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Oppsummering av funn

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45 5 Oppsummering og konklusjon

5.1 Oppsummering av funn

288 Taça oferecida pelo laboratório Ionduran, ao vencedor de um jogo entre o campeão carioca e o

182 atribuídas ao clube. É nesta capacidade de articular o imaginário do clube e sua prática social que residia a magia que esses presidentes pareciam emanar. Concordando com Burlamaqui, se os clubes de futebol são microcosmos refletidos do Estado Nação, o presidente pode afigurar-se com o líder carismático e salvador, aquele que aparece em momento de crise dotado de poderes mágicos (Burlamaqui, 2013:153). Esses cartolas representavam a própria entidade, exalavam um carisma construído pelo êxito na administração e na vitória esportiva, “somente aqueles vencedores é que serão dignos de culto e lembrados a longo e médio prazo” (Burlamaqui, 2013:154).

A imagem do Paulistano e do Fluminense como clubes de elite perpetuaram-se pelo carisma de seus presidentes, em uma circularidade entre o estilo de direção e a imagem dos dirigentes, eles representaram o próprio ethos do grupo social, ou seja, o que o dirigente é, torna-se o que o clube é. Antônio Prado Junior e Arnaldo Guinle eram ricos e sofisticados assim como os seus clubes. Essas agremiações eram, portanto, como “comunidades imaginadas” (Anderson, 2008). Os dirigentes representavam as tradições dessa comunidade clubística, seus sistemas de códigos e de habitus, consentindo extrair dos sócios do Fluminense e do Paulistano uma “nobreza” atribuída a uma noção de riqueza aristocratizada. Seus legados continuaram pois a maior parte dos dirigentes – que os sucederam – vieram de camadas médias e altas da sociedade, com fortes vínculos familiares ou de amizades com o patrono289.

Seguindo a premissa de Gertz (1978b), que compreende o jogo como drama, o esporte é uma fábrica de alteridades e identidades, aceitando que uma série de valores possa ser discutida. As longas administrações de Prado Junior e Guinle tiveram um caráter de doação adquirindo uma característica patrimonialista, essas doações foram feitas ao longo de muitos anos, representavam o modelo do “patrão-mecenas” discreto, implicando não em uma paixão cega, mas na temperança e em um equilíbrio moral e detalhista necessário para dar a suas agremiações uma alma, uma identidade. À comunidade esportiva, restava receber a dádiva de seu patrono e beneficiar-se com ela, promover o esporte, em seu nome e de seu protetor. Não há possibilidade de o doador existir sem a capacidade de receber daquele que se beneficia da doação, portanto, ao clube e seus associados cabe usufruir da doação dentro dos princípios e regras

289 No caso do Fluminense, sobrenomes de destaque durante a administração de Arnaldo Guinle, como

Mario Pollo, os Carneiro de Mendonça e os Coelho Netto, assumiram a presidência ou cargos de muita influência, assim como no Paulistano em que, após a saída de Antônio Prado Junior, em 1955, Fernando Amaral assumiu a presidência do clube.

183 estabelecidas pelo doador que passa a ser a própria representação da instituição, que se reconhece na forma de pensar e agir de seu patrono. Por tudo, isso é correto afirmar que existe uma conexão entre as formas desses dois dirigentes administrarem e as representações historicamente construídas e entronizadas no imaginário dos clubes.

As gestões do Fluminense e do paulistano refletiam o cosmopolitismo e otimismo reinante nas duas cidades, o crescimento econômico e as reformas urbanas estabeleciam um desejo pela modernidade, finalmente o século XX havia chegado para superar o Brasil rural do século XIX. O progresso chegava e com ele as praticas esportivas ganhvam contornos mais definidos. Novos esportes, surgidos com a modernização tecnológica, foram adotados pelos segmentos mais enriquecidos da sociedade, o futebol ganhou a concorrência de novos modismos esportivos, constatados nas obras de ampliação feitas nas sedes do Paulistano e do Fluminense, que abriram mais espaços para outros esportes, que não o futebol, em especial aqueles que permitiam a presença feminina.

2.2 - O esporte como elemento de distinção social e corporal.

Realizada a 21 de dezembro entre Flamengo e Fluminense a partida que decidiu o campeonato carioca de 1919 foi também o grande momento do goleiro Marcos Carneiro, do atacante Welfare e seus companheiros no Fluminense. O goleiro teve uma atuação impecável defendendo um pênalti e realizando três defesas na jogada seguinte a cobrança da penalidade290.

