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5. Avslutning

5.1 Oppsummering av hovedfunn og praktiske implikasjoner

No século XX, a classe, o gênero e a raça se tornaram tão interligados que é impossível relatar uma história da confecção que não leva em conta a forma como esses fatores se entrecruzam para fazer com que esta indústria seja uma das mais pobres ao que diz respeito a salários e condições. Ao ter presente esta história, abre-se uma grande disparidade

entre a moda como a liberdade de expressão, o lúdico e de entretenimento, e da moda como um sistema opressivo de produção. No que diz respeito ao corpo do usuário contrasta

fortemente com o trabalhador que é quase invariavelmente incapazes de comprar as roupas que fabrica.” (Entwistle, 2002, p. 237. Grifo da autora)xcv

São com estas ideias, aparentemente contraditórias sobre o fenômeno da Moda que se iniciam os questionamentos aqui propostos. Sendo a Moda, por um lado, como argumenta Entwistle (2002), “liberdade de expressão, lúdico e entretenimento” e por outro lado “um sistema opressivo de produção”.

Tendo em mente que o que se busca no final é como conceituar a Moda de forma emancipada das formas heteronormativas de produção. Então, em resumo, é possível dizer que a história da indústria têxtil e do vestuário é bastante vergonhosa, o que talvez seja o motivo pelo qual esta história é pouco falada, analisada e questionada dentro dos próprios cursos de Moda, para Entwistle a produção industrial e massificada de produtos de moda “[…] tem alimentado-se do trabalho dos mais vulneráveis, das mulheres operárias, crianças e novas populações de imigrantes.” (Entwistle, 2002, p. 237)xcvi. Neste sentido Entwistle argumenta:

A expansão do capitalismo nos séculos XVIII e XIX dependia da exploração dos recursos dos países em desenvolvimento, tais efeitos foram devastadores sobre os povos indígenas e ao meio ambiente. A expansão do capitalismo de "mercado livre" tem gerado uma busca

contínua para um maior proveito dos fabricantes da indústria têxtil e do vestuário, que depende de procurar e explorar a mão-de-obra mais barata nos países em desenvolvimento, assim como na população indígena imigrante. (Entwistle, 2002, p. 236-237)xcvii

Assim, a história das indústrias têxtil e do vestuário está intercruzada com a configuração e formação da sociedade heteronormativa, onde as questões de sexo, gênero e etnicidade carregam conjuntos simbólicos com peso de “valor”, sendo esta a justificativa para alguns serem considerados inferiores e portanto legitimados para serem vítimas de exploração, marginalização e estereotipação. Entwistle exemplifica esta questão com a história da Grã- Bretanha:

A Grã-Bretanha foi a primeira nação à industrializar-se e a produção têxtil, especialmente do algodão, foi o motor que impulsionava este desenvolvimento (Wilson, 1985). […] A indústria do algodão britânico cresceu exponencialmente no século XIX e a Grã-Bretanha se tornou um grande consumidor dos recursos naturais de suas colônias no subcontinente indiano, deste modo destruindo o mercado indiano. Chhacchi (1984) argumenta que os britânicos conduziram à ruína o artesanato e os teares tradicionais da Índia e se tornou um dos países têxteis mais antigos do mundo em importadores de tecidos da Inglaterra. (Entwistle, 2002, p. 239)xcviii

Já no começo da industrialização têxtil, como ilustra a citação, percebe-se claramente que a indústria do algodão no século XIX foi uma das responsáveis por destruir a cultura artesanal e de teares na Índia, e transformou-a em um país importador de tecidos da Inglaterra.

Portanto, é possível dizer que a expansão industrial capitalista seguiu os mesmos passos e os mesmos discursos que justificavam as práticas imperialistas, exploratórias, colonizadoras e discriminatórias. E, é neste sentido que a pesquisa convencionou em nomear a industrialização em grande escala e massificada de “industrialização imperialista”16. Ainda neste mesmo prisma, Entwistle discute que:

A indústria do vestuário tem estado sempre contaminada por uma nociva criatura conhecida como o “Ateliê explorador” (sweatshop). A palavra conjura imagens de lugares sufocantes e sótãos escuros arrebanhados de mulheres e crianças trabalhando sem parar durante a noite por salários que escassamente lhe servem para comer. […] É a peculiar natureza desta indústria, cujas condições podem ver-se hoje em dia mais ou menos tal como eram a cem anos atrás. (Entwistle, 2002, p. 239)xcix

Por causa destas situações é que a Moda carrega um “obsoleto preconceito” sobre sua legitimação como prática cultural, porém a industrialização imperialista foi e continua sendo a responsável nociva tanto para a liberdade criativa da Moda, quanto para o meio-ambiente e para as culturas não ocidentais ou coloniais, assim também quanto para a disseminação de discursos normalizadores e classificatórios dos indivíduos segundo a lógica da inteligibilidade heterocentrada e binária. Como argumenta Entwistle:

Estes padrões exploratórios tem suas origens nos tempos pré-industriais: em suas análises das relações de género na indústria têxtil e de vestuário, Lown e Chenut dizem que “no

