolo disposto mais atrás da jangada precisa ser rapidamente trazido para próximo ao rolo disposto no meio e após deslizar, este segundo rolo é levado para trás, repetindo o movimento até desatolar a jangada. Alguns jangadeiros utilizam estivas para facilitar a operação.

Embora durante a pesquisa a equipe técnica tenha utilizado métodos observacionais para compreender a organização do trabalho durante o transporte das jangadas, o ambiente de interação com os jangadeiros, propiciado pelas oficinas, foi de suma importância para esclarecer algumas questões ainda ocultas a partir da projeção de imagens e de vídeos desta etapa da atividade. As posturas realizadas pelas pessoas que auxiliam no transporte da jangada foram restituídas aos jangadeiros, ao passo que estes comentaram sobre o papel de cada uma destas. Embora o grupo técnico tenha identificado a torção de tronco nas pessoas que empurram a jangada na popa, os jangadeiros relataram que esta postura é indispensável, pois precisam permanecer desta forma para obterem mais apoio ao mesmo tempo em que precisam visualizar os rolos para não machucarem os pés e para que a jangada permaneça alinhada nos rolos, evitando que estes entrem em choque com o compensado e danifiquem a embarcação. A fala do jangadeiro J10 demonstra esta questão: “você ficando de banda você vê quando

ele ta de cá e sai do outro lado porque se você ficar atrás o rolo quando sai do outro lado vem direto nas suas perna.” Ainda segundo os jangadeiros, as pessoas que

empurram a jangada lateralmente, no meio da jangada, são importantes para direcionar a embarcação, conforme fala do jangadeiro J2: “cada um tem que inquilibrar a proa de

um lado e de outro pra sair sempre aprumada.” As pessoas que empurram a jangada na

popa são importantes para guiar as pessoas que puxam a embarcação pela proa, devendo haver comunicação entre elas para evitar acidentes com os membros inferiores devido ao contato com os rolos ou com o patião. Os jangadeiros apontaram o descuido como a causa para estes acidentes, não estando relacionada à experiência do pescador:

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“As vezes você se discuida, os acidente acontece mais por causa dessas coisas.” (Jangadeiro – J10).

Quanto ao movimento que fazem para se abaixarem e pegarem os rolos, todos disseram ter consciência de flexionar os joelhos para não prejudicar a coluna, embora se tenha observado que eles também flexionam a coluna para fazer o movimento. O peso dos rolos também foi apontado por eles como agravante para a realização do movimento, alguns pesam mais do que outros em virtude do tipo de coqueiro utilizado. De acordo com o jangadeiro J15, o rolo feito com “coqueiro anão” é mais maneiro do que o confeccionado com coqueiro comum.

Com base nas questões discutidas, buscou-se conscientizar os jangadeiros sobre a importância de desenvolver o carrinho para diminuir as dores e melhorar as posturas envolvidas durante esta etapa da atividade, ainda sob a resistência de alguns, conforme relato a seguir: “Eu acho que não tem como o pescador evitar de machucar a coluna

não, porque tem gente aqui que inté lá fora é um poblema” (Jangadeiro – J15), opinião

contrária a do jangadeiro J2: “Diminuir um pouco tem como.” Por fim, a oficina de biomecânica foi encerrada com a participação da mestranda da área de saúde com formação em Educação Física, a qual buscou conscientizar os jangadeiros sobre a importância de minimizar as dores provenientes da atividade através de alongamentos, ensinando a eles os exercícios físicos.