O jogo despertou grande interesse em toda a cidade, a imprensa dava total cobertura ao evento, o jornal O Paiz chegou a dizer que o jogo era a “preocupação máxima da cidade”291, “o maior acontecimento da história do futebol carioca”292. Uma multidão compareceu ao estádio do Fluminense293. Os portões foram fechados mais de uma hora antes da partida, calcula-se que cerca de 5.000 pessoas ficaram do lado de fora. Os 18.000 presentes294 pagaram um ingresso de 5.000$000 para as arquibancadas e

290 O Paiz, 22 de dezembro de 1919. Álbum de recorte de jornais do FFC, s/p. 291 Ibidem.

292 Ibidem. 293 Ibidem.

294 O Jornal do Commercio fala em 30.000 pessoas. Jornal do Commercio, 22 de dezembro de 1919.

184 1.000$000 para geral295. Entre os convidados estavam o presidente da República, Epitácio Pessoa, o Ministro da Marinha e o chefe de polícia296.

A vitória do Fluminense por 4 x 0 culminou com a conquista da Taça Colombo de forma definitiva. Após o jogo uma grande festa popular realizou-se, a vitória foi saudada com uma banda de clarins e salva de 21 tiros de canhões, o presidente ofereceu 11 medalhas de ouro para os campeões, ademais os jogadores foram carregados pelos torcedores para uma volta olímpica, à frente o batalhão naval297.

Ao observar o envolvimento popular nos jogos que decidiram o campeonato carioca e o campeonato paulista de 1919, percebemos que essas partidas possuem múltiplos significados simbólicos, pois ao mesmo tempo em que representaram o coroamento de um determinado tipo de futebol marcado pela distinção, sofisticação e cavalheirismo de uma plateia seleta, representaram também o fim desse tipo de futebol restrito a partir da participação popular efusiva comemorando a vitória de seus times. Por mais que o caráter elitista da organização interna dos clubes permanecesse, o futebol adquiriu um outro significado capaz de empolgar pessoas de todos os grupos sociais.

Essa mudança trazia novos elementos ao futebol que pareciam incomodar aos setores mais tradicionais do campo esportivo. A revista Atlética, de 06 de fevereiro de 1920, criticou a postura do Fluminense por ter dado aos jogadores tricampeões o título de sócio remido do clube. Essa regalia ocorria quando um associado pagava uma grande quantia de uma só vez e ficava isento de mensalidade. A revista levanta que um título deste custaria dois contos de réis e que isso era uma forma de remunerar indiretamente os jogadores. Para o periódico, a atitude ao invés de homenagear os atletas os desonrou, pois o pagamento tornou a conquista uma “bravura mercenária”298. À medida que o futebol popularizava-se, começava-se demonstrar as contradições do regime amador.

Ao longo da década de 1920 é possível perceber que o futebol rapidamente vai perdendo seu caráter de distinção e assumindo uma postura mais popular, essa popularização do futebol deve ser entendida como uma popularização das praticas

295 O Paiz, 14 de dezembro de 1919. Álbum de recorte de jornais do Fluminense FC, s/p. 296 Ibidem.

297 O Paiz, 22 de dezembro de 1919 e Netto (2002:62). Álbum de recorte de jornais do Fluminense FC,

s/p.

185 esportivas, mesmo aquelas em que a maioria da população não tinha acesso como o automobilismo e a aviação.

Embora o futebol fosse o preferido, modismos como a aviação, o automobilismo e motociclismo atraiam a atenção. Os aviadores sempre ganhavam destaque na imprensa pela grandeza da então recente invenção. O primeiro grande evento da aviação foi a chegada a São Paulo de Lafay e Verdier, vindos com a missão francesa junto ao Exército brasileiro. Os militares franceses sobrevoaram a cidade e jogaram flores299. A aviação possuía um número muito reduzido de praticantes, em virtude de seus custos, não obstante, uma verdadeira multidão acompanhava as performances dos aviadores geralmente estrangeiros. Em 1912, os pilotos Roland Garros (francês) e Eduardo Chaves (brasileiro) realizaram um raide entre Santos e São Paulo. Ao chegar a São Paulo, sobrevoaram a cidade por cerca de 25 minutos, fazendo manobras arrojadas. Antônio Prado Junior foi um dos primeiros a reverenciar o novo esporte tornando-se o primeiro presidente do Aeroclube de São Paulo, um dos locais mais seletos da cidade300. Os ídolos não eram só os jogadores de futebol, as aclamações maiores em São Paulo dividiam-se entre o artilheiro Paulistano Friedenreich e o aviador Edu Chaves, denominado de o Capitão do ares, detentor de todos os recordes aeronáuticos. (Sevcenko, 1992:57). A aviação e o futebol não eram contraditórios, muitas vezes se juntavam para promover o novo modismo, como demonstrava a matéria do Estado de São Paulo.