16 Imperialismo: Dominação econômica de um país sobre o outro. Processo que ocorreu principalmente

no período colonial, quando as colônias eram dependentes da metrópole e exploradas por ela. (Fonte: http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/industrializacao-imperialismo.htm

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processo de criação da mudança industrial e tecnológica haviam muitos conceitos implícitos relativos ao comportamento adequado entre os gêneros das mulheres trabalhadoras e muitos medos sobre as implicações de quaisquer mudanças nos padrões familiares de papéis de gênero. (1984, pág. 25). (Entwistle, 2002, p. 241)c

Isto porque a partir do século XIX houve a fetichização da mulher trabalhadora de fábrica, a partir dos discursos médicos e psiquiátricos, e formou-se no imaginário coletivo que as mulheres de classes trabalhadoras eram mais “naturais”, por isso menos civilizadas, e mais sexualizadas, o que gerava certa desconfiança de suas condutas, como se elas fossem capazes de subverter a ordem burguesa estabelecida até aquele momento. Por isso que:

Embora houvesse algumas tecedeiras no século XVIII foram gradualmente substituídos por tecelões cada vez mais inseguros de suas posições, criaram grémios para excluir as mulheres e as crianças. Com o advento da mecanização para a produção de tecidos (os teares de seda foram os primeiros a ser mecanizada, seguido em 1718 pelo primeiro moinho de água em Derby e mais tarde por motores a vapor), a produção mudou-se de casa para fábricas. Sob o sistema da fábrica, os papéis de gênero existentes se reproduziam: mulheres e crianças foram empregados para operar os teares elétricos e os homens supervisionavam. Esta divisão do trabalho também era uma divisão de salários e posição social desde que os homens ganhavam mais do que as mulheres, que geralmente cobravam por peça produzida (ou seja, pela quantidade de fios produzidos).” (Entwistle, 2002, p. 241)ci

Desta forma é possível concluir que a “industrialização reproduzia as características relações de gênero desiguais da época pré-industrial, assim como a divisão de gêneros entre "qualificado" e "não qualificado." (Entwistle, 2002, p 241)cii. Ainda nas argumentações de Entwistle, para ela essa relação significa que:

[…] As tarefas típicas dos homens recebiam a categoria de superior e "qualificado", ao passo que não acontecia o mesmo com as tarefas das mulheres. Apesar dessas divisões não terem nada de “naturais”, as ideias sobre as capacidades "naturais" de homens e mulheres foram usadas para apoiar estes argumentos. (Entwistle, 2002, p 241)ciii

Estas questões do início da industrialização têxtil repercutiram não só na exploração de mulheres e crianças, mas também perpassou por questões étnicas. Entwistle comenta inclusiva a situação das minorias étnicas tanto femininas quanto masculinas:

Segundo Lown e Chenut (1984), no século XX a companhia têxtil Courtaulds projetou máquinas que pudessem ser manipuladas por jovens mãos femininas e buscaram mão-de- obra feminina em áreas onde a pobreza era muito alta. Escolheram Halstead em Essex, porque era uma zona agrícola deprimida que havia sofrido muito […] Isto proporcionou a Courtaulds uma mão-de-obra feita à medida para a exploração. (Entwistle, 2002, p 243)civ

Dentro da cadeia de subcontratações das indústrias britânicas, os homens não brancos que nelas trabalhavam também possuíam salários baixos e péssimas condições de trabalho, mas como “disse Phizacklea (1990) que se os homens de outras raças tinham uma posição social baixa, a posição social das mulheres era ainda pior.” (Entwistle, 2002, p 245)cv

A história mostra que estas situações de explorações da classe trabalhadora e das minorias étnicas nunca foram aceitas passivamente e a história está repleta de situações de revoltas e rebeliões. Tal como expõe Andrew Ross, citado por Entwistle: “Uma vez que estas indústrias testemunharam alguns dos piores excessos de trabalho, também tem-se associado com as

vitórias históricas para os trabalhadores e representam um marco simbólico na paisagem da iconografia laboral.” (Andrew Ross, 1997, p. 11, citado por Entwistle, 2002, p. 245)cvi

Ainda no século XXI percebe-se novas relações de exploração dentro da cadeia industrial de produção, que contemporaneamente são chamadas de “Industrialização Neocolonial” que segundo Entwistle, ainda hoje são “construídas sobre os cimentos das diferenças raciais e étnicas, assim como das de género.” (Entwistle, 2002, p. 246)cvii

Portanto, o que aqui se demonstra, é que as relações de produção que se baseiam na exploração (seja ela física ou simbólica) estão sempre assentadas sobre justificativas da desqualificação do “outro diferente”, portanto do polo binário inferior. É neste mesmo sentido argumentativo que Entwistle defende:

A história da industrialização na indústria de vestuário e indústria têxtil está inevitavelmente ligada à exploração colonial do estrangeiro, bem como a exploração no país de origem. Os padrões de relações industriais baseadas na desigualdade estabelecida no