O sr. Edu Chaves, competente e dedicado aviador patrício que a um mês inaugurou nesta capital, no aeroporto de Guapira, a sua escola civil de aviação, teve a lembrança de convidar o primeiro quadro do team do Club Athletico Paulistano para diversos voos de acrobacia no seu aparelho.

Assim foi que ontem, em Guapira, subiram em sua companhia os jogadores Carlito, Carlos de Araújo, Rubens Salles e Friedenreich.

299 A Missão Francesa consistiu na visita de vários aviadores para exibições em São Paulo. O Estado de São Paulo, 28 de abril de 1919. Álbum de recorte de jornais do CAP – 1920, p5.

300 A aviação desenvolveu-se partir do voo de Santos Dumont em 1906 com seu avião 14 bis, logo

seguidores de Dumont começaram a interessar-se pelo caro e arriscado esporte. Edu Chaves foi o maior piloto da época, com seu avião fazia voos de exibição pela cidade realizando manobras arrojadas. Edu era membro de uma família rica e oligárquica, primo de Antônio Prado Junior, estudou na Escola Politécnica de São Paulo e partiu para a França com 23 anos tornando-se aviador, tendo ganhado vários prêmios e batido vários recordes na Europa, de volta a São Paulo em 1920, lançou o desafio de voar Rio-Buenos Aires, realizado por ele em um avião do governo do Estado (Schupun, 1999:69).

186 Estes jogadores trouxeram das acrobacias com o Edu Chaves, as melhores impressões, elogiando a maneira segura e calma por que esse piloto executa as evoluções301.

O automobilismo também era um esporte de praticantes reduzidos. Esse esporte não era uma novidade como a aviação, sua origem remonta ao início do século XX. Nomes como Luiz Santos Dumont (irmão do aviador), Washington Luiz e o próprio Antônio Prado Junior foram seus precursores. Logo depois, juntaram-se a esses, Luiz Fonseca, Júlio Prestes e Armando Prado, quase todos viviam mais em Paris do que em São Paulo.

Há três para quatro anos, o sr. Washington Luiz, então secretário de justiça e Segurança Pública, aos domingos, fazia grandes excursões de automóvel.

Mais tarde, o dr. Antônio Prado Jr. E outros sportman, encantados com a descrição desse belíssimo passeio realizaram- no também verificando, ao mesmo tempo, que nesse trecho se poderia fazer uma corrida de automóvel, à semelhança das que anualmente se realizam em França302.

Considerado um brinquedo de meninos ricos, o automobilismo transformou a Avenida Paulista em pista de corridas quando a prefeitura a asfaltou criando um piso uniforme e contínuo303.

Junto com a aviação e o automobilismo, a elite paulista praticava o hipismo, outro esporte caracterizado pela sofisticação burguesa. No Velódromo eram realizadas não só as provas de ciclismo, mas as corridas de cavalo. Antônio Prado Junior foi membro da sociedade Hípica Paulista fundada em 1911, sua nova sede construída após o fim do Velódromo e inaugurada em 1921, em um terreno de 75.000m² doado pelo Governador Washington Luiz no mesmo ano do Automóvel Club. Tais clubes tornaram-se os mais sofisticados da cidade, com uma bela piscina, pista de atletismo e aeroporto304.

O hipismo trazia a novidade de ser praticado por mulheres. O desenvolvimento esportivo na década de 1920 não pode deixar de levar em consideração a participação cada vez maior das mulheres. Na obra “Beleza em jogo”, Monica Schupun (1999)

301 O Estado de São Paulo, 24 de agosto de 1924, Álbum de recorte de jornais do CAP– 1920, p1. 302 O Estado de São Paulo, 19 de agosto de 1912. Álbum de recorte de jornais do CAP – 1912, p257. 303 Idem, 07 de setembro de 1919. Op. Cit. (Sevcenko, 1992:83).

187 examina a diferenciação do gênero feminino do masculino, partindo do contexto da vida na cidade de São Paulo nos anos vinte. A autora permite revelar como a concepção estética feminina no vestir-se e no comportar-se do período transformou-se conforme a adesão feminina as atividades esportivas construindo uma imagem de beleza e saúde que deveria ser compartilhada pelo gênero feminino. A autora cita que a esposa e a filha de Antônio Prado Júnior, Dona Eglantina e Maria Helena Ramos eram amazonas da Hípica, que a partir de 1913 oficializou a estação de “caça a raposa”: um cavaleiro hábil fazia o papel da raposa e as amazonas o caçavam. Um lazer refinado, com equipamentos caros e trajes sofisticados e importados (Schupun, 1999:57).

Diferentemente do que ocorria no Paulistano, a política desses clubes não era a de aumentar o número de sócios, ao contrário, com um caráter assumidamente elitizado, orgulhava-se de ser restrito, a necessidade de afirmar-se dessa forma era manifestada pela rígida comissão que escolhia quem podia ou não se associar. Diferentemente dos clubes de futebol, em agremiações como a Hipica e o Automóvel Club a riqueza não era o fator primordial, embora necessária, o que valia era o sobrenome (Schupun, 1999).

Entre todos os esportes que buscavam uma distinção social, aquele que foi mais praticado no Fluminense e no Paulistano foi o tênis, a cada nova reforma eram construídas cada vez mais quadras e o interesse dos sócios só aumentavam. O tênis era uma atividade que também permitia a participação das mulheres, por ser considerado um esporte adequado à condição feminina e um dos poucos onde homens e mulheres podiam jogar juntos. No Paulistano ele passou a ser praticado em 1903 e expandiu-se em 1906 após uma viagem de Antônio Prado Junior à Europa para comprar material. O clube jogava contra os seus rivais do futebol e organizava campeonatos internos305. No Rio de Janeiro, o Fluminense fazia o mesmo, sua equipe de tênis acompanhava a de futebol para os jogos interestaduais como ocorreu na excursão a Bahia em 1923.

Aviação, automobilismo, hipismo e tênis foram modismos, que mesmo restritos, fizeram parte da cultura urbana dos anos 1920, junto com o futebol, assumiram dimensão central na vida das cidades. Eles eram uma fração do desenvolvimento geral dos esportes na cultura urbana. Os eventos públicos organizaram-se de forma a permitir que todos usufruíssem dos mesmos espaços de unificação e reunião de experiências

305 O tênis foi introduzido em São Paulo pela Light & Power e São Paulo Railway no SPAC, em 1903.

Na mesma época, no CAP, ainda no Velódromo, houve um campeonato criado no mesmo ano por Antônio Prado Junior pelo troféu Prado Junior (Schpun, 1999:58).

188 urbanas coletivas expressas nos estádios e outras praças desportivas que fizeram parte do processo generalizado de difusão e organização da prática esportiva.

Esse desenvolvimento esportivo, por sua vez, conectava-se com uma nova cultura física, novas formas de apresentação corporal, não só dos atletas, mas, também, dos assistentes que envolviam as maneiras de se apresentar esteticamente em público, através das vestimentas e na maneira de portar-se, em uma estética que associava beleza e vida saudável.

Era o momento dos jovens, dos fortes e dos saudáveis, carregados de ideias de competição, buscava-se a formação de um cidadão viril. A ideologia da juventude coincidia com a sensação de progresso promovida pela riqueza do café e pelas reformas urbanas. Na década de 1920, os discursos de que os esportes preparavam os jovens para serem adultos disciplinados, eram feitos por aqueles que possuíam preocupações higiênicas, médicas e morais. Em revistas esportivas, médicos – como o doutor Fernando de Azevedo membro da Sociedade eugênica de São Paulo – dissertavam sobre os benefícios da eugenia associada ao atletismo para a saúde mental dos povos. Azevedo defendia a eugenia ao lado de uma educação física, desde o começo da vida infantil, principalmente as práticas ao ar livre.

Não vim propugnar a força, mas também e principalmente pregar a eugenia, fazer a propaganda necessária da cultura integral do homem. Para que nele se realize, com glória para o Brasil, força e beleza para os seus filhos, o ideal estético das raças: mens sana in corpore sano306.

Esperava-se que o jovem seguisse a atualidade esportiva, participasse dos eventos nos estádios, torcesse por um time de futebol e zelasse pela sua condição física praticando esportes (Schupun, 1999:38).

Nos clubes, uma multidão de jovens desde as primeiras horas da manhã exercitavam-se nos saltos ornamentais, nos barcos a remo, no tênis e na natação, utilizavam trajes sumários que causavam escândalo nas famílias e a atenção das moças307.

Nicolou Sevcenko (1992) cita um trecho do jornal O Estado de São Paulo, em que é demonstrado todo o entusiasmo pelo progresso esportivo da cidade “O ano

306 Athletica, 06 de fevereiro de 1920, p12.

189 esportivo que ontem se findou foi, nesta década do século XX, o mais fértil em grandes acontecimentos de alcance imediato e de alcance futuro para o esporte brasileiro”308. O jornal parecia adivinhar que o ano esportivo de 1919 entraria para a História como o primeiro grande momento do futebol nacional, com o sul-americano e os dois grandes jogos entre clubes que decidiram os campeonatos paulista e carioca em favor do Paulistano e do Fluminense, respectivamente. Mas não era só o futebol que chamava a atenção do jornal, era o crescimento das atividades esportivas como um todo. Esse desenvolvimento refletia o momento de celebração do corpo, dos músculos e de ações coordenadas de vozes da sociedade em defesa da prática esportiva.

O esporte ganhava nova dimensão na década de 1920 e os clubes aumentavam seu alcance, tornaram-se espaço para ações sociais como o combate à gripe espanhola309 e à distribuição de presentes de natal para as crianças pobres, como fazia o Fluminense. Os grandes esportistas tornaram-se heróis, comparados aos grandes vultos da Grécia antiga, principalmente nos textos dos parnasianos como Coelho Netto. Esses novos heróis eram inicialmente pessoas abastadas como Marcos Carneiro de Mendonça do Fluminense e Rubens Sales do Paulistano representantes do futebol elegante ou figuras polêmicas como Friendereich e Welfare. De forma diferente, esses jogadores tiveram a adoração do esporte que encantava cada vez mais um maior número de pessoas.

2.2.1 - Atletas ideais do amadorismo: Marcos Carneiro de Mendonça e Rubens Sales.

Nenhum atleta representou tão bem a imagem do Fluminense como um clube elegante e sofisticado como Marcos Carneiro de Mendonça. A história desse goleiro com o clube da Rua Guanabara teve início após a saída da maioria de seus jogadores titulares para fundar o futebol do Flamengo. O Fluminense perdeu a hegemonia técnica do futebol carioca para o América e o Flamengo310 entre 1912 e 1915. A situação começou a mudar a partir de 1914, com a vinda de vários jogadores do América e do Guanabara. Este último responsável indireto pela criação, em 1916, do time infantil do

308 O Estado de São Paulo, 01 de janeiro de 1919. Apud. Sevcenko, 1992:45.

309 O Estadinho. O football e epidemia. 18 de novembro de 1918. Álbum de recortes de jornais do CAP –

1918, p159.

310 O América foi campeão em 1913 e 1916. O Flamengo seria bi campeão em 1914 e 1915. O título de

190 Fluminense311, que revelaria vários jogadores para a equipe principal312. Com essa nova base, o clube formou um dos maiores elencos de sua história e retomou o controle do futebol carioca com a conquista dos campeonatos de 1917, 1918 e 1919. O Fluminense foi tricampeão com uma equipe basicamente formada por jovens que representavam a imagem da distinção marcada pela elegância. Seriam eles os primeiros grandes ídolos313 do clube e do esporte brasileiro, simbolizado principalmente na figura do keeper Marcos Carneiro de Mendonça.

Leonardo Pereira (1997) publicou um artigo sobre o goleiro do Fluminense, em que fez um relato de sua vida e sua importância no futebol daqueles tempos. Nascido em Cataguases, Minas Gerais em 1895, começou a jogar futebol em 1907. Marcos, associado ao América, acompanhava seu irmão nas partidas pelo clube, observando e aprendendo os segredos desse esporte em especial a posição de goal-keeper314. Foi a sua altura privilegiada de 1 metro e 85 centímetros que o levou a este posto.

Em 1910, ele já chamava a atenção no gol do Hadock Lobo, ao brilhar em uma partida contra o Fluminense315. No ano seguinte, transferiu-se para o América, um time mais forte onde os irmãos Mendonça já eram sócios316. Não demorou muito para tornar- se o goleiro titular. O jovem descrito como “alto, forte e robusto” possuía “fantástica